
Há cerca de ano e meio fui entrevistado para um muito interessante projecto dos alunos do curso de Antropologia de Coimbra: entrevistam antropólogos mais-velhos e estes discorrem sobre as suas experiências de terreno, cada um deixando o que entende, como é óbvio. Isso pode ser acompanhado no blog Antropia, – e a colecção de entrevistas também pode ser vista no youtube. (Já o referira aqui).
Face ao que me foi proposto optei por narrar alguns episódios dos meus erros – assentes em pressupostos – nos trabalhos de campo realizados em Moçambique, em particular nos iniciais. Pois julgo que mais importante do que narrar os “grandes feitos” próprios (se é que existem) é anunciar esses defeitos, e até falhanços, para que outros deles se resguardem.
Agora foi colocado este terceiro episódio (3’13”) que retiraram da minha entrevista. É mais um erro, clamoroso até – uma verdadeira borregada-, e ao vê-lo resmunguei um “raisparta, que strip-tease me deixei fazer…”. Enfim, aqui está o filme, a confissão da patetice em trabalho de campo feito por um cândido e – reflexividade etnográfica exige referi-lo, ainda que as questões afectivas normalmente sejam esquecidas nesta tão autopunitiva moda da reflexão sobre o posicionamento do investigador – muito apaixonado (então) jovem antropólogo. Também por isso cego e surdo ao universo feminino que enfrenta – imagino o que dirão as furibundas feministas (que abundam na corporação) que virem o excerto.
O primeiro trecho (3’30”) havia sido colocado aqui. E aqui o segundo trecho dessa minha entrevista (3’54”). Deixo aqui as ligações para quem tenha alguma curiosidade sobre esses erros de irreflexão.
