Penso rápido (88)


Pedro Correia,

Em democracia, votar é um direito. A abstenção é uma opção legítima, embora vários sistemas eleitorais contemplem o voto obrigatório.
A verdade é que sem voto não existe democracia. E sem democracia existe ditadura. Pondo as coisas de outra maneira: se forem cada vez menos a votar, a democracia deixa de ser a expressão da vontade da maioria para se tornar a expressão de uma minoria cada vez mais minoritária.
Por isso é que aqueles que não exercem o direito de voto acabam, na prática, por endossar o voto em outros. Que, sendo cada vez menos, mandam paradoxalmente cada vez mais.

47 comentários em “Penso rápido (88)”

  1. Contra a Democracia , de Jason Brennan

    Nenhum modelo político é perfeito. As circunstâncias não são imutáveis.

    Estarão as democracias a funcionar como se esperava delas?

    Em que acredita a maioria das pessoas nas sociedades ditas democráticas?

    Que a democracia é a única forma justa de governo, que todos temos direito a uma quota igual de poder político , que a participação política é boa para nós: dá-nos poder, ajuda-nos a conseguir o que queremos e tende a tornar-nos mais inteligentes, virtuosos e atentos uns aos outros. A maioria acredita nisso, mas, segundo Jason Brennan, a maioria está errada.

    Este livro tão corajoso quanto estimulante desafia as pessoas a pensarem e a debaterem as disfunções crescentes e cada vez mais visíveis que estão a impedir a democracia de realizar alguns dos seus mais importantes objectivos e ideais. O autor argumenta que a democracia deveria ser julgada pelos resultados. E estes não estão a ser bons o suficiente. Os cidadãos têm direito a um governo competente. Mas é essa a realidade?

    Com frequência a democracia apresenta-se como um domínio do ignorante e do irracional. Haverá alternativas?

    Brennan acredita que sim. E argumenta que um novo sistema de governo – a epistocracia, ou governo dos sábios -pode ser melhor do que a democracia, e que é tempo de reflectir sobre isso, de o experimentar e verificar. Uma obra de filosofia política indispensável nos nossos dias! Com uma linguagem muito simples, que chega a todos.

    https://www.wook.pt/livro/contra-a-democracia-jason-brennan/19658021

        1. Eu prefiro o mais telúrico, Aristoteles! Para mais, Aristoteles frequentou a academia enquanto Platão nem ao Liceu foi!!

      1. Contrargumenta com o seu médico? Ou com um Especialista que não seja da sua área de formação?

        Penso que é sensato não o fazer, excepto quando a área de saber é despicienda para o curso de nossa vida.

        Mas e o método de escolha de um governo? É um assunto menor para a nossa vida, devendo obedecer aquela ao dogma : uma pessoa, um voto?

        Considerar igual o que é diferente é razoável? Assim sendo o cerne da democracia é justificável?

        1. Sim, é imperioso destituir o povo e defender a democracia!!
          Meu caro, o princípio democrático colapsa, auto destitui-se espontaneamente, quando o seu exercício periga a subsistência do Estado como comunidade política organizada. Fora isso, não sei que ideia tem o meu caro acerca do esclarecimento dos seus concidadãos!! Eu, por mim, sinceramente, tenho, actualmente, em melhor conta o sentido ético, estético, de virtude, cultura e sensibilidade da maioria do povo português para discernir do bem dos destinos comuns da comunidade doque da chamada elite do saber e do conhecimento!!

          1. Justiniano estava a provocar! Sei do que as elites são capazes na prossecução da Sociedade Ideal….mas:

            O povo não conta, desde que se controle a opinião pública através da opinião publicada. Em nome da falta de tempo delegamos…..delegamos…..delegamos..os outros que decidam…eles sabem tudo.

            Ninguém tem tempo para a entediante realidade. Queremos à noite esquecer o desperdício do dia. E ligamos a TV, emborcamos vinho fino , esperando pela batida do sono…..sempre isto repetido centenas de vezes…..e chamamos a isto viver?

            Lembra-se de Sócrates?

            Uma vida não refletida não meresse ser vivida.

            A maioria anseia pelo amanhã do último dia. Desnacer e começar de novo com uma melhor mão. Afinal até um relógio parado está certo duas vezes num dia.

            Porra, para a próxima há-de ser a valer….e a desilusão nasce cada vez mais cedo…

          2. Esta canção carrega o peso da ironia sobre o Zé Mário Branco!! Talvez a composição mais primária do Zé Mário, apesar da piada que lhe acho, especialmente ao refrão e aos que se poem em cima da Pintasilgo, sendo, ainda assim, ou todavia, uma composição menor no sentido do poético e da canção de intervenção!! A ironia, reside no suave ponto de que esta talvez seja a canção mais conhecida, de memória espontânea, do Zé Mário apesar de todas as construções de maior valor estético!! E apesar de o génio de Zé Mário se revelar de uma forma que eu não sei…explicar!! É uma coisa que ainda não sei…não sei ainda!!
            Um bem haja,

    1. Sim, e acabava-se com a influencia Russa através do controlo hipnótico!! É tudo lucro, ou win win como dizem os sábios. Salva-se a democracia e governa-se com saber e competência!!

      1. O Maduro, na Venezuela, não tem esses dilemas existenciais: pôs fim à democracia e vota só ele. Acaba-se o angustiante ‘suspense’ de nunca se saber à partida quem ganha.

        1. Receita para uma ditadura pós ideológica:

          Inventa-se um incêndio no parlamento (uma crise económica, um terrorismo) e em nome da segurança (para evitar a possibilidade de algo pior) suspende-se a democracia. …..

          Ouvem-se aplausos?

          1. Para mim, um dos melhores poemas-manifestos do séc XX….nele está contida toda a nossa história moderna e a que há-de vir…Os Lusíadas, o introito, o FMI, o epitáfio!

            “Consolida filho, consolida, que o trabalhinho é muito lindo, o teu trabalhinho é muito lindo, é o mais lindo de todos (…) vais dormir entretido, não é? Pois claro, ganhar forças, ganhar forças para consolidar, para ver se a gente consegue num grande esforço nacional estabilizar esta destabilização filha-da-puta, não é filho?

            “Deixa-te de políticas que a tua política é o trabalho, trabalhinho, porreirinho da Silva, e salve-se quem puder que a vida é curta e os santos não ajudam quem anda para aqui a encher pneus com este paleio de Sanzala e ritmo de pop-xula, não é filho?”

            “Preocupações, crises políticas pá? A culpa é dos partidos pá! Esta merda dos partidos é que divide a malta pá, pois pá, é só paleio pá, o pessoal na quer é trabalhar pá! Razão tem o Jaime Neves pá! (Olha deixaste cair as chaves do carro!) Pois pá! (Que é essa orelha de preto que tens no porta-chaves?) É pá, deixa-te disso, não destabilizes pá! Eh, faz favor, mais uma bica e um pastel de nata. Uma porra pá, um autentico desastre o 25 de Abril, esta confusão pá, a malta estava sossegadinha, a bica a 15 tostões, a gasosa a sete e coroa… Tá bem, essa merda da pide pá, Tarrafais e o carágo, mas no fim de contas quem é que não colaborava, ah? Quantos bufos é que não havia nesta merda deste país, ah? Quem é que não se calava, quem é que arriscava coiro e cabelo, assim mesmo, o que se chama arriscar, ah? Meia dúzia de líricos, pá, meia dúzia de líricos que acabavam todos a fugir para o estrangeiro, pá, isto é tudo a mesma carneirada! “

            “Tu vais conversando, conversando, que ao menos agora pode-se falar, ou já não se pode? Ou já começaste a fazer a tua revisãozinha constitucional tamanho familiar, ah? Estás desiludido com as promessas de Abril, né? As conquistas de Abril! Eram só paleio a partir do momento que tas começaram a tirar e tu ficaste quietinho, né filho? E tu fizeste como o avestruz, enfiaste a cabeça na areia, não é nada comigo, não é nada comigo, né? E os da frente que se lixem… E é por isso que a tua solução é não ver, é não ouvir, é não querer ver, é não querer entender nada, precisas de paz de consciência, não andas aqui a brincar, né filho? Precisas de ter razão, precisas de atirar as culpas para cima de alguém e atiras as culpas para os da frente, para os do 25 de Abril, para os do 28 de Setembro, para os do 11 de Março, para os do 25 de Novembro, para os do… que dia é hoje, ah?”

            “Não há português nenhum que não se sinta culpado de qualquer coisa, não é filho? Todos temos culpas no cartório, foi isso que te ensinaram, não é verdade? Esta merda não anda porque a malta, pá, a malta não quer que esta merda ande, tenho dito. A culpa é de todos, a culpa não é de ninguém, não é isto verdade? Quer isto dizer, há culpa de todos em geral e não há culpa de ninguém em particular! Somos todos muita bons no fundo, né? Somos todos uma nação de pecadores e de vendidos, né? Somos todos, ou anti-comunistas ou anti-faxistas, estas coisas até já nem querem dizer nada, ismos para aqui, ismos para acolá”

            “Tudo corre bem, a ver quem se vai abotoar com os 25 tostões de riqueza que tu vais produzir amanhã nas tuas oito horas. A ver quem vai ser capaz de convencer de que a culpa é tua e só tua se o teu salário perde valor todos os dias, ou de te convencer de que a culpa é só tua se o teu poder de compra é como o rio de S. Pedro de Moel que se some nas areias em plena praia, ali a 10 metros do mar em maré cheia e nunca consegue desaguar de maneira que se possa dizer: porra, finalmente o rio desaguou! Hão te convencer de que a culpa é tua e tu sem culpa nenhuma, tens tu a ver, tens tu a ver com isso, não é filho? Cada um que se vá safando como puder, é mesmo assim, não é? Tu fazes como os outros, fazes o que tens a fazer”

            José Mario Branco, num jorro de desilusão

            Como este outro, Salgueiro Maia, o “Cavaleiro Andante do 25 de abril”:

            AS ULTIMAS PALAVRAS DE SALGUEIRO MAIA 1ª PARTE

            https://www.youtube.com/watch?v=sbJVk2gq17M

            AS ULTIMAS PALAVRAS DE SALGUEIRO MAIA 2ª PARTE

            https://www.youtube.com/watch?v=zvwuu04BcmI

        1. Hoje, ao ler o mais moderado dos cronistas jacobinos do regime, num registo de cravo e ferradura que é o mesmo que dizer, a magnanimidade possível. Lia uma coisa entre a crítica à crítica e o encomio à crítica, que será a única interpretação possível para os alívios poéticos do M. Carvalho.
          Dizia ele, entre outras coisas “Passos, tantas vezes manhoso e videirinho, não
          é um intelectual e a sua crença numa ideologia regeneradora pensada para libertar o país através do desmonte do Estado é uma prova do seu profundo desconhecimento da História.” Síntese feita, mai nada, casa!! Não sei se M. Carvalho não será um intelectual disfarçado de jornalista, é pelo menos assim que assina por assinalável assomo de humildade! Falávamos de manhosos! M. Carvalho é, como designavam os antigos, um tinhoso! Um cobarde tinhoso!!
          Explico!!
          Incapaz de se ficar pela defesa do direito ao trabalho de um determinado cidadão cujo currículo, na previsão da lei, assim o admite e aos críticos deixar o rodado da caravana, não!!(não estamos sequer a falar de carreira ou associado) Balda-se nas mãos e faz a ressalva aos pares!! Não vá a inteligência apodá-lo de passista!
          E louva-se, à laia de meirinho, em Sérgio Sousa Pinto!! Meu Deus!! Só lhe falta pedir desculpa pelo texto!!
          É dos mais notáveis exercícios de cobardia que tenho lido ultimamente!!

  2. “A abstenção é uma opção legítima, embora vários sistemas eleitorais contemplem o voto obrigatório.”
    Neste ponto sempre coloquei sérias reservas ao conceito e contabilidade da abstenção praticado.
    Continuarei a defender que a legitima opção pela abstenção deve ser por efeito de ato presencial nas urnas, com campo para o efeito em cada boletim de voto.

  3. Porque é que se há de votar em partidos que estão contra a liberdade do PCP ao CDS passando pelo PS, BE, PSD?

    Os democratas – e isto é um facto por todo o Ocidente -são mais totalitários que um ditador porque o jornalismo lhes dá legitimidade total.

    Uma ditadura seria preferível porque não é legitima, e por não ser legitima tem medo e como tem medo a opressão tende a ser menor que a opressão da Democracia Totalitária, que é onde cada vez mais estamos.

    Em cada vez mais áreas da vida o Regime Socialista do 25 de Abril é mais opressivo que a Ditadura do Estado Novo.

    Exemplo:
    http://portadaloja.blogspot.pt/2018/03/o-fisco-nacional-e-um-bot-jacobino.html

        1. Um DO directamente de Marte. O chato é a viagem. 6 meses numa espécie de nave em forma de charuto . Dará para abrir ao menos uma janela?

          1. Nada que assuste o João Campos, por exemplo, que é fanático de ficção científica e viagens espaciais. E não esquecer que já temos no DELITO uma Nave. Joana Nave.

  4. Demonstra bem o carácter totalitário dos proponentes da Democracia que não aceitam que haja menos actividade política mesmo se o cidadãos considerarem que querem menos política.

    Seja por os seus problemas estarem resolvidos, seja por julgarem a soluções propostas com pouco valor os cidadãos podem considerar que querem menos impacto da política-ou das propostas políticas existentes- na vida da sociedade.

    Por isso parlamento deveria ter lugares vazios a representar a abstenção, voto nulo para representar a vontade dos cidadãos de menos Política.

    E com cada vez menos lugares ocupados menos poder deve ter o Parlamento de realizar leis que devem ser graduadas conforme o seu grau de totalitarismo.

      1. Pedro:
        Nascer com um cérebro é um direito universal da espécie humana.
        Às vezes a natureza tem erros e saem criaturas descerebradas.
        É muito triste e injusto não teu um cérebro.
        Eu lamento bastante mas nada posso fazer contra isso.

      2. Quem anda mal é quem não é capaz de pensar sequer na História dos sistemas políticos.

        Quem tudo quer saber e controlar na vida dos outros é Totalitário.

        Independentemente de ser Democrata ou não, que é apenas uma mera maneira de (parcialmente) decidir.

        E os Democratas querem esse controlo, têm construído e aumentado esse controlo.

        E como os sistemas Democráticos em vigor não aceitam uma diminuição da politização da sociedade a tendência inevitável é sempre continuamente o seu aumento. Da construção de estradas passa-se para alimentação, o sal no bife, o sexo, o pensamento. Desde que a evolução tecnológica o suporte, lá estará o Democrata a querer controlar.
        A Democracia transformar-se em Democracia Totalitária é inevitável.

        Conclusão : Nem sequer sabem o que é Totalitarismo. E nem querem saber.

          1. Pedro:
            Para a lógica não ser uma batata, os totalitários só podem ser democratas.
            Se calhar é tudo uma questão de perspectiva.
            Para se ver na perspectiva correcta é preciso ter um bom aparelho visual e um cérebro que processe as imagens.
            Não quer abrir uma Petição online para se comprar um cérebro ao Lucklucky?
            Assim não pode viver, pois vê tudo torto, retorcido, direi.

          2. O leitor Lucklucky parece-me ser um daqueles cidadãos de nostalgia desviante: tem saudades do que nunca viveu.
            Não sabe por experiência própria o que é viver em ditadura. Mas, por algum insólito mecanismo mental, adoraria experimentar na pele um sistema totalitário. Clama assim por ele a todo o momento, na secreta esperança de contribuir para que se materialize.

  5. Pedro deixo aqui referência a um sítio interessante (não digo que concorde. Mas interessante ) – não sabia que existia em Portugal

    http://mises.org.pt

    A Escola do anarco-capitalismo. ….

    Precisamos de mais Partidos. Maior o leque de escolha.

  6. Para chegarmos ao voto temos de ter cidadãos esclarecidos e que acreditem no mesmo… Temos de ter instituições que seja credíveis, temos de ter justiça…

    Antes de falarmos em voto, é por aí que temos de começar e isso… Bem, isso é bem mais complicado que deitar um boletim pela urna abaixo 🙂

    1. Robinson, muito pior é o nosso sistema financeiro – com bancos a falirem, uns atrás dos outros, por gestão fraudulenta, lesiva e ruinosa.
      E mesmo assim as pessoas continuam a confiar irresponsavelmente o seu dinheiro às instituições bancárias que restam. Quando ficaria muito mais seguro sob a comprovada solidez de um bom colchão.

      1. O sistema financeiro tem reguladores, onde é que eles andam? Voltamos ao mesmo.

        Até sei do presidente de um desses reguladores que viu um sistema financeiro a cair e nada fez… Como prémio, foi convidado para Vice-Presidente de um Banco Central 🙂

  7. são as duas primeiras palavras do seu hansaplast de hoje que me fazem pensar: é ainda em democracia que estamos?

    1. Estamos, Cristina. Nas ditaduras (puras e duas, passem os pleonasmos) este blogue já não existiria. E as caixas de comentários tinham sido trancadas há muito tempo.
      Não há nada semelhante na China, ou no Vietname, ou na Coreia do Norte ou em Cuba, ou na Arábia Saudita.

      1. pois, lá está.
        há a democracia. e há a ditadura.
        nada pelo meio?
        nenhum dos conceitos já só isso?
        eu considero que estamos, sim, a caminho de uma coisa que ainda não sabemos nomear, e que não tem de ser tão má como aquela em que ainda vivemos.
        prezo muitíssimo esta democracia que me permite aqui escrever estas coisas, depois de ler tantas outras e sabendo que lerei mais ainda.
        prezo também que ainda não me venham buscar a casa para ir votar.
        mas não me é possível respeitar os eleitos que o são em nome de uma ideia nobre; não me é possível respeitar quem assina papéis declamando trabalhar para e por um povo, fazendo contas às espingardas que os levaram ali e aos créditos diversos que poderão estar a caminho.

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