Não gosto de ver termos que estiveram ligados a um passado de ignomínia transpostos para a linguagem comum nas redes sociais. Termos como genocídio, holocausto, nazi, colaboracionista, “solução final”: tudo isto se vulgariza, no debate político actual, como quem diz que amanhã estará de chuva. Tais rótulos vão-se banalizando ao ponto de perderem por completo o significado e a sua precisão histórica. E tornando-nos cada vez mais imunes à sua verdadeira acepção, como símbolo concreto do horror absoluto.
Penso rápido (86)
Pedro Correia,

Palavras gastas e destemperadas são rastilhos de demolições recicladas fora de prazo.
Tudo isto tem a ver também com a compressão acelerada do vocabulário. Há duas gerações comunicávamos com um número médio de três mil palavras, hoje trezentas bastam. E às vezes sobram.
Qualquer política eliminacionista, que pode não ser exterminacionista, surge quando se faz de um grupo o responsável por todo o mal que acontece a um país, comunidade. Este processo designa-se por diabolização do Outro. Esta etapa, nas ideologias eliminacionistas, são regra geral acompanhadas por campos de reeducação, sobretudo destinadas aos opositores que se consideram ainda capazes de “salvar” – jovens, ou seguidores e não ideólogos.
O Extermínio sucede quando, além da diabolização do Outro, sucede-lhe a sub-humanização. O grupo rival não partilha das qualidades ontológicas que fazem do humano, uma pessoa. E assim justifica-se e aceita-se o extermínio. O Outro é um animal. Uma besta.
Todos os sistemas que visam a Transformação da Humanidade o fazem (nunca as democracias). Mas o Pedro, nessa sua senda de ódio aos comunistas (a reencarnação do mal – como Hitler cria) participa nessa filosofia. Propaga ódio. Afinal as qualidades morais e de verdade estão sempre do “seu” lado. Num único lado. Os outros, os comunistas, ou de extrema esquerda, são escória….são diabólicos e sub humanos, personificações do Mal…e neste sentido, faz da sua opinião, do seu pensamento, um totalitarismo.
Ora viva, Vlad.
É um gosto vê-lo novamente por cá.
O DELITO sem os seus comentários não tem a mesma graça.
https://www.wook.pt/livro/a-pior-das-gue rras-daniel-jonah-goldhagen/10747280
A Pior das Guerras
Genocídio, extermínio e violência no século XX
de Daniel Jonah Goldhagen
Estes pouco conhecidos, afinal são índios…
Memorias de un Pueblo – Guatemala, Historia de un genocidio dMQ
https://www.youtube.com/watch?v=Rbt1yIKC
Israel también apoyo con armas el genocidio en Guatemala k2I
https://www.youtube.com/watch?v=OZZLrys7
Agradeço-lhe a sugestão de leitura.
Típico do totalitário Vlad. Note-se as tácticas:
Odiar quem te quer fazer mal é o mesmo que odiar alguém só por existir.
100 milhões de mortos provocados pelo Comunismo e Extrema Esquerda são testemunho de qualidades morais.
—-
Pelo que o Vlad defende foi um erro resistir a Hitler.
Atendendo à aliança Nazi-Comunista não admira. Desde que mudasse a suástica para um estrela vermelha tudo estaria bem.
Não percebeste porra nenhuma. Pior do que não saber é julgar saber-se de tudo e sobre todos…leste no meu comentário “nunca nas democracias “? Os eliminacionsmos são típicos de ditaduras sejam elas à esquerda ou à direita…mas isso não te interessa coisa nenhuma. Emprenhas pelos ouvidos. Adoras ouvir-te…
Foi o que aconteceu ao termo fascismo.Houve um tempo em que tudo o que não fosse de uma esquerda era fascismo.Estava sempre pronto a servir.Serviu-se mal a História e degradou-se o significado.Talvez a intenção fosse essa.
Banalizar conceitos que nada têm de banal é meio caminho andado para contemporizar com eles. Com os conceitos e com a realidade que eles traduzem.
“Banalizar conceitos que nada têm de banal é meio caminho andado para contemporizar com eles. Com os conceitos e com a realidade que eles traduzem”.
Assino por baixo.
António Cabral
Infelizmente isto vai-se generalizando. Até à náusea.
E o pior de tudo, é que são termos vulgarmente usados fora do contexto, e com o significado completamente canibalizado .
Fantasmas e fantasias que inundam a sociedade.
Hoje em dia a vontade de querer saltar por cima do ruído leva a isto… E quando as coisas se banalizam perdem a intensidade e… quando más… facilmente se repetem.
É isso, Robinson. Tal e qual.
fazer o uso das palavras que o Pedro refere (por exemplo) com o descuido que o Pedro menciona, deve-se (também) ao desconhecimento do seu significado e contexto originais.
tem-se uma ideia vaga, longínqua do que elas carregam em si, como algo que ocorreu há muito tempo e/ou está muito longe de nós.
na verdade, há más memórias que deviam ser melhor tratadas.
Essa desvirtuação semântica é fruto da ignorância, sim, Cristina. Ignorância às vezes induzida por alegada gente sábia, o que a torna ainda mais indesculpável.
Nem a propósito do seu comentário, deixo aqui uma frase de um dos ditadores mais horrorosos da história, no seu livro “proibido”:
“Não ignoro que é pela palavra, muito mais do que por livros, que se ganha os homens: todos os grandes movimentos que a História registou ficaram a dever muito mais aos oradores do que aos escritores”
É uma frase que dá que pensar,ainda por mais nos dias de hoje onde faz tanta falta ler-se bons escritores e, acima de tudo, entender o passado.