O primeiro combate ao terrorismo começa na linguagem. Não chamar “estado islâmico” ao Daesh, por exemplo.
Porque aquilo não é Estado algum: é um bando terrorista que se apropriou ilegitimamente de largas faixas de território no norte de África e no Médio Oriente, onde mutila, tortura e mata todos os “infiéis”, submete as mulheres a uma opressão tirânica e tem provocado danos irreparáveis ao património cultural da Humanidade.
Além disso só por macabra ironia estes terroristas podem intitular-se islâmicos: o maior número das suas vítimas professa essa mesma fé.
Ao chamar-lhes “estado islâmico” estamos a perder a primeira batalha, reconhecendo ao bando criminoso um estatuto que não tem nem nunca terá. Porque nesta guerra também as palavras equivalem a munições.

Tem toda a razão. É a mesma coisa de um politico que por ai anda por se considerar a ele próprio sério dever ser tratado como tal. Chamar os bois pelos nomes é preciso.
Há uma diferença abissal entre um tema e outro. Não me passa pela cabeça confundir isto com qualquer assunto da nossa política doméstica. Em nome da mais elementar seriedade intelectual.
E o politicamente correcto ataca por aqui…
O Estado é Islâmico porque se basea no Corão.
São por isso muito mais Islâmicos que os Muçulmanos comuns.
Mas você prefere lançar poeira para os olhos.
Por isso matam Islâmicos “impuros”, tal como os Regimes Comunistas mataram muito mais Comunistas que qualquer outro regime não Comunista.
Movimentos Totalitários são assim.
Tese inaceitável.
Não é um bando totalitário por ser islâmico. É totalitário por ser criminoso, por professar uma ideologia que transforma o homicídio numa virtude.
Malala Yousafzai, galardoada em 2014 com o Nobel da Paz, é muçulmana. Não a confunda com estas bestas que nem merecem o adjectivo humano.
O texto anterior foi meu, as desculpas por não ter usado o nick.
Se se seguir o Corão é se Totalitário
Se só seguir partes do Corão pode-se não ser.
Mas você quer lançar poeira para os olhos apagando o Islamismo do problema e sua necessidade de reforma.
Fique descansado. Você mesmo sem assinatura é inconfundível.
Excelente. As suas não respostas também.
Creio que não me dirigiu pergunta alguma. A menos que os seus pontos de interrogação, atacados pelo vírus marxista, estejam a fazer greve.
De pleno acordo. São um bando de psicopatas que crescem a olhos vistos. Perante isto, resta à Europa unir-se mais que nunca e pensarem nas medidas a implementar para parar com estas aberrações. Quem os alimenta? Quem lhes vende as armas? Quem lhes compra petróleo? Estado Islâmico porquê e a que propósito? Todas estas interrogações têm de ser discutidas urgentemente.
Questão inadiável: estancar as fontes de financiamento e de abastecimento desta horda terrorista que goza de inaceitáveis cumplicidades, nomeadamente nas monarquias sunitas do Golfo Pérsico.
Tem toda a razão. E também goza de cumplicidades na Turquia, acrescente-se. Ou seja, goza de cumplicidades entre bons amigos do “Ocidente”. Ou seja, são amigos dos nossos amigos. É por isso que há pouca vontade de lhes fazer muito mal.
Bom dia,
A denominação de “Estado islâmico” penso que acaba por derivar do facto de eles realmente, apesar da usurpação, dominarem um território delimitado. Aquilo que não praticam são as funções tradicionais de um Estado – por essa via, já entramos em contradição. As FARC também dominam um território delimitado no seu país, e não são um estado…por isso, é evidente que são um grupo de desalmados que “nós” todos ajudámos a criar( e sem querer recuar muito no tempo,e sendo claramente simplista no que vou dizer, Afeganistão, 1978).
Se quiser recuar ainda mais no tempo encontra o Acordo Sykes-Picot, que em 1916 redesenhou o mapa político do Médio Oriente. A raiz de muitas tragédias que continuam ali a ocorrer é essa.
Mas nada disso verdadeiramente explica – e muito menos justifica – a onda homicida deste totalitarismo dos nossos tempos que é o jiadismo global.
al-Dawla al-Islamiya al-Iraq al-Sham, os que semeiam a discórdia. Os que colhem o terror. Terroristas portanto. Concordo absolutamente.
Fico desolada que detestem as conotações negativas de Daesh. Fico ainda mais entristecida que possam continuar a existir.
São a face visível da barbárie, Dulce. Não representam “civilização” alguma. Por isso não existe nenhum “conflito de civilizações”, ao contrário do que alguns sustentam. Há uma guerra entre a civilização e o fanatismo homicida.
“Porque nesta guerra também as palavras equivalem a munições.” É muito bom este texto, esta frase final diz muito.
Cada vez mais verdadeira, pode crer. Obrigado pelas suas palavras.
– O EI tem todas as características de um Estado: controla um território (sobre qual exerce o monopólio da violência), aplica uma dado sistema legal (neste caso, uma intrepretação da sharia), cobra impostos, tem até uma espécie de aparelho administrativo, etc.
– E é claramente de inspiração islâmica – a grande diferença entre o EI e a Arábia Saudita (que quase ninguém negará que seja islâmica) é que a Arábia Saudita (ou, já agora, a outra fação fundamentalista dos rebeldes sírios, a Al-Nusra) não transmite as execuções para o mundo via youtube.
Neste conversa de “o EI nem é um Estado nem é Islâmico” parece-me haver um grande desejo de idealizar tanto os estados como as religiões
Convém não levar demasiado longe a perversão semântica. À luz da nossa versão de Estado, o “sistema legal” desse pseudo-estado tem a mesma validade da “justiça” que imperava quando os homens viviam em cavernas.
Se déssemos crédito à inspiração islâmica destes algozes, a guerra em curso não seria contra eles: seria contra a própria confissão islâmica. O que, obviamente, não é o caso. Desde logo porque – reitero – o Daeh tem provocado de longe mais vítimas entre pessoas de fé islâmica.
Mas isso será tão diferente dos sistemas legais que vigoram ou vigoraram em montes de entidades que ninguém nega que são Estados (desde a Arábia Saudita e a Coreia do Norte até à Alemanha nazi, ao Cambodja de Pol Pot ou ao Império Centro-Africano de Bokassa)?
Descontando talvez o Camboja sob o jugo dos Khmers Vermelhos, em que todo o aparato tradicional dos Estados implodiu, em qualquer dos casos que menciona existem/existiram estruturas formais de poder que permitem considerá-los assim. Por ali vigorarem formas clássicas de organização política, social e jurisdicional. Por ali residir um povo soberano, reconhecido pela comunidade internacional.
Nas porções de território onde o Daesh impera vigora apenas a lei da bala. E todo o cimento organizativo decorre da mais arbitrária lei do terror.
Acresce que essa versão de que o Daesh “cobra impostos” é demasiado benigna. Esses islamofascistas praticam extorsão, isso sim. E pilham todos os bancos que vão encontrando pelo caminho.
Isto não tem jeito nenhum. Não são nenhum estado, aquela treta do “califado” não existe, nem matam em nome de Deus nenhum.
São só um bando de filhos da puta que não suportam a nossa liberdade nem o nosso modo de vida.
Na 5ª feira, fui ver e ouvir os Belle and Sebastian ao Coliseu de Lisboa. Lembrei-me que podia ser lá…só porque estes sociopatas acham que sim (and pardon my french)
Apetece fazer um trocadilho com a palavra califado. Mas o tempo não está para brincadeiras.
“Na 5ª feira, fui ver e ouvir os Belle and Sebastian ao Coliseu de Lisboa.”
1. Pronto, simpatizo consigo.
2. Mas não tinha sido cancelado por motivos de saúde do vocalista?
A linguagem tem de ser vista com muita atenção. São múltiplos os casos em que as coisas não são o que parecem:
Monarquias teocráticas absolutas do Golfo – “Aliados moderados do ocidente”
Assassínio – “Execução extrajudicial”
Civis mortos – “Danos colaterais”
Tentativa de controlo do petróleo por meios violentos – “Invasão para destruir armas de destruição maciça”
Extorsão de território através do confisco pela força das armas – “Colonatos”
Migrantes afogados a tentar chegar à Europa – “Terroristas que não conseguiram passar”
Mortos em atentados em Beirute e Bagdad – “Vítimas da instabilidade do Médio Oriente”
Mortos em atentados em Paris – “Pessoas com nomes”
E a minha preferida:
Partido que não consegue o apoio da maioria dos deputados para o seu Programa – “Vencedor das eleições”
Não se esqueça de “fogo amigo”. Imbatível no reino dos eufemismos.
Ah! Colonatos. Finalmente… Já estranhava a ausência de uma referênciazinha a um dos mais convenientes suspeitos (“suspeitos”? Que digo eu…) do costume.
Costa
Já pensaste em sair daqui e ir viver para o meio dos teus amigos na Coreia do Norte ou para o Bahrein ou outro sítio qualquer onde possas seguir um livro único? Eu ficaria muito grato pelo teu gesto altruísta.
Porque se combate o terrorismo com a guerra que leva sempre, a mais terrorismo e guerra e não se combate indo ao cerne da questão? Há que agir aí e rapidamente, entrando em diálogo com os Estados reais que todos sabem quem são e que lhes dão aquilo que não podem nem devem ter.
No plano dos princípios, a sua posição é a mais correcta. Acontece que só pode haver diálogo quando existem interlocutores. Vários dos Estados do Médio Oriente e do Norte de África não têm verdadeiros interlocutores ao nível da cúpula dirigente, que representa apenas uma parcela diminuta de território e de população local.
Além disso é inviável o diálogo enquanto estamos a ser bombardeados. Anteontem em Londres e Madrid, ontem em Paris, amanhã sabe-se lá onde. Há vítimas concretas, pessoas que fazem a vida de todos os dias e que podem transformar-se em tochas humanas a qualquer momento. Gente como você e eu.
Nestas circunstâncias o diálogo torna-se impossível. Prioridade absoluta: inocular o antídoto contra o veneno da serpente mal a mordedura ocorre. E prevenir novos ataques de serpente.
Enquanto o politicamente correcto continuar a gerir a agenda de pretensos líderes que desencadearam (e alimentam) as carnificinas que se vivem DIARIAMENTE no Iraque, Siria, LIbia, que poderiam ter acontecido no Egipto caso os militares não tivessem tomado controlo da situação a derrota e sofrimento dos Europeus continuará.
Urge que Portugal tome medidas com vista a protecção dos seus e recambie de imediato para a Alemanha os pesudo refugiados que nos OBRIGARAM a receber e que a maçonaria local logo aceitou de bom grado porque lhes acenaram com dinheiro. A Polónia já disse que não aceita ninguém e nós temos de fazer o mesmo.
Enquanto no governo e na oposição dominarem forças contrárias aos legitimos interesses da Nação sejam eles sociais, económicos e de soberania, Portugal e os Portugueses perderão todos os dias mais e mais…
” Não é de patriota nem de político abandonar o futuro às contingências da sorte, não criar para uma obra condições de duração e de estabilidade. Por definição só fica feito o que perdura. “
Os refugiados sírios são as primeiras e principais vítimas da demência homicida do Daesh. Fechar-lhes as portas é compactuar com a besta.
Nos dias que correm (e nos que já corriam), compaixão só pelos meus mais próximos, esta forma de pensar é partilhada e vivida pela esmagadora maioria e foi uma das grandes transformações sociais vivida em Portugal nos últimos 4 anos.
O egoísmo crescente é uma das faces visíveis de semear ódios entre novos e velhos, entre funcionários públicos e “colaboradores”, etc.
A maçonaria continua a vencer mas tantas vezes o cântaro vai á fonte que um dia lá deixa a asa.
Quantos aos “refugiados” abra-lhes a sua casa Pedro Correia e não me fale em xenofobia, racismo ou discriminação que eu apesar de ser “branco” sei muito bem o que isso é, já o senti na pele.
” …Imaginar, como fazem muitas vezes, que as liberdades públicas estão ligadas à democracia e ao parlamentarismo, é não ter em conta as realidades mais evidentes da vida pública e social de todos os tempos”
Você insurge-se contra quem andou a “semear ódios” mas revela-se um discípulo exemplar nessa matéria.
Não se esqueça da sabedoria dos antigos: quem semeia ódios colhe tempestades.
Apesar de acompanhar os temas de política internacional com grande atenção, confesso que só hoje com este post percebi bem o significado de DAESH. Obrigado!
Aprender aprender sempre, Carlos (hum… onde é que eu já li isto?)
Não chamar “estado islâmico” ao Daesh
Não vejo por quê. Trata-se efetivamente de um Estado, com um território mais ou menos fixo, um sistema de impostos, controlo efetivo sobre a população, etc.
O facto de não gostarmos desse Estado não obsta a que lhe chamemos aquilo que é.
As FARC, na Colômbia, também exerciam/exercem “controlo efectivo sobre uma população”, com um sistema de tributação, num território “mais ou menos fixo”. Ou a Frente Moro, nas Filipinas. Ou o movimento zapatista em Chiapas (México). Ou a ETA, no País Basco.
Nunca me lembraria de chamar “estado” a qualquer delas.
Não lhes chama “Estado” porque elas nem sequer pedem para ser designadas dessa forma.
Mas, sendo que o Estado Islâmico se considera a si próprio um Estado, não vejo porque nos devamos abster de o designar como tal.
Ah, então isto é a pedido, como nos restaurantes. “État à la carte”, c’est três chic!
submete as mulheres a uma opressão tirânica
Sem dúvida, mas nesse aspeto não é o único, nem sequer será o pior. A Arábia Saudita, que toda a gente reconhece como sendo um Estado, é pior.
O que será pior do que enterrar mulheres até ao pescoço e apedrejá-las em seguida até à morte?
Como é que fazem na Arábia Saudita?
Vá lá perguntar-lhes. Mas pergunte com jeitinho para não levar umas chibatadas.
Reconheço que designar o ISIS de «Estado» – tal como o entendemos modernamente – é, no mínimo, controverso. Porém, Pedro, não há quaisquer dúvidas de que eles são islâmicos: são seguidores violentos, fundamentalistas, fanáticos, extremistas, de uma religião específica. Não é por matarem outros muçulmanos que deixam de o ser. Tal como, na Europa do passado, católicos e protestantes não deixavam de ser cristãos por se combaterem e matarem uns aos outros.
Caro Octávio: tenho as maiores dúvidas de que tais energúmenos tenham fé alguma, a não ser na violência mais primitiva.
Sublinhar a putativa componente “islâmica” destes canalhas é o equivalente a pôr o carimbo “cristão” aos assassinos racistas do KKK ou ao general franquista que gritava “Viva a morte!”
As religiões não são iguais. Cristianismo e Budismo não estão ao mesmo nível do Islamismo. O seus preceitos são diferentes. Para começar, recordemos quem eram, e como eram, os seus fundadores, as suas figuras de referência, os seus exemplos máximos. Jesus Cristo foi muito, muito, muito diferente (para melhor) de Maomé.
A «componente islâmica» é, precisamente, a da submissão, da violência, da discriminação. Um muçulmano, para ser extremista, não tem de pegar em armas para matar «infiéis»: basta concordar que a mulher é uma pessoa de segunda classe, que deve cobrir-se, não ter autonomia e obedecer sempre aos homens da família.
Volto aos “cristãos” do KKK que durante décadas queimavam seres humanos vivos. Para não recuar demasiado no tempo: era uma prática ainda corrente no século XX.
No plano inverso, aponto o exemplo de Malala, a jovem paquistanesa galardoada com o Nobel da Paz em 2014. Islâmica, sem aspas.
Estigmatizar terceiros com base na crença de cada qual é meio caminho andado para desmentir os princípios que tantas vezes apregoamos.
Nós não precisamos de os estigmatizar, Pedro: eles próprios se encarregam de fazer isso a eles próprios…
… E, ao falar de Malala, está a dar-me razão: ela triunfou, tem triunfado – e não falo só de ter ganho o Nobel mas também de se manter viva! – não POR ser muçulmana mas APESAR de ser muçulmana. Ela queria tomar o seu destino nas mãos, ir à escola, melhorar a sua condição… mas uns quantos misóginos violentos e fanáticos tentaram matá-la por isso. Não é propriamente algo que se costume ver por parte daqueles que nasceram sob a égide da Cruz e de Jesus…
Eu concordo que seria sempre preferível, ao abordar uma dada religião, (tentar) separar a componente estritamente teológica do seu contexto social, cultural e político. Mas tal dificilmente é possível.