Penso rápido (68)


Pedro Correia,

Há sempre modelos alternativos. Na Rússia vigora um. Na Grécia há outro em marcha. Na Venezuela existe outro ainda, desde 1999. Já para não falar do cubano, muito mais antigo. Ou do norte-coreano, aliás inconfundível.
E há o chinês, o angolano, o saudita. O do Irão, o da Bielo-Rússia, o da Guiné-Bissau.
Tudo visto e somado, talvez o modelo da democracia liberal europeia seja, como dizia Churchill, o menos mau de todos.

Isto não me provoca qualquer estranheza. O que não cessa de me espantar é haver quem defenda modelos diferentes instalado no lado de cá.

0 comentários em “Penso rápido (68)”

  1. É esta a grande diferença entre os instalados e os que desejam o progresso, isto é, entre aqueles que se sujeitam a uma vidinha a qualquer preço e os que buscam transformar a realidade custe o que custar.

        1. Refiro-me ao engenheiro Tsipras. E à ‘megastar’ Varoufakis, que não tarda nada demite-se de ministro da Falência e vai dar conferências internacionais pagas a peso de ouro.

          1. “Dialogar” com anónimos é uma experiência interessante: parecem muitos, mas são só um. E às vezes gaguejam, como é o caso.

          1. Pedro, tem de confiar na experiência. Vá por mim que ando pelos quatro cantos do mundo.

      1. José, li com atenção o artigo de Tunhas. Ao contrário do José, eu leio e respondo a questões colocadas.

        Sabe, concordo com Tunhas. E dou-lhe um exemplo: Pétain, um colaboracionista, que dizia que a realidade era aquela que se vivia, também propagandeou esse mito e crença da subordinação. Repare na similaridade do discurso de Pétain com o discurso de Passos/Portas, Hollande e outros mais da dita direita a parte da esquerda dita socialista europeia, isto é, na crença na resignação, na aceitação e na submissão que coloca todos de cócoras perante um governo alemão que até é de coligação.
        Depois de feito este exercício recorde-se daquele De Gaulle que decidiu acreditar, mas de maneira diferente, e nos resultados dessa crença.

        Mais, recorde-se da história americana, isto é, daqueles radicais que entendiam que sem representação não podia haver subordinação, melhor, “no taxation without representation”
        http://totallyhistory.com/no-taxation-without-representation/
        e conclua sobre o que estes radicais, provavelmente esquerdistas segundo a lógica actual, conseguiram alcançar depois que decidiram acreditar de forma diferente e negar o mito que lhes tinha sido imposto.

        Mais ainda, recorde-se de Jesus nesta afirmação: “Se vos falo das coisas terrenas e não acreditais, como entenderíeis se vos falasse das coisas celestiais?”.

        Tunhas refere-se a si, ao Pedro, ao Luís e outros tantos, que por aqui e por ali andam, que decidem acreditar que a mentira é a verdade, e fazem disto um mito.

        Por último, Tsipras e Varoufakis revelaram a esta Europa que vale a pena acreditar. Mas nesta luta sujeitam-se a perseguições e a tentativas de golpe de estado. Se no Eurogrupo o resultado é sempre 18-1 isto indica-me na realidade um diktat.
        De Gaulle, os americanos e tantos mais na história social, sem esquecer em particular Jesus e na proposta que lhe subjaz, revelam-me que só os que acreditam na verdade que é Verdade podem mudar a história.

        1. Como é possível escrever uma coisa destas? “Tsipras e Varoufakis revelaram a esta Europa que vale a pena acreditar”. Mas acreditar em quê? Na estupidez? Na vaidade? No amadorismo? Na demagogia? Na ignorância atrevida?
          Ninguém é dono da Verdade e, por isso, não se deve evocar o nome de Deus em vão…

        2. 1. Tsipras e Varoufakis revelaram que vale a pena acreditar – em quê exactamente? Depois de todas as experiências do séc. XX (várias ainda em curso) e levando em conta os modelos do Syriza, sabemos onde tudo acaba. Acaba mal. Defender o contrário é, no mínimo, miopia bem-intencionada. No limite… enfim, Paulo Tunhas explica.

          2. 18-1 é um diktat; 1-18 seria democracia. OK. (E isto não significa que a maioria tenha sempre razão; mas pretender o contrário…)

          3. Cansa-me estar sempre a escrever o mesmo, em especial quando vejo uma contradição insanável: parece entender-se a necessidade de reduzir o nível de endividamento mas, em simultâneo, recusam-se reformas que, ainda que a prazo, o podem fazer descer. (Com essas reformas, eu nem sou contra eventuais alívios da dívida – mas convém perceber que dívida perdoada a uns é dívida acrescentada a outros e, mesmo que ela seja privada, isso traz consequências que extravasam os directamente implicados.)

          4. Não respondo a todos os comentários, particularmente quando são numerosos e/ou mais ‘exigentes’, porque nem sempre disponho de tempo (ou, ocasionalmente, paciência) para o fazer de forma adequada. Tenho vida para além do blogue.

          1. A contradição que vê é aquela mesma que molda seu pensamento. Você entende unanimidade com maioria e entende que a uniformidade é o padrão que deve reger as negociações.

            Esta é característica de ditadores e não dos Homens livres.

            Mas repare bem, José, eu não tenho nada contra si e até gosto de si mesmo sem o conhecer. O que nos distingue são exactamente as posições, mas estas não nos dividem ou separam.

          1. Compreendo o seu embaraço, José. E também compreendo que desvie o tema através de outros temas para argumentar o que não argumenta. Ofereceu-me Tunhas, e eu respondi de acordo com o que Tunhas tinha exposto.

            Sei que pretende argumentar, ali acima, que não tem tempo para blogues. Olhe, eu não só tenho tempo como um PC é um dos meus instrumentos de trabalho. E estou felicíssimo com estas tecnologias, que as uso desde seu início, no que respeita a mobilidade. Em qualquer parte do mundo, por satélite, por cabo e até mesmo por cobre, é possível manter o contacto.

            Eu já respondi sobre Tsipras. Uso argumentos meus para defender os gregos e não os que outros argumentam. A resposta foi dada. Sim, é possível acreditar a todos os homens e mulheres de boa vontade.

    1. “…os que buscam transformar a realidade custe o que custar.”

      Com custo o que custar de milhões de mortos tivemos várias experiências dessas no século XX.
      União Soviética, China Comunista, Coreia do Norte, Vietname – e milhões fugiram quando chegou a paz comunista, Cambodja, Jugoslávia, Alemanha Nazi, vários países “libertados” em África, etc, etc…

  2. “quem defenda modelos diferentes instalado no lado de cá”

    Não se pode sugerir melhorias, alternativas melhoradas do que já existe? Chegámos à perfeição? Estamos no Paraíso na Terra como os Soviéticos ou será no Nirvana?

      1. Essa, Pedro, continua a ser uma justificação que em nada reflecte o seu comentário. Lugares-comuns são lugares-comuns. É necessário desenvolver a ideia.

          1. Pedro, não me diga que a sua visão do mundo e da transformação deste parou em Churchill?

          2. Volto a colocar-lhe a mesma questão, Pedro. Se parou em Churchill, você perdeu um tempo enorme na sua vida.

          3. Meu caro, volto sempre ao passado para melhor avançar. Nunca me permito permanecer no passado.

  3. “quem defenda modelos diferentes instalado no lado de cá”

    Não se pode sugerir melhorias, alternativas melhoradas do que já existe? Chegámos à perfeição? Estamos no Paraíso na Terra como os Soviéticos ou será no Nirvana?

      1. À conta dessa frase de Churchill ser tão proferida, eu só lembraria que apesar de governar a Índia, o sistema democrático quase-perfeito de Churchill, não lhe permitia colher nenhum voto indiano.
        Porque esse “sistema perfeito” tinha a Índia como colónia, e “todos eram iguais”, mas “uns mais iguais” na Inglaterra votavam… e os outros na Índia não.

        É claro que os 3 milhões de indianos que morreram de fome em Bengala, não votaram, e poderiam reconhecer outra frase de apreço de Churchill a Gandhi e à sua situação.
        Solicitado sobre a urgência de auxílio, Churchill duvidou e respondeu com o seu requintado humor britânico:
        – “Então, por que Gandhi ainda não morreu?”


        What Leopold Amery denounced as Churchill’s “Hitler-like attitude” to India manifested itself most starkly during a famine, caused by a combination of war and mismanagement, that claimed between one and two million lives in Bengal in 1943. Urgently beseeched by Amery and the Indian viceroy to release food stocks for India,
        Churchill responded with a telegram asking why Gandhi hadn’t died yet.

        http://www.newyorker.com/magazine/2007/08/13/exit-wounds?currentPage=3

        1. A Índia não foi uma parte brilhante da vida política de W. Churchill. Não foi uma página brilhante do império britânico, ainda que dele tenha sido a jóia. Mas talvez seja de não ir por aqui. Por cruéis que tais comparações possam ser, outros grandes líderes mundiais da primeira metade do século XX, ainda hoje pontificando no catálogo de santos da esquerda e dos libertadores dos povos, mataram ou deixaram morrer muitíssimo mais gente.

          E dos seus próprios povos, não de distantes colónias (contextualize-se o que escrevo: era um tempo em que o colonialismo era coisa em regra pacificamente aceite; ainda a anos da afirmação, no seio da próprias potências colonizadoras, do pensamento de autodeterminação e independência).

          Armários com esqueletos sempre os encontraremos na vida dos homens que um dia tiveram em suas mãos o poder. Uns armários, todavia, são muito maiores – ou estão muito mais cheios – do que outros.

          Costa

          1. Concordo consigo, Costa.
            Mas por isso mesmo, é preciso ter algum cuidado quando trazemos o peso de um personagem antigo numa frase. Agarrado está não só o prestígio, mas também estão os excessos. A frase é dita num contexto, e a democracia liberal de Churchill admitia povos colonizados sem direito a voto na governação imperial. Não é esse o entendimento que temos hoje da “democracia liberal” a que Churchill se referia. (Tal como a antiga democracia grega coabitava com a noção de escravatura.)

            Os tempos mudaram, e se a “história” achou por bem ilibar Churchill e De Gaulle, sempre por razão do seu contexto, não deixou de manter “maus de serviço” sem direito a qualquer contexto desculpante…
            Um dos quais é Salazar, que apesar da sua visão “provinciana” (os alfacinhas, especialmente de esquerda, adoram esta posição colonial de Lisboa), coabitou a mesma época, e não se conhecem esqueletos no armário minimamente similares aos dessas democracias liberais… colonizadoras.

            Aliás, tenho muitas dúvidas se há algum regime político durante o seu período (anos 30 a anos 60), cujo balanço de vítimas directas da sua governação seja tão reduzido.

            Não tenho nenhuma nostalgia do tempo tacanho da “velha senhora”, que aliás vivi apenas enquanto criança, mas é falta de rigor e contexto, não ver Salazar como grande líder político do Séc.XX, a par de outros fanáticos colonialistas, igualmente cheios de defeitos, como Churchill e De Gaulle.
            As desculpas dadas a uns e negadas a outros, tem apenas a ver com heranças das famílias políticas actuais e não com o contexto histórico.

          2. A história será por norma a dos vencedores e tenderá a ser implacável, sobretudo se é construída a partir de conflitos violentíssimos ou do fim de regimes que mais do que sucedidos são derrubados.

            O que diz é certo e não deixaria de juntar, a esses colonialistas que invoca, o poder do nosso regime republicano saído de 1910 (tão endeusado, desde logo por certa facção política destes dias, que dele se proclama directa herdeira, como pouco recomendável) e por tempo não desprezível a oposição dita republicana ao Estado Novo.

            O tempo foi tacanho, como escreve, e a sua visão colonialista – bem mais do que económica – providencialista, fundada em destinos e missões tidas por sagradas, históricas, imutáveis e indeclináveis. Isso (também) o terá perdido.

            Costa

  4. No conforto do «lado de cá», perante algo que não é perfeito – nem nunca poderá ser -, não custa defender outros modelos, Pedro. Ainda que, por falta de exemplos concretos de sucesso, seja preciso apontar à utopia.

    1. José, a utopia está para a acção social da mesma forma que a experiência esta para a ciência.

      Qualquer mente racional e científica sabe que é assim.

  5. Causa mas não devia; onde é que o jovem se mostra mais contestatário? é antes ou depois de sair de casa dos pais?
    Quem saõ os grandes “defensores” do pleno emprego e das greves?
    quem tem um sindicato ou um emprego pago por todos nós.

  6. Desonestidade intelectual (ou ignorância) infinita.
    Pergunto, a Russia após a queda da URSS viveu formalmente no tal regime Liberal blá blá, esses anos 90 em regime liberal quando comparados com o actual e o anterior acha que foram melhores? Que avaliação disso faz o povo Russo? O facto da idade média de vida ter caído 5-10 anos diz-lhe alguma coisa?
    Não é possível comparar a “bondade/eficácia” de um regime sem ter em conta o tempo e o espaço. Claro que para um “idealista/moralista” isso são apenas promenores…

    1. É preciso não ter vergonha na cara para falar de um regime liberal na Rússia pós queda do Comunismo. Nunca houve liberalismo na Rússia e é duvidoso que alguma vez tal aconteça sem uma mudança cultural significativa. Homens fortes e compadrio sim.

      E ainda mais vergonha para colocar a esperança de vida russa no que veio depois. Quando foi a decadência funcional do comunismo russo a todos os níveis, e a percepção que os russos tiveram dessa decadência é que provocou a sua queda. Já nada funcionava.

      1. O rótulo “liberal”, para alguns, serve para designar tudo e nada ao mesmo tempo. Outros fazem o mesmo com o rótulo “socialista”. E enquanto não formos além dos rótulos é impossível haver verdadeiros debates de ideias.

        1. O liberalismo tolera a opinião do outro, deixa-o seguir o seu caminho.

          O socialismo não.

          Um socialista pode ser socialista numa sistema liberal, um liberal não o pode ser num sistema socialista.

  7. Meu caro

    Curioso ter falado em Angola pois um dia destes aconteceu-me algo que não resisto a contar.

    Estando aqui pela sede de concelho beirã de não mais que 5 mil pessoas, entro no habitual local para beber o café da manhã e deparo-me com um exemplar desse mesmo dia deste novo semanário angolano

    http://www.meiosepublicidade.pt/2015/04/media-rumo-lanca-novo-semanario-economico-em-angola/

    Pelos vistos sai no mesmo dia nas bancas de Luanda e nas tabacarias do interior de Portugal, o que diz muito deste admirável mundo novo que os anquilosados mentalmente teimam em não aceitar, preferindo-lhe as suas “idées reçues”, como diría Flaubert(*), nas quais se embalam confortávelmente distanciados do mundo que os rodeia.

    Claro que me pus logo a folheá-lo, eu que não folheio nenhum nacional.

    E dou de caras com um editorial e várias notícias que, se fôsse num jornal daqui, seriam apodadas de tudo e mais alguma coisa pelos “… úteis” do costume.

    http://jornais.sapo.pt/internacional/africa/angola/10035

    (*) O “Dictionnaire des idées reçues” de Gustave flaubert aparece habitualmente como anexo ao romance “Bouvard et Pécuchet” (também ele um conjunto de ideias feitas e mostra como o políticamente correcto vem de longe.

  8. O que mais me espanta é essas pessoas (que tomam por modelo os exemplos que referiu) considerarem-se pessoas inteligentes, bem formadas e bem informadas. Tenho para mim que, se as coisas mudassem, seriam eles os primeiros a arrependerem-se pois, parece-me, apenas mantêm tal posição por que, assim fazendo, são notados e admirados por uns quantos, ganhando com tal atitude não só prestígio (aparente) como, frequentemente, outros proveitos.

    1. Uns fazem-no por mera estupidez, outros por ignorância atrevida, alguns por má-fé, outros ainda por obstinação ideológica: sustentam a todo o momento a tese de “quanto pior, melhor”.
      Há ainda alguns – poucos – que são idealistas. E acreditam mesmo que o paraíso se encontra algures, mas sempre do lado de lá.
      Só estes merecem o meu respeito. Desde que não utilizem Kalashnikovs para imporem à força as ideias que defendem.

  9. Sim sim, a alucinada Martins, a esta hora, já devia estar na Praça Sintagma a berrar – coisa em que é mestre – pelo “não”. E com reserva para lá ficar durante os próximos meses.

    1. Não vale a pena chamar nomes àqueles de quem discordamos.
      Eu também poderia dizer … é melhor não dizer nada pois na direita há tanta gente que daria boas anedotas (Cavaco, Machete, Relvas, aliás Dr. Relvas, Paula Teixeira da Cruz).

  10. Parece que o Costa, que não faz a mais pequena ideia sobre que posição há-de tomar, para além de largar inanidades, acha que o Syriza foi de uma profunda imprudência, enquanto lá por casa uns se dividem pelo SIM e outros pelo NÂO. Melhor é ficar pelo Intendente.

    Agora, até o presidente da agremiação já nem sabe se o PS irá apoiar o Sampaio da Nóvoa ou não…

  11. Diz que o Varoufakas está capaz de arrancar um braço e espectáculos assim só estão ao alcance dos viciados no Fantas.

    1. Varoufakis quer largar o cargo o mais cedo possível e depois fazer a ronda das conferências internacionais, a 50 mil euros por palestra, explicando ao mundo quais as receitas infalíveis para “salvar” as finanças de um país.

  12. O “Tiro ao alvo” tem toda a razão.

    Como já tenho referido aqui essa malta só diz estas coisas para limpar a consciência de não levantar o rabo do sofá e de virar a cara para o lado quando
    vê um miúdo mesmo com fome, para eles o Estado (que são sempre os impostos dos outros) que resolva o assunto um dia mesmo que o miúdo esteja a passar fome já hoje e agora.

    Cambada de hipócritas.
    Frases grandiloquentes que nada querem dizer invariàvelmente seguidas da garantia de que os inteligentes são os que pensam como eles.
    Ridículos.

    Mas claro que se alguma vez lhes passasse pela cabeça que um destes dias a reforma ou o vencimento não lhes caía lá na conta no dia certo borravam-se todos.
    Daí o alívio que vão sentir quando tudo se resolver ainda que por lá tenham que engolir todos os sapos e mais alguns: já não voltamos a ser os “que vão a seguir”, que é a única preocupação desta gente com muita garganta mas sem …

    1. Gostava de ver alguns por cá esperando nas longas filas do multibanco, como sucede agora em Atenas, entre sonoros elogios a Tsipras e Varoufakis. Quando enfim chegasse a vez deles, já a máquina estava sem dinheiro. Mas eles continuariam, em plena rua, entoando hossanas a Tsipras e Varoufakis.

      1. Se fosse para mudar, cantaria hossanas, a quem se atrevesse a enfrentar os senhores que dão mais valor ao dinheiro que ao ser humano. Choca-me que se trate um povo como números e choca-me que em Portugal se diga que Tsipras e Varoufakis sejam os culpados de não haver dinheiro nas caixas de multibanco.

          1. Desculpe, é uma resposta com uma pergunta descabida e sem nexo. Lamento, mas estou completamente de acordo com o anónimo.

        1. O “Anónimo” ainda não deve ter percebido que a frase “trate um povo como números” é um dos lugares comuns mais disparatados que andam por aí, dignos de cabecinhas que não têm grande coisa lá dentro.

          Ora indique-me lá um único país do mundo onde as pessoas não sejam tratadas como números (provando-o, claro, bocas parvas e desinformadas devolvo-lhas).

          Quanto à 2ª parte do que diz, a mim também me choca muito que em Portugal se diga que Tsipras e Varoufakis sejam os culpados de não haver dinheiro nas caixas de multibanco e desde já lhe digo que não podia estar mais de acordo consigo.

          É de facto vergonhoso dizerem-se estas coisas quando toda a gente sabe que a culpa de não haver dinheiro nas caixas de multibanco é dos gregos que levantaram toda a massa que puderam dos bancos, numa de singelo mas sentido apoio e confiança no governo actual.

        1. Já existem. Nos supermercados da Venezuela, aliás com as prateleiras quase vazias. E alguns continuam a entoar hossanas ao camarada Maduro. Fazem-no cá, por vezes nos intervalos às incursões pelas lojas ‘gourmet’ mais em voga.

  13. “O que não cessa de me espantar é haver quem defenda modelos diferentes instalado no lado de cá.” A mim entristece mais do que surpreende.

    Uns, ignorantes e embrutecidos (ou perdido, pelo desespero do tempo presente, o bom senso que admissivelmente chegaram a ter), dispõem-se a experimentar o que seja de diferente daquilo que agora se lhes apresenta como um beco sem saída; com a percepção de que uma significativa melhoria da sua vida, fora da abstracção dos “indicadores” de cuja descodificação só políticos e académicos obtêm satisfação, e que justificasse estes dias de chumbo, talvez nem na geração dos seus filhos seja de antever. Acreditam que nada têm a perder; que pior do que isto não pode haver (o estudo – a simples leitura interessada e sem pretensões académicas – da história é uma maçada).

    E devemos, antes de os desconsiderar sem mais (o que não significa dar-lhes razão), tentar imaginar-nos no ponto em que muitos estarão: a casa perdida; o salário – tendo-o – penhorado; vivendo mal ou bem pior do que aquilo que já conheceram; saqueados pelo fisco e espezinhados por uma justiça que lhes parece mais do que nunca defender os ricos; tratados, quando desempregados, com formalidades próprias do trato de criminosos; levados na enxurrada da versão oficial, mesmo que por agora atenuada, do viver acima das possibilidades, demonizando quem alegadamente o fez e salvando quem prometendo irresponsavelmente tudo e mais alguma coisa, incentivou e financiou esse comportamento.

    Outros – os que cantam hinos a esses modelos alternativos – não ignoram que onde vigoram esses modelos há lugar a uma casta superior, que vive magnificamente bem. E, acreditando ter à partida o direito divino de integrar essa casta, ambicionam esses modelos e essa vida. Nem que para isso tenham que fazer este tirocínio de pressurosos defensores dos pobres e desvalidos. São as vanguardas, acham-se acima de tudo e todos, dotados da (única) razão.

    Esses é que verdadeiramente me repugnam. As revoluções, todavia, quando ocorrem, tendem a “purificar-se” por meio de vistosas purgas entre as suas elites.

    Conviria não esquecer.

    Costa

  14. O texto do Pedro está no ponto, para bom entendedor. O comentário do rmg remata-o na perfeição.

    Boa noite. Chamo-me Maria Dulce Fernandes e sou uma instalada no lado de cá.

    Os Bem Instalados Anónimos recebem toda a gente que tenha uma mentalidade aberta para a realidade. Pode ser um processo moroso, aceitar verdades inconvenientes, mas se não nos dermos uma chance nunca saberemos se ou porquê andámos enganados a vida inteira.

  15. A democracia que o Pedro Correia muito gosta de defender sempre foi um tapete para baixo do qual se varre muito lixo e na minha modesta opinião existem países que não sendo democráticos não poderiam existir de outra forma.

    Depois existem os países ditos democráticos mas se verificarmos bem, a sua (deles) democracia tem muitas nuances consoante o País e a Cultura do mesmo.

    Começando pelos supostamente não democráticos que o Pedro cita tenho a dizer-lhe que a Rússia é um País democrático, nos últimos anos tem é ganho sempre o mesmo partido com os mesmos actores mas em Portugal Cavaco Silva também teve 4 maiorias absolutas e volta que não volta é raro nos partidos do arco da governação haver mudança de protagonistas aliás se perguntar a qualquer russo se quereria voltar ao caos de Yeltsin ele diria que não e na minha opinião está muito bem assim.
    A Venezuela é um país democrático, o Pedro só não gosta porque têm lá um partido a governar que não é a da cor dos que o Pedro GOSTA, a propósito nem sei como não juntou o Brasil á Venezuela.

    Cuba e Coreia do Norte de facto são ditaduras

    Depois temos os “democratas” eheheh ), no UK houve um partido que teve mais de 4 milhões de votos e só elegeu 2 deputados, na França a FN teve 25% dos votos nas municipais e não tem nenhum grande município , em Espanha o governo nacional tem amiúde de realizar alianças pontuais com governos autonómicos para poder passar leis, na Índia vigora o sistema de castas que se sobrepõe ás leis democráticas , em Portugal o governo apresenta programas que sabe ( ? ) não poder cumprir e depois viola as promessas que fez ou então compra votos com 3% de aumento para parte da população e depois tira-lhes logo 5% no ano a seguir, na Itália são colocados 1º ministro por indicação da UE ( Mário Monti ).
    Nos USA existe uma democracia que só tem 2 ( !) partidos e que elege presidentes que não venceram as eleições BUSH vs Al Gore).

    O Pedro Correia pensa que devemos metermo-nos da casa dos outros sem 1º olharmos para nós e mesmo que nós (ou outros) fossem o supra-sumo da Justiça eu penso que nem assim nos devíamos meter nem que fossemos convidados porque normalmente dá barraca e da grossa como se vê pelo que foi feito na Líbia , no Iraque, na Sérvia na Ucrânia , etc.

    Entretanto com o que está a passar-se na Grécia estamos a descurar ainda mais o que se vai passando em Portugal e que não é pouco como por ex: o relatório do Tribunal de Contas sobre as privatizações no sector eléctrico, mais um ex-ministro caído nas malhas da lei, a venda com largo prejuízo para os contribuintes do ex BES , o continuo descalabro das contas publicas e por aí fora.

    Este tema da Grécia caiu que nem ginjas aos “incompetentes” que governam Portugal, permiti-lhes continuar a varrer para debaixo do tapete toda a sua incompetência e irá faze-los vencer as eleições que já deveriam ter ocorrido.

    1. Lendo o que escreveu, concluí duas coisas:

      1. A Rússia de Putin e a Venezuela do Maduro-filho-de-Chávez são países democráticos.
      2. Os Estados Unidos da América e o Reino Unido não são países democráticos.

      Obrigado. Aprendi muito.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *