Apesar de tudo, fomos galgando patamares civilizacionais. Adquirimos – e bem – tabus culturais que nos distanciaram do ser cavernícola dos primórdios. A antropofagia, o incesto, o esclavagismo, a violentação, a tortura e tantas outras expressões da “besta” foram sendo alvo de sucessivos anátemas sociais, formando uma espécie de cartilha universal de valores. O problema é que tudo está envolvido numa redoma demasiado fina, que se estilhaça com excessiva facilidade. Os últimos cem anos de história humana demonstram isso mesmo. E as chamadas “redes sociais”, num revelador efeito de espelho, confirmam a curta distância que ainda separa a civilização da barbárie.
Nunca podemos dar nada por garantido: a via do retrocesso está sempre latente. As tecnologias contemporâneas só a potenciam, em vez de a afugentarem.

MOMENTO POÉTICO
Merco besta corrida por meio saldo de mula manca
A arrastar o estribo albarda caída de cilha folgada
Ossada bicuda a furar a pele traseira toda empenada
Cabresto aos nós corda roída que os abanos desanca
Moscas no lombo prontas ao ninho atrás das orelhas
Aos solavancos soltando sonoros imundos a cada patada
Cascos moídos feitos em farelo sem cangalha amarrada
Lá vai ruminando a palha curtida de gastas golpelhas.
Pelo sumido ensebado basta ajeitar-lhe os sarilhos
Rebarbar-lhe os cascos para lhe calçar uns meotes
Que de crinas assoveladas ensaia logo uns pinotes
No arrasto do chocalho o estafermo foge aos trilhos
Dente arreganhado cor de feno cata-vento no roncar
O fedor podre que expele de tanta névoa nem cheirá-lo
Não nos contam os arreios se é burro mula ou cavalo
Mas tem qualquer ferradura pronto coice para dar
Já tinha lido aqui: 2818.html
http://forteapache.blogs.sapo.pt/73
Muito obrigado. Na altura eu era Marão.
Nice to meet you again.
Se não fosse assim o Comunismo nunca teria chegado aos 4 cantos do mundo, nunca o Capitalismo Ideológico alguma vez conseguiu tal coisa apesar de ter quase mais 100 anos que o Comunismo na altura.
O Nazismo foi construído em menos de 20 anos.
As novas gerações são novas, passe o pleonasmo, a juventude gosta de assertivos e agerridos, pois são eles próprios assertivos e aguerridos. Se os aguerridos são jihadistas, guardas da revolução ou camisas castanhas então serão esses os seus caminhos.
Uma sociedade banhada na autoculpa nunca atrairá a maioira dos novos, isto sabe a Esquerda Marxista muito bem, pois é a peça central da sua estratégia para destruir a Civilização Ocidental.
Jiadistas, guardas vermelhos, camisas castanhas ou negras: abomino isso tudo. Porque nos devolve à “lei” das cavernas.
Cogitar que o conhecimento corroeu os pensares e os agires e que a involução é a resposta, imposta pelo medo, pela dor de sucessivos golpes, pela fome e pela miséria. Da pedra sai a espada que abate o pérfido pela mão do justo e verdadeiro, o que traz o verbo, o que cobre a luz por ser impúdica e faz cair a treva como negra bruma.
E a ideia do crescente vai crescendo e insinuando-se como um vírus cuja única panaceia é deixar de ser.
( Há coisas que por muito que tente, me fazem uma confusão imensa. Fico a pensar na racionalidade do animal humano e pergunto-me se alguma vez existiu mesmo…)
Faz-me impressão este recrutamento de jovens pelos jiadistas através das redes sociais. E lá vão eles (e elas), do Ocidente onde nasceram e se criaram, combater pela barbárie.
Pedro, isto só significa que construiu-se uma sociedade em cima de areias movediças. A rede nada tem que ver com isto.
Pois não. Nem sustento o contrário. É apenas um veículo de transmissão instantânea.