Penso rápido (6)


Pedro Correia,

A motivação é crucial, no desporto como na vida. Repare-se na selecção espanhola, com despedida pré-anunciada do Campeonato do Mundo. Porquê? Défice de motivação: estes jogadores fatigados e enfastiados já conquistaram tudo. São campeões mundiais em título e bicampeões da Europa. Extinguiu-se neles a sede de vencer. Deviam ter dado lugar a outros antes deste Mundial para o ciclo se renovar com a cadência que o Eclesiastes recomenda na sua milenar sabedoria: “Há tempo para nascer e tempo para morrer, tempo para plantar e tempo para arrancar o que foi plantado.” Ganhar sempre também cansa.

10 comentários em “Penso rápido (6)”

  1. Felizmente que os nossos magriços/tugas/navegadores/etc ainda não foram campeões mundiais nem europeus e motivação é coisa que não lhes falta.

    Segunda de madrugada há prognósticos no fim do jogo.

  2. Também não será estranho o facto de aquela que foi a base da equipa espanhola estar também em crise, o Barcelona, e os restantes terem na sua maioria estado em competição ao mais alto nível até aos últimos estágios das competições europeias.

    Já os nossos, tirando os do Real Madrid e os do Benfica, que ainda são uns… dois, não têm a mesma desculpa.

    1. À falta de outros argumentos, tenho ouvido falar no calor e na humidade. Não pode haver desculpa mais esfarrapada. Como se as outras equipas não estivessem igualmente sujeitas às condições climatéricas. Incluindo aquelas que são oriundas de climas bem mais frios que o nosso, como é precisamente o caso da Alemanha.

  3. eclesiastes 3, é uma daquelas mézinhas que dá para tudo…até para inspirar os mão morta (graças a deus, felizmente. aleluia, etc…).
    custa acreditar que alguém com a sua experiência e conhecimento, recorra a esta treta.

    …
    tempo para matar e tempo para curar,
    tempo para destruir e tempo para edificar,
    tempo para chorar e tempo para rir,
    tempo para se lamentar e tempo para dançar,
    tempo para atirar pedras e tempo para as ajuntar,
    tempo para abraçar e tempo para evitar o abraço,
    tempo para procurar e tempo para perder,
    tempo para guardar e tempo para atirar fora,
    tempo para rasgar e tempo para coser,
    tempo para calar e tempo para falar,
    tempo para amar e tempo para odiar,
    tempo para guerra e tempo para paz.

    1. Custa acreditar que alguém como Erich Maria Remarque tenha intitulado um dos seus melhores romances precisamente com um versículo do Eclesiastes: ‘A Time to Love and a Time to Die’.

      Custar acreditar que alguém como Ernest Hemingwat tenha inscrito trechos do Ecclesiastes na epígrafe do seu romance ‘The Sun Algo Rises’: «One generation passeth away, and another generation cometh; but the earth abideth forever… The sun also ariseth, and the sun goeth down, and hasteth to the place where he arose…»

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