Penso rápido (40)


Pedro Correia,

Leio na imprensa desta manhã: Mangala, transferido para o Manchester City, rendeu doze vezes mais do que a venda de Garay ao Zenit. O defesa francês, suplente no Mundial do Brasil, permite aos portistas encaixar 30,5 milhões de euros, correspondentes a 56,7% dos direitos económicos do jogador. Enquanto o central argentino, que foi titular da selecção que se sagrou vice-campeã mundial, apenas rendeu 2,4 milhões aos cofres encarnados.

Há qualquer coisa que me escapa nestes cifrões do futebol. E que não augura nada de bom enquanto vemos milionários oriundos de paragens longínquas tomar posse de históricos clubes europeus e empresários especializados em olear circuitos de transferências de profissionais do futebol engordarem cada vez mais as respectivas contas bancárias.

Os tentáculos desse gigantesco polvo em que se tornou o futebol-negócio vão-se ampliando na proporção inversa da dimensão hoje reservada ao futebol-desporto, confinando-a a uma memória cada vez mais difusa de tempos passados. Há aqui uma enorme borbulha em potência que, quando estoirar, não deixará de provocar muitas vítimas inocentes.

16 comentários em “Penso rápido (40)”

      1. Pois ,pois é pena que outras coisas bem mais significativas não lhe cheirem a nada, nem mesmo com a cozinha a arder……….

        E já agora quando é que o presidente do seu S.C.P. revela as auditorias feitas á gestão do clube nos últimos 15 anos, ou ficam na gaveta porque se calhar isso foi uma das moedas de troca na renegociação dos empréstimos com o BES……e demais……..

        1. Ah, é adepto do Porto? Então é natural que ande com o olfacto pouco apurado… Estimo as melhoras.
          Quanto à auditoria, aliás prometida pelo presidente do Sporting no seu programa eleitoral, ela está em curso, como é do domínio público. Auditoria exaustiva à gestão do clube nos últimos 17 anos.
          Como é natural, demora tempo.
          Mas descanse que chegará ao fim.
          E a propósito: quando farão uma auditoria deste género à gestão do vosso clube?

          1. A nossa auditoria é feita todos os dias e os seus resultados (mais significativos) estão patentes no nosso Museu……

          2. Pois. Auditoria zero na vossa chafarica enquanto reclamam auditoria em casa alheia. Dupla moral, aqui registada para os devidos efeitos.

          3. Pois no negócio da venda do passe do Mangala cheira-lhe a esturro, tem todo o direito, eu já via a cozinha a arder há bastante tempo e nem por isso da sua parte (ou outros) houve uma referência directa.

            Pois o que está mal, é mesmo isso, é desviar a atenção das pessoas, confundir o essencial com o acessório.

            Para quem nos lê diariamente já devem ter percebido do que falo e por isso por aqui me fico.

            Eu apenas fiz alusão a uma promessa eleitoral do vosso presidente e que me pareceu na altura bastante responsável, acho só que já passou bastante tempo, só isso.

            Se ler o meu post abaixo em que lhe explico o porquê do Garay ter saído de “borla” e o Mangala não, talvez não se exalte tanto e não chame de chafarica um Clube que já elevou muitas vezes o nome de Portugal pelo Mundo escrevendo páginas de história inesquecíveis.

            Uma vez mais e para que compreenda, a auditoria aos resultados desportivos do F.C.P . (que é o fim máximo de um clube de desporto, obviamente não comprometendo a sua existência) está patente no nosso Museu.

            Decerto não preciso de lhe lembrar os Troféus Nacionais e Internacionais conquistados nos últimos 15 anos em várias modalidades entre as quais destaco o Futebol, o Andebol, Basquetebol e Hóquei em Patins e o clube ainda não abriu falência nem precisou de operação coração ou dar acções de valor zero para garantir a sua não execução fiscal.

          4. Não precisa de me lembrar isso, WW. Mas estranho que o seu espírito crítico, de que tanto faz gala, pare às portas do seu clube.

  1. Ao que parece, tudo isto começou quando, há uns dois decénios, um obscuro jogador belga chamado Bosnan reivindicou junto da então CEE o direito de jogar em qualquer clube comunitário, sem permanecer preso ao clube onde se tinha formado. Ou seja, reivindicou a liberdade de trabalhar na empresa que lhe apetecesse, tal como qualquer outro trabalhador. O que é justíssimo. Supostamente para contrabalançar os “custos de formação”, a UEFA instituiu então um sistema de “passes” pagos, que veio a dar naquilo que hoje observamos.

  2. Ou um conhecido programa televisivo de intriga futeboleira – uma espécie de tempo de antena, de viveiro ou incubadora, para o período de gestação, reserva ou travessia de deserto de ex-futuros-políticos-dirigentes-de-clubes-ou-partidários-bastonários-e-afins -, não tivesse ontem começado (o programa e, parece, a “temporada” dessa crucial peça formativa de cidadania; foi então um momento solene no devir da Pátria) com a questão do BES e seus efeitos sobre o jogo e as suas “jogadas”.

    Um programa, julgo saber, mas deverei do que vi estar enganado, onde o tema é o futebol. Salvo meu novo erro, uma modalidade desportiva e não um ramo da actividade bancária.

    Estava aqui, ao computador, distante do que debitava o televisor. Quando dei por aquilo, entre repulsa e atordoamento (porque espanto não poderia ser: nem quanto a programas alegadamente sobre futebol – àquela hora e dia são-no em todos os canais da chamada “informação” -, nem quanto “à captura”, como agora se diz, do futebol pelo dinheiro), e antes de mudar o canal – desligar o televisor, na verdade – apercebi-me da desvergonha. Fosse pela legenda, em rodapé da imagem, fosse pela tentativa de graça, algo hipócrita, de um dos tudólogos da bola de serviço, ameaçando, após calorosas saudações a um outro tudólogo da bola, novo naquele serviço, abandonar o programa, por nele (e veja-se!) se abordar o BES e não o futebol.

    Palhaçadas de senhores doutores (todos, claro, que ao futebol interessa, na sua estratégia de domínio incondicional das mentes, apresentar-se como coisa em que os instruídos, talvez cultos e bem-amaneirados, se curvam em idolatria perante os ignorantes sem modos, cobertos de tatuagens, penteados bizarros, roupa e acessórios chocantes e muitos “póssamos”, “fáçamos”, “tênhamos” e similares; o povinho, que há que manter calmo, em suma).

    Que o povo gosta. Muito.

    Ainda vamos pagar – explicitamente, entenda-se, porque indirectamente… – os resgates de alguns clubes. E está muito bem assim e nem podia ser de outra maneira.

    Costa

      1. Também subscrevo essa nomeação !

        Antes ainda perdia algum tempo com esses programas da bola, num formato iniciado na RTP e que sem dúvida tinha qualidade na altura porque ao menos ainda mostravam futebol, agora vejo ás vezes para me rir com o facciosismo presente, a soberba de alguns intervenientes e a patética pseudo moderação / isenção dos jornalistas que conduzem as emissões.

        Então os monólogos do Rui Santos são mesmo do pior.

        Por curiosidade o ano passado estava a ver o rescaldo feito na SIC N ao jogo Porto vs Sporting da época passada quando o jornalista Joaquim Rita disse que o Porto já era o virtual campeão e eu só pensei para comigo mesmo, que o inferno deve estar cheio de profetas deste calibre.

        Mas como este jornalista há mais, muitos mais……..

        Nenhum Portista que o seja poderia admitir tal hipótese sequer pois do nosso ADN não faz parte a soberba e se temos característica que nos é intrínseca é a humildade de reconhecer (ás vezes até demais) as nossas falhas e fragilidades.

    1. Pois, Sérgio, escrevi isso mesmo: “rendeu 2,4 milhões aos cofres encarnados”. Isto depois de ter sido titular do Mundial onde a Argentina foi vice-campeã. São, para mim, números incompreensíveis num jogador que se sagrou campeão português. Como foi possível ter sido transferido por números tão baixos?
      Inversamente, ainda não fechei a boca de espanto com a inflação de cifrões suscitada pelo defesa suplente da selecção francesa, que teve uma prestação modesta no Mundial e integrou a equipa que se quedou num modesto 3º lugar no campeonato português. Salvo erro foi a sexta contratação mais cara de sempre de um defesa em todo o mundo.
      Nada disto bate certo, meu caro.

  3. Acho que não é bem assim pois nos USA o fenómeno do desporto / negócio como o tipifica é bem mais acentuado e começa logo nos liceus e passa em seguida para as universidades que o vêem (o desporto) como meio de captar estudantes.
    Depois a nível das ligas profissionais o cenário é mesmo muito mais negro que na Europa, pois nos USA não existem adeptos ou sócios apenas fans ” com toda a insipiência que a palavra encerra o que manifestamente não acontece na Europa e resto do mundo onde o futebol contínua a ser um desporto muito popular e com fervorosos adeptos.

    Nos USA as verbas envolvidas em contratos de publicidade ou transferências são indubitavelmente mais elevadas e os salários dos jogadores (Basquetebol, Futebol Americano e Basebol ) são muitos superiores aos melhores salários dos melhores jogadores de Futebol na Europa e também a média é muito superior.

    Felizmente que poucos clubes e muitos menos históricos (não me parece que o Chelsea ou Manchester City , talvez só o PSG , tenham história na Europa do Futebol como um Ajax , Real Madrid, Barcelona, AC Milan , SLB , FCP ou Bayern de Munique) na Europa têm sido alvo de empreendedores que pretendem ganhar dinheiro (ou reconhecimento e poder) com esse negócio á semelhança do que acontece nos USA e como chegaram assim também irão partir.

    Por exemplo fala-se que Peter Lim poderá ser a breve trecho o novo dono do Valência e que o mesmo gosta muito do jogo, ora Peter Lim comprou uma Scuderia de F1 (a Caterham ) com o mesmo argumento e agora vendeu-a e deixou-a nas ruas da amargura mas a mesma não morreu.

    Quanto aos empresários fazem o seu papel mas pelo que me parece ainda não chegámos a complexidade estrutural da empresa de agentes de desporto e do seu modo de vida caricaturada no filme Jerry Maguire “.

    As verbas actualmente envolvidas nas transferências e atendendo á inflação nem são muitos altas se comparadas com outras grandes transferências de há 10, 20 anos atrás.

    Os valores referidos por Mangala só demonstram uma coisa, o F.C.P . claramente e mais uma vez vai ficar a perder pois não consegue o real retorno que teria se estivesse inserido num grande campeonato como o Espanhol ou Alemão e o mais recente argumento desta tese chama-se James Rodriguez em que o Mónaco FC lucrou quase 100% num ano e o Real Madrid terá provavelmente o investimento amortizado em menos de um ano.

    Em relação ao Garay creio ter acontecido uma má avaliação do potencial do jogador pelo Real Madrid que o “despachou” para o Benfica no negócio que envolveu Fábio Coentrão e também do Benfica que o encarou como uma moeda de troca com “pouco” valor e não soube a tempo valorizá-lo correctamente pois penso que a ideia inicial (quando Garay chegou) dos dirigentes benfiquistas seria também desvaloriza-lo lentamente para depois comprar o passe e propor-lhe um contrato mais baixo e de seguida “despacha-lo” com mais valias, mas não lhes correu bem a ambos (Benfica e Real Madrid).

    O James Rodrigues não era titular indiscutível no F.C.P . e o Hulk só se impôs na selecção Brasileira de Scolari depois de ter saído do F.C.P .

    Já agora quando é que o Presidente do seu S.C.P . divulga as auditorias á gestão dos últimos 15 anos ou quando é que se retracta por ter insinuado que o valor da venda do passe de James Rodriguez foi para prejudicar o S.C.P . no valor do passe de João Moutinho que é um grande profissional e um dos muitos atletas e treinadores injustiçados pelas direcções que passaram por Alvalade nos últimos anos.

    [ FCP )]

    1. ERRATA

      Onde escrevi Peter Lim deveria ser TONY Fernandes e onde está Valência deveria ser QUEENS PARK RANGERS e efectivamente TONY FERNANDES já é dono deste clube.

      —————————————-—

      ADENDA

      Os exemplos citados servem para realçar que estes empreendedores o fazem mais por reconhecimento social do que por interesse económico e que no resto da Europa este modelo de investimento não vingará seja pelas novas regras de Fair-Play financeiro da UEFA seja pela enorme força que os adeptos e sócios têm junto dos seus clubes o que não acontece de modo nenhum nos USA.

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