Dizem-me que, se Portugal voltasse a recusar a entrada da Guiné Equatorial, a CPLP corria o risco de se desintegrar. Pois bem: prefiro pagar o preço da desintegração da CPLP a ver Obiang na mesa de honra da organização. Sinto como uma humilhação nacional ver o Presidente da República e o primeiro-ministro sentados àquela mesa. E o mesmo sucede ao ver grandes defensores de direitos humanos, como Dilma Rousseff e Xanana Gusmão, dobrarem a cerviz ao tirano de Malabo.
Dilma, que combateu a ditadura militar brasileira, abraça agora o ditador Obiang, tão repugnante como os generais e almirantes dessa era de triste memória no Brasil. Com uma agravante: Obiang já ocupa o poder há quase o dobro do tempo que durou a ditadura militar em Brasília.
Xanana, que liderou o povo timorense na luta contra o regime ditatorial do general Suharto e a ocupação ilegal de Timor-Leste pela Indonésia, devia ser o primeiro a pôr Obiang à distância. Lamentavelmente, pelo contrário, deu-lhe honras de astro-rei da política internacional na cimeira de Díli.
A realpolitik justifica muita coisa. Mas não devia justificar tudo.
Penso rápido (30)
Pedro Correia,

prefiro pagar o preço da desintegração da CPLP
O Pedro não paga absolutamente nada! Não se preocupe!
Quem paga é a expansão da língua e da cultura portuguesas no mundo. E isso é que é grave.
É grave, sim. Muito.
A política faz mais extreme makeovers do que os reality shows. O que era ontem, pode não ser hoje e é completamente falso amanhã… e vice versa.
Quase todos político tem plantações de feijão frade e isso não é surpresa para ninguém.
” No início da conferência, ainda antes da efectivação da adesão da Guiné Equatorial como membro pleno, o presidente equato-guineense, Teodoro Obiang Nguema, acompanhado do primeiro-ministro timorense Xanana Gusmão, entrou, sob aplausos, na sala da conferência.”
O Xanana, os panos brancos, as orações, as velas, as lágrimas, as músicas… enfim.
Que tristeza. Que comportamentos lamentáveis.
De joelhos perante um facínora. Lamentável!
O Portugal democrático, que se libertou em 1974 de uma ditadura, presta vénias a outra, considerando-a sua irmã. Como pode haver justificação nisto?
O mesmo se aplica ao Brasil, que se libertou da ditadura só em 1985, e a Timor-Leste, só plenamente livre desde 2002.
Como eu gosto de gente pura de espírito e nobre nos seu princípios! Malta que se masturba pudicamente com o Jornal de Letras nas mãos, malta de peúgas brancas que se horroriza com a bosta de vaca na estrada, depois de ter tomado o seu Actimel matinal…
Parece que um tal Obiang anda a causar urticária. Mas quem é ele, afinal? Abate aviões por sobre a Ucrânia (e, quiçá, Mali)? Rapta meninas nigerianas? Esconde rockets em hospitais? Bombardeia escolas? É administrador da PT?…
Consta que o ditador não sabe falar português. É de bradar aos céus. O nosso orgulho está ferido. Afinal, Mário Nogueira sabe falar português. José Sócrates também. E até Ricardo Salgado. Talvez Salazar falasse latim, mas…
Não, o melhor mesmo é distanciarmo-nos desse sujeito. Podíamos ameaçá-lo com sanções económicas. Nem mais um pastel de nata para a Guiné Equatorial! Nem mais um móvel de Paços de Ferreira! O resultado é garantido: olha para Cuba! Olha para o Irão! Olha para Loures!
Melhor ainda: a comunidade internacional podia dar legitimidade às forças democráticas do país, apoiá-los financeira e militarmente. Num instante o Obiang levava o mesmo destino que o tirano da Líbia. Ou o da Tunísia. Ou o do Egipto. Ó que dias de felicidade se vivem hoje nestes países! Quanta paz, quanta prosperidade!…
O que interessa mesmo é defender a lusofonia. Essa é que é a honesta realpolitik (em bom português). Podia-se exportar a língua portuguesa para a Suíça, por exemplo. Ai, já se está a fazer? 13 mil emigrantes no ano passado? A Heidi ainda há-de ser nossa!
Vamos lá, então, sentar-nos no trono e expelir a nossa humilhação. As nossas mãos imaculadas são lindas! Limpar o rabo é que vai ser uma chatice…
‘Bora lá então prestar vassalagem e fazer mesuras ao ditador da Guiné Equatorial. Nem é má pessoa, comparado com o Idi Amin. Ou com o Bokassa, que praticava canibalismo. Pena terem morrido tão cedo. Podiam agora ser nossos compinchas na CPLP.
Mas afinal, donde vem toda essa autoridade moral? É de sermos um país falido e intervencionado, a viver a crédito com o dinheiro também dessas abjectas tiranias? É da nossa Constituição pró-comunista, épica bandeira dos direitos humanos gratuitos? É dos 40 anos de ditadura mansa que vivemos? É da nossa inocente história em África , da santa guerra do Ultramar, ou do exemplar processo de descolonização?…
A que propósito vem o Bokassa? É uma maneira de agradecer aos deuses por não termos nascido franceses, filhos dessa nação de maus costumes e anti-democrática que criou o fantoche e o sustentou no poleiro, até que os diamantes já não compensavam o incómodo?…
O tempo da ingenuidade acabou.
A autoridade moral vem-nos – ou devia vir – de sermos um estado de direito. Exactamente aquilo que a Guiné Equatorial nunca foi.
“Vamos lá, então, sentar-nos no trono e expelir a nossa humilhação. As nossas mãos imaculadas são lindas! Limpar o rabo é que vai ser uma chatice…”
Pois, pois, o pior (para si e traidores seus apaniguados ou vice-versa) é quando alguns se fartarem do trono e quiserem começar a sujar as mãos a sério……….olhe que já faltou mais…………….
Dilma Roussef ? Bom exemplo…
http://www.folhapolitica.org/2014/07/dil ma-apoia-para-o-senado-ex-ministro.html