Num blogue que se diz de esquerda, perante um dos mais chocantes atentados de que guardaremos memória, alguém escreve que a culpa foi do avião civil carregado de passageiros — não do míssil que o destruiu.
Num blogue que se diz de direita, alguém salienta que a culpa foi do corredor aéreo, pois já devia ter sido fechado.
Falta pouco para concluir que a culpa do morticínio foi das pessoas assassinadas, não dos assassinos.
É espantoso que o atentado — tenha a origem que tiver — não mereça uma palavra de condenação, uma palavra de lamento, uma palavra de humana comiseração pelas vítimas. Antes de qualquer considerando de ordem política. Como se, perante uma atrocidade, tivéssemos de escolher sempre um lugar numa trincheira.
É intolerável que vítimas civis e desarmadas de um conflito armado, sejam quem foram, acabem apontadas como “danos colaterais” de um conflito armado, seja ele também qual for.
Não devemos calar a nossa indignação perante o crime, venha de onde vier. Nem podemos permanecer indiferentes perante o crime, sob pena de nos transformamos em pequeninos cúmplices dos carrascos. Nem é aceitável adoptarmos a atitude cínica de Estaline, que dizia que “a morte de um indivíduo é uma tragédia e a morte de um milhão de indivíduos é uma estatística”.
Importa-me, num primeiro passo, o olhar desprovido de considerandos políticos perante vítimas da violência mais primária e mais chocante e mais gratuita. Elevámo-nos felizmente acima da condição do nosso antepassado mais remoto, o homem das cavernas, graças ao enorme passo civilizacional representado por esse olhar.

Ironias à parte e humor negro bem longe, concordo com o que diz, pese embora considerar o assassinato dos passageiros do voo da Malaysia Airlines another brick in the wall… of shame. Estes horrores acontecem numa base diária, na Ásia, em Africa, na Noruega, nos Estados Unidos, no México, na Colômbia … Triste mesmo, é saber que a consternação é breve, pois ninguém tem a noção de quanto valerá a vida de alguém que desconhece. Foi horrível, foi cru, foi chocante… já passou, já lá vão quatro dias, já voltamos todos às nossas realidadezinhas.
Não tenho esperança que algum dia se esclareça o que aconteceu e quase posso garantir que mais uma vez, a culpa morrerá solteira, pois a inimputabilidade é uma constante nestes casos.
Diz o Talmud que quem salva uma vida salva toda a humanidade… era bom,era.
Dulce, não cessarei de me espantar com a desumanidade daqueles que preferem dissertar sobre política num momento em que vidas humanas são massacradas. Seja em que quadrante for.
Num outro post sobre o mesmo assunto, o Pedro criticou os comentadores, agora criticou outros blogs, sobre o mesmo assunto – o luto devido às vítimas.
Outra notícia, quase simultânea, é o aumento de vítimas civis, vítimas duma incursão militar israelita.
Se não se importa, considero o seu texto igualmente bom para condenar esse mortícinio, e condenar quem não o faz, especialmente porque neste caso o culpado assume os actos – é Israel.
Ataques preventivos seriam pretexto para aniquilar toda a humanidade (porque afinal todo o homem é um potencial criminoso), e até outros elementos físicos imprevisíveis. Não sei se está nos planos de Israel eliminar os fenómenos atmosféricos, geológicos, etc… mas não parecem descansar até eliminarem todas as ameaças aos seus.
Nessa ânsia de matar para não serem mortos, não sei se visam matar a Morte… por enquanto, apenas é claro que alinham ao serviço d’Ela. Nessa conta, já arrecadaram mais vidas do que as contadas no avião. Pior é uma conta que se repete, e nunca parece que lhes é suficiente.
Caro daMaia: em relação ao seu comentário, e penitenciando-me pela autocitação, permita-me recordar-lhe um dos parágrafos do meu texto:
«Não devemos calar a nossa indignação perante o crime, venha de onde vier. Nem podemos permanecer indiferentes perante o crime, sob pena de nos transformamos em pequeninos cúmplices dos carrascos. Nem é aceitável adoptarmos a atitude cínica de Estaline, que dizia que “a morte de um indivíduo é uma tragédia e a morte de um milhão de indivíduos é uma estatística”.»
Ora bem, caro Pedro.
Quantos césares não foram invocados na frase “a César o que é de César”?
Só que, como há vários boys que respondem pelo mesmo nome, também serve o esclarecimento chamar os boys pelo nome.
Caro daMaia: se me permite o critério, falo dos “boys” quando entender que isso é relevante. Quando entender o contrário, não falo. Até porque só publicito quem eu considero que merece ser publicitado.
Qual é o blog, já agora?
Não é um, são dois.
Bom, a Malaysia Airlines teve agora a brilhante ideia de alterar o seu corredor aéreo… em vez de sobrevoar a Ucrânia, sobrevoa agora a Síria, o que deve ser muito mais seguro para os seus passageiros, e não, não é do Inimigo Público:
http://noticias.terra.com.br/mundo/europ a/malaysia-airlines-desvia-rota-de-voo-d a-ucrania-para-siria,241baf928ac57410Vgn VCM4000009bcceb0aRCRD.html
Ideia genial. Alguém na Malaysia Airlines anda a sabotar por dentro a própria companhia…