Penso rápido (22)


Pedro Correia,

Os eleitores não estão só cansados com o comportamento dos partidos de governo (e englobo aqui também o PS, partido de governo): deploram também uma certa maneira de fazer oposição protagonizada pelo comunistas, que jamais conseguiram vencer uma eleição a nível nacional e persistem em ser apenas uma força de protesto inconsequente.
Exigem que tudo mude para que tudo fique na mesma, como o Príncipe de Salina. Já deixaram há muito de ser revolucionários. Ficaram a meio caminho. Fazendo de conta que o são.

14 comentários em “Penso rápido (22)”

  1. Ora bem!
    Convém lembrar que o Comité Central nem sequer quis apoiar Humberto Delgado, e que até Salazer preferia o candidato comunista apresentado à época.
    Um bom trabalho de maçonaria nunca esquece a parte da canalização do descontentamento. Dependendo do tamanho da habitação, 10 a 20% chegam para os efeitos de limpeza.

    1. Os anos passam, as décadas mudam, os governos sucedem-se. Daquele lado vem sempre a palavra de ordem: só admitimos dialogar convosco se aceitarem que sejamos nós a ditar as regras do jogo, do alto dos nossos 8%, 10% ou 12%.
      Os resultados estão à vista.

  2. Há que dizê-lo com frontalidade : Nunca foram oposição nem alternativa.
    Então nos últimos anos fazem lembrar os ” teatros de robertos” (como dizia a minha bisavó ), Punch & Judy no seu melhor.

  3. Então e os bicéfalos? Aquilo tem sido desgraça após desgraça e nem pensar em consequências lá por casa, só sabem é pedir demissões dos outros.

    Mesmo assim e apesar de tudo, se me apontassem uma arma, votava antes neles que nos amigos confessos e incuráveis de regimes aberrantes.

  4. !? Estes posts são mesmo bizarros.
    Parece de alguém que não tem consciência do que o Comunismo defende.
    O Comunismo pretende ter poder total sobre tudo e sobre todos e para isso usa a violência do Estado.
    Logo só se os portugueses pirassem e quisessem ainda ficar mais dominados por um governo que lhes tiraria o que construíram e o que ganharam com o seu trabalho.

      1. Ainda mais estranho. Então o seu texto não é sobre o PCP? queria que eu falasse de quê?

        Eu apontei um falha generalizada dos “humanistas” como você que só vêem aquilo que querem ver mesmo quando os outros lhes dizem o contrário na cara e o escrevem. Passou-se o mesmo com os Islamistas, foi preciso mais de 10 anos para começarem a ver que os Islamistas defendem mesmo naquilo que dizem.

        O PCP não deixou de ser Marxista Leninista, não deixou de advogar o controlo dos meios de produção, do Estado/Partido controlar tudo e todos, não deixou de se aliar a Cuba, à Síria de Assad, à Coreia do Norte e aos mais variados regimes onde não há liberdade de informação, liberdade de associação e onde qualquer ideia diferente não é tolerada.
        O PCP é um Partido Totalitário por querer o Estado – que é o Partido- controlar vastas áreas da actividade humana.
        E você faz um texto a lamentar que o PCP sejam um partido de protesto inconsequente. Primeiro não é. O PCP tem ideias. Segundo essas ideias são más.

        1. O meu texto é sobre um PCP que fala de algo que não existe e apregoa uma receita que não tem qualquer intenção de aplicar. E não tem intenção de aplicar essa receita, em primeiro lugar, porque não dispõe de “condições objectivas” (como diria o camarada Lenine) para o efeito. Mas sobretudo porque todos sabemos – e o PCP também – que essas soluções, onde foram aplicadas, só trouxeram pobreza, miséria, exploração e desespero.
          Ninguém as quer em local algum.
          O PCP defende, em teoria, uma solução revolucionária para a sociedade portuguesa. Mas há muito que os próprios comunistas deixaram de acreditar nisso. Deixaram de ser revolucionários sem se tornarem reformistas: são uma coisa em forma de assim. A meio caminho de coisa nenhuma.

  5. E foi ao que se chegou por cá. No chamado arco da governação, todos – PSD, CDS, PS -, perdida a derradeira réstia de vergonha, mostram descaradamente a sua venalidade, o seu sentido de “família”, a troca de favores e a apascentação de prósperas clientelas em que vivem e de que vivem. Sempre à nossa custa.

    Mais à direita, nada. Faz parte da justiça (e da história) dos vencedores: desde logo da nossa constituição que diligentemente achou por bem proibir um “ismo ” – o alegadamente derrotado em 1974 (“alegadamente” porque é bem discutível que tenha existido por cá) – acolhendo de braços abertos o outro. Que, será bom não ignorar – mas é militantemente escondido (e bem sabemos em que se torna uma mentira repetida muitas vezes) -, foi tão ou mais cruel e matou bem mais e por bem mais tempo.

    Mais à esquerda é o que se sabe: gente que parou em 1917, que sonha com assaltos a palácios de inverno, com autarcias de formigas obreiras de mundos novos pouco admiráveis.

    Para uma grande maioria de gente sensata, responsável, educada, é a orfandade política. A resignação à repetição do voto no mal menor, no voto por cansaço (“estes já lá estiveram – já se encheram – tempo que chegue”) e sem ilusões sobre quem para lá vai a seguir, ou na abstenção. A desesperança. Que isto não fique muito pior, eis o desígnio que resta para a vida.

    Costa

    1. Como diria o Príncipe de Salina, “nós fomos os leopardos, os leões; os que nos hão-de substituir serão os chacais, as hienas; e todos nós, leopardos, chacais e carneiros, continuaremos a julgar que somos o sal da terra”.

      1. O mesmo Don Fabrizio que admitirá faltar-lhe a “faculdade de se enganar a si próprio, esse requisito essencial para quem queira guiar os outros”, num tempo de “jovens espertos, com a mente mais aberta ao ‘como’ do que ao ‘porquê’ e que sejam hábeis a mascarar, a combinar queria dizer, o seu preciso interesse particular com vagos idealismos políticos”.

        Costa

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *