
Estivesse eu numa Biblioteca que escolhe os livros que compra e esta questão nunca me atormentaria. Mas a Biblioteca onde trabalho é uma das dez instituições que recebe um exemplar de tudo o que é publicado em Portugal, graças à Lei do Depósito Legal.
Importa dizer que este privilégio me deixa – e aos meus leitores, certamente – muito feliz. Conseguimos disponibilizar conhecimento, informação, literatura a todos os que residem na nossa área de influência. No caso da Biblioteca de Évora, esta área abrange todo o país que se estende para cá do Tejo, uma vez que é a única biblioteca de depósito legal nesta região.
Como não há rosas sem espinhos, com o depósito legal vem uma série de livros que, sejamos francos e directos, nunca deveriam ter visto a cor da tinta. São, sobretudo, livros de autor, mas agora elevados a um patamar mais profissional. Em vez da boa e velha edição de autor, impressa na Gráfica local, os projectos editoriais são entregues a empresas de edição. Não confundir, por favor, com editoras, essas sim, empenhadas em fazer uma distinção qualitativa, embora mais frequentemente movidas por interesses económicos (se não for bom, não vende) do que para salvar a Humanidade do delírio de uma vida sem literatura. Também as há, e o caro Leitor seguramente conhecerá algumas, que privilegiam a qualidade e o orgulho no seu catálogo, mesmo que para isso seja preciso sacrificar o rendimento económico. Mas estas estão num patamar tão elevado em relação ao que nos traz aqui hoje, que vou deixá-las fora da conversa.
Foquemo-nos então nas empresas de edição. Comercializam um serviço, requerido pelo presumido Autor. Entre histórias de vida sofridas (ou talvez não) e produtos delirantes da imaginação, são propostas para edição. A empresa responde sempre que o livro tem potencial e envia um orçamento. Tudo é editável, desde que seja pago. Número mínimo de exemplares, com custo unitário de X, a que acresce custo de revisão, se o Autor o pretender; custo do desenho de capa, se o Autor preferir uma capa profissional; custo adicional do papel, se o Autor não quiser imprimir o livro de uma vida em papel reciclado de má qualidade. O Autor não quer. Já paga o que pode e o que não pode, para imprimir o livro, quando, ingenuamente, esperava obter receita da sua venda.
A propósito de venda, embora seja prometida a colocação em redes de livrarias e grandes cadeias como a FNAC ou a Bertrand, isso nunca chega a suceder. Na Fnac, na Bertrand e nas redes de livrarias já toda a gente conhece estas empresas e a qualidade habitualmente associada à sua “chancela”. De modo que o Autor acaba a vender os 500 exemplares que pagou para imprimir ao telefone, em mensagens privadas para todos os amigos e família. “Olha lá, sabias que publiquei um livro? Gostava que o lesses” e o livro aparece na semana seguinte na casa da vítima em segundo grau, precedido de um aviso de envio à cobrança.
Não, não é de gosto que vos falo. É de erros ortográficos, de todos os “á”, sem excepção, com acento agudo, de frases sem significado, de vírgulas entre o sujeito e o predicado, de um papel miserável e de capas feitas com fotografias retiradas da internet, de tipos de letra insuportáveis. É mau. É mau, mau, mau.
Na Biblioteca onde trabalho, e nas outras 10 em iguais circunstâncias, temos que receber estes livros, catalogá-los, etiquetá-los, arrumá-los em depósito para todo o sempre. Custos de tempo, de espaço e armazenamento. Só aqui, nesta Biblioteca, e descontando o que foi editado nos últimos 3 anos (devido às obras no edifício, suspendemos a recepção de depósito legal e só agora estamos a retomar) temos já 5890 títulos de uma destas empresas de edição. Se cada um destes títulos tiver 150 páginas (média calculada por baixo), temos quase 500 mil folhas de papel. E pensar que há arvores que morrem para isto.

“Porque te emocionas-te”. Logo abaixo há um “Antonio” (que já lá estava, acima) e, a seguir e muito naturalmente (ainda é possível, afinal), desce-se de “nivel”. Falta uma vírgula, após o “Bem” e no “steven” o “s” seria, é de crer, maiúsculo. E com isto esqueço a náusea que já causa algo ser “tipo” algo.
Esta pérola estará em “acordės”, é de crer. Não espantará que seja vendida numa espécie de saco em rede, com lacinho rosa pastel, e acabe num cesto ou carro de compras, entre cebolas ou papel higiénico, uma exuberante tinta para o cabelo e não sei que produto para umas “nails” acima de bizarras.
Suponho que isto que escrevi fará de mim, e sem qualquer atenuante, um machista patriarcal e sem dúvida um supremacista branco e homofóbico.
Mas tanto pior (ou não).
Livros publicados pelas editoras referidas neste post não estão necessariamente em “acordês”, nem são vendidos em redinhas com lacinho rosa pastel. Isso ficaria ainda mais caro para o desgraçado que pagou a publicação. Livros desses, como a autora do texto disse, não se encontram em livrarias, nem em hipermercados, nem em lado nenhum.
Não estarão de facto necessariamente em “acordês” (nem evidentemente, como em comentário abaixo se aponta, “emocionas-te” é “acordês”). Quis eu apenas, e com manifesto insucesso, caricaturar algo que, do que vejo entre secções de livros em hipermercados e livrarias, vai sendo crescentemente usual. Algo que suponho passa por literatura e que tive a ousadia de pensar fosse particularmente, digamos, compatível com a excelência de redacção e de revisão do exemplo que suscitou estes nossos comentários. Algo que nestes tempos de oralidade e facilitismo (onde, “desde que se entenda”, quase tudo vale e quase nada é erro) muito naturalmente adoptará, acredito, o AO90.
E tem muita razão naquilo que diz. Só achei, talvez enganada, que estava a misturar algumas coisas.
A Zélia fala, aqui, de editoras (uma delas muito conhecida) que editam tudo, mas mesmo tudo, a troco de pagamento. Pessoas que, independentemente do seu talento, sonham em ver as suas escritas publicadas, deixam-se levar na cantiga dessas pseudo-editoras. A publicação fica cara e, como uma revisão do texto implica custos extra, prescinde-se dela e depois surgem “tesouros” como o exemplo do post. Porém, esses livros, e ao contrário do que a editora promete, não chegam a lado nenhum. Normalmente, faz-se a apresentação do livro (com familiares e amigos do “escritor”) e, depois, a editora, que já embolsou o dinheiro, não liga mais ao livro, nem ao seu autor. Se este não consegue despachar a sua obra por conta própria, os exemplares apodrecem num qualquer canto.
Mas, já agora, deixe-me que lhe diga que, por um lado, há editoras conhecidas e com poder no mercado que também editam livros sem qualidade e tudo fazem para os vender (daí os tais lacinhos rosa pastel). Por outro, há escritores conceituados, de provada qualidade literária, que escrevem e editam em “acordês”.
Tem desgraçadamente bem razão (“desgraçadamente” em minha opinião, claro; e só a mim vinculando, como é evidente) também quando escreve que “há escritores conceituados, de provada qualidade literária, que escrevem e editam em “acordês”. E sei, com muita pena minha, que assim de facto é.
Salvo pressões absolutamente irresistíveis (de editoras, de fidelidades ideológicas, de dogmas partidários, do que seja) não os entendo. E bem fortes serão, decerto, tais pressões para que autores justamente consagrados pelo valor da sua obra participem nessa indefensável mutilação da escrita. Uns deixei de os ler, pelo menos o que publiquem em livro (e dois me ocorrem já: Francisco José Viegas e Bruno Vieira Amaral); outros, certamente já não nos lerei (não o que publiquem nessa fórmula semi-analfabeta, pelo menos). Quanto ao que dos já desaparecidos se edite em “acordês”, aí a ofensa é para mim ainda maior por ser tal mutilação perpetrada, necessariamente, sem o consentimento, ainda que forçado, do autor.
Valham-nos mais e mais os alfarrabistas.
Este foi um exemplo aleatoriamente retirado de uma colecção que mantenho.
De facto, como a Cristina refere, este tipo de livros não aparece no supermercado. Os que refere, com laços e outros adereços, fazem parte de outra classe, também digna de atenção, a que chamo fábrica: um guião pré-estabelecido, com muito sofrimento pelo meio e uma vida de felicidade garantida para o futuro que se vislumbra no horizonte. Ainda assim, sem erros, revisto, legível. É possível pegar nestas leitoras (sim, mulheres) e introduzir a pouco e pouco outras leituras, alargando o leque de gostos e preferências.
Se assim for, se esses livros “de fábrica” servirem como espécie de alicerce para outras leituras, algum mérito haverá no sacrifício das árvores que os materializaram. De facto mais vale ler um mau livro do que livro nenhum, ainda que a realidade tenha o hábito de fazer vacilar a cristalina certeza dos princípios.
Quanto a esses outros livros, fico grato pelo postal e pela sequência de comentários que gerou: mero leitor, sem obra publicada ou pretensão nesse sentido – não há por aqui, qualquer gaveta com manuscritos esperando a sua oportunidade -, nem trabalhando na área, fiquei a saber da existência dessa faceta sinistra (creio não exagerar) do mundo editorial.
Parece-me que esqueci o “consciencia”. “Serie” sei que esqueci. A figura do revisor, essa pelo menos, caiu em desuso. É isso?
É pago como serviço adicional, logo, dispensado.
Pronto, já me resposta ao que eu disse no post anterior. Embora admitindo que editar um livro possa ser o sonho de uma vida, desconhecia que houvesse tanto sonhador e um tão grande número de exemplares sem leitor. São sonhos que nunca entenderei., deixam mal o protagonista e não servem a ninguém.
Nem mais!
Sou muito sensível a este tema, Zélia. Ainda há pouco li num editorial dum jornal muito influente, em prosa assinada pelo respectivo director, que um óbvio substantivo é afinal… um adjectivo.
Isto sem qualquer sombra de ironia da parte do articulista.
Quando se chega a este ponto, quase tudo se torna possível.
Mas não é só no jornalismo, onde (mea culpa, quanto à profissão que exerço) a iliteracia galopante é cada vez mais notória.
Reparo que muitos escritores consagrados cometem erros de palmatória. Alguns que fariam corar pessoas comuns, com o diploma da quarta classe antiga. E chancelados pelas mais prestigiadas editoras nacionais.
Lamento escrever isto, mas é verdade.
Na próxima quinta-feira, por coincidência, tenho (já agendado) um texto em que abordarei este tema aqui no DELITO.
É extremamente salutar que estes assuntos venham para a praça pública, sem tabus nem “respeitinho”.
Aliás vamos respeitar o quê? O analfabetismo pintado de sabedoria?
Nem pensar.
Boa Páscoa.
Entre colegas, até pela divulgação que vou fazendo de imagens deste género nas minhas redes sociais (sempre sem identificação do autor ou da obra, não pretendo enxovalhar ninguém, apenas dar a conhecer uma realidade), surge muitas vezes a questão “o que podemos fazer?”. Chamar a atenção, denunciar este negócio que explora vulnerabilidades e ilude os seus clientes, com a agravante do impacto que gera: os recursos que consome e a estupidificação.
O desconhecimento da língua é grave, mas num escritor, é imperdoável. Tão imperdoável como ter um engenheiro que não sabe calcular as medidas para uma obra, um médico que não conhece os órgãos do corpo humano.
Pensava que os portugueses eram mais dados a espantar os males da vida nos concursos televisivos do karaoke.
Infelizmente, quase todos têm uma gaveta cheia de papéis à espera de publicação. A pandemia acentuou outro fenómeno: os cursos de escrita, criativa ou não, com a promessa anunciada de “publique o seu livro!”. Eu vejo aquelas publicidades e estremeço a pensar na vaga de má literatura que aí vem.
Permita-me voltar ao paralelismo da canção. Na medida certa, esta “literatura” merece alguma condescendência e carinho, na medida em que o “Portalpimba” fez em tempos com a música popular da k7.
Bem a propósito, lembrei-me do Eurico Cebolo, professor de musica, com imensas publicações de ensino musical e também novelista
A iliteracia é um mal social institucionalizado. Contra mim escrevo, eu que tantas vezes deixo vírgulas por aí. Mas basta um olhar por alto em publicações nas redes sociais, até em alguns perfis de pessoas conhecidas que têm imagens a defender ( talvez apenas isso) e é trágico e impactante tanta incorrecção.
Boa Páscoa, Zélia.
É mesmo. Às vezes estou a ler e deparo com um disses-te, ou coisa que o valha. Desisto logo, do texto e da pessoa.
Aqui há várias situações que talvez mereçam uma reflexão antes de abordar o tema propriamente dito.
O povo português não tem hábitos de leitura.
Com o aparecimento das redes sociais os mais jovens foram influenciados a adulterar a escrita.
Os livros para vender têm de ter uma escrita que seja apelativa ao escalão etário a que se destina.
Os programas escolares têm lacunas graves no seu conteúdo, nomeadamente o português.
Sabendo de antemão que há várias gramáticas; gramática comparativa, gramática particular, gramática histórica e gramática expositiva, sendo apenas esta última a que é dada nas escolas e de forma muito ligeira. Como é que se pode pretender que haja bons escritores se a grande maioria dos leitores não consegue compreender um texto. Será que qualquer leitor tem de saber, que uma palavra exerce numa oração, duas funções; uma taxionómica, e outra sintáctica, ou que o acento em vez de ser agudo tem de ser grave?
Penso que o mais importante é incentivar a leitura mesmo que contenha erros, a correcção será feita depois, e com prazer.
Também é verdade, mas tem sido feito um esforço notável para que todas as crianças e jovens tenham acesso facilitado à leitura. O problema, como em todas as medidas bem intencionadas, está na vontade de quem as aplica. Se um professor não gosta de ler, dificilmente incentivará o gosto nos seus alunos. Conheço casos em que até o retira.
“emocionas-te” não é “acordês”, é actualês (ou será atualês?)…
Tenho uma adenda ao postal. Não são apenas os pobres “autores” a demandar os serviços editoriais, o inverso também acontece. Há anos fui contactado por uma Prof. Dra (assim assinando) dizendo que era não só minha leitora como também era presidente do Conselho científico (assim mesmo) de uma editora e que queria publicar algo meu. Eu agradeci e enviei o futuro mono. Passados meses sem resposta perguntei à Sra. Prof. Dra um “então?”. Ela reenviou-me para o conselho editorial. Eu perguntei a esse o mesmo “então”. E recebi a quantia que tinha que pagar, X por exemplar essas coiss, mais as tretas da divulgaçõ e comercializção que aqui esclarece. Nem respondi
Passado um ano conheci a Prof Dra numa premiação de um escritor que eu conheço. Coitada, não se lembrava de mim…
Sim. Há vários nichos de mercado. Um deles abrange as publicações científicas, desde o mais modesto dos artigos à mais aclamada tese. Tem saída. Quem, depois de um trabalho árduo de anos, resiste a um email que llhe anuncia que o seu trabalho foi seleccionado para publicação?
Não fique aborrecido por não ter sudo reconhecido. O seu nome era apenas mais um numa base de dados a quem foi enviado um texto previamente elaborado. É este desrespeito pelas vítimas (aqui em primeiro grau) que me incomoda tanto.
Pois, é garimpo dessa gente (eu não fiquei aborrecido, foi um bom episódio para melhor conhecer a mariolagem – só fiquei aborrecido, mas compreendo, quando enviei textos para editora após contacto intermediário e não recebi resposta. Isso sim, é chato)
Zélia,
Desconhecia, a obrigatoriedade de depósito legal em dez locais diferentes, pensava que só a Biblioteca Nacional seria depositária de tudo o que se publica no rectângulo e ilhas.
Quais os outros oito locais? (se não for pedir muito).
Quanto às circunstâncias da edição/publicação nada sei, acredito no seu testemunho e no de jpt, pessoas que pagam para editarem livros, pessoas que são aliciadas para publicarem livros.
A compra e venda de livros é um negócio como qualquer outro, se calhar, o que não faz sentido é a lei do depósito legal a multiplicar por dez.
O depósito legal funciona a partir de quantos exemplares?
Imaginemos que faço uma árvore genealógica e que edito 50 exemplares para oferecer aos meus familiares, sou um homem do campo, gosto de falar daquilo que conheço, se tiver um rebanho com cinquenta ovelhas não tenho de dar dez ao António Costa ou tenho? Então qual a razão para lhe dar dez dos cinquenta livros que paguei do meu bolso?
Penso que defenderá o fim do depósito legal ou um depósito legal só obrigatório a partir de um número consistente de tiragem, 10 000 exemplares, por exemplo; morreriam menos árvores.
Pedro, vou tentar responder a tudo.
O depósito legal é obrigatório, para tudo o que é publicado, com 2 objectivos: garantir a preservação da memória da produção cultural para as gerações vindouras; garantir que, em qualquer ponto do território nacional, há uma Biblioteca, a uma distância razoável e comportável, onde pode ter acesso gratuito a tudo o que é publicado.
Cabe às tipografias/gráficas fazer este depósito. Muitos autores nem se apercebem do facto.
Há muitas publicações que escapam, por esquecimento, por desconhecimento, por incúria. Há publicações que recebemos com vários meses de atraso sobre a data de edição. Chegam a trazer a etiqueta com o preço de venda em grandes superfícies, por terem estado expostas, terem sido devolvidas e, por estarem sujas ou manuseadas, são remetidas para depósito legal. Também recebemos muitas publicações com defeito: falta de cadernos, capa ao contrário, defeitos de impressão, etc.
E também recebemos folhetos de supermercado, todas as publicações periódicas, brochuras, panfletos, etc.
Sim, a revisão da lei está em análise.
As 10 bibliotecas que recebem os 11 exemplares previstos na lei são: Biblioteca Nacional (2 exemplares), Biblioteca Pública de Évora, Bibliotecas Municipais de Lisboa, Biblioteca da Universidade de Coimbra, Biblioteca Municipal de Coimbra, Biblioteca Pública do Porto, Biblioteca Pública de Braga, Biblioteca Pública e Arquivo Regional dos Açores, Biblioteca Pública e Arquivo Regional da Madeira e Real Gabinete de Leitura do Rio de Janeiro.
Cara Zélia,
Agradecido pela resposta e pelo esclarecimento.
Neste caso, como em tantos outros, se a lei não faz sentido, mude-se a lei.
Confesso que sorri ao imaginar os veleiros (a república portuguesa é super ecológica) a atravessar o Atlântico para depositar no Real Gabinete de Leitura do Rio de Janeiro, preciosidades como o ” ‘Tás a ver”, Mário do Big Brother I ou “Eu, Carolina” autobiografia da Corolina escrita por Leonor Pinhão.
Desejo-lhe uma excelente Páscoa, Zélia, para si e para a família.
Caro Pedro Oliveira, antecipo-me à Zélia, ela poderá dar depois uma resposta mais completa.
Tiragens de 10.000 exemplares, em Portugal? Raríssimo. Um livro que venda cerca de 5.000 exemplares já é considerado um “best-seller”. Mesmo autores conhecidos não chegarão a vender isso.
Penso que o depósito legal será apenas para livros com ISBN. Se mandar imprimir 50 exemplares numa gráfica, não precisa de registar o livro, encontrando-se ele livre de depósito legal. Aliás, se encarregar uma editora da impressão em troco de pagamento, ela lhe perguntará se quer depósito legal.
Também gosto de fazer a árvore genealógica e a crónica da família
Boa Páscoa!
Cristina, teoricamente, tudo o que é impresso está, efectivamente, incluído.
Sim, a Cristina tem razão quanto às tiragens. São habitualmente pequenas, o que até possibilita que, a cada reimpressão, se necessária, se faça publicidade a uma nova edição.
Cara Cristina,
Agradecido pela resposta e pelo esclarecimento.
A árvore genealógica era apenas um exemplo, talvez quando me reformar.
Não faz sentido que eu encomende e pague uma edição de luxo com um bom encadernamento, fotografias a cores e tal e depois desses 50 exemplares (é uma estimativa, uma suposição) e seja obrigado a oferecer 11 exemplares à república portuguesa (logo eu, que até penso que a Monarquia serviria muito melhor um país como Portugal e evitaria as mordomias estatais dos ex-presidente)
Uma excelente Páscoa para si, também, e para o Horst
Tudo certo menos a crítica ao Times New Roman 🙂
É um bom tipo de letra. Melhor do que os estilos “humanistas” dos blogues e aquelas edições com tipos sem serifas esterlicados..
Pois é, embora eu prefira arial ou calibri. Mas há vários livros em comic sans. Ninguém merece.
Sim ok, mas tanto o (ou a) Arial como o Calibri são tipos de letra desenhados especificamente para serem lidos num ecrã — o que significa que a relação entre mancha e espaço em branco não são as ideais para corpos de texto impresso e a ausência de serifas (aquelas pequenas bases nas “pernas” das letras que estabelecem uma linha horizontal invisível que estabiliza os olhos durante a leitura) resulta em maior dificuldade de concentração no texto e cansaço na vista.
Além disto, não têm as mesmas propriedades de kerning (o espaço entre cada letra) e outros tipos de ajustamentos à página, o que faz com que nalgumas edições descuidadas quando o texto é colocado num certo tamanho as letras pareçam esborratadas e etc. Parecem bem nas impressoras em casa mas em edições mais exigentes esses tipos de letra não deveriam ser usados em edições em papel porque tem efectivamente menos qualidade do que outros desenhados para esse efeito. Um deles é o TNR. Garanto-lhe que lê 2 ou 3 vezes mais depressa e com mais conforto um texto longo em Times New Roman do que em Arial, por exemplo.
A Arial, aliás, é uma versão para ecrã da Helvetica, que tem sido alvo de modas e manias recorrentes, mas não possui as mesmas qualidades da tipografia original. Parece, mas não é 😉
Muito esclarecedor! Fui ler documentos em Arial e TNR e dou-lhe razão. Que pena não ter falado consigo antes de formatar a minha tese para impressão!
Como, em trabalho, leio quase tudo em digital, nunca me tinha ocorrido (excepto a questão do kerning, que é mais evidente). Obrigada pela dica!
Ah, a praga das “vanities”. Mas elas lá vão fazendo dinheiro e ocupando mais espaço em feiras do livro. Pobres árvores, realmente.
Vanities, exactamente. Paga a sociedade.
É simplesmente hilariante constatar que quase todos os comentários aqui publicados expressam um profundo e sentido lamento pelo estado da arte, e, no entanto, padeçam dos mesmos erros que apontam.
Exemplo: “(…) perfis de pessoas conhecidas que têm imagens a defender… “
Exemplo: “Será que qualquer leitor tem de saber, que uma palavra exerce numa oração, duas funções; uma taxionómica, e outra sintáctica, ou…? “
Mea culpa. Tenho uma forma de escrita bastante ligeira e próxima da oralidade. Às vezes… escorrego.
Bem prega Frei Tomás…
Exemplo: “(…) da arte, e, no entanto, padeçam…?”
Quer fazer o favor de me dizer onde está o erro?
Então você é tão lesto a descobrir falhas nos outros e não descobre a sua?
Oh santa paciência! Oh santa ignorância!
Nem Canção do Bandido
Nem Canção do Engate
Nem Canção de Embalar
P.S. Eu critiquei um crítico apócrifo. Não fui eu quem abordou a iliteracia dos outros!
Guarde as vírgulas; substitua o ponto e vírgula por dois pontos; e, porque não?, vá dar uma volta ao bilhar grande
Você não criticou um crítico apócrifo, você fez foi uma crítica apocrifa, o que é diferente.
Quem semeia ventos colhe tempestades, não critique quem comenta, principalmente de forma anónima, assuma as suas opiniões, não tenha medo de mostrar ignorância.
“você fez foi uma critica apocrifa…” A ignorância atrevida no seu máximo esplendor!
Você fez foi?!
Pode inundar a minha caixa de correio com os comentários que quiser. Porém, este pingue-pongue terminou. Vá dar lições de português ao cão
Porque escreves-te este, testo?
Ter um filho, plantar uma árvore, escrever um livro.
Pois, porquê?