
«Tão regrada, regular e organizada é a vida social portuguesa que mais parece que somos um exército do que uma nação de gente com existências individuais. Nunca o português tem uma acção sua, quebrando com o meio, virando as costas aos vizinhos. Age sempre em grupo, sente sempre em grupo, pensa sempre em grupo. Está sempre à espera dos outros para tudo. E quando, por um milagre de desnacionalização temporária, pratica a traição à Pátria de ter um gesto, um pensamento, ou um sentimento independente, a sua audácia nunca é completa, porque não tira os olhos dos outros, nem a sua atenção da sua crítica.»
Fernando Pessoa, Sobre Portugal – Introdução ao Problema Nacional

Trair a Pátria , é no meu País, a melhor forma de Honrá-lo.
Muito, muito oportuno Meu Caro!
Forte abraço e Feliz Natal para todos em casa
muito bom. o “post”, o texto, o momento.
Tem toda a razão Fernando Pessoa.
Falta dizer que isto se deve a o povo português ter uma personalidade e uma forma de estar na vida fortemente femininas. Tal como as mulheres, o povo português procura essencialmente seguir os costumes da geração anterior (as mulheres copiam sempre as suas mães) e tem muita atenção às opiniões das outras.
Ao contrário dos povos do norte da Europa, que são muito masculinos (e machistas), o povo português é muito feminino, e na sua organização social as mulheres são preponderantes.
Influência do solestício de inverno, Sr. Lavoura ? Ou de activismo em #Metoo ?
Os “astros” ultimamente têm mexido muito com a moleirinha, é um facto.
Fernando Pessoa nunca se desagarrou da mãezinha e da irmãzinha.
(aquilo da “Lavourada” foi uma belíssima ideia, mas o dito excede-se a soi-même a cada momento. acho que é falta de carências…)
Irei mesmo mais longe, Cristina: julgo ser ausência de falta de carências. Gera uma espécie de vácuo.
Interessante o seu conhecimento de Fernando Pessoa e da natureza feminina, Comendador Lavoura, curioso até…
Maria
Ia jurar que quem não move uma palha para mudar a forma de estar dos pais, são os homens. Sobretudo se mudar for coisa de bom-senso.
Hoje desiludiu-me Lavoura, e olhe que leio este Blog há anos e os seus comentários há meses; são sempre os que mais me animam. Sorrio sempre.
Acho, aliás, que o Lavoura devia ser convidado a fazer parte deste Blog plural.
Quanto a Fernando Pessoa, a lucidez e clarividência de sempre.
Crostalino.
-Copiar a eito o nosso maior fado
-Aferrolhada a indignação contida
-Sem colete e sem cor cativados
Será assim. Mas temos, não há como negá-lo, excelentes “existências individuais”. Conhecidas, generosamente financiadas e até ver, apesar de um ou outro sinal, ainda maternalmente protegidas pelo regime presente. Que cuida de recolher sem contemplações os fundos (também) para tanto, nesse “exército”.
Exército que assim deixa acontecer porque fundamentalmente se dedica à quotidiana prática do desenrascanço, ela mesmo um sinal de “existência individual”. Uma utilíssima arte, se bem que não para quem a pratica. Antes para quem, por acção ou omissão, e dotado do poder, a torna necessária.
O resto é egoísmo e cobardia. Que não se resolve com coletes amarelos. Resolver-se-ia talvez nas urnas. Mas não com este povo.
Costa
RODA DE SOMBRAS
Destruir o céu com bolas de fogo
Invadir o inferno com lanças de papel
Partir a janela penetrar no espaço;
Empenar o piano e fazer um poema
Apagar o sol engolir o mar
Erigir um marco no centro do mundo
Ensaiar alturas rastejar servil
Ocupar palácios esmolar a fome
Cercar o castelo e servir o rei
Empunhar a bandeira de novo senhor
Correr em círculo e gritar em frente
E contemplar inerte
As sombras do esbracejar grotesco
Hoje como há 100 anos… a montanha , mais uma vez, pariu um rato ( pode-se dizer rato neste contexto, ou faz parte dos pan- gíricos?)
Por isso é que a quem enriquece sem ser pelo socialismo caem-lhes logo em cima.