O conhecimento pode ser perigoso, se não for recebido com toda a clareza. É necessário ter um coração aberto, disponível e com vontade de prosperar para que se aceite com clarividência os ensinamentos que nos são transmitidos.
Dê um passo de cada vez e espere pacientemente pelo seu momento.

O conhecimento pode ser perigoso
Esta advertência soa sinistramente a propaganda da Igreja Católica.
Caro Luís, esse seu comentário revela um profundo desconhecimento da doutrina cristã. De qualquer forma, qualquer pessoa mais ou menos informada sabe que informação a mais é prejudicial, principalmente quando quem a lê não aplica o filtro do bom senso.
Joaninha, creio que usou erradamente a palavra conhecimento. Devia ter usado informação.
Há muitos anos que se desenhava a problemática que hoje todos vivemos. Alguém afirmava nos primórdios desta “revolução”, a da informação, que o principal terrorismo que se avizinhava era o excesso de informação (informação e contra-informação).
Infelizmente, ninguém poderá dizer que é capaz de usar filtros que depurem tudo quanto se vê, ouve e lê. Porque daquilo que se vê, ouve e lê só é perceptível, na maioria dos casos, a superficialidade. Quando se lê somente o superficial esquece-se a razão profunda que lhe origina.
O Homem está numa situação de quase encruzilhada: ou se retira do mundo e perde a possibilidade de contribuir para a sua melhoria ou se mantém no mundo sem ser deste mundo.
Digo-lhe que é extremamente difícil agir deste modo, na medida em que somos obrigados a desembainhar a espada para afirmar o direito de também andar por aqui.
Escreve-lhe quem procura fazer um percurso segundo a doutrina cristã, e que segundo esta doutrina o reino pertence aos violentos, isto é, àqueles que combatem a sua natureza e não a dos outros. Mas que acredita que a única forma de não se ser perturbado neste caminho é também apontar a espada para aqueles que tudo fazem, consciente ou inconscientemente, para que nos desviemos deste caminho.
Contradição? Não, sobrevivência. Porque o mundo não é a preto e branco e as realidades são diferentes em cada pessoa.
Concordo. O conhecimento que deriva da informação. Deverá ler-se assim para um melhor entendimento e para que a era da informação esteja bem explícita.
O mundo em que vivemos está longe de ser perfeito. Penso que a melhor forma de sobreviver é aquela que conduz cada um de nós a uma espécie de equilíbrio. Eu procuro sempre ver as coisas por dentro, dissecá-las ao máximo, para não passar apenas por elas, mas senti-las verdadeiramente.
Sim, disseque, Joaninha. Mas contemporize um pouco consigo mesma. O perdão é um acto de libertação, e não só libertar o outro; libertarmo-nos também a nós da culpa para não cairmos no justicialismo.
Porém, recorde-se que os exemplos importantes também se lêem naqueles ditos pagãos.
O rei gentio Agamenão (um distinto herói grego. Sim, é importante não esquecer a Grécia de hoje) afirmou: Qui non vetate peccare cum possit jubet, isto é, quem, podendo, não impede o pecado ordena-o.
O pecado está associado à conversão, na medida em que pecado, no sentido judaico, significa errar o alvo. E a conversão significa mudar de sentido. Não nos adianta dissecar se não existir um sentido para essa observação.
https://www.youtube.com/watch?v=9NWC1rEP MbE
Tem sempre de haver um sentido, seja ele qual for…
Compreendo-a. Mas não se esqueça que deparar-se-á todos os dias com o não sentido.
Afirmou Séneca: Quando o Homem não sabe a que porto se dirige nenhum vento lhe é favorável.
Tudo isto porque o conhecimento, que possui uma matriz diferente da informação, implica o ajustar as rotas. O conhecimento, ou a sabedoria, que vem de sapere ou sabor, também tem uma raiz empírica que nos permite entender a afirmação no livro da Sabedoria sobre esta mesma sabedoria:
“Sendo única, tudo pode; imutável em si mesma renova todas as coisas. Ela se derrama de geração em geração…”. cf. Sb 7,27
Esta afirmação contém uma bússola perturbadora para muitos, porque convida a cortar com a tradição.
Oseias 6,6, que Jesus retoma em Mt. 9,13; 12,7, ajuda-nos a compreender o que é isto de cortar com a tradição:
“Porque eu quero o amor mais que os sacrifícios, E o conhecimento de Deus mais que os holocaustos”.
Mas não entenda o amor segundo uma perspectiva psico-emocional. Entenda antes que este Conhecimento que se adquire pela constatação de que somos em tudo iguais, só nos pode tornar em tudo mais amigáveis.
Acontece que somos uma sociedade de hipócritas (hipócritas eram actores no tempo de Jesus que em suas actuações usavam máscaras, daí o termo) que cultua a falsa imagem para encobrir uma natureza perversa comum.
Quem foge a isto não encontra o equilíbrio, alcança a Sabedoria que o permita viver com todos estes desequilíbrios. Mesmo que por vezes tenha de usar a “espada”.
Que bem que sabe este banho de sapiência. 🙂
Joaninha,
agradeço-lhe a generosidade do elogio. Mas não. Não possuo sapiência. Possuir sapiência é poder dizer como o filósofo: “sei que nada sei”
Para poder fazer tal afirmação é necessário uma grande dose de humildade; e esta só poder ser dita depois de muito se saber.
Ainda sou um aprendiz. Com boa vontade, mas aprendiz.