A capacidade para ser feliz revela-se cedo na vida, porque resulta de um conjunto de competências que se herdam por via genética e/ou aprendem em idade precoce através do exemplo de pessoas próximas. Nunca é uma escolha. Se fosse, o negócio dos livros de autoajuda seria honesto, a existência de oradores motivacionais justificada e a Psicologia Positiva um assunto sério.
Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

Hmmmm….extrapolando:
Não herdamos e não aprendemos tudo de todos? Assim não existindo ou sendo mínimo o campo do livre arbítrio seremos responsáveis de alguma coisa?
Ora aí está um pensamento que desgosta a muita gente. Para uns , para a maioria não há prazer melhor que Julgar. E se possível Punir.
O livre arbítrio existe, felizmente. E a plasticidade do nosso espírito também. Caso contrário não passaríamos de robots. Mas quando se fala de predisposição, é de tendências determinadas pela genética e pelo ambiente e as pessoas que são nossos modelos durante a primeira infância. É nessa fase da vida que as linhas mestras da nossa personalidade se definem.
“O livre arbítrio existe, felizmente”
Teresa, ora aí está uma certeza que ninguém pode realmente provar – uma causa sui. E se porventura o “livre arbítrio” não for mais que um estratagema, dos nossos instintos (genes; ID; Paleoencéfalo), para nos fazerem esconder a verdade Natural, compartilhada, aliás, com todos os restantes animais, de sermos comandados, e não comandantes, por uma vontade exógena ao nosso “Eu consciente” ? Que propósito, evolutivo, haveria nisso? Mas, Teresa, não somos todos demasiado frágeis para carregar, sozinhos, toda a verdade? A mentira, a auto-ilusão, seria assim a Clemência da Mãe Natureza.
O que gostamos no livre arbítrio não é tanto a satisfação que dele tiramos pelos nossos méritos, mas mais dos julgamentos que ele nos permite fazer – e de nos castigarmos, com ele, pelo remorso/sentimento de culpa.
“é de tendências determinadas pela genética e pelo ambiente e as pessoas que são nossos modelos durante a primeira infância.”
Teresa desde quando temos a liberdade/livre arbítrio de escolhermos os nossos Pais/ambiente/genes? Talvez por isso os pais carreguem, pelos filhos, um sentimento de culpa. Talvez o pecado original seja isso mesmo. Ser-se Pai é sentir-se Culpado….e se os filhos o descobrem, é o diabo!
Do que eu gosto no meu livre arbítrio, chamemos-lhe assim, é da minha margem de liberdade. Mas claro que serve também para cozinharmos a culpa ou o nosso narcisismo, conforme a tendência que gostamos de seguir.
É claro que por não podermos escolher as nossas circunstâncias é que sempre subscrevi o pensamento de Ortega Y Gasset: “Nós, somos nós e as nossas circunstâncias”.
Sei que usou a expressão “ser-se pai” para abarcar ambos os géneros, mas se juntar a todas as condicionantes de um ser humano o facto de ser mulher nada e educada no seio da cultura judaico-cristã, ponha culpa nisso!
Teresa infelizmente a Mulher é mal tratada em todas as religiões “modernas” seculares ou regulares
Estou bem ciente disso, mas a culpa, de que fala, é o produto das religiões que estão subjacentes à nossa matriz cultural.
Teresa, creio que os deuses são filhos do homem e não o contrário. As religiões, como a ciência, são apenas instrumentos. Umas vezes para o Bem. Muitas vezes para o Mal. A natureza das religiões depende da natureza dos seus profetas.
É uma leitura. Por acaso já estive bem mais longe dela. Embora seja bastante mais incómoda. Enfim…
Atenção que plasticidade quer dizer que algo que se tornou imutável.
Normalmente as pessoas usam o termo para significar flexibilidade quando o significado é o inverso.
Nós vamos ganhando plasticidade com o avançar dos anos.
Plasticinidade?
Até poderá ser essa a razão para a confusão.
Plasticidade por oposição á Elasticidade. Pelo menos é assim no campo da Resistência dos Materiais.
Lucklucky: No dicionário encontra a definição de plasticidade como algo que “pode tomar ou receber diferentes formas pela modelação”
O dicionário está contrário à Física. https://pt.wikipedia.org/wiki/Plasticida de
A palavra já existe, elasticidade como aliás refere o comentador das 11:38.
plas.ti.ci.da.deplɐʃtisiˈdad(ə)
nome feminino
1. qualidade do que é plástico; maleabilidade
2. propriedade que permite a deformação contínua e permanente, sem rutura, de certos materiais, sob a ação de forças que excedem determinados valores
MEDICINA plasticidade neuronal
capacidade do sistema nervoso, do ponto de vista estrutural ou funcional, de mudar ou se adaptar ao longo do desenvolvimento e quando é sujeito a experiências ou estímulos novos; neuroplasticidade
De plástico+-i-+-dade
A felicidade não é linear , são momentos que se vivem e desaparecem como estrelas cadentes.
WW
É preciso muita decadência para a alegria dum novo nascer.
Dou-lhe inteira razão Meister
WW
Mas eu falo da capacidade para se ser intrínsecamente feliz… ou infeliz. Há pessoas que apesar das provações por que passam conseguem manter essa predisposição. Outras, que até passam pela vida sem sobressaltos são tristes por natureza.
“intrínsecamente feliz… ou infeliz.” Que será isto?
Já explicado: Há pessoas que apesar das provações por que passam conseguem manter essa predisposição (para se sentirem de bem com a vida). Outras, que até a vivem sem sobressaltos, são tristes por natureza.
Tu perdes pessoas que gostas, coisas que gostas ao longo da vida, precisas de construir algo ao longo dessa vida para não teres só perdas.
Nunca houve melhor área da “literatura” que a auto-ajuda. Os livros servem de facto para auto-ajuda. Dos autores.
Sobretudo em épocas de crise…sempre gostei de títulos como “Como Lucrar com a Crise”, fazem-me sempre lembrar os seus Autores
Ehehe! Absolutamente de acordo, João
Então as pessoas não podem mudar?
Talvez devesse ler Jordan Peterson, o seu apelo e também porque boa parte da Esquerda odeia-o. Começa com: Procura Significado não Procures Felicidade.
https://www.theguardian.com/global/2018/j an/21/jordan-peterson-self-help-author-1 2-steps-interview
Peterson’s worldview is complex, although 12 Rules makes a heroic attempt to simplify it into digestible material. It might be encapsulated thus: “Life is tragic. You are tiny and flawed and ignorant and weak and everything else is huge, complex and overwhelming. Once, we had Christianity as a bulwark against that terrifying reality. But God died. Since then the defence has either been ideology – most notably Marxism or fascism – or nihilism. These lead, and have led in the 20th century, to catastrophe.
“‘Happiness’ is a pointless goal. (…) You conjure your own world, not only metaphorically but also literally and neurologically. (…)
Why is this so important? Because, as Peterson notes, you only see what you aim at – not only metaphorically but also literally and physiologically. Your perception is adjusted to your aims. So if your aims are dark and corrupted, you will see the dark and corrupt things that facilitate your aims. And if your aims are high, you will see different things. Belief colours perception. This fits in with his claim that you must pursue proper meaning rather than happiness.
“It’s all very well to think the meaning of life is happiness, but what happens when you’re unhappy? Happiness is a great side effect. When it comes, accept it gratefully. But it’s fleeting and unpredictable. It’s not something to aim at – because it’s not an aim. And if happiness is the purpose of life, what happens when you’re unhappy? Then you’re a failure. And perhaps a suicidal failure. Happiness is like cotton candy. It’s just not going to do the job.”
But how do we build meaning? By putting it before expediency. Which is quite close to simply “acting right”. Peterson believes that everyone is born with an instinct for ethics and meaning. It is also a matter of responsibility – you need to have the courage to voluntarily shoulder the great burden of being in order to move towards that meaning. This is what the biblical stories tell us. The great world stories have a moral purpose – they teach us how to pursue meaning over narrow self-interest. Whether it’s Pinocchio, The Lion King, Harry Potter or the Bible, they are all saying the same thing – take the highest path, pick up the heaviest rock and you will have the hope of being psychologically reborn despite the inevitable suffering that life brings. (…)
Peterson’s biggest analysis of story has been the Bible. He lays out how the Adam and Eve myth shows the coming of self-consciousness – and therefore an awareness of mortality, vulnerability, the future, and good and evil. Everyone in the story immediately starts to lie and dodge the blame – Adam blames Eve, Eve blames the serpent. Then they give birth to Cain and Abel, and the first act of human history is for Cain to murder his own brother out of resentment against him and God alike, and then lie about it: “Am I my brother’s keeper?”
Peterson talks a lot about the power of resentment in his writings. We hate those who are better than us (God, Abel) and want to destroy them, then lie to hide from the consequences. “Consult your resentment,” he says. “It is revelatory. Don’t underestimate malevolence and don’t underestimate the utility of your
capacity for malevolence.
E:
“Your group identity is not your cardinal feature. That’s the great discovery of the west. That’s why the west is right. And I mean that unconditionally. The west is the only place in the world that has ever figured out that the individual is sovereign. And that’s an impossible thing to figure out. It’s amazing that we managed it. And it’s the key to everything that we’ve ever done right.”
Constroem-se leis e interpretações da Vida inspiradas na banda sonora da nossa própria experiência da Vida. As filosofias são consequências da experiência vivida e não da substância da Vida
As Filosofias podem ser só compartimentos estanques para justificar o que fazemos. Muitas vezes nem uns parágrafos fazem sentido com outros. Olha para a nossa Constituição…
“So if your aims are dark and corrupted, you will see the dark and corrupt things that facilitate your aims. And if your aims are high, you will see different things” – é claro. A nossa mundivisão é sempre condicionada.
But (happiness) it’s fleeting and unpredictable. It’s not something to aim at – concordo
Don’t underestimate malevolence and don’t underestimate the utility of your
capacity for malevolence – não tenho grande opinião sobre a natureza humana, por isso neste ponto também estou de acordo
The west is the only place in the world that has ever figured out that the individual is sovereign – sim. É a parte do mundo que dá mais valor à vida humana. Mas também é a que criou o Estado social.
E criámos o Fascismo, o Nazismo, o Comunismo…
O Estado Social só existe com violência ofensiva*. Mesmo quem não quer fazer parte é obrigado a participar.
Eu não tenho problema algum com Comunismo ou Socialismo voluntário, se uma pessoa o quer fazer de acordo com outras.
* e com a facilidade do dinheiro
Estava a ir tão bem Luck…mas tinha que descambar!
Bem espremidinho, este pensamento mergulha-nos no mais tenebroso pessimismo.
Porque ninguém dá o que não tem.
Seja por via genética, seja por via educacional.
João de Brito
Reconheço-lhe uma leitura determinista, e neste sentido bem pode considerar-se pessimista, já que a partir dela se pressupõe que o que é estrutural em nós nos ultrapassa. Mas, repito, falo de predisposição. Algo que nos condiciona, mas não nos aprisiona.
A capacidade para ser feliz revela-se cedo na vida, porque resulta de um conjunto de propriedades, regalias e bons empregos que se passam através de cunhas de pessoas próximas ou do Partido Socialista.
Permita-me a simplificação.
Uma questão de papás.
Penso que essas competências se aplicam também, ou talvez mais, à capacidade para fingir ser feliz – um conceito muito em voga desde que a Humanidade descobriu que o tamanho da lança e a ferocidade do animal cuja pele usava serviam para mais do que sobrevivência. Há vivências e vivências…
Por outro lado, nem sempre a felicidade resulta de competências – antes da falta delas, daquelas “atávicas” que resultam em sentido de responsabilidade e de pertença.
Porque a Felicidade não é um estado, e certamente não significa o mesmo para cada indivíduo.
Mas sim, mais dificilmente será feliz quem não for dotado e habituado a criar e a identificar as várias formas que a felicidade adquire ao longo da vida.
Que, cf a anedota, na velhice como na meninice se resume a comida quente a horas, perceber e fazer-se percebido, lembrar-se do jogo de anteontem, andar sozinho e não usar fralda. 🙂
O segredo da felicidade reside na manutenção da virgindade.
Rima e é verdade.
Sem dúvida que aquilo que contorna o conceito de felicidade, para além da percepção e dos anseios individuais, comporta uma componente determinista, face à herança genética. Todavia, independentemente da herança genética e das filosofias – cada vez mais cansada de filosofias, divagações e reflexões sem contornos e fundamentos práticos – poucos se atreveram a entrar na questão sócio-económica.
Andei a semana a ler e a reler este pequeno texto e, porque acompanho há algum o D.O. hoje resolvi falar:
– Amartya Sen, em Desenvolvimento como Liberdade, questiona a pobreza. A herança da pobreza, com as suas características quanto ao tipo de habitação, vestuário, alimentação, acessos… como condicionante das potencialidades de cada individuo. Um indivíduo diminuído no cálcio, no ferro, nos hidratos de carbono, na proteína, no vestuário apropriado para o clima em que vive, no aquecimento do seu ambiente, nos momentos de lazer, na roupa lavada ou mesmo nos sapatos novos, quanto mais não seja no dia de aniversário (isto recorda-me a camisa de linho de Adam Smith), não é está previamente condicionado para o que quer que seja a felicidade? Actualmente, não deveríamos estar cada vez mais focados e em plena consciência do aumento de disparidades económicas na nossa sociedade?
As pessoas complicam o conceito de felicidade. Tenho-a indissociável ddá pao conceito de simplicidade. Sou totalmente de acordo quanto ao que considera ser importante ou condição “inata” para o estado de felicidade, mas, queira-me completar ao seu pensamento, os elementos concretos da nossa realidade.
P.S. Apenas, uma achega final – a maior parte das vezes, associa-se o incremento dos livros de auto-ajuda a consumidores mais incautos intelectualmente. No entanto, ainda que desconheça qualquer estudo nessa área, constato o contrário, tanto para o aumento de vendas desse tipo de bibliografia, quanto para o aumento de consumo de antidepressivos.
Maria Gonçalves
Ser feliz é uma questão de hormonas. E os sabichões dizem que ainda não há grandes certezas no conhecimento sobre o modo como as malandras se influenciam umas às outras e determinam o bom ou mau funcionamento das partes e do todo do organismo. Há quem decida ser feliz enfrascando-se em prozac. Ou em sumo de uva. Ou em compras. Ou en ONG’s. O grande problema que a liberdade de escolha ou o livre arbítrio têm na busca da felicidade, como dizia Sartre, « são os outros ». Aí não há via genética que nos safe: assim que nascemos, entramos no inferno.
Ser feliz, apesar dos outros, é possível? O que será então a felicidade? Ter 50 000 amigos no facebook? Divulgar selfies de tacha arreganhada? Onde fica o exercício da individualidade? Na camisa de forças a que chamam normalidade? Exibir o que esperam de nós? Contentar-mo-nos com o Estar (normativo) esquecendo de Ser?