Pensamento da semana


Diogo Novo,

Tinha estatuto. Cultivava-o diariamente com altivez e soberba. Sem qualquer esforço para disfarçar a pedantice, disse-me em tempos que não confiava em homens que andassem com os sapatos por engraxar, mesmo que fossem pobres coitados sem outros para calçar. Um dia, a vida na sua impiedosa sabedoria tirou-lhe o estatuto de supetão e no meio da rua. Sobraram-lhe apenas uns sapatos mal-amanhados e baços.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

18 comentários em “Pensamento da semana”

  1. Os grandes mentirosos servem-se dos seus adornados fatos para tornarem credíveis as grandes mentiras de facto.

  2. Há um senão neste pensamento:
    – a mensagem de que a verdade vem sempre ao de cimo, que cá se fazem cá se pagam, que deus castiga sem pau nem pedra…
    E isto é perigoso.
    A história está cheia de filhos da mãe que foram canonizados…
    João de Brito

  3. De repente, quando menos se espera, a vida pode revirar-se completamente, sejamos arrogantes ou modestos. Pelo sim e pelo não há que evitar a pedantice SEMPRE!

    DNO

  4. O Fortuna. O decaído,apesar,tinha uma razão. Há trapos novos e calçado engraxado a toda a hora nos bazares do oriente,veja bem,as moedas recolhidas
    na arrumação de carros deixam-nos apresentáveis para a repescagem governamental.Sem berkelis e sem currículo apropriado.

  5. Eu não percebi nada deste pensamento, peço desculpa, Diogo.

    Quem é a criatura que diz não confiar em alguém com sapatos por engraxar se não tiver outros para calçar? Se não se pode comprar outros é porque se ganha o ordenado mínimo nacional e em vez de comprar graxa para os sapatos uma pessoa precisa de pensar em pagar a renda de casa. Penso eu, mas eu também não sou engraxadora nem nada.

  6. Convém não esquecer, pela vida fora, a maxima do Herman José:
    “A vida é como um interruptor – umas vezes para cima, outras vezes para baixo”

  7. A verdade é podemos acumular riqueza ou viver como resignadamente como Job, podemos ser filantropos e altruistas ou vis e arrogantes, podemos ser ignorantes ou sábios, podemos tudo ou podemos nada… no fim, o epílogo é igual para todos sem excepção. Todos têm que pagar a dívida, a dádiva, o protocolo inadiável que nos assiste desde o primeiro segundo em que respiramos.
    A opção de usufruir o nosso tempo de contracto, é escolha de cada um, mas apenas dos afortunados a quem é permitido escolher.
    Talvez seja por isso mesmo que justiça, humildade, tolerância, e sensatez são pavras com sentido dúbio, porque o tempo corre e temos apenas duas pequenas mãos para poder apresar o mundo inteiro.
    Acredito que depois da curva da estrada, estaremos tão faustosos, como no dia em que cá chegámos.

  8. Pior que as aparências , a volatilidade das coisas, a presunção e a ostentação são as pessoas que intencionalmente nos enganam. Cá por mim, às vezes dou por mim a pensar que devo ser pateta. Não acerto uma: há pessoas por quem punha as mãos no lume e se mostraram uns trastes; por outro lado, há criaturas que desaprovo à partida e que se revelam na prática gente boa. A ingenuidade e a intuição não são boas conselheiras. Para resolver estes problemas dos juízos errados comecemos por cultivar a prudência e a razão. Não percamos tempo demais com o conhecimento sensível, elevemo-nos ao nível do conhecimento inteligível – como falava Platão- e haja saúde.

    julio farinha

  9. Uma pessoa com quem falei e que pode até ser das minhas relações não próximas – não recordo quem seja – referiu um dia que detesta homens desleixados com o calçado e não suporta a falta de graxa, que o carácter e não sei que não sei que mais… a afirmação ficou-me, jamais eu pensaria que os pés, mais propriamente o que neles se enfia, pode ser bitola. Mas isto são ideossincrasias pessoais e não pedantice. Não me lembro de ninguém que conheça relativamente bem e classifique como pedante.

    1. Desconfio sempre de quem procura profundidade na superfície das coisas. Julgo-as sempre frívolas e deslumbradas, confundindo,elas, o parecer com o ser.
      Idiossincrasias cá minhas, pois nunca me pareceram ser os sapatos mais que umas solas para não andar descalço.

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