Num carro, enquanto percorremos quilómetros lado a lado, atingimos um grau de intimidade que, noutras circunstâncias, só seria possível após anos de convivência. Muito rapidamente e de forma quase instintiva aprendemos o ritmo de cada um, respeitamos os silêncios e lançamos gargalhadas desbragadas num uníssono cúmplice. Muito facilmente nos tornamos amigos para a vida de pessoas com quem jamais nos cruzaríamos se não tivéssemos embarcado na mesma viagem.
Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

Depende.
Viajar com outro pode ser um suplício.
Quem gosta de ouvir a TSF jamais poderá ser íntimo de quem ouça a Rádio Cidade.
Tem toda a razão. E apresentei aqui apenas a perspectiva optimista. Na verdade, numa viagem de carro de mais de mil quilómetros, só há duas hipóteses para os companheiros de viagem: ou ficam amigos para a vida, ou nunca mais se querem ver à frente. Não há meio termo,.
Estava à brincar!
Quanto maior a imprevisibilidade da viagem e a necessidade de confiança mútua para o sucesso da mesma maior são as possibilidades de uma amizade para a vida.
Existem viagens que têm mais como objetivo o viajante conhecer-se melhor a si mesmo que as coisas lá de fora.
Existem viagens cujo verdadeiro propósito é ficarmos a conhecer-nos melhor. Testar os nossos limites.
Quanto “mais estrangeiro” for o destino da viagem mais aprendemos a ser tolerantes com os outros.
Não há melhor forma de aprendizagem do que a viagem.
É tão verdade. Às vezes precisamos de calcorrear quilómetros para nos conseguirmos ver por dentro.
Abraço
“Amigos para a vida”. Tirando as ilusórias amizades dos compagnons de route socialistas que se ajudam mutuamente durante muito tempo a passar por cima dos outros e onde o elemento agregador é a ganância fdp e o utilitarismo — amizades reais e incondicionais há muito poucas.
Caro anónimo,
Quando falo de “amigos para a vida”, falo de pessoas que passamos a ter um prazer tremendo em reencontrar, ainda que, depois de uma jornada destas, o façamos poucas vezes.
Não me obrigue a descer ao pátio do liceu e a explicar o que são amigos incondicionais, que estão presentes para nós quando a porca torce o rabo, o que são BFFs do momento e por aí fora.
Tenho muitos e bons amigos, e sei exactamente em que categoria se inserem. Não precisam de estar todos na mesma. Existem e estão presentes, cada um à sua maneira, no sítio onde devem estar.
E isto não tem nada a ver com compagnons de route da política. Tem a ver com a vida e as relações que construímos.
Um abraço
O acaso que marca o destino não se compadece com projetos.
O Cisne Negro
O impacto do altamente improvável
de Nassim Taleb
Nassim Nicholas Taleb explica neste livro tudo aquilo que sabemos acerca do que não sabemos.
https://www.wook.pt/livro/o-cisne-negro-n assim-taleb/11449730
Aviso-o já que o livro é mais digerivel com uma garrafa de tinto alentejano, exceptuando o vidro, no bucho. Não é leitura light.
Viajar com qualquer dos rádios, para algumas pessoas…, é um suplício!
a Francisca é uma pessoa cheia de sorte.
Olá Cristina,

Sou, de facto, uma pessoa cheia de sorte. E agradeço todos os dias por isso.
Mas também faço a minha parte.
Bom dia, Francisca.
O “Pensamento da Semana” transporta-me a um livro que li há algum tempo – um livro que gostei mesmo muito, imenso!
Pegando nos tópicos:
– “carro”
– “quilómetros lado a lado”
– “grau de intimidade”
– “ritmo de cada um”
– “silêncios”
– “cúmplice”
E ainda;
“Muito facilmente nos tornamos amigos para a vida de pessoas com quem jamais nos cruzaríamos se não tivéssemos embarcado na mesma viagem”
No fundo – a bem-dizer – está lá tudo!
https://www.wook.pt/livro/no-teu-deserto-m iguel-sousa-tavares/18896569
Bem verdade. Há cerca de trinta anos dava boleia a uma amiga que trabalhava na secretaria da minha Escola. A sua mãe, hospitalizada na cidade, carecia da visita dessa minha amiga e a viagem trissemanal e por largos meses que fazíamos juntas cimentou uma grande amizade que dura até aos dias de hoje.
A troca de ideias, os filhos, os desabafos e as risadas de circunstância foram a semente.
Não fiz amigos em viagem, mas é verdade que as viagens me serviram para posicionar graus de entendimento interpessoal. Não chamo amigos aos que me acompanham em viagem só por me acompanharem ou revelarem qualquer afinidade. E nem dou tão subida honra a qualquer pessoa que gosto de reencontrar. Os meus tão poucos amigos, independentemente do grau de amizade, têm um patamar comum que é a reciprocidade no sentimento e a confiança por ele gerada. O resto vem por acréscimo.
é bem verdade.