Pensamento da semana


Pedro Correia,

Verbalizar ajuda muito, claro. Não por acaso, como ensina o apóstolo João, «no princípio era o Verbo». Mas o verdadeiro amor, o mais profundo, é o que perdura para além das palavras e nem chega a necessitar delas.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana

20 comentários em “Pensamento da semana”

  1. Desconheço. Ou se admite que, antes desse amor verdadeiro, as palavras e a presença existiram. Isso que diz, de amor sem palavras, não sendo um estado avançado do amor que começa com a palavra, é pura ficção. Mas como sentimento num mundo ideal e não humano, talvez sirva alguns. Há até quem afirme não ser apenas a razão a distinguir-nos dos animais.

      1. Oh! Não me diga. Quer dizer, os gestos entre eles são aleatórios, nada significam, não querem dizer as palavras. E sabe Deus quanto lhes custa não haver outro processo para se expressarem além do olhar e dos gestos. Assisti a verdadeiras fúrias e amuos por não serem entendidos (eram crianças, note-se)

  2. Não percebo qual é a dúvida.
    O amor é cego, se não verbalizar está de certeza às apalpadelas. Palavras para quê?

  3. “Mas o verdadeiro amor, o mais profundo, é o que perdura para além das palavras e nem chega a necessitar delas.”
    Caro Pedro, como em tudo na vida, também isso é relativo. Como seria possível transmitir um sentimento tão avassalador sem palavras?

    “Morrer de amor
    ao pé da tua boca
    Desfalecer
    à pele
    do sorriso
    Sufocar
    de prazer
    com o teu corpo
    Trocar tudo por ti
    se for preciso”
    Maria Teresa Horta

    E como diria a Emily Dickinson: “Não conheço nada que tenha tanto poder como a palavra.”

    1. Maria, o amor mais profundo não necessita de se expressar por palavras. As palavras são fundamentais para a atracção, para a sedução. O amor está noutro patamar. E pode até nem haver uma palavra trocada entre quem ama e o ser amado: isso não o anula nem o dissolve.

      1. Respeito a sua opinião Pedro, mas e sem pretensões de filosofar sobre o assunto, esse amor profundo e sem necessidade de palavras, não é um amor objetivado no Outro; é um amor subjetivo, em que o objeto amado, é o próprio amor.
        Talvez o Fernando Pessoa explique melhor do que eu:

        “Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?”

        Bom domingo Pedro e que o amor exista em qualquer patamar, porque ele faz de nós melhores pessoas.

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