Pensamento da semana


Pedro Correia,

Pelo menos 95% da nossa actividade cerebral é inconsciente. Só entre 3% e 5% é pensamento lógico. E a mente inconsciente é cem mil vezes mais veloz do que a consciente, como a neurociência já demonstrou. Isto explica muito dos nossos atavismos, da nossa suposta irracionalidade, enfim da própria natureza humana.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana

32 comentários em “Pensamento da semana”

  1. As promessas costistas determinam os movimentos da mão ao votar.
    Os desprometimentos a meio da aplicação delas já não anulam o resultado daqueles movimentos.

      1. Talvez essas despromessas usem o nome prosaico de cativações.
        Não fazem mal nenhum aos resultados eleitorais adquiridos como se verifica na tendência para a unanimidade .

      1. Não deixa de ser curioso que em cerca de 2500 anos de “pensamento ocidental”, as pessoas mais sábias têm sempre tentado estabelecer o conhecimento com base na dedução, na lógica e no raciocínio linguístico — procurando sempre a ruptura com o “senso comum” (com a doxa), considerado como uma forma de conhecimento inferior, ou uma forma de desconhecimento das coisas essenciais… Mas que passado esse tempo todo, e só depois das aproximações dos filósofos franceses à ideia do “micro”, do molecular, aparece Gilles Deleuze, que é talvez um dos poucos filósofos que aponta a intuição e o que é o empírico-transcendente como um dos caminhos da filosofia — e do espaço em branco do próprio ser como potência e realização (melhor dizendo, do que vem a ser).

        1. Mais na moda, durante alguns decénios, esteve o “estruturalismo marxista” do Althusser, trombeteado pelo próprio ou pela execrável pupila Marta Harnecker. Duas ou três gerações de universitários foram envenenadas por estes pânditas e múltiplos epígonos, com as suas cartilhas dogmáticas e as suas tretas de pseudo-ciência social embrulhada em pensamento mágico.

          1. Esse tal estruturalismo marxista althusseriano acabou tal como preconizava a última tese sobre feuerbach do marx:- Os filósofos têm-se limitado a interpretar o mundo; o que é preciso é
            tranformá-lo. Althusser praticou—-Estrangulou a mulher companheira de muitos anos.

  2. Ah! Então foi por isso que o Costa teve uma maioria absoluta, a malta se calhar votou com a parte inconsciente do cérebro.
    Será que os atavismos dos nossos netos continuarão assim a ser irracionais?

    1. Não. O Costa teve maioria absoluta porque o PS tem insrumentalizado, domina as juntas de freguesia e os mecanismos de repressão dos cidadãos (“autoridades” emel, asae, iefp, ine) e tem a comunicação social no bolso.

        1. Costa, com 41%, teve maioria absoluta.
          Albuquerque na Madeira, com 43%, não chegou à maioria absoluta mesmo tendo vencido nos onze concelhos e em 52 das 54 freguesias da região.

          1. Exactamente. Por causa do inefável método de Hondt, os partidos no Continente precisam de uma proporção menor de votos para atingir a maioria absoluta. Daí que Costa alimente o funcionalismo público (de onde vem a massa de votos mais empenhada) e despreze praticamente todo o resto.

          2. Convenhamos que o PSD-Madeira pede meças ao PS nacional no culto da administração pública.
            Talvez seja o partido mais mexicano de Portugal.

          3. Nesta legislatura que agora começa o PSD ultrapassará meio século de poder na Madeira. Quando se fala em “mexicanização do regime”, isto merece um largo capítulo autónomo.

  3. o inconsciente é muito mais sábio que o consciente…repara em tudo. a intuição é filha do inconsciente. a lógica é fabricada e segue modas.

    1. Bem observado. Além de a lógica (que depende da linguagem) poder conter inúmeras falácias, a maior parte dos raciocínios lógicos excluem partes das coisas, certo? Como nos diagramas de árvore: ou é uma coisa ou outra e passa para outro ramo ou/ou, etc. Vai debulhando.

      Mas ainda não é perceptível se a computação quântica, por exemplo, (onde uma coisa pode ser 0, ou 1, ou 0 e 1) nos vai ajudar a pensar de forma mais intuitiva ou se o quântico se traduz apenas numa capacidade alargada para lidar com grandes volumes de informação mas o output é lógico-dedutivo na mesma. Até é difícil imaginar como seria um raciocínio ou uma frase quântica — porque a linguagem não tem essa organização. Poderia ter a aparência de um poema ou de um texto em que as contradições não se resolvem necessariamente — mas na verdade parece-me que o quântico é uma coisa mais visual ou mesmo espacial. Passa para outro plano onde os significantes se dissolvem em meras posições no espaço.

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