Pelo menos 95% da nossa actividade cerebral é inconsciente. Só entre 3% e 5% é pensamento lógico. E a mente inconsciente é cem mil vezes mais veloz do que a consciente, como a neurociência já demonstrou. Isto explica muito dos nossos atavismos, da nossa suposta irracionalidade, enfim da própria natureza humana.
Este pensamento acompanhou o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana

Depende, no meu caso 135% da minha actividade cerebral é logica
Nota-se, pela ausência de nome e apelido.
nao seja assim
Nota-se também pela ausência do til.
Talvez isso explique tanta coisa ruim que vai pelo mundo. O cérebro deixou-se de travões. Ou não?!
É assim agora como era há séculos ou até há milénios. Mudou muito pouco.
inconsciência na vida política? nem pensar.
ainda não encontrei um pobre
Pobres, há cada vez mais. Após oito gloriosos anos de costismo.
As promessas costistas determinam os movimentos da mão ao votar.
Os desprometimentos a meio da aplicação delas já não anulam o resultado daqueles movimentos.
Deve ser por causa do inconseguimento deste primeiro-ministro, especialista em despromessas.
Talvez essas despromessas usem o nome prosaico de cativações.
Não fazem mal nenhum aos resultados eleitorais adquiridos como se verifica na tendência para a unanimidade .
Nada como cativações para cativar os eleitores.
(Estou a brincar, claro.)
É uma boa desculpa
Convém, de vez em quando, parar um pouco para reflectir nisto. Depois podemos voltar aos 95% da actividade cerebral inconsciente, que até impera nas opções de voto.
Não deixa de ser curioso que em cerca de 2500 anos de “pensamento ocidental”, as pessoas mais sábias têm sempre tentado estabelecer o conhecimento com base na dedução, na lógica e no raciocínio linguístico — procurando sempre a ruptura com o “senso comum” (com a doxa), considerado como uma forma de conhecimento inferior, ou uma forma de desconhecimento das coisas essenciais… Mas que passado esse tempo todo, e só depois das aproximações dos filósofos franceses à ideia do “micro”, do molecular, aparece Gilles Deleuze, que é talvez um dos poucos filósofos que aponta a intuição e o que é o empírico-transcendente como um dos caminhos da filosofia — e do espaço em branco do próprio ser como potência e realização (melhor dizendo, do que vem a ser).
Mais na moda, durante alguns decénios, esteve o “estruturalismo marxista” do Althusser, trombeteado pelo próprio ou pela execrável pupila Marta Harnecker. Duas ou três gerações de universitários foram envenenadas por estes pânditas e múltiplos epígonos, com as suas cartilhas dogmáticas e as suas tretas de pseudo-ciência social embrulhada em pensamento mágico.
Esse tal estruturalismo marxista althusseriano acabou tal como preconizava a última tese sobre feuerbach do marx:- Os filósofos têm-se limitado a interpretar o mundo; o que é preciso é
tranformá-lo. Althusser praticou—-Estrangulou a mulher companheira de muitos anos.
Acção directa. Passou da potência ao acto, como diria o velho Aristóteles.
Ah! Então foi por isso que o Costa teve uma maioria absoluta, a malta se calhar votou com a parte inconsciente do cérebro.
Será que os atavismos dos nossos netos continuarão assim a ser irracionais?
Não. O Costa teve maioria absoluta porque o PS tem insrumentalizado, domina as juntas de freguesia e os mecanismos de repressão dos cidadãos (“autoridades” emel, asae, iefp, ine) e tem a comunicação social no bolso.
Errata: “tem instrumentalizado o Estado”
Costa, com 41%, teve maioria absoluta.
Albuquerque na Madeira, com 43%, não chegou à maioria absoluta mesmo tendo vencido nos onze concelhos e em 52 das 54 freguesias da região.
Exactamente. Por causa do inefável método de Hondt, os partidos no Continente precisam de uma proporção menor de votos para atingir a maioria absoluta. Daí que Costa alimente o funcionalismo público (de onde vem a massa de votos mais empenhada) e despreze praticamente todo o resto.
Convenhamos que o PSD-Madeira pede meças ao PS nacional no culto da administração pública.
Talvez seja o partido mais mexicano de Portugal.
Olho para Albuquerque e imagino-o sempre com ‘sombrero’.
É, desta vez notou-se que ele anda por ali feito DDT..
Nesta legislatura que agora começa o PSD ultrapassará meio século de poder na Madeira. Quando se fala em “mexicanização do regime”, isto merece um largo capítulo autónomo.
Um atavismo suplanta esses pequenos saltos geracionais entre avós e netos. Se assim não fosse, nem seria atavismo.
o inconsciente é muito mais sábio que o consciente…repara em tudo. a intuição é filha do inconsciente. a lógica é fabricada e segue modas.
O nosso instinto de sobrevivência depende em larguíssima medida do inconsciente. E condiciona-o também. É causa e efeito em simultâneo.
Bem observado. Além de a lógica (que depende da linguagem) poder conter inúmeras falácias, a maior parte dos raciocínios lógicos excluem partes das coisas, certo? Como nos diagramas de árvore: ou é uma coisa ou outra e passa para outro ramo ou/ou, etc. Vai debulhando.
Mas ainda não é perceptível se a computação quântica, por exemplo, (onde uma coisa pode ser 0, ou 1, ou 0 e 1) nos vai ajudar a pensar de forma mais intuitiva ou se o quântico se traduz apenas numa capacidade alargada para lidar com grandes volumes de informação mas o output é lógico-dedutivo na mesma. Até é difícil imaginar como seria um raciocínio ou uma frase quântica — porque a linguagem não tem essa organização. Poderia ter a aparência de um poema ou de um texto em que as contradições não se resolvem necessariamente — mas na verdade parece-me que o quântico é uma coisa mais visual ou mesmo espacial. Passa para outro plano onde os significantes se dissolvem em meras posições no espaço.
Poucas vezes se fala destas questões no espaço público. É pena.