Pensamento da semana


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É fácil cair numa visão escatológica do poder, aquilo do isto estar pior do que nunca… Pois a realidade sempre parece dura, também devido à memória selectiva que nos faz matizar as agruras passadas. E sempre surgem problemas na governação. Tudo isso sublinhado pelo democrático escrutínio feito pela imprensa. 

As actuais interrogações na Defesa, por hábito sector secundário para a opinião pública, são exemplo de tudo isto. Mas este mero fotograma enfrenta esse decadentismo espontâneo. Pois o ombrear dos dois últimos ministros da Defesa obriga a lembrar aquele que os antecedeu, Azeredo Lopes. O do episódio mais pungente deste regime, quando se defendeu em tribunal afirmando-se intelectualmente incapaz de compreender os relatórios sobre os assuntos que tutelava. Goste-se ou não dos seguintes, Cravinho e Carreiras, não é crível que estes venham a descer a tamanha indignidade. Ou seja, por este lado se deduz que nem tudo está a resvalar para o Apocalipse!

Mais importante para se ultrapassar o tal decadentismo é perceber que não é muito fiável o fluxo informativo crítico do rumo nacional. Não por acinte ideológico ou interesses esconsos das empresas da imprensa e seus trabalhadores. Mas devido à sua incultura incompetente, que lhes impede a compreensão do real. E assim lhes inviabiliza qualquer análise fidedigna. Também disso esta imagem é exemplo maior. No rodapé (aquilo a que os básicos chamam agora “oráculo”, algo que os torna credores de péssimos, até mortais, augúrios) a SIC anuncia que “(o ministro) Cravinho foi novamente no Parlamento“. Este linguajar boçal é uma empresarial onamatopeia intelectual. Algo recorrente, ali e alhures, mas raramente tão gutural. Entenda-se, esta gente que forma a opinião pública não tem os instrumentos básicos (léxico, sintaxe, quejandos) para pensar com discernimento. Por isso quando com afã professam o tal decadentismo convém recordar que nem sabem falar. Sendo assim, ao invés do que tantos propalam, não estamos a resvalar para o Apocalipse. Ou seja, há futuro…!

 

Este pensamento acompanhou o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana

26 comentários em “Pensamento da semana”

      1. Ricardo, essa do Conselho de Estado – ainda que excêntrica ao postal – é muito bem metido. Que grande rabecada está a levar o nosso PR do seu “eterno rival”… (uma hora à espera do PM para dar posse ao novo secretario de Estado da Defesa, disseram-me. Que bronca, na soturna linguagem protocolar)

      2. Belém? Vai mesmo muito bem. A senhora que dizem ser ministra da justiça (mais aquela outra dos assuntos paralamentares) consta que foi ontem a Belém com o senhor bispo das JMJ visitar a construção das “casernas” das confissões/perdões da Juventude.

  1. O Partido com Paredes de Vidro por Álvaro Cunhal
    «É poca gloriosa da história da humanidade» é o título do primeiro capítulo.
    A expressão era e é historicamente correcta e torna-se necessário lembrá-la em oposição às furiosas campanhas de falsificação da história a que assistimos.
    A verdade é que, a partir de meados do século XIX (Manifesto do Partido Comunista de Marx e Engels), a classe operária, os trabalhadores, os explorados e oprimidos alcançaram
    grandes vitórias revolucionárias, que mudaram radicalmente a
    situação mundial.
    A revolução russa em 1917, edificando, pela primeira vez
    na história da humanidade, um Estado em que o poder coube
    aos Sovietes de Operários, Camponeses e Soldados, criou a
    base política de uma nova sociedade donde foi banida a exploração do homem pelo homem.
    A construção do socialismo na URSS não foi um fenómeno
    isolado. Defrontando e vencendo bloqueios, intervenções, agressões militares e a invasão, a guerra e os monstruosos crimes dos
    exércitos hitlerianos, teve profundas repercussões. Seguiram-se
    outras revoluções socialistas vitoriosas. Ruiu o sistema colonial do
    imperialismo. Numerosos povos secularmente subjugados conquistaram a independência. Criaram-se influentes partidos comunistas em todo o mundo.

      1. Nunca pedem perdões,seus herdeiros mandam biliões de toneladas de cereais(para pão bolos e etc e tais) à borla. Lembro-me agora dos anos oitenta quando ia à bola, vendiam barretes que eram de borla mas depois custavam não sei quantos escudos(naquele tempo o euro era só de quatro em quatro anos).

      2. Condenar nazis a trabalhos forçados não é “escravatura”. O Exército Vermelho erradicou o maior cancro do século XX e estar-lhes-ei eternamente grato por isso.

    1. Chegado não se sabe de onde, olha para a história não por uma parede de vidro mas por lente focada num universo de violência e horror que pinta com as mais festivas cores!
      A Associação Internacional dos Trabalhadores nasceu em 1864 na Suiça; em 1866 é em Chicago que se luta pela limitação da jornada de trabalho.
      Os bolcheviques trouxeram o que ainda hoje é o contributo maior da política russa: violência e mentira.

      1. porque o dono da verdade acertou em cheio
        até quando concedeu o privilégio de se deixar entrevistar por Oriana

  2. o alhures vale sempre 250 paus, agora a ministra da agricultura não saber semear batatas, da defesa não saber tirar o azimute é bem diferente da da justiça ser arquitecta e a da saúde poder não ser médica.

    1. estamos no outro mundo
      «escatología
      nombre femenino
      1. Parte de la teología que estudia el destino último del ser humano y el universo.
      2. Conjunto de creencias y doctrinas referentes a la vida de ultratumba

      1. Ó Zé raiano não seja grosseiro. Vá lá oferecer espanholadas e chá de banana a outras da sua espécie.

  3. “Não por acinte ideológico ou interesses esconsos das empresas da imprensa e seus trabalhadores. Mas devido à sua incultura incompetente,…”

    Caro Senhor
    Tomei a liberdade de copiar parte do seu texto, do que lhe peço desculpa, mas não resisti a copiar a sua tão bem feita exposição da terrível escolha, entre o mal e o péssimo, que em Portugal nos confronta, e acabamos a dizer que, afinal, não é tão mau assim!
    Mal comparado, é a escolha entre a incompetência e a malandrice: acabamos por desculpar esta, pois estes sabem o que estão a fazer!… Seja na imprensa, media, escrito, ou falado, no governo, ou administração pública, nos serviços que deveriam, ou ser eficientes e rentáveis, ou eficazes e humanos.

    Cumprimentos

    Vasco Silveira

    Vasco Silveira

  4. JPT, tenha dó! Cravinho não cai porque tem o apoio de outros iguais, senão saía pela porta de trás.
    Há presos por simples multas, há contenciosos tributários por pequenos valores e vem V.Exª que até aprecio os seus escritos pôr a mão por baixo de tão irresponsável governante?
    Tal Pai tal filho!

    1. Eu não ponho a mão debaixo de ninguém. E mal estaria um ministro, qualquer que fosse, que precisasse do meu apoio, inútil que sou… O meu postal tem um valor facial, tem um sentido literal, e está escarrapachado no texto.

  5. Porque é que no Delito de Opinião não fala nos milhões que o Estado está a gastar no evento de uma instituição pedófila e que vai causar transtorno a muitos portugueses que querem trabalhar? Isto é gozar com quem trabalha!

    1. Anónimo, nisto do blogar (e eu blogo há 20 anos) sempre acolhi com simpatia propostas de leitores sobre temas a abordar, às vezes tendo seguido as recomendações, outras vezes nem tanto. Outra coisa é a reclamação sobre a inexistência de referências a temas – e julgo, pelo “tom”, que o seu comentário se inscreve nesse eixo reivindicativo sobre o blog, o qual é, como é consabido, algo amador e gratuito. Ou seja, não tem “responsabilidade social” informativa – a gente fala do que lhe apetece, para simplificar…

      Ainda assim e dado o que “Porque é que o DO não fala…” deixo referência a dois postais meus sobre o assunto que agora o abespinha: https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/o-santo-palco-15200511 / https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/o-macro-altar-15204818

      E julgo que outros confrades também abordaram o assunto ao longo dos meses.

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