Gosto de arrumar. Dobrar, endireitar, empilhar são gestos que me acalmam. Uma gaveta arrumada dá-me satisfação, uma secretária organizada dá-me a sensação de dever cumprido, espaços desimpedidos dão-me liberdade. A desarrumação desconcentra-me. Saber sempre (ou quase sempre…) onde está o que quero poupa-me tempo e preocupação – a vida é demasiado curta para a desperdiçar com ansiedades inúteis.
Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.

Bem-vinda ao DELITO, Ana.
E logo com o pensamento da semana. Para começar da melhor maneira.
Muito obrigada, Pedro. É um prazer estar também por aqui 🙂
Bem vinda Ana! Sou sua leitora assídua, porque compartilhamos a mesma paixão.
No que toca a organização, só sou mesmo boa a detalhar as minhas viagens.
Bom pensamento! Boa semana!
Obrigada, Dulce! Que bom conhecer alguém que partilha de uma das minhas paixões 🙂 Quanto à organização, se todos fôssemos iguais em tudo a vida seria uma monotonia. Boa semana para si também!
Desde que o tempo que s epassa a arrumar não seja mais do que o que se passa a procurar o que não se encontra.
Obviamente 🙂 Mas é tudo uma questão de prática.
Gosto de coisas arrumadas pela facilidade que proporcionam a encontrá-las e a liberdade espacial que nos concedem, sobretudo se o espaço é exíguo. Desarrumada por natureza, procuro o meio termo e não almejo mais. Note-se que, apesar da constância nas tentativas de arrumação, sempre me existem objectos em fuga, é que não os encontro no lugar nem fora dele, entram em eclipse.
Há objectos que têm a particularidade de parecerem flutuantes e não gostarem de estar presos a um mesmo lugar. E com uma tendência para desaparecerem quando mais precisamos deles – mesmo que isso só aconteça de longe a longe. Tive um BI que só me apareceu passados anos, e num sítio onde eu tinha procurado uma boa meia dúzia de vezes. Mistérios…
Nao gosto de arrumar, gosto de ter as coisas arrumadas.
Eu acho que aprendi a gostar de arrumar à força de tanto precisar de ter as coisas arrumadas 😉
Objectos arrumados, são objectos não utilizados.
Um livro arrumado é um livro que não está a ser lido.
Um brinquedo arrumado é um brinquedo sem vida.
Os livros têm de estar em cima do braço da cadeira ou mesmo no chão,
A pista de carros tem de estar montada na sala a atrapalhar os adultos. A porta do WC e a da despensa são duas balizas onde se marcam golos que se festejam, depois, no corredor.
Uma casa, excessivamente, organizada, arrumada é uma casa sem alma.
O segredo está em retirar o excessivamente da equação – opinião minha, claro! Com crianças uma casa nunca está arrumada, mas essa desarrumação faz parte da organização. Ter livros fora da estante (ou da pilha, quando a estante já não é suficiente) será certamente um bom sinal.
Há casas que têm uma alma mais tranquila, outras uma alma mais vibrante. tudo depende de quem lá vive.
Um livro arrumado é um livro que não está a ser lido, mas umas dezenas de livros arrumados são um excelente fundo para uma reunião online
Sem dúvida, e isso já ficou bastas vezes demonstrado nestes quase 2 anos de novos métodos de trabalho. E aqui faço desde já o meu mea culpa… 🙂
Depende da estante, depende dos livros e, fundamentalmente, depende da quantidade de “porcarias” que infestam as estantes.
As minhas (as nossas) estantes são, exclusivamente, para livros, arrumados à face sem espaço para fotografias, para chaves, para o “recuerdo” de Badajoz.
Gosto das estantes só com livros, mas também gosto daquelas que têm algumas “porcarias” bem escolhidas à mistura – incluindo meia dúzia de “recuerdos”, alguns oferecidos, alguns (poucos e minúsculos) trazidos de viagens próprias – e fotografias também, porque as histórias dos livros casam bem com as histórias da vida.
A pior desarrumação das estantes é aquilo das duas filas de livros… enfim, acontece.
fui sempre muito arrumado, mesmo depois de me arrumarem.
conhecido por ‘taradinho da programação’
Desde que a arrumação seja um hábito e não uma preocupação, isso parece-me muito positivo 🙂
Eu podia ter escrito este post, do princípio ao fim, revejo-me totalmente.
Um espaço desarrumado, desarruma-me a cabeça. Mostra-me que há ali algo incompleto, que ficou a meio. Arrumar o espaço à minha volta é similar a arrumar assuntos, permite-me passar a outros assuntos, com a cabeça arrumada.
Mas, comentando um comentário anterior ao meu, há sempre espaço para um livro desarrumado, enquanto o estou a ler. Mas arrumo-o logo que está lido. Ou quando desisto dele a meio, o que também acontece.
Filipa
É isso tudo! Quanto aos livros, se desisto deles – e cada vez desisto com mais facilidade – vão para a prateleira das segundas oportunidades, não ficam por ali a recordar-me de como as esperanças de uma boa leitura se goraram. Prefiro ver aquele espaço sem nada (porque também leio ebooks).
Saúdo a entrada – mas não precisava de começar desta forma, que sinto como um ataque pessoal…
:)))) Agradeço e apresento desde já as minhas desculpas, não foi de todo minha intenção tratar mal os veteranos desta coluna. Foi apenas um desabafo muito pessoal…
Desculpas aceites. E quero informá-la que na sequência dessa sua investida acabo de arrumar a minha secretária e três prateleiras, outras se seguirão. Quanto à desarrumação interior, grande turbo de angústias inúteis, a ver irei o que lhe farei…
Quanta honra! Não conhecia este meu poder de persuasão…
Sobre a desarrumação interior já não poderei certamente ser de grande utilidade. Quando a angústia chega, sento-me e espero que passe. Só preciso é de arranjar paciência em quantidade suficiente.
Agora sei que, para lá do JPT maiúsculo, sou o JPT arrumado. Se eu não consigo encontrar um objecto, na minha casa, em 30 segundos (e não me refiro só às centenas de livros, dvds e discos, cds e trastes espalhados por vários compartimentos e corredores, mas também aos talheres, pacotes de massa, camisas e unicórnios da minha filha), falhei.
Fantástico!!!! :))))))))) (já lagrimei…)
Maiúsculo, percebo-o mais sossegado do que eu… Mas não lhe perdoo a soberba com que o gaba.
Sossego? Só depois de tudo arrumado, ou seja, quase nunca, como o Sísifo. Soberba, admito.
Não compare a satisfação de uma gaveta arrumada com a alegria imensa do reencontro de um objecto perdido.
Uma secretária organizada é monótona, desmotiva, dá sono.
Uma secretária desorganizada não, ela excita, enerva, provoca a adrenalina. Pelo menos é assim que fica a minha mulher quando eu saio do escritório.
Acredito piamente. Já passei por esses estados de espírito. Desde que depois venha a alegria da reconciliação…
Revejo-me no comentário de Pedro Oliveira. Eu sou essencialmente desarrumado, excepto talvez na roupa. Mas o meu escritório é uma aparente caos mas onde encontro sem grande esforço aquilo que preciso.
Há muitos, mesmo muitos anos, ouvi dizer que há dois tipos de profissionais: os que têm a secretária desarrumada mas as ideias arrumadas e os que têm a secretária arrumada …
Conheço muitos exemplares dessas arrumações desarrumadas. Pessoalmente, não conseguiria trabalhar bem com uma secretária assim. Mas há quem consiga, cada um tem o seu método, e desde que isso não atrapalhe os outros, não tenho nada contra. São opções pessoais.
Quando tive aulas de karate, na Pensilvânia, o mestre antes de aula limpava o chão todo do ginásio com uma vassoura. E dizia-me: o meu mestre ensinou-me que “um chão limpo é uma mente limpa”.
(O karate pratica-se com os pés descalços.)
(Os americanos são muito porcos nos ginásios, que utilizam frequentemente com os mesmos ténis com que andam na rua.)
O Ocidente tem muito a aprender com as filosofias orientais (ou pelo menos com algumas).
Com as filosofias e com as práticas. Uma coisa que falta aprender em certos países europeus é que em casa (e no trabalho) se anda com sapatos diferentes daqueles que se usa na rua. (Ou então anda-se descalço, como os dinamarqueses.) Quando se chega a casa ou ao trabalho, a primeirísssima coisa que se faz é tirar-se os sapatos com que se veio da rua (sujos de lama, pó ou caca de cão) e calçar-se uns sapatos limpos. Cá em Portugal, tal como nos EUA, ninguém faz isso. Mas faz-se, por exemplo, na Alemanha ou na Suécia.
Acho que uma vantagem desta pandemia foi muita gente ter passado a descalçar-se ao entrar em casa. Espero que o hábito tenha vindo para ficar.
Bem-vinda, Ana!
Concordo plenamente. As pessoas desarrumadas que conheço perdem imenso tempo a procurar coisas. Muito mais do que precisariam para arrumar. Conheci uma senhora que, apesar de ter a cozinha limpa, tinha sempre muita coisa espalhada. Dizia ela que era para não estar sempre a abrir e fechar armários. Mas qual a vantagem disso, se, para cozinhar, tinha de arrumar primeiro a tralha que se encontrava em cima do fogão?
E desarrumação/desorganização exterior reflecte de facto desarrumação interior.
Caro que nem sempre temos vontade de arrumar, mas, uma vez terminada a tarefa, sentimos a satisfação do dever cumprido. O que aliás é muito importante. Uma vida passada a adiar isto e aquilo torna-se insatisfeita.
A minha mãe também era do género de querer ter sempre tudo à mão, com a agravante de ser um bocado acumuladora – acho que era uma característica geracional, de quem passou pelos anos maus da 2ª Guerra. Talvez seja por isso que tenho uma certa fobia à desorganização. Isso e tal história de não gostar de perder tempo a procurar coisas. Costumo dizer na brincadeira que não sujo só para não ter de limpar, e que não desarrumo para não ter depois de arrumar. Exageros à parte, assim que acabo uma tarefa tenho por hábito arrumar aquilo que estive a utilizar. Mesmo as coisas que uso constantemente têm o seu lugar próprio. Isto não quer dizer que a minha casa seja o supra-sumo da arrumação e que nunca haja nada fora do lugar. Não sou fundamentalista, e não passo o tempo todo em arrumações – muito pelo contrário!
Bem-vinda ao Delito, Ana.
Muito obrigada, Teresa!
Bem vida Ana

Espero que se dê bem aqui por estes lados.
E não é também a vida demasiado curta para a consumir a arrumar coisas que acabam sempre por aparecer?
Muito obrigada!
Acabam por aparecer tempos infindos depois, quando já não é preciso, e depois de termos consumido horas e paciência a procurá-las.
Prefiro gastar uns minutinhos de vez em quando a arrumá-las 😉
Viva Ana,




que bela contratação fez o Delito!
Bom quanto ao pensamento desta semana… sinto-me atingido. Profundamente.
Partilho da ideia do Pedro Oliveira: uma casa arrumada é um casa sem vida!
Agora entrou uma neta após a saída dos filhos. Resultado: a casa voltou à balbúrdia que durante muitos anos me habituei.
O curioso é que sou um desorganizado/desarrumado organizado, porque se não existirem mãos estranhas nos meus papéis sei onde está tudo!
E não demoro nada a encontrar.
Boa escrita! Ficarei obviamente atento!
Olá José! Agora também vou estar por aqui de vez em quando 🙂 Muito obrigada!
Pois isto da arrumação/organização tem muito que se lhe diga. Conheço e já convivi com muitos exemplos de “está desarrumado mas sei onde está tudo, portanto não mexam para limpar”. O pior é quando são tipo polvo, e estendem a sua “arrumação” pela casa toda…
A balbúrdia causada pelas crianças é sempre boa. Mas também não custa muito tentar habituá-los a ir arrumando alguma coisa de vez em quando. Mesmo quando mais tarde ficam alérgicos à organização, ali pelos anos da adolescência, mais tarde ou mais cedo os hábitos acabam por vir ao de cima. Falo por experiência própria, claro 😉
Um grande beijinho!
É uma boa reflexão. Mas para tarefas criativas alguma desarrumação, tirar as coisas dos sítios, dos seus territórios, e até falhar — de modo real e de modo metafórico — é crucial para se descobrirem processos novos. Cumpts.
A criatividade tem meandros obscuros, tão diferentes uns dos outros quanto a individualidade de cada um de nós. Haverá quem só consiga ser criativo no meio da desordem, haverá quem seja o oposto – e há também aqueles a quem surgem ideias novas quando estão no duche ou num transporte público. O que é preciso é exercitá-la e fazer uso dela – qualquer que seja o meio de a obter 🙂