«Poupa o teu latim, que eu não te levo a sério!»
Quando dizemos que não levamos uma certa pessoa a sério, estamos a dizer que ela é uma idiota. Então, porque fica bem dizer que não nos levamos a sério? Pior ainda é dizer «não me levo demasiado a sério». Ou seja: podemos levar-nos a sério, mas só um bocadinho?
Pode ser uma expressão idiomática, mas é bem idiota. Não a levo a sério.
Este pensamento acompanhou o DELITO durante esta semana

Bem, talvez quando dizemos que não nos levamos a sério, estamos a autointitular-nos de idiotas!

Contudo, vale mais dizer a alguém que poupe o Latim, porque não a levamos a sério, do que deixar um idiota desperdiçar o seu Latim e, no fim, deixar-nos tão idiota quanto ele. Faz sentido? Não me parece, mas eu também não me levo a sério!
Faz sentido, sim, também não tenho pachorra para ouvir disparates.
Eu não disse que não se deve dizer isso a alguém, depende muito das circunstâncias e de quem temos à frente. Só não concordo que se diga a si próprio. Certo, todos somos idiotas em certos momentos. Mas ter isso como lema de vida? Não obrigada
Como piada, esta semana deveríamos então contar a origem da expressão “poupa o teu Latim”. Ela vem, para quem estiver curioso, de uma das obras de Marco Túlio Cícero.
Nada tem com chamar idiota.
Pode bem querer dizer que não se acredita que o diga de modo refletido e definitivo.
De acordo com a segunda frase.
Mas no seu comentário há uma contradição. “Nada tem a ver” significa algo que sempre se verifica. Mas, pelos vistos, só em certos casos. Por isso, seria melhor dizer algo do género “não necessariamente”.
P.S. Aconselho a não abusar dizer coisas de modo irreflectido. Quando se torna sistema, essa pessoa torna-se idiota.
Nada tem com chamar idiota.
Idiota é um estado permanente; chamar idiota ou é insulto ou diagnóstico clínico.
‘Não levar a sério’, nem é insulto nem diagnóstico clínico.
Não o levo a sério, caro JgMenos.
Problema seu.
Não é expressão que use muito (nem me lembro de a utilizar). Mas, se a diga, nem por sombras significa que considero o interlocutor um idiota. E antes, que o conheço e sei que o que diz não é para tomar à letra.
Nesse caso, considero também aceitável.
Mas tenha cuidado com pessoas que sistematicamente dizem coisas que não são para tomar à letra.
Absolutamente em desacordo. Há pessoas que nunca levaria a sério, que apesar disso até podem ser bem menos idiotas do que eu. Tudo depende do grau de esperteza.
Bem, se não leva a sério, não tem grande consideração por essa pessoa, independentemente do grau de esperteza dela.
Existe uma distância Quilométrica entre não ter grande consideração por uma pessoa e achar que é idiota. Podia fazer-lhe uma lista de gente famosa que anda por aí nos píncaros sempre em antena a não merecer crédito. Não vou contudo pessoalizar porque tudo depende do ponto de vista do observador, idiota ou não.
Gosto muito da frase que Miguel Torga terá dito a Ramalho Eanes:
– Seja sério mas não se leve muito a sério.
O mais importante é sermos sérios, no sentido de honestos não nos levarmos a sério neste contexto é não estarmos sempre sisudos, tensos, sempre a representar o papel que esperam de nós.
Pedro, por mais consideração e respeito que tenha por Miguel Torga, acho a expressão extremamente infeliz (embora nunca a tivesse interpretado dessa maneira, levo-a mais para o aspecto de alguém se sobrestimar, se achar a pessoa mais importante do Universo). Não gosto que me digam que não me levam a sério (embora também dependa de quem o diz), porque o hei-de dizer a mim mesma? E, em vez de dizer a alguém “não se leve muito a sério”, eu diria “não sobrestime a sua importância”.
Gosto da formulação: “não sobrestime a sua importância”; boa frase.
A minha interpretação da frase de Miguel Torga é: Seja honesto, mas não interprete o cargo de presidente da república como um fardo, sorria, descontraia, seja mais Rebelo de Sousa e menos Eanes sem cair em exageros, claro.
O curioso disto é que a ideia que temos de Miguel Torga é de uma pessoa reservada e circunspecta ou seja, em boa medida, o conselho para Eanes seria um auto-conselho.
É bem possível, sim.
Não há correlação lógica unívoca entre não levar alguém a sério e considerá-la idiota.
À língua não se aplicam conceitos matemáticos.
Ai não? Então a lógica vem de onde?
Se a língua fosse exacta e lógica como a matemática, não existia literatura, que vive de segundos sentidos, metáforas, vivências pessoais, etc.
A linguagem é sempre baseada na lógica. É graças à lógica que os argumentos se tornam racionais em si próprios: nos seus termos, nos seus conceitos, nas suas regras e nos seus métodos.
Sem lógica a literatura seria incompreensível.
Em certos e determinados assuntos não nos devemos levar demasiado a sério. A sério.
Quanto a levarmos ou não os outros a sério, depende. Devo levar a sérios as dissertações da Joana Amaral Dias sobre inoculações?
Se evitarmos expressar-nos sobre assuntos que não conhecemos, a primeira frase torna-se supérflua.
Claro que podemos (e devemos) não levar outras pessoas a sério. Depende muito das pessoas e daquilo que dizem. Eu não disse que não o devemos fazer, só disse que, quando o fazemos, estamos a chamar idiota à pessoa. É um direito que nos assiste.
Chamarmos idiotas a nós mesmos já é outro calibre.
Com a primeira frase referia-me a outras discussões. Tipo futebol. Assuntos banais, elevados a assunto de Estado. Ou humor. Que não se pode gozar com a Nossa Senhora. Ou com o Pinto da Costa. Ou outras divindades. Não se levem tão a sério.
Sim, sou um idiota. O primeiro passo é admitir. Levo uma vida de tentar alcançar a elevação intelectual. Um dia de cada vez. No dia em que achar que não sou um idiota, deixo de tentar aprender. Mas continuo a ser um, apenas que inconscientemente.
Bem, eu distingo idiota de ignorante. “Só sei que nada sei”, dizia o filósofo Sócrates. O idiota pensa que sabe tudo.
Quanto a mim tenho dias…
Quanto aos outros afasto-me da sua interpretaçaõ, que julgo literal em demasia: “não te levo a sério” ó mariola… é muito mais o conteúdo que lhe atribuo.
” poupa o teu latim, que eu não te escuto mais , não me interessa o que dizes sobre determinado assunto , não me convences ” , penso que a frase quer dizer isso e não chamar idiota a alguém.
graças a Deus , não me levo muito a sério suponho que a minha capacidade de erro é igual à dos outros.. era cansativo demais andar a chatear-me por merdices que nem me vou lembrar dentro de dias. e rir de nós próprios é muito bom.
Rir de nós próprios é essencial.
Não se levar a sério como lema de vida não me parece bem.
Eu acho que o país não se leva a sério.
São tantos os casos que o confirmam, desde ao funcionamento do sistema político, à justiça, à administração interna, ao ensino, saúde sem deixar de referir também a forma como os cidadãos acham normal dependerem tanto de um estado … que não se leva a sério.
Bem visto.
e, diz o sábio: não devemos discutir com o idiota, ele ganha sempre.
As pessoas levam-se demasiado a sério. Porque se acham detentoras da verdade. Absoluta.