Pensamento da semana


Cristina Torrão,

«Poupa o teu latim, que eu não te levo a sério!»

Quando dizemos que não levamos uma certa pessoa a sério, estamos a dizer que ela é uma idiota. Então, porque fica bem dizer que não nos levamos a sério? Pior ainda é dizer «não me levo demasiado a sério». Ou seja: podemos levar-nos a sério, mas só um bocadinho?

Pode ser uma expressão idiomática, mas é bem idiota. Não a levo a sério.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante esta semana

33 comentários em “Pensamento da semana”

  1. Bem, talvez quando dizemos que não nos levamos a sério, estamos a autointitular-nos de idiotas!
    Contudo, vale mais dizer a alguém que poupe o Latim, porque não a levamos a sério, do que deixar um idiota desperdiçar o seu Latim e, no fim, deixar-nos tão idiota quanto ele. Faz sentido? Não me parece, mas eu também não me levo a sério!

    1. Faz sentido, sim, também não tenho pachorra para ouvir disparates.
      Eu não disse que não se deve dizer isso a alguém, depende muito das circunstâncias e de quem temos à frente. Só não concordo que se diga a si próprio. Certo, todos somos idiotas em certos momentos. Mas ter isso como lema de vida? Não obrigada

  2. Como piada, esta semana deveríamos então contar a origem da expressão “poupa o teu Latim”. Ela vem, para quem estiver curioso, de uma das obras de Marco Túlio Cícero.

  3. Nada tem com chamar idiota.
    Pode bem querer dizer que não se acredita que o diga de modo refletido e definitivo.

    1. De acordo com a segunda frase.
      Mas no seu comentário há uma contradição. “Nada tem a ver” significa algo que sempre se verifica. Mas, pelos vistos, só em certos casos. Por isso, seria melhor dizer algo do género “não necessariamente”.

      P.S. Aconselho a não abusar dizer coisas de modo irreflectido. Quando se torna sistema, essa pessoa torna-se idiota.

    2. Nada tem com chamar idiota.
      Idiota é um estado permanente; chamar idiota ou é insulto ou diagnóstico clínico.
      ‘Não levar a sério’, nem é insulto nem diagnóstico clínico.

  4. Não é expressão que use muito (nem me lembro de a utilizar). Mas, se a diga, nem por sombras significa que considero o interlocutor um idiota. E antes, que o conheço e sei que o que diz não é para tomar à letra.

  5. Absolutamente em desacordo. Há pessoas que nunca levaria a sério, que apesar disso até podem ser bem menos idiotas do que eu. Tudo depende do grau de esperteza.

      1. Existe uma distância Quilométrica entre não ter grande consideração por uma pessoa e achar que é idiota. Podia fazer-lhe uma lista de gente famosa que anda por aí nos píncaros sempre em antena a não merecer crédito. Não vou contudo pessoalizar porque tudo depende do ponto de vista do observador, idiota ou não.

  6. Gosto muito da frase que Miguel Torga terá dito a Ramalho Eanes:
    – Seja sério mas não se leve muito a sério.
    O mais importante é sermos sérios, no sentido de honestos não nos levarmos a sério neste contexto é não estarmos sempre sisudos, tensos, sempre a representar o papel que esperam de nós.

    1. Pedro, por mais consideração e respeito que tenha por Miguel Torga, acho a expressão extremamente infeliz (embora nunca a tivesse interpretado dessa maneira, levo-a mais para o aspecto de alguém se sobrestimar, se achar a pessoa mais importante do Universo). Não gosto que me digam que não me levam a sério (embora também dependa de quem o diz), porque o hei-de dizer a mim mesma? E, em vez de dizer a alguém “não se leve muito a sério”, eu diria “não sobrestime a sua importância”.

      1. Gosto da formulação: “não sobrestime a sua importância”; boa frase.
        A minha interpretação da frase de Miguel Torga é: Seja honesto, mas não interprete o cargo de presidente da república como um fardo, sorria, descontraia, seja mais Rebelo de Sousa e menos Eanes sem cair em exageros, claro.
        O curioso disto é que a ideia que temos de Miguel Torga é de uma pessoa reservada e circunspecta ou seja, em boa medida, o conselho para Eanes seria um auto-conselho.

          1. A linguagem é sempre baseada na lógica. É graças à lógica que os argumentos se tornam racionais em si próprios: nos seus termos, nos seus conceitos, nas suas regras e nos seus métodos.
            Sem lógica a literatura seria incompreensível.

  7. Em certos e determinados assuntos não nos devemos levar demasiado a sério. A sério.
    Quanto a levarmos ou não os outros a sério, depende. Devo levar a sérios as dissertações da Joana Amaral Dias sobre inoculações?

    1. Se evitarmos expressar-nos sobre assuntos que não conhecemos, a primeira frase torna-se supérflua.

      Claro que podemos (e devemos) não levar outras pessoas a sério. Depende muito das pessoas e daquilo que dizem. Eu não disse que não o devemos fazer, só disse que, quando o fazemos, estamos a chamar idiota à pessoa. É um direito que nos assiste.

      Chamarmos idiotas a nós mesmos já é outro calibre.

      1. Com a primeira frase referia-me a outras discussões. Tipo futebol. Assuntos banais, elevados a assunto de Estado. Ou humor. Que não se pode gozar com a Nossa Senhora. Ou com o Pinto da Costa. Ou outras divindades. Não se levem tão a sério.
        Sim, sou um idiota. O primeiro passo é admitir. Levo uma vida de tentar alcançar a elevação intelectual. Um dia de cada vez. No dia em que achar que não sou um idiota, deixo de tentar aprender. Mas continuo a ser um, apenas que inconscientemente.

  8. Quanto a mim tenho dias…
    Quanto aos outros afasto-me da sua interpretaçaõ, que julgo literal em demasia: “não te levo a sério” ó mariola… é muito mais o conteúdo que lhe atribuo.

  9. ” poupa o teu latim, que eu não te escuto mais , não me interessa o que dizes sobre determinado assunto , não me convences ” , penso que a frase quer dizer isso e não chamar idiota a alguém.
    graças a Deus , não me levo muito a sério suponho que a minha capacidade de erro é igual à dos outros.. era cansativo demais andar a chatear-me por merdices que nem me vou lembrar dentro de dias. e rir de nós próprios é muito bom.

  10. Eu acho que o país não se leva a sério.
    São tantos os casos que o confirmam, desde ao funcionamento do sistema político, à justiça, à administração interna, ao ensino, saúde sem deixar de referir também a forma como os cidadãos acham normal dependerem tanto de um estado … que não se leva a sério.

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