Quantas vezes, para mudar a vida, precisamos da vida inteira, pensamos tanto, tomamos balanço e hesitamos, depois voltamos ao princípio, tornamos a pensar e a pensar, deslocamo-nos nas calhas do tempo com um movimento circular, como os espojinhos que atravessam o campo levantando poeira, folhas secas, insignificâncias, que para mais não lhes chegam as forças, bem melhor seria vivermos em terra de tufões. Outras vezes uma palavra é quanto basta.
José Saramago, “A jangada de pedra”.
Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.

Cara Zélia,
Os espojinhos atravessam o campo levantando poeira, folhas secas e insignificâncias; fazem o que podem, com as forças que têm.
São agentes da mudança.
O tufão não muda, destrói.
O tufão não nos muda a vida, estraga-nos a vida.
Às vezes uma palavra basta: opção ou destruição?
Muitas vezes, precisamos de um tufão, sim. “Outras vezes uma palavra é quanto basta” – essa palavra pode ser o tufão. Sobreviver a um tufão não é fácil. Mas quantas vezes nos julgamos presos sem o estarmos? E precisamos de nos libertar daquilo que achávamos ser o certo para nós. Ou melhor: daquilo que nos ensinaram ser o certo para nós.
«Essa vontade indomável de tomar as rédeas nas próprias mãos pô-la eufórica, como se houvera vivido de asas presas e descobrisse, de repente, que as amarras não passavam de uma fraude».