Os comentadores e politólogos que se movimentam e opinam em circuito fechado continuam a abordar o fenómeno do populismo na sociedade portuguesa exclusivamente a partir do sistema político e nunca a partir do tecido social. Enquanto não tentarem perceber o que move e o que pensam muitos dos cidadãos normais, nunca conseguirão encontrar respostas sustentadas.
Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.

Exacto. Não existe dinâmica, nesta sociedade, a comentar ou a analizar.
Está tudo com os olhos no palacete de S. Bento.
A lei eleitoral entregou aos partidos políticos, em exclusivo, toda a dinâmica social, todo o poder político. Sobretudo ao “mix” Executivo/Legislativo, PM/AR.
Os partidos, agradados, chamam-lhe a vituosa estabilidade.
Em partidocracia só a refrega entre partidos existe e merece ser compulsivamente comentada e analizada.
PS. -Nada contra partidos políticos. Repito. Nada contra partidos políticos.
Respostas (sustentadas) a quê, precisamente?
Este CdS está ligado ao anterior: como têm um martelo na mão, só veem pregos à volta.
Pois é.
Totalmente de acordo.
Os comentadores e politólogos não são pagos para dar opiniões, são pagos para influenciar pessoas. O que conseguir dominar melhor a técnica da falácia fica com o horário nobre num canal generalista, e se as suas opiniões tiverem piada o êxito é garantido.
O Marques Mendes comenta antes do Ricardo, não porque as suas opiniões sejam mais sérias ou mais importantes é apenas porque se comentasse no fim do programa do Ricardo, ninguém tinha pachorra para ficar a ouvir.
Como é que os comentadores e os politólogos podem falar de forma isenta sobre os populismos se a sua distinção se baseia únicamente nos populismos?
O círculo fechado é isso mesmo. Fora de círculos muito limitados e de pessoas normalmente idosas e com bom senso, é difícil admitir publicamente que o 25 de Abril trouxe aspectos negativos e é practicamente impossível admitir que o salazarismo tinha aspectos positivos. Frases do dia a dia, tipo “a PIDE só chateava quem queria fazer política e a ASAE chateia quem quer trabalhar” ou “os presidentes da Câmara e da Junta muitas vezes não prestavam mas ao menos ganhavam pouco ou nem ganhavam e os de agora muitas vezes continuam sem prestar mas ganham balúrdios” e outras – podiam ser centenas – sobre impostos, taxas, licenças, atendimento em repartições públicas, burocracia em geral, vocação para aplicação de coimas das autoridades de segurança, etc., nunca poderiam passar os crivos dos editores dos meios de comunicação social.
Os politólogos abordam o sistema político apenas na óptica do poder porque, de facto, estão tão ou mais limitados do que num sistema de censura prévia.
“salazarismo tinha aspectos positivos.” Tinha aspectos positivos, sim: podíamos mandar piropos.
De facto desde Agosto de 2015 “mandar” piropos será crime de importunação sexual. Mas a alteração ao Código Penal resultou da transposição do acordo de Istambul de 2011 e tenho todos os motivos para supor que o salazarismo também teria subscrito esse acordo. Aliás, até acredito que não necessitasse de 4 anos para transpor para a legislação nacional.
É que, entre gente decente – eu tinha 5 irmãs – havia uma desaprovação e mesmo repúdio pelos que “mandavam” piropos e que, veja lá, eram sempre anónimos.
“o salazarismo também teria subscrito esse acordo.” Não acredito. Salazar era um democrata que nunca com condenaria a diversão entre homens e mulheres. Ainda por cima chamando-lhe crime.
“É que, entre gente decente – eu tinha 5 irmãs – ” Ganhei porque eu tenho 6 irmãs e todas adoram o piropo. Aprenderam a gostar na Espanha.
Falta definir o que é “tecido social” e o que são “cidadãos normais”.
Alguns comentadores têm ideias estranhas mas eu não lhes chamaria cidadãos anormais.
As tónicas essenciais ao pântano democrático são:
– nunca abordar um assunto em concreto: um problema, a lei, regulamento e prática que o aborda, o que deveria ser feito.
– nunca manter um assunto em agenda por mais de uma sessão de comentário e, se voltar ao assunto, sempre em decrescendo.
Procurar dividir o populismo entre nós e eles é um conceito errado. O populismo só é abordado quando afecta a outra parte.
António Costa é um populista na medida em que pretende camuflar sua inépcia governativa através de geringonças subvertendo a estrutura da sociedade.
Marcelo Rebelo de Sousa é um populista na medida em que sustenta sua acção na estrutura social.
Ventura tornou-se um populista na medida em que já incomoda a geringonça fazendo com que Costa, perante a quebra nas sondagens, diga que é o seu oponente Rio que pretende ganhar ao Chega aquilo que Costa perde.
Eu sou um anti-populista na medida em que considero que as diversas estruturas sociais ditas representativas buscam popularidade e recinto de dança para atraírem a si a atenção que não merecem.
Mas já sou um populista ao considerar que o cancro da sociedade portuguesa reside numa classe média – à esquerda e direita e nos extremos – com tiques pequeno-burgueses de expressão farisaica, que transforma sua subserviência visceral numa espécie de guionista de condutas e comportamentos.
Populismo é um chavão — todos os partidos de causas ou de reacção são populistas a maior parte do tempo. Além disso o que se chama “populismo” já é em si uma resposta a um problema e não é um problema em si mesmo. Não sei se pode ser “tratado” como sugere o post. Pelo menos sem “tratar” o sistema.
O sistema é cada um individualmente. O cristianismo, interpretado na sua essência, é a única proposta de tratamento do sistema. A proposta é simples e linear: Transfigura-te e o mundo será transfigurado.
A única gnose verdadeiramente sapiencial é aquela que coloca o homem em descoberta de si mesmo e de suas motivações, bem como de seus erros, aspirações, fracassos e sucessos, e o transforma per se em um julgador e tratador de seus actos.
O iluminismo protestante e maçónico veio transformar o homem em um arquitecto e operário do caos. Tal como os movimentos gnósticos, onde os cátaros se incluem, buscou-se e busca-se o enaltecimento de uma suposta divindade humana – fazendo-o cair numa estagnadora idolatria – ao contrário da integração no divino, fonte e expressão da beleza e harmonia, que a arte, enquanto liturgia, soube representar e expressar.
Assim, o homem per se, o sistema, deu lugar à puta da babilónia que num mercantilismo jacobino transforma-o em matéria de consumo. O homem passou a ter valor enquanto moeda de troca, não obstante as disfarçadas correntes humanistas que dizem vir em seu socorro.
Eu também não perco uma oportunidade para dar umas belas castanhadas no PS e nos jacobinos — mas creio que termos ficado fechados dentro do universo do “antigo regime” também não teria sido grande coisa. Acho que é preciso considerar as mudanças intelectuais (e políticas e religiosas) do Iluminismo também como resultado de avanços científicos e tecnologia e nesse sentido há sempre um percurso histórico que é inevitável. Ou que depois se percebe que foi inevitável. Na verdade (parece-me) o que muda MESMO o mundo é o desenvolvimento tecnológico, e menos as ideias dos sábios, religiosos e as restante confrarias de pançudos que andam por aí.
Temos, portanto, vários temas onde se inclui a gastronomia que tantos pançudos fez e faz. Não esquecer que o burguês também era caricaturado com pança.
A história é feita por estoriadores, e a fonte histórica quase sempre não coincide com as estorietas.
Assim, a perspectiva histórica só pode ser bem enquadrada se do encadeamento histórico escrever-se, suas consequências.
Vem isto a propósito para dizer-lhe que, sendo o homem o princípio e o fim da história, a tecnologia demonstra que este, por exclusão e também substituição, se submete ao episódio dito de desenvolvimento (a idolatria científica. Uma farsa). Pretendo com esta afirmação alcançar o anteriormente referido, sobre a moeda de troca em que o homem se transformou.
O intelecto não revelou a evolução da mente, objecto que pode sobrepor-se ao aspecto meramente intelectual. O iluminismo, no contexto, é um mero movimento filosófico que julga que a razão ( o que quer que isto signifique) ilumina as trevas.
Enquanto o iluminismo se propagava, a revolução francesa, ao abrigo desta corrente, era subsidiada e incentivada por banqueiros em Inglaterra. Pouco se diz a este respeito, e parece que ficará mal se lhe disser a verdade: a revolução francesa é um produto britânico.
O universo do antigo regime é algo que diz respeito a quem nele se sedimentou, mas esse universo revela mais qualidades e interesse no homem que o jacobinismo maçónico que o antecedeu e posteriormente substituiu-o. Neste contexto, o protestantismo coloca-se na posição panteísta e origina a sua própria queda, ainda que também surja encapotado por algum catolicismo dito anglicanista. O ocidente é o acidente destas correntes. E Biden é o peão deste mesmo movimento. Todavia, ao provocar a aliança entre a Rússia cristã e a China comunista e oportunista do capitalismo ocidental, receberá de volta e em dobro a praga que semeia.
Espero que o papa Francisco se dê conta dos caminhos tortuosos de que deve afastar-se.
Caro amigo, está tudo esgotado — e o paradigma seguinte ainda não apareceu. O “conhecimento médio” que triunfa agora, só serve (e mal) às etnias, mas o fim do homem entendido como existia antes já aconteceu. Acho que nem mesmo que desaparecesse dois terços da população humana da Terra (um lindo catrapum) haveria outra vez uma sensação de espaço e de novo dia como havia na Antiguidade ou mesmo no Renascimento.
Democrático: ideias que o povo gosta e os que constroem a narrativa gostam.
Populista: ideias que o povo gosta e os que constroem a narrativa não gostam.
A Dívida Publica colossal por exemplo não é um gigante sinal de Populismo do regime mas de Democracia…
Aumentar salários da FP em ano de eleições é populismo ou justiça social?
Justiça Social por definição é Populismo.
Qualquer sistema em que se ganha voto dizendo: Tiro a X para te dar a ti. É Populismo.
Parabéns. Bastante assertivo