Pensamento da Semana


joaomsandre,

Livros sobre gestão são habitualmente uma fraude. Existem em 3 tipos: 1) compêndios de senso comum que cabem em duas páginas e esticados em forma de encher chouriços para dar um livro. 2) pré-conceitos e teorias que nunca foram aplicados ou quando aplicados, não foram bem sucedidos porque não o foram correctamente. 3) listas do que foi feito pelo gestor/autor e que foi bem sucedido, onde um caso de sucesso (teórico) valida toda uma nova teoria.

Há livros que apoiam a gestão, como livros sobre diferentes culturas, psicologia, etc, que são úteis, mas os livros de gestão, de management (não podemos falar em português, não serve), não dizem mais que vacuidades, coisas óbvias ou criam “conceitos” sem qualquer sentido.

Há no entanto um tipo de livros que é perfeito para se aprender management. Esta gestão não passa de gestão de pessoas, desde indivíduos a grupos. A melhor fonte que existe para compreender pessoas e saber como lidar com elas é a Literatura. Os clássicos. Os clássicos foram escritos por homens e mulheres que, antes de mais, observaram e estudaram outras pessoas. São clássicos não só pela qualidade da escrita mas também pela forma como os seus mundos são reais ou são excelentes alegorias do real. São estes os verdadeiros livros de management.

Há mais lições de gestão numa página de Guerra e Paz que em toda a obra de Stephen Covey. Jane Austen seria capaz de concentrar How to Win Friends and Influence People em 2 páginas. Os Maias poderia ser lido como um estudo de políticas internas na direcção de uma empresa.

Leiam os clássicos. Está lá tudo. E dão muito mais prazer.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante esta semana

14 comentários em “Pensamento da Semana”

    1. Não o conheço, confesso, mas como primeira aproximação repito o que escrevi acima: os melhores livros de gestão são os clássicos.

      (primeira aproximação, repito)

      1. MANAGEMENT
        A GLOBAL PERSPECTIVE
        é um Livro de Gestão Económica (muito completo, muito bem feito, generalista e para todo o tipo de negócios e de empresas).
        Foi nesse sentido que interpretei “Gestão” e que, portanto, comentei.
        Claro que, para uma Gestão, muito abrangente e de todas as áreas do saber e do conhecimento, também entendo que os clássicos devem/podem ser a nossa primeira opção.

  1. Confirmo comentário anterior, com uma correcção: o melhor livro de gestão é “A Arte da Guerra”, estudado em alguns cursos de post-graduação. O seu autor é Sun Tzu, chinês e alegadamente general.

    1. Tem múltiplas observações muito boas e é um bom livro para, digamos, a pós-graduação, quando o essencial da gestão: as pessoas, já está arrumado com os clássicos.

  2. Concordo! No caso de “Guerra e Paz” é também um bom exercício de memória, são tantas personagens …

    1. As personagens de Guerra e Paz têm um outro aspecto de gestão: como oferecer múltiplos detalhes sem perder o fio à meada. Muitos gestores poderiam aprender com isso.

  3. É um pensamento fechado — apresentado como conclusão irrevogável..

    .. Mas concordo com ele.

    (Quer dizer, devia ser mesmo possível ler um bom livro de gestão sem ter de ler O Cerejal de Tchekhov)

    1. Excelente observação V. É de facto um pensamento fechado. Devia ter deixado mais espaço para respirar e discordar (ou para mostrar que posso mudar de opinião).

      É um erro comum em mim: escrevo as coisas por vezes de forma excessivamente fechada e peremptória, especialmente quando pensei largamente sobre elas (correndo o risco que tais pensamentos tenham sido em lógicas circulares). Agradeço-lhe a chamada de atenção.

      Reformulo então a minha observação acima, se me permite: em primeira aproximação, não há livro de gestão como os clássicos.

      1. Se calhar são mais pequenos detalhes de tom do que a ideia propriamente dita — razão até pela qual os americanos inventaram a assertiveness que permite dizer as mesmas coisas mas de um modo mais diplomático (eu preciso de me lembrar disto muitas vezes) <- da qual toda esta frase é um exemplo ahah 😉

        Em todo o caso é um pensamento pertinente, até porque há muita gente —entre a qual eu me incluiria imediatamente se não tivesse tido há uma dezena de anos uma experiência relativamente curta como sócio-gerente— que se afasta ou receia a “gestão” ou a ideia de criar uma empresa simplesmente porque é uma coisa apresentada em jargão técnico, com ar de grande complexidade (mistificação que o Estado faz tudo para perpetuar — um monstro burocratizador sem paralelo mesmo nos romances mais negros)…

        … E se calhar ser um gestor empenhado é tão straightforward e um momento de felicidade tão intenso como ler um bom clássico — acho que é a virtude maior da sua ideia.

        cumpts.

  4. Uma boa biblioteca, é a melhor companhia. Instrutiva e educacional. Sim, os clássicos. De todos os tempos. Desde os 18 anos que a componho e leio. Porém, com idade e labor intenso, imerso no pc e documentação, obrigado a ler e redigir, estou tão estafado, que ímpeto se vem quebrando. Releio mais, adquiro menos. Menos literatura (agora, sobretudo autores nacionais sec 19, até 60 do sec 20), mais história.

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