Pensamento da Semana


Diogo Novo,

“Os alimentos que se recomendam actualmente são tão apetecíveis como uma dieta constante de papel secante. (…) Ontem à noite ingeri o típico jantar livre de colesterol: abóbora fervida, leite desnatado e gelatina. Tenho a certeza que isto não me fará viver mais tempo, mas creio que a existência me parecerá mais longa.”

Groucho Marx, Memoirs of a Mangy Lover, Da Capo Press, 1997

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

0 comentários em “Pensamento da Semana”

  1. Mais longa,mais triste e sem esperança.
    Um salpicão,umas túberas,a alheirinha,pèzinhos e moelas,cozido troncho de mão com o fumeiro.
    Paraísos perdidos,e para sempre depois da votação no repolho cru.

  2. «típico jantar livre de colesterol: abóbora fervida, leite desnatado e gelatina» – que disparate! Tenho cuidado com o colestrol há cerca de vinte anos (comecei a ter aos 31 ou 32), nunca comi um jantar desses, nem coisa que se pareça, e, com 53, aguento-me, sem precisar de tomar comprimidos.

    Estes exageros baseiam-se em má informação, ou na tendência para o extremismo. As pessoas parecem gostar de extremismos: a alternativa a uma refeição cheia de gorduras é a abóbora e a gelatina. Um perfeito disparate!

    1. Cristina fiz dieta durante 2 anos….tudo muito regrado…era o ser “mais infeliz” deste mundo…depois curei-me. Como o que quiser, e o que mais gostar. Julgo que provo mais a vida….não pretendo ser um cadáver bonito. Ex: morcela com pão e vinho….pézinhos de coentrada, arroz de sarrabulho, figado de cebolada, cabidela, leitão, espumante, verde e branco fresquinho…..tão bom

      1. Caríssimo Pedro, eu também como de tudo, nunca fiz dietas. O segredo é não exagerar. Se tiver, por exemplo, uma refeição numa festa, sem olhar a limites, passo os dois ou três dias seguintes a evitar gorduras, mas não deixo de beber vinho (seja ele qual for), ou de comer uma refeição completa. Não como arroz de sarrabulho, ou cabidela, todos os dias, mas é claro que, de vez em quando, também gosto de os saborear. Não estou a ver qual é o problema do fígado de cebolada, é uma refeição saudável, a meu ver. O fígado é magríssimo e, para não ter azias, é só usar óleo “fresco” (que ainda não tenha servido para outros cozinhados).

        O problema é as pessoas pensarem que têm realmente de prescindir de certas coisas eternamente. Não é verdade, é só ter um bocadinho de juízo. As pessoas tendem a exageros, extremismos. Não é preciso.

        Não sei a idade do Pedro, mas acredite que eu, com a minha tendência hereditária para o colestrol, não tendo um pouco de disciplina, estava, com 53 anos, com níveis elevadíssimos, com grande risco de ataque cardíaco e a depender de comprimidos. Acho-me ainda muito nova para isso e prescindir, de vez em quando, de certas coisas, considero um excelente compromisso.

        Costumo almoçar pouco e coisas “saudáveis”: uma fatia de pão escuro com queijo ou fiambre, uma banana, um iogurte natural, a que junto mirtilos frescos. Sim, soa um pouco a dieta. Mas hoje, por exemplo, vou jantar carne de porco assada, com molho de cogumelos e puré de batata e beber um bom tinto português. Que acha? Chamo-lhe o método compensatório e dou-me muito bem.

          1. Sim, sobretudo os vinhos brancos secos e meio-secos. Fresquinhos, são uma delícia.
            Os tintos também são bons, mas requerem habituação de quem vem do Sul. São completamente diferentes daquilo a que estamos habituados.

          2. Uau, perto de Freiburg, na fronteira com a França e perto da Suíça. Uma zona muito bonita. Nunca tinha ouvido esse nome, mas fui ver ao Google 😉 E parece que também tem vinho, como é normal, no Sul da Alemanha, uma zona montanhosa, com muitas encostas ensolaradas.

            Não, eu estou muito longe, perto de Hamburgo. Outro mundo, embora também se fale alemão

            O seu tetravô fugiu de quê? Está relacionado com o Bismarck?

    2. O humor é assim, Cristina. Resvala invariavelmente para o exagero da realidade, amplia os factos para tornar mais evidente o absurdo do quotidiano. Enfim, seja como for, vindo do Groucho Marx creio que podemos perdoar.

      1. Estamos a falar de um dos “Marx Brothers”, os comediantes da primeira metade do século XX, certo?
        Sei quem foram, mas confesso que conheço pouco deles e fiquei na dúvida, por causa da data em que foi publicado o livro referido. Pensei na possibilidade de ser alguém (um bloguista, por exemplo; há bloguistas que também publicam livros) utilizando esse pseudónimo.

        Compreendi que se tratava de uma piada, mas, sinceramente, não apreciei muito, por isso, a minha reacção.

        1. Mas o sentido de humor pode aparecer de formas imprevisíveis, sem precisarem de saber nada da vida privada de alguém- como o Groucho

          Só a ideia de se pensar que jantar “abóbora fervida, leite desnatado e gelatina” era algo possível, é para chorar a rir.

  3. A solução é não seguir as recomendações. Coisa que sempre fiz.
    Primeiro porque não as havia, consequentemente, desnecessárias. Ninguém se questiona pelo que desconhece: e depois por não acreditar devido a terem vindo, (recomendações) demasiado tarde para o meu saudável bem-estar.
    Para mim é carne, muita carne, preferencialmente a vermelha e em sangue, enchidos, tudo que seja ensacado do porco, feijoadas, – abençoadas tripas, – queijos, muitos queijos, carradas de queijos, sobretudo os amanteigados, comidas picantes, aliás, carradas de picante em tudo.
    Resultado: 78 anos e ainda hoje estou para saber o que é uma dor de cabeça, lombar, de estômago ou quaisquer outras provenientes da condição humana, nem tão-pouco o que são rastreios a isto ou aquilo de que amiúde ouço falar.
    E em gripes, constipações e ranhozices várias também ouço falar porque saber em mim o que isso é, não sei não.
    E médicos, tirando aquelas visitas obrigatórias para carta de condução, também tenho passado muito bem sem eles.
    O que leva uma das minhas filhas, médica, a dizer-me deveras espantada: pai, se todos fossem como tu morríamos de fome.

    1. O Corvo é o Keith Richards do enchido….

      Eu com 42 também ainda não tive “nenhum” susto. Ando é agora todo empenado, devido a nova crise de coluna.

      Há uns 4anos pensei que iria morrer deitado sobre um tapete da sala, em Trás os Montes, após um descomunal jantar que meteu um vara de leitões e uma arca de espumante, numa noite de verão….

      1. 42 anos é normal que que se sinta optimizado.
        Agora com 78 anos é que já não é tão normal viver sem modificações.
        É evidente que sinto a idade na minha força perdida, na minha fortaleza quase sobre-humana que enfrentava tudo e tudo suportava, na fadiga ao fim de um determinado tempo,- curto, – na execução de qualquer trabalho físico; o que eu entendo ser normal para a minha idade.
        Agora, não conhecer uma dor, uma gripe, uma constipação, um rastreio, uma visita a um médico, não me vacinar para nada, não tomar um comprimido, isso é que se há alguém verdadeiramente incrédulo sou eu mesmo porque sei o que se passa com o mundo.
        E também não sei que raio de controlo tenho sobre mim porque vá para onde for, esteja onde estiver, quando me deito em menos de um minuto estou ferrado no sono. Até por cima dum monte de pedras durmo.
        Por acaso aqui nas redondezas há uns velhos que quando vejo um ou outro por ali faço logo um desvio para não me encontrar com eles.
        Porquê? Porque é infalível. Não falha. Começam logo a carpir as mágoas das análises a isto e mais aquilo, dos hospitais, dos médicos que não ligam nada, da miséria deste país no concernente à saúde, enfim, lamentações de toda a ordem sobre os pobres carenciados, palestras que nada me interessam, sobretudo por carência de conhecimentos para alimentar o que para eles é proveitosa e elevada discussão. Como se eu soubesse o que é um hospital ou suas ramificações paralelas circundantes.
        Eu quero é falar de futebol, do malfeitor do VAR a roubar o meu Benfica e a levar os rivais ao colo, do Governo. Isso também me apraz, falar mal do Governo qualquer que ele seja ou faça, enfim, essas coisas que fazem parte da vida de um homem de 78 anos limpo e lúcido.

        1. Par toutatis!
          O Corvo deve ter caído no caldeirão da poção mágica.
          Agora já compreendo porque era o genro preferido 🙂
          e também porque tem um sentido de humor tão especial.
          ⚘
          Maria

  4. Vou cuidando de não exagerar. Apenas isso. Tentar não encurtar a minha breve passagem por estas paragens. Não deixo de comer seja o que for, apenas o faço com moderação.
    Não me perdoo ter condicionado a minha mãe, tornando-a triste e infeliz durante cerca de um ano, para acabar por a perder de igual modo. Soubesse eu, que lhe teria levado carradas de salgadinhos, suspiros, gelados, toucinhos de céu… teria seguramente partido feliz.

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