Pensamento da semana


Bandeira,

 

Nas cada vez maiores secções de livros de “auto-ajuda” deveria ser obrigatório o aviso dantesco: “Abandone toda a esperança aquele que aqui entrar”.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

0 comentários em “Pensamento da semana”

  1. Não sei o que se procura nesses livros. A conselho de uma colega comprei uma vez um. Não só me chateou imenso lê-lo como discordei de vários conteúdos e não entendi tais propósitos. Mas pronto, não há como conhecer.

    1. Estou a lembrar-me de um autor que se fez fotografar “escrevendo” o seu livro de auto-ajuda no cimo de um penhasco, com vista para o mar e à hora dourada, usando um portátil (provavelmente sem bateria) sob ventos de 60 Kms/hora. O jovem teria uns trinta e poucos anos e não lhe fixei o nome, mas sei que é famoso e amiúde lança bitaites sobre a vida em geral e os seus casos particulares, sempre de forma profundamente ligeira. A súmula da filosofia da coisa era, se bem me lembro, “ama-te”. Bom conselho para assassinos em série e outros tipos sem remédio.

  2. Não conheço os livros (mas ainda lerei o Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas do ícone Dale Carnegie) mas acho a frase magnífica

    1. Fazer amigos? Umas cervejas e uns tremoços costumam resultar.

      Mantê-los já requer ementas que nem nos livros de Pantagruel se encontram, duvido que constem em livros de auto-ajuda. Não conheço esse de que fala, mas também só li um, de ioga aprenda-você-mesmo – e a julgar pelo que li acho a auto-ajuda muito inflexível.

        1. 1936? Será um livro adequado a ser lido e, mais importante, passível de ser devidamente interpretado pelo sexo frágil?

          Desculpe, a vetusta idade de tal livro deveria recomendá-lo – mas depois de ler “Dramatize suas idéias. Neste mundo acelerado, simplesmente afirmar uma verdade não é suficiente. A verdade deve ser vivida, interessante e dramática. A televisão vem fazendo isso há anos. Às vezes as ideias não são suficientes e devemos dramatizá-las.” e sabendo-se que apenas em 1941 a televisão começou a ser emitida nos EUA, desconfio que da versão original já pouco restará.

          Talvez seja melhor o jpt ler a edição velhinha dos seus avós…
          “baixe o som à grafonola e aprecie o som do carro do leiteiro seguido pelo miar dos gatos” pelo menos sempre soará a verosímil. Depois partilhe as impressões de leitura, que muito agradeceremos.

  3. Depois de olhar tais secções, sou forçada a discordar: há livros que ajudam a ficar alegre e livros que ajudam a refrear a alegria, há os que aconselham maturidade e os que nos mandam estar sempre jovens, os que dizem que ficamos bem se decorarmos a casa usando feng shui e os que nos prometem transcendência se nos dedicarmos à aromaterapia…

    … a única esperança que se abandona será, provavelmente, a de conseguir descobrir exactamente qual a ajuda de que se precisa.

    1. Tenho para mim que toda a boa literatura é de auto-ajuda porque nos faz melhores e mais sábios. Os livros de auto-ajuda não são boa literatura (nem sequer má, mas enfim) 🙂

      1. Serão de auto-ajuda para quem, lendo-a, à boa literatura, a consiga ler. Por aí não falta quem lhe leia as palavras escritas e, depois, “prontes”.

        Gosto particularmente daqueles escrevedores que usam imensas palavras positivas na contracapa; mas nunca me animo a abrir um livro, receio sempre que se lhes tenha esgotado o léxico.

    1. Ora aí está um livro que não é fácil encontrar, “como mudar o pneu quando as porcas estão enferrujados, os seus sapatos têm saltos de 10cm e a única gordura que tem por perto está alojada onde não sai”

    2. Delicioso este comentário! Ri com gosto.
      Realmente não se compreende. Mas então se alguém escreve um livro para nos ajudar, então toda a literatura (pelo menos os grandes autores) devia estar nesta secção. Ou estou a ver mal a coisa? É que a ajuda que os livros dessa secção proporcionam é apenas às finanças dos seus autores.

  4. Banha da cobra… cura tudo, ajuda a sarar todas as maleitas.
    Conheço quem tenha frequentado seminários. Oito abracinhos por dia, não custa nada! ” não acha que estou mudado” … que vontade de dizer que não, que os leopardos não mudam de pintas… para quê desmoralizar estes iurdistas da auto ajuda? A realidade da vida encarregar-se-á de repor a verdade dos factos.
    Livros? Isso lá são livros !

  5. Se servir de auto-ajuda, aqui fica: A história é um campo de batalha coberto por folhas mortas.
    Ressuscitemos! Só temos o presente e a eternidade.
    Creio que precisamos de “ervas” para purgar a nossa história. Até lá continuaremos infelizes e em busca de um tempo morto. Para quê, se o que nos sobra e importa é a vida?

    https://www.youtube.com/watch?v=uRArZbtZqYM

  6. «Livros de Auto-Ajuda» :
    Parece-me que todo o livro que se escreve com sentimento verdadeiro, de impulso, é de auto-ajuda para os outros. Claro que, depois, também depende do poder de assimilação e sensibilidade de quem o lê.

    Encontrei, por exemplo, uma pluralidade de auto-ajudas, num livro que me vi grego para encontrar na feira do livro última – “Delito de Opinião”, mas nas minhas férias valeu todo o esforço…!

  7. Porque é que o autor e os outros comentadores não aceitam que possam funcionar para outros pessoas?

    Não somos todos iguais.

  8. Quando alguém decidir ler um livro de auto-ajuda, eu, uma Maria qualquer, aconselho a que se tenha um, ou mesmo dois, calmantes por perto. É que ler esse género de livro estraçalha-nos os nervos todinhos. Credo!

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