O racionalismo e o ateísmo andam de mão dada.
Só abdicando do princípio racionalista de que a razão é o caminho para a verdade é que um crente se pode definir como tal.
A razão e a ciência no entanto respondem ao “Como funciona” e ao “Como funcionamos” mas não ao “Porquê existe” nem ao “Porquê existimos”.
Estarão as respostas a que a razão não responde apenas à espera de novos avanços científicos, ou existem factos que nunca terão um explicação racional?
Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

A Filosofia resíduo ou a Filosofia conteúdo sistemático ?
Sendo a matemática a linguagem cósmica, aplicando-se as suas leis à ignição da cabeça de um fósforo, ou à explosão de uma super nova, podemos escolher ver no deus criador, no demiurgo, uma entidade dotada de razão e nós, herdeiros de razão semelhante, seus filhos, feitos à sua imagem deus. A comunhão dessa razão é passível, assim, de conduzir-nos à crença. Uma fé nascida da razão e da ordem
Mas recorrendo à razão não é necessária qualquer fé, e sim apenas a correcta demonstração.
A fé é como uma peça móvel que preenche o que observamos mas que vai além do nosso entendimento cientifico.
Afirmar que essa fé é, não em Deus, mas na ciência do futuro, é transformar a ciência numa religião, o que é uma negação da própria ciência.
Paulo, dê tempo à razão até ela o levar para além do entendimento humano. Ei-la, a espiritualidade, vertida do conhecimento ininteligível.
“Deus” habita na física quântica
Se trocar a palavra “razão” na sua primeira frase por uma qualquer divindade irá ler o que qualquer crente diria sobre o Deus da sua crença.
A frase é legítima e transborda de fé.
E será que temos as capacidades de entendimento dos mistérios que a ciência não explica?
Sabemos que as nossas capacidades são finitas. E sabemos também que e a realidade não o é, ou pelo menos continua em expansão.
Este pressuposto que enquadra toda esta temática e que consiste em que temos essa capacidade traduz a já conhecida ambição humana em entender o que o rodeia, mas poderá alguma vez o finito entender o infinito?
Paulo, a razão pode servir-nos também para descobrir a certeza da dúvida e a dúvida da certeza.. E enquanto houver dúvida há esperança 🙂
Confira Teorema de Godel, confira o Multiverso. Matemática pura, sem a subjectividade da observação e a interpretação do observador. Números.
Vou ver.
Obrigado
o princípio racionalista de que a razão é o caminho para a verdade
Mas o que é “a verdade”?
É aquilo em que se acredita?
Mas, lá por acreditarmos em algo, isso passa a ser verdadeiro? Claro que não!
E se “a verdade” não existisse? Pois que, se nunca ninguém a encontra (apenas acredita ter encontrado, mas outros vão lá ver e não a conseguem encontrar), então talvez pura e simplesmente não exista…
existem factos que nunca terão um explicação racional?
A que factos, muito concretamente, se refere? Quais os factos, muito concretos e indubitáveis, que conhece e que não tenham explicação racional?
Ao funcionamento da homeopatia? À parapsicologia?
Existem sim, Luís Lavoura. Existem factos que nunca terão uma explicação racional. Pelo menos quando confrontados com o conhecimento actual.
Por exemplo; que explicação se encontra para um sonho, sempre igual e sem a mínima alteração, duas ou três vezes por mês, às vezes mais, que se prolonga desde há sessenta e sete anos até aos dias de hoje?
Avance-o, cunhado, se puder
De Vorph “Girevoy” Valknut a 22.06.2020 às 13:42
Acho que o Luís Lavoura o facto mais estranho que viveu foi ter-lhe parado o carro na auto-estrada. Mas depois lembrou-se que se tinha esquecido de atestar o depósito e a estranheza passou-lhe. 🙂
Para si, Luís Lavoura. Não se passou comigo, mas testemunhei.
Uma ponte ponte provisória e muito rudimentar. Por baixo um rio, não muito largo, mas corria caudaloso. Profundidade bastante; uns três ou quatro metros.
Na ponte um gajo tira a aliança do dedo para mostrar um não-sei-quê, descuida-se e deixa-a cair para o rio.
Próximo uma senzala, e um habitante dela diz que vai falar com o feiticeiro. Vêm os dois, negoceiam; o perdedor da aliança e o curandeiro o preço da recuperação do anel, tudo no gozo e o sem aliança concorda com o preço. Duas cabras, chouriço e um garrafão de vinho. Cada vez mais no gozo ele aceita.
O feiticeiro fez para lá umas rezas, faz umas danças, sobe à ponte, mergulha e traz a aliança com ele. Um só mergulho.
E o anel era o mesmo?
Era sim, Paulo Sousa. Era a aliança que caíra ao rio.
E ainda eu não entrei em grandes pormenores tais como; a hora tardia em que isso se passou, quase a escurecer, a força da torrente porque nessa parte do rio ele estreitava para não mais de oito metros, o leito por onde corria só calhaus dinamitados.
Mergulhou e trouxe-o com ele.
Explicação, não há. Pelo menos racionais não encontro nenhumas. Uma probabilidade entre milhões de milhões de outras contra.
Só falei nisto porque não creio que nem ciência ou religião tenham alguma coisa a ver com factos estranhos.
Mas há. Já vivi quatro e testemunhei dois.
A vida esta cheia de sinais, mas a maior parte de nós não percebe.
Já me aconteceram coisas estranhas ao longo da vida e que as vezes recordo.
Há 25 anos fui a uma entrevista de emprego e no dia seguinte comecei a trabalhar, achei que não gostava daquilo e no segundo dia fui falar com o coordenador e desisti.
Agora o insólito foi,depois ao sair da empresa e ir na rua há uma pessoa que me agarra pelo braço e me diz Pedro meu malandro o que é que acabaste de fazer, fiquei surpreendido pois não conhecia a pessoa de lado nenhum, o que me fez pensar mais tarde que aquilo foi um aviso de um erro que eu estava a cometer, e passado uns anos depois chego a conclusão que terá sido mesmo um erro a minha opção.
E aqui está a questão da probabilidade, acertar com o meu nome, e ter a certeza que me conhecia, pedindo desculpa depois, e chamar-me atenção para uma opção(julgo eu) que eu tinha acabado de fazer.
Coincidência???
Ou um entendimento que está para além da razão….
Anónimo a 22.06.2020 às 23:48
Há coisas incríveis, verdadeiramente espantosas para as quais não se consegue explicação.
Particularmente não as associo ao Divino nem ao paranormal, acontecem porque acontecem, simplesmente.
Nunca lhe aconteceu, a si ou a quem leia o postal, um facto insólito que a mim me acontece com frequência.
Estar a ver um filme pela televisão, e de repente pensar na resposta que um interlocutor recebe de um outro a uma determinada pergunta. Mas não uma vez por outra. Bastantes vezes. Se por vezes pensarmos que a lógica da resposta será aquela, mas por que não poderia ser diferente, ou expressa de uma outra maneira?
Certinho! sem falhar uma letra. Está-me sempre a acontecer.
Não isso nunca me aconteceu…
Mas a telepatia existe e está presente nas nossas vidas.
Pensar em alguém e de repente encontrar essa pessoa ou mesmo ela própria telefonar isso já me aconteceu…
a telepatia existe mesmo , sim , mas é das tais coisas que penso que a ciência irá dar uma explicação racional. suponho que há seres humanos que estão “sintonizados ” ( partilham algum gene , um bocado de adn ?) e comunicam por imagens e sensações.
Há muito mais para além do que conhecemos, e a própria ciência nunca terá qualquer explicação…
O caso dos gémeos , crianças que com 5 anos já falam uma língua estrangeira, diferente da sua nacionalidade que têm capacidades que nunca aprenderam na vida, já nascem com elas.( existem exemplos reais )
A intuição…
A sorte de uns o azar de outros……
A descoberta de cada vez mais planetas,com os telescópios cada vez mais potentes….
Enfim tanta coisa sem explicação, que só prova que andamos todos aos papéis.
Veja se este sonho foi por si sonhado, caro cunhado da noite :
https://youtu.be/AB-3rsAu7A4
Não Vorph, não é este. Antes fosse.
Por acaso quando disse que se prolongava há sessenta e sete anos, não fui totalmente preciso.
Depois da morte da minha mulher há doze anos – que não tem nada a ver com o sonho, – ele foi esmorecendo e, por vezes, passa-se mais de um mês sem o ter.
Encontro uma explicação, que paralelamente me torna mais crente em Deus.
Só pode ter sido ela, que no Céu vela pelo meu sossego e me apazigua a consciência.
Abraço, cunhado
Foi testemunha mas não se passou consigo.
Próximo uma senzala ou a uma sanzala e trouxe um feiticeiro.
Como conseguiu arranjar um cabrito, um chouriço e um garrafão de vinho, se foi numa senzala teria sido no Brasil e garrafões de vinho nem vê-los, se foi numa sanzala teria sido em Angola e chouriços nem vê-los.
Concluindo um feiticeiro com um chouriço e um garrafão de vinho no buxo era bem escolhido para atleta olímpico de saltos para a água.
Caríssimo. Foi em Angola, em 1965.
Não sei se conhece África, ou conhecendo-a se a conhece desse tempo
Tudo era negociado e devidamente regateado.
Quanto aos portugueses que trabalhavam em Angola, se de facto sofriam de carências mil, garanto-lhe por profundo conhecimento próprio, que garrafões de vinho e chouriço abundava aos contentores por todos. Dei-lhe esta explicação sem lha dever, por educação, simplesmente.
De resto é livre de pensar o que quiser e para evitar desnecessárias explicações para um encobertado, – asnonimo. segundo o Pedro Correia e aprovado por mim, – acredite se quiser.
Agora vá, não apanhe muito sol pelo caminho e que o bom Deus o acompanhe e nunca o desampare.
‘Tá bem, então foi numa sanzala.
Contentores em 1965 nunca os vi e feiticeiros daqueles só se encontravam muito bem regateados.
Obrigado pelo conselho mas o sol não me incomoda e como não há mau Deus sempre acompanha e ampara toda a gente.
No entanto, fico à espera de algum relato dum acontecimento pessoal não realizado por não ter fé e como é que se chega a essa conclusão.
Se se chegasse a alguma conclusão sobre factos estranhos que acontecem pelo mundo, deixariam de o ser e passavam a acontecimentos explicáveis; não lhe parece?
É como a boa senhora, devota e respeitável que seguia escrupulosamente as palavras de Deus e amava a todos por igual.
Quis a fatalidade que uma vez se descuidasse e fosse apanhada, e num ápice a respeitabilidade dela passou a leviandade.
Compreendeu, ou nem por isso?
A senhora foi apanhada a não cumprir a palavra de Deus? Em que época se passou a ‘transgressão’? A fé não foi igual em todas as épocas, Deus vai reformando atitudes, acções e outros mandamentos, não é assim ou o homem vai deixando de os praticar em conformidade com a época?
Há bem pouco tempo rezava-se para acabar uma pandemia, agora ou vai rapidamente para o hospital ou, então, morre a rezar.
Deixe-se de ‘eu é que sei’, toda a gente percebe as questões de ter fé ou ter ‘cá uma fesada’.
OK! Leve a bicicleta e não se fala mais nisso.
“Estarão as respostas a que a razão não responde apenas à espera de novos avanços científicos, ou existem factos que nunca terão um explicação racional?”
Pois essa é a grande questão, ou, a pergunta para um milhão de dólares…
O texto nega à partida que possa existir um raciocínio para justificar que existe Deus e também nega que avanços científicos possam vir a provar a existência de Deus.
Parece-me uma visão demasiado ligada ao histórico conflito politico no Ocidente entre razão e religião, em que são vistos apenas como opostos.
lucklucky
De Anónimo a 22.06.2020 às 15:01
O texto não nega nem afirma nada concernente à religião, nem tão-pouco explora ou induz a factos estranhos de origem religiosa.
O que eu interpretei do texto é que coloca a pergunta: primeiro se os factos estranhos e sem explicação estão ou não ligados à crença ou ao ateísmo.
E segundo o porquê de existirem sem que a ciência lhes dê uma resposta.
Trazer Deus para o tema é fácil, tanto para ateus como para crentes.
Os primeiros dirão que factos estranhos são mais acasos a acrescentar a todos os outros que por cá andam, os crentes dirão que são enigmas da omnisciência Divina e portanto há que aceitá-los sem serem questionados.
Não metam Deus em tudo, nem o tirem de nada. Não foi para aqui chamado.
O autor do texto fala de ateísmo e crentes e você o polícia – desculpe… o comissário da segurança publica pois estamos em nova ordem Marxista- dos textos diz que D… não foi para aqui chamado?
“Só abdicando do princípio racionalista de que a razão é o caminho para a verdade é que um crente se pode definir como tal.”
Qual o nome que se deve aplicar a quem chega a Deus pela razão?
lucklucky
“Qual o nome que se deve aplicar a quem chega a Deus pela razão?”
Depende.
Um crente aplica-lhe o nome de fé.
Um ateu chama-lhe estúpido porque não há Deus, e consequentemente não há caminho para o que não existe.
O conflito entre fé e razão é desigual. Para os racionalistas a existência de Deus não pode ser provada nem negada pela razão, e assim é inútil a sua discussão. Assim o racionalismo não se limita a ser ateu mas remete a Fé para o domínio do interdito (à Razão) opondo-se à sua discussão.
Ao invés a Fé aceita a Ciência, matéria em que a Razão é dominante (veja o admirável ensaio de Ratzinger em Regensburg em que se lembra que Sócrates que sabia ir morrer no dia seguinte, escolheu a alma como tema de discussão com os seus discípulos).
Ou seja, em linguagem política hodierna a Fé representa a liberdade enquanto a Razão representa a censura (de facto a limitação de capacidades do espírito humano).
Eu, quando penso num racionalista (puro, entenda-se) lembro-me logo da história da mãe que tinha um único filho e lhe dedicava todo o seu amor. Um dia essa mãe teve um segundo filho e, segundo o racionalista, passou a dedicar 50% do seu amor a cada filho.
Numa famosa parábola do Canone Pali, um monge dirige-se-lhe, inquieto, por nunca lhe ter escutado uma palavra acerca de se o universo é finito ou infinito, limitado ou ilimitado, ou se a alma é distinta do corpo. E o Buda, amavelmente enfastiado, pede-lhe para pensar num homem atingido por uma flecha envenenada: “Se, quando a família e os amigos chamassem um médico, ele se recusasse a ser tratado antes de saber quem o havia ferido, a que casta pertencia, qual a altura e côr da pele, e que arco, flecha e veneno tinha utilizado, decerto morreria antes de conhecer tudo isto. Seja o universo eterno ou não, a morte, a velhice, o sofrimento e a infelicidade continuarão a existir e só nesta vida poderão ser eliminados. Se não te expliquei todas essas coisas é porque elas são inúteis e não conduzem à libertação” https://lishbuna.blogspot.com/2019/10/se rena-alucinacao-brian-eno-ateu.html
O ateísmo anda de mão dada com o racionalismo!!!!??? O ateísmo anda de mão dada com o laicismo e o laicismo é o processo de islamizacao das nações europeias cristãs… Basta olhar para Paris… Perseguem os católicos e abrem espaço para a expansão dos mohameds… Basta olhar para o Brasil em que a civilização católica de matriz portuguesa está a ser roubada em plena luz do dia… Começou nos macons passou para os marxistas e eis que agora está nas mãos dos neopentacostais, que cresceu no Brasil com o apoio do ateismo…eis o Brasil, mais roubo declarado a civilização católica… Mohameds= Neopentacostais…. Civilização Católica Apostólica Romana une a Fé Católica ao Racionalismo… Mohameds na Europa + Neopentacostais no Brasil são produtos do Ateísmo… logo é impossível associar o ateísmo ao racionalismo…
Os terraplanistas sempre são mais divertidos.
E muitos cientistas eram pessoas profundamente religiosas como Michael Faraday.
lucklucky
E Isaac Newton. Outros, não.
ontem, depois de ler este post, decidi rever uma das conferencias que, de vez em quando gosto de ouvir, para nunca esquecer que não sei nada. Para quem seguir bem o francês aqui vai o endereço:
https://www.youtube.com/watch?v=1TJb72Nw dQw
Juro que vale a pena seguir esta serie de conferencias de divulgação das descobertas que se vêm fazendo sobre o universo.
“A Penumbra da Claridade”
https://youtu.be/7LvDNsTp6bs
“Será o mundo a claridade do
Espelho
De alguém que se esconde
Fará parte esta sombra
Do dom do que eu sou
Quando a luz é o gesto
Do ser que me criou
E aquele sinal o que é
Em PENUMBRA
Depois de tudo o que for mais
Além
Será o desconhecido alguém
Quando tudo o que não é
É também
E tudo o que não for
Também é
Na paz da mansidão do universo
Quem sabe
Eu sem saber
Acredite em ti
E tu
Quem sabe
Sem que eu saiba
Acredites em mim
Por fim”
Fausto Bordalo Dias
Vou ter de discordar em vários aspectos Paulo.
Antes de mais, o racionalismo não anda sempre de mão dada com o ateísmo (ou vice-versa). Basta olha para Dawkins para ver que o ateísmo resvala para a irracionalidade tão depressa como qualquer teísmo. É uma característica humana, completamente alheia a crenças ou falta delas.
Compreendo a lógica que apresentas, mas desagrada-me. A ciência cresceu da necessidade humana de compreender o mundo que deus/os deuses criou/criaram. Eu talvez ficasse mais de acordo com uma lógica de “ateísmo nasceu de aplicar exclusivamente racionalidade”, mas mesmo isso tornaria o conceito redutor.
Como tal, não compreendo porque razão (no pun intended) um crente tem que prescindir da Razão para se poder definir como crente. Poderá (e deverá, na minha opinião), dizer que a sua crença não necessita de Razão, mas eu diria que há várias formas de cada um definir a sua crença pessoal. Talvez se quiseres dizer que a verdade é relativa, mas o mundo moderno exclui do conceito de “verdade” algo a que se chega por crença.
Não imagino como se pode dizer que “Deus é Verdade” pelo caminho da crença, embora se possa dizer indubitavelmente “a minha Verdade é a palavra de Deus como escrita na Bíblia/Torah/Corão/outro”.
Já a Ciência pode responder às perguntas “Porquê existe/existimos”. Eu posso argumentar que a resposta (ainda e talvez sempre por confirmar a 100%) seria “somos um resultado improvável do Universo mas que acontece dado o tamanho e tempo de vida do mesmo”. Não dá resposta a um propósito, mas o propósito não é necessariamente uma pergunta que faça sentido. É como perguntar numa aula de matemática porque razão se pintou a parede de azul. Pode-se sair com a resposta, mas nada terá a ver com a matemática.
Essencialmente gosto de relembrar que a ciência moderna é consequência de uma evolução contínua que nasceu, antes de mais, da crença e da religião. O meu doutoramento é classificado como “Grau em Filosofia” em inglês e gosto dessa designação, pois olha para a Filosofia como um campo muito mais extenso do que simples elaborações sobre natureza humana ou razão.
No fundo, razão ou crença, tudo são métodos artificiais criados pela mente humana para interpretar o que nos rodeia. Não existem como absolutos: animais não os partilharão e, se um dia descobrirmos uma civilização extraterrestre, nada nos garante que partilhem destas noções (como não partilharemos de muitas das deles).
Até lá: não separo Razão e Crença. Prefiro que andem de mãos dadas. Seja por ateus, seja por crentes.
Olá João,
Se empiricamente não é possível provar a existência de Deus, só indo além da razão torna possível acreditar n’Ele.
Um ateu pode agarrar-se com unhas e dentes ao método cientifico e desafiar um crente a provar que Deus existe, embora também não consiga (nem lhe faça sentido) provar que Ele não existe.
Se a fé pode ajudar a explicar os fenómenos que ciência não consegue, então poderíamos dizer que à medida que a ciência vai dando mais respostas um crente necessita de menos fé? Claro que não estamos a fazer aritmética de áreas e perímetros, mas será a dimensão da fé necessária a um crente cientificamente instruído menor do que a um inculto? Ou é exactamente o contrário?
Nestas coisas é mais fácil e natural fazer perguntas do que afirmações.
Bento XVI escreveu que “Verbum” (Latim) é a tradução de “Logos” (Grego antigo). E que “Logos” tinha dois sentidos, dois significados principais — Palavra e Razão. Estas raízes originaram vários e coloridos matizes que se entrelaçam. “Palavra” vem de “Verbum”.
E eu não sinto que haja um Deus–Palavra.
Sinto, antes, haver um Deus–Razão.
Sinto que foi a Razão que criou tudo. Deus pensou tudo.
Em tudo, Deus usou a Razão.
A sua afirmação faz de Deus maior que a Razão, se não o fosse não a usaria como uma ferramenta.
Obrigado pelo comentário.