Do meu baú (1)


Pedro Correia,

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Se há manchetes que me fazem sorrir é esta. «Túnel debaxo do Tejo entre Beato e Montijo», titulava o Diário de Notícias a 2 de Agosto de 2007. Prevendo já a chamada “terceira travessia” em Lisboa do maior rio português, com base no estudo de avaliação do empreendimento encomendado pela Confederação da Indústria Portuguesa. Segundo esta notícia – publicada vai fazer 13 anos – a travessia, «através de túnel ou ponte», iria situar-se no eixo Beato/Montijo, «em alternativa à [suposta] travessia entre Chelas e Barreiro, permitindo oferecer melhores acessos, sobretudo ferroviários, a um futuro aeroporto naquele local». O estudo resultou da encomenda a um «consultor internacional» cuja entidade não era revelada. 

O primeiro-ministro, à época, era José Sócrates. Que também figurava nesta capa do jornal, em notícia com menor destaque, sob o título «Curso de Sócrates livre de ilegalidades»: a Procuradoria-Geral da República acabara de arquivar um inquérito à licenciatura do chefe do Governo, concluindo que «não houve tratamento de favor». 

22 comentários em “Do meu baú (1)”

  1. João Cravinho, presidente da comissão parlamentar dos Assuntos Económicos e deputado socialista, foi hoje à Assembleia da República antecipar a divulgação das conclusões de um estudo sobre as SCUT (sem cobrança ao utente) que vem revolucionar todos os anteriores cenários, ao alegadamente demonstrar que as auto-estradas de portagens virtuais não só se pagam a si próprias, como geram excedente em termos de comparação entre as receitas e despesas geradas para o Orçamento do Estado.

  2. Consultores pagos em peso de ouro, para as coisas ficarem na gaveta das inutilidades.
    E assim lá vai desaparecendo o dinheiro dos Portugueses e enchendo os bolsos de uns quantos crápulas.

    Miguel Nunes

  3. Uma solução que descansava Almeida Santos: nunca ocorreria a um terrorista dinamitar um túnel.

    Valor histórico tem igualmente o discreto quadradinho que, ao lado da manchete garrafal, reporta (celebra?) que a “licenciatura” de Sócrates nada tinha de ilegal – conclusão da Ocultadoria Ger… perdão, da Procuradoria Geral da República.

    (Não era João Marcelino, naquela época director do DN, um dos poucos jornalistas elogiados por Sócrates?)

  4. Só um pequeno acerto, o Tejo não é o maior rio português, nem em área de bacia, nem em comprimento, nem em escoamento…o maior ainda é o Douro.

    1. O maior – no sentido de mais extenso – é o Tejo. Aliás, é o único rio da Península Ibérica com mais de mil quilómetros de extensão, estendendo-se de Aragão ao Atlântico, a oeste de Lisboa.
      O Douro é apenas o terceiro, ficando também atrás do Ebro.

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