
Se há manchetes que me fazem sorrir é esta. «Túnel debaxo do Tejo entre Beato e Montijo», titulava o Diário de Notícias a 2 de Agosto de 2007. Prevendo já a chamada “terceira travessia” em Lisboa do maior rio português, com base no estudo de avaliação do empreendimento encomendado pela Confederação da Indústria Portuguesa. Segundo esta notícia – publicada vai fazer 13 anos – a travessia, «através de túnel ou ponte», iria situar-se no eixo Beato/Montijo, «em alternativa à [suposta] travessia entre Chelas e Barreiro, permitindo oferecer melhores acessos, sobretudo ferroviários, a um futuro aeroporto naquele local». O estudo resultou da encomenda a um «consultor internacional» cuja entidade não era revelada.
O primeiro-ministro, à época, era José Sócrates. Que também figurava nesta capa do jornal, em notícia com menor destaque, sob o título «Curso de Sócrates livre de ilegalidades»: a Procuradoria-Geral da República acabara de arquivar um inquérito à licenciatura do chefe do Governo, concluindo que «não houve tratamento de favor».

que coisa! …
Apetecia-me escrever que o túnel ficou a ver navios. Mas neste contexto a metáfora não funciona.
Muito bom, Pedro
Ainda fui ver a data, não fosse o jornal ser do primeiro de Abril ou de 24 de Dezembro.
O nosso Lincoln Tunnel e o curso de Sócrates! Duas fantasias de Natal bem à nossa moda.
Anos que começam a ficar distantes. Até por isso, convém avivar memórias.
Britânicos e franceses têm a Mancha, para os bravos lusitanos estava reservada a Nódoa.
Parece-me um nome apropriado a este mega-empreendimento fantasma.
João Cravinho, presidente da comissão parlamentar dos Assuntos Económicos e deputado socialista, foi hoje à Assembleia da República antecipar a divulgação das conclusões de um estudo sobre as SCUT (sem cobrança ao utente) que vem revolucionar todos os anteriores cenários, ao alegadamente demonstrar que as auto-estradas de portagens virtuais não só se pagam a si próprias, como geram excedente em termos de comparação entre as receitas e despesas geradas para o Orçamento do Estado.
Foi hoje, domingo?
Mas da Ordem dos Engenheiros não tinham dito que não tinham lá nenhum Pinto de Sousa?
Devem ter vários Pintos. E também não devem faltar Sousas por lá.
Consultores pagos em peso de ouro, para as coisas ficarem na gaveta das inutilidades.
E assim lá vai desaparecendo o dinheiro dos Portugueses e enchendo os bolsos de uns quantos crápulas.
Miguel Nunes
Tem razão, afinal a CIP faz parte do para onde vai o nosso dinheirinho.
PS-CIP-PS
Uma solução que descansava Almeida Santos: nunca ocorreria a um terrorista dinamitar um túnel.
Valor histórico tem igualmente o discreto quadradinho que, ao lado da manchete garrafal, reporta (celebra?) que a “licenciatura” de Sócrates nada tinha de ilegal – conclusão da Ocultadoria Ger… perdão, da Procuradoria Geral da República.
(Não era João Marcelino, naquela época director do DN, um dos poucos jornalistas elogiados por Sócrates?)
Nessa época o procurador-geral recebeu o justo cognome de arquivador-geral da república.
O inefável Pinto Monteiro.
Tenho saudades d’O Insólito
Só um pequeno acerto, o Tejo não é o maior rio português, nem em área de bacia, nem em comprimento, nem em escoamento…o maior ainda é o Douro.
O maior – no sentido de mais extenso – é o Tejo. Aliás, é o único rio da Península Ibérica com mais de mil quilómetros de extensão, estendendo-se de Aragão ao Atlântico, a oeste de Lisboa.
O Douro é apenas o terceiro, ficando também atrás do Ebro.
Tem razão quanto ao comprimento. Quanto ao resto ainda não.
Nem petróleo, quanto mais túnel.