
As alas mais radicais do movimento feminista vêm somando conquistas. Talvez a maior seja esta aliança (a que preço?) com as indústrias, automóvel e informática: a disseminação dos GPS automóveis é uma insidiosa manobra global de emasculação, devastando habilidades milenares e assim minando primazias ordenadoras.
Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

A voz de navegação feminina: eis a insídia.
Se fosse só a aprazível voz
O pressuposto de um ser feminino com sentido de orientação é tão absurdo como a existência de virgens no parlamento português.
Nada sei sobre o parlamento português
Pérfidas que somos, não nos bastou tomar de assalto os privilégios, como ainda instigámos e instigamos formas de o fazer de saltos altos enquanto pintamos os lábios – ou julga que os veículos autónomos surgiram por outro motivo?
E acrescento: se a Apple comprar a Tesla, consumar-se-à a nossa hegemonia, ou já esqueceu que Adão trincou a maçã mas foi Eva quem a segurou?
Não era uma serpente? Ou é sinónimo?
A serpente sssssussssssurrou a Eva que desse a maçã ao Adão.
Embora o Mark Twain nada diga sobre o assunto e eu prefira de longe os seus “Diários de Adão e Eva”.
Sim, o Mark que agora é marcado pela “insensibilidade” com os afro-americanos, esse mesmo.
O Mark Twain? Basta lê-lo, um racista do piorio, não só punha os negros a falar mal como até usava a palavra “n”. Um escorbuto ético, deve ser retirado das leituras. Se calhar ainda está no plano nacional de leitura do ministério de educação branco português
Não usava GPS o Twain, Uma bússula, quanto muito
Acho que era gajo para se deixar ir à bolina, que aquilo para os lados do Luís&Ana, quando chovia, só de barco…
Concordo, jpt, há que deixar de ler Twain!
Eu agora só leio S.L. Clemens, por causa das tosses que o escorbuto não chateia.
E há que o tirar urgentemente das prateleiras !
Cá em casa está em vários, é tirado aos pedacinhos.
Eu aqui em Bruxelas estou também muito empenhado em expurgar o Tintin das estantes alheias
Pois eu já tive chatices com o Astérix, jpt, caramba, que coisa é aquela, ser sempre o mesmo pirata o último a mu’iar os pés?!
Cumprimentos ao Milu, que por estes dias deve andar em terapia, confundido entre o nome e o alçar da pata…
Sim, muito bem lembrado, a parelha racista Goscinny (o verdadeiro responsável)/Uderzo (perverso cúmplice e continuador) tem que ser revogada, ainda para mais com tanta eficiência junto das crianças (e graúdos) destes tempos pós-coloniais. E sejamos francos, a sua reprodução de estereótipos sobre os papéis de género é escandalosa, as mulheres encerradas na má-língua e na malícia próprias à inferioridade doméstica, na visão machista dos autores. Um escândalo.
Quanto ao Milu espero indicações do PAN para atacar as formas de exploração simbólica e os maus-tratos animais provocados pela leitura daquelas “obras”, com aspas para significar a hedionda característica de tudo aquilo.
E entretanto, Lucky Luke vai pastando Jolly Jumper em meio à misoginia implícita e ao antropocentrismo explícito na subjugação de Jolly e na liberdade de Rantaplan?! E apelar a quem, tal a complexidade e a abundância dos ataques a tantas minorias, incluindo ao bem estar dos reclusos?!
Por isso é que só leio elevadíssimos clássicos da literatura inclusiva
https://goo.gl/images/VjveWL
(aconselho investigação, caso desconheça…)
obrigado pela dica, desconhecia
Por falar em dica, queria fazer um postal sobre o discurso de Mekwege mas usando a tradução… e kaput, desapareceu… 🙁
As simpáticas comentadoras brincam mas a coisa é séria. O papel de condutor, e assim orientador, familiar e respectivas pesadas responsabilidades, atribuído ao marido/pai desvanece-se, pondo em causa o seu papel social e até o respeito filial (quanto ao conjugal jã nem refiro), necessário à boa socialização.
Fraco papel esse que assenta no domínio do telecomando ou do volante – das rédeas. 🙂
Que o tenham assumido por séculos, compreende-se e não adianta discutir o passado; mas no presente e no futuro tal discussão nem deveria ser considerada, pois para manterem tal papel teriam que retomar o papel de provedores, às mulheres a casa e as crias.
Fingir séria preocupação com tal facto é delicada tarefa, e antevê-se o rumo que levará lá pelo final do dia… boa sorte 😉
Mas aproveito o assunto sério para lançar outro: quando discutiremos nós nesta sociedade evoluída alternativas ao binómio filhos-independência e realização profssional? Quando assumiremos que a maternidade não é apenas uma questão de opção pessoal mas de sobrevivência social, e que sem isto assente todas as discussões, do cor de rosa dos livros ao gps dos carros, não passam de subtítulos? Fica a sugestão.
Há sempre o exemplo da República de Platão.
Ou um admirável mundo novo, potenciado pela informática, que é a proposta aqui apresentada, a desnaturação da sociedade Enfim, distopias anunciadas
A agricultura acabou com o homem colector. Suponho que os sociólogos e antropólogos dessa época tenham visto com apreensão a eliminação do papel do homem como farejador e por isso orientador da família, as mulheres defendendo as crias e as parcas colheitas armazenadas.
Felizmente os papéis são plásticos.
Sarin, mesmo nas sociedade coletoras eram as mulheres que faziam a maioria do trabalho. Os homens passavam o tempo a falar da caça de há um mês.
Boatos, meu caro; as mulheres inventaram a agricultura para que os homens não se perdessem pelo caminho, já nessa altura se sabia que os homens não tinham sentido de orientação mas detestavam perguntar o caminho…
que amálgama de mitos, da invenção da agricultura, da inexistência de sentido de orientação, da incapacidade dialogante inquiridora Meros preconceitos, mesmo que se jocosos
Sem dúvida, jpt, meros preconceitos; começamos a chegar ao cerne dos comentários que vão caindo.
Esta na era de abandonarmos esses plásticos
Está mesmo na hora de abandonarmos os plásticos e reavaliarmos os papéis.
reavaliar não é deitar tudo fora, até porque esbanjar papéis não é correcto
Concordo, mas há histórias complicadas e histórias agora descomplicadas nos papéis; Hollywood anda ao contrário: quando o papel do homem era principal, dava óscares às melhores actrizes; agora que os papéis vão sendo co-protagonizados, pretende deixar actores e actrizes a guerrear por uma única estatueta…
Os egos atrapalham, uns e outras, mas ninguém quer ser ameba; a solução passa mesmo por não ligar ao GPS e andar à boleia.
Escusamos de recuar tão longe na memória… Lebensborn, sem a cena do olhinho azul e cabelinho louro.
Jpt e o que diremos , quando é a mulher a pôr a mão na manete?
PS: Não sei conduzir sem GPS. O meu hemisfério esquerdo subordina-se ao direito
Pois, lamento-o, Pedro Vorph. Não o conhecendo não posso especular das razões dessa sua desistência. Mas afirmo-o vítima, espoliado até.
Jpt, não é tanto desistir. É saber quando ceder. Entregar-me à volúpia do nada fazer. Nenhuma emasculação, mas sim procrastinação.
V. deixa-se alienar, a continuar assim um dia estará atapetado no redil, condenado a insana hiper-actividade. Reganhe o volante, relembre os pontos cardiais, atente nos marcos orográficos, naturais ou humanos. Resista
Estava aqui a preparar a agenda da semana e ouvi um estrondo; espreitei, não seria a primeira vez que chamava o 112 a esta até bastante calma avenida, mas nada.
Agora percebo, foi aqui o acidente: colisão e capotamento! Apre!!!
Caramba. Já agora, e mal que me pergunte, qual era o género do condutor?
Género, sei lá, despistado ou assim…
ah, julguei que havia uma correlação com o postal. Afinal estaá apenas no sub-texto
Não, foi mesmo aquele despiste em velocidade Vorph 3.
Sobre o postal deixei-lhe agora as coordenadas GPS que acho fulcrais; já lhes tinha aludido, mas não lhe pegou. Tentei outra vez, porque entendo ser a charneira do novo modelo social, ou isso ou recuarmos à medieval idade.
Somos fruto de uma evolução – termo que como é sabido, mas muito esquecido (e há quem faça por esquecer) tem sentido positivo. E agora, nesta nova revolução industrial (já nem sei qual é o número que se lhe atribui) surgem estas parafernálias artificiais que desvirtuam, e até podem apagar, o resultado desse longo processo de apuramento genético. Um homem tornado incapaz de se orientar na selva, urbana, ou na savana, auto-estrádica, de nortear o caminho da sua prole tornar-se-á num ser desprovido de finalidade, um frustrado social, um potencial sociopata. É isso que se quer? É esse o destino deste antropoceno?
Cumpre relembrar três ou quatro coisitas antes de responder:
1. A parafernália surge para facilitar, o seu uso é opcional.
2. Na evolução biológica, que tem obrigatoriamente sentido positivo, o Homem perdeu umas capacidades e ganhou outras, desde a membrana interdigital à pituitária, perdendo em sentidos o que ganhou com o polegar oponível. (O meu exemplo anterior não foi gratuito).
3. Na evolução social que obrigatoriamente acompanhou a primeira (em 2.), talvez os homens se tenham colocado as mesmíssimas questões, e no entanto eis-nos aqui a debater a matéria. Esta evolução tem também sentido positivo mas, e ao contrário da anterior que, dependente da espiral de aminoácidos a que chamamos ADN consegue evoluir rectilineamente nas coordenadas positivas, esta parece desenvolver-se antes numa espiral que se detém com frequência nas coordenadas negativas.
4. Aos nossos antepassados poderá ter pesado a pergunta, mas a evolução biológica era lenta, quase nem terão dado por ela em gerações, e a evolução social que a acompanhou (e até a determinou, a espaços) acompanhou-a realmente. Hoje, a mudança é tão célere, que nem biologia nem sociedade conseguem acompanhar o ritmo. Andamos a tentar acertar o passo desde a Revolução Agrícola, jpt, e ainda não conseguimos superar umas quantas questões como a nossa relação com o Ambiente. Temo que os homens sentirem-se diminuídos no seu papel de homem será mais por dificuldade de adaptação do que por real emasculação. Que raio, ter-se-ão os homens assim em tão pouca conta enquanto a outra metade da sociedade?
“Na evolução biológica, que tem obrigatoriamente sentido positivo”
A sério? Não sabia. Aquela coisa do clima já foi tratada? E as armas nucleares abolidas? E aquela limpeza étnica no Ruanda? E aquela de há uns anos atrás na ex-Jugoslavia?…..e o Trump? Orban? Le Pen….tudo sinais positivos…
Ando mesmo desactualizado
A Evolução está -se maribando para o sentido moral do progresso (para o sentido positivo ). Os organismos visam exclusivamente, do ponto de vista genético, deixar cópias dos seus genomas. Que tal um pouco de Richard Dawkins, Triviers, Wilson, Sapolsky…
Eu, por mim, disse que “evolução” tem sentido positivo, as pessoas tëm tendência a esquecer – agora até há evolução positiva e negativa (como crescimento negativo), julgo que coisas desses cientistas sociais, os economistas … Os simpáticos comentadores é que arrastaram a coisa para a “evolução biológica”; que sim, pode ser um oxímoro, se pensarmos em tantos concidadãos que por aí andam – não refiro fungos, estou mesmo a pensar em alguns patrícios na internet a apoiar Sócrates e sucedâneos e a gravarem o Eixo do Mal
Quem referiu a evolução biológica foi quem apontou a perda de aptidões antes inatas por adaptação ao meio – como o sentido de orientação se vai perdendo com GPS. Quem escreveu “evolução biológica” limitou-se a pegar o touro pelos espinhos, ou a rosa pelos cornos embora esta sob protesto pois assemelha-se terrivelmente a violência doméstica.
Pegar a rosa pelos cornos é um manifesto caso de evolução biológica (com sentido positivo, como é óbvio). Mas agradecia que nos comentários a postais meus evitasse formulações como “touro pelos espinhos”, veemente naturalização, e assim moralização, dos maus tratos aos animais.
Gato escaldado de água fria tem medo, jpt, doravante tentarei usar paninhos quentes e limitar-me a pegar no bicho pelo rabo – mas com tenazes almofadadas e forradas a cetim, para não magoar.
V; é um descrente cínico. Está a ver os resultados do GPS,o desnorte?
Por vezes perdes-te em divagações com o canito, e esqueces as bases das ciências naturais :/ Sobrevivência do mais apto, diz-te alguma coisa? Genes recessivos que se revelam preponderantes à sobrevivência, recordas? Loci vs recessividade, estás a acompanhar? Deixa lá os miasmas sociais, falo de biologia, – olha ali, logo no início, viste? Pois…
O mais apto de hoje pode ser o mais inadaptado de amanhã- vê o número de extinções em massa que já houve. Como se explicam, aquelas, tendo em consideração o tal sentido positivo da evolução?
Explica -me lá essa de recessividade. A Evolução faz-se por saltos genéticos via mutações ocasionais.
Já lavaste a loiça e passeaste a tua cadela?
Por isso a evolução ser em frente e contínua, independente das espécies que surgem e desaparecem. Respondeste à questão da recessividade, se te leres…
A máquina funciona, o gato está nos meus pais onde tem condições para ser felino vadio às horas que lhe apetecer embora goste que lhe faça festas enquanto se alabanza de ração dentro de casa, mesmo que traga dois ou três pintassilgos no bucho, sacana do gato, e a cadela deixei-a fugir e nunca mais a apanhei que a resistência é boa mas quem corre por gosto não cansa nem a alcança.
Há espécies que se mantêm inalteradas há milhões de anos, sem “andarem para a frente “:
https://www.smithsonianmag.com/scie nce-nature/the-top-10-greatest-survivors-o f-evolution-118143319/
E não é contínua porque existe descontinuidade na Evolução. Espécies animais sem uma cadeia de exemplares intermediários. Que surgiram do “nada”:
https://www.google.pt/amp/s/elpais.c om/diario/2001/03/14/futuro/984524401_85 0215.amp.html
Não vou continuar a explorar o tema por respeito ao autor do postal.
Mas podias explorar, para ti então, outras perspectivas na interpretação do que escrevi nos comentários, Pedro. A evolução é contínua porque a mesma espécie não aparece, desaparece e volta a surgir; e porque com todas as outras coordenadas imutáveis e reduzidas a um único ponto, a abcissa tempo continua a descrever a recta, mesmo com tangente 0. A evolução não é só mutação, é também a adaptação ao meio – recessivo vs predominância, etc. E sim, sei que há espécies cujo genótipo altera imperceptivelmente – apontei-te a lampreia, como exemplo.
As espécies que “surgem do nada” são como ratos de Leeuwenhoek? Ou os elos perdidos são, mais do que dúvidas, certezas da não existência? Sou agnóstica, Pedro, este argumento não cola 🙂
Não continuemos porque já muito, muito, mas mesmo muito fora do tema. Mas tenta usar outras perspectivas ao leres o que escrevi, pois fui linear nesta matéria.
Sentido positivo, matemática, sistema de coordenadas, qualquer que seja a ordenada a tua abcissa é o Tempo. E, a menos que consigas reverter o continuum espacio-temporal ou outra coisa do género e os hadrões que se lixem, estarás sempre no primeiro quadrante porque o tempo segue em frente enquanto nós às voltas, na Terra como na sociedade.
Não existe Seta do Tempo na Física Quântica.
Não existe certeza sobre a relatividade do tempo, e?
Vai ler o que escrevi. Fui linear. As derivações têm sido tuas, e entre ciências e teorias várias.
A parafernália imbrinca-se, perverte, apaga os traços e os valores. Não julgue que é mera opção
É opção no quintal de cada um, não globalmente, certo. Mas, ainda assim, vejamos: as senhoras não trabalhavam, geriam a casa e geriam as amas que cuidavam dos filhos, as mulheres lidavam nos campos e nas casas, pariam e iam à jorna, os filhos na soleira a crescer como podiam; as mulheres começaram a sair de casa para gangar o seu, para estudar, para respirar, até, e veio o ai, jesus quem cuida das crianças. Caramba, jpt, se isto não é capcudade de adaptação da espécie…
pode ser que a espécie se venha a adaptar mas nestas últimas gerações essa deriva tem promovido o desnorte, a falência dos valores, alguma anarquia social. O sofrimento
Talvez haja alguma anarquia social adicional daí resultante, mas o sofrimento não lhe será nem exclusivo nem nisso terá raiz.
Mas repare na hipocrisia da moralização, séculos os putos às moscas, aliás, quais putos!, adultos pequenitos, e quando elas saem de casa é que surge o discurso da deriva dos infantes? E chateia que a maioria coma tal discurso com batatinhas. Porra, a história foi escrita por homens e ainda assim se percebe como era, será que a sociedade surgiu no pós primeira revolução industrial?!
Mas que o aparelhito pode dar jeito, é verdade.
Como terá reparado, os “pontos a esclarecer antes de responder” eram a resposta 🙂
O mais apto é aquele que mais facilmente se adapta à mudança. A evolução é destituída de valor moral. Aliás ela é destituída de qualquer valor. É tudo uma questão de Acaso e Necessidade
Mas tu é que traçaste uma qualquer relação entre a moral e a biologia, não eu. No me, sire, no me for sure.
Um homem que não sabe mudar uma lâmpada é um maricas.
Não é correcto dizer isso. Tal como o comentador Lavoura (em comentário abaixo) V. labora em erro. Dizia ele, talvez jocosamente, ques as mulheres não sabem estacionar os carros. E V. considera que iluminar (literalmente falando, não estou a falar de ciëncia e filosofia, tarefas masculinas, por excelência, ao longo da história) é tarefa masculina ou, literalmente se seguindo-o, máscula. Acontece que ambas são tarefas também propícias à feminilidade – estacionar o meio de transporte, iluminar a casa, são tarefas da domesticidade. Centenas, mesmo milhares de gerações moldaram as mulheres (quiçá geneticamente, decerto que culturalmente) a conseguir cumprir essas pequenas e pacatas tarefas do quotidiano. Claro que os homens também as fizeram, o trabalho doméstico não era um fábrica fordiana, mas ambos os sexos (agora ditos géneros) evoluiram capazes de coordenação motora suficiente para esses trabalhos e as mulheres, no recato da vizinhança da prole, tinham essas obrigações
Vê os fungos! Os protozoários! Iguaizinhos aos seus congêneres de há milhares de anos. A Evolução no sentido do Progresso não é uma necessidade biológica
Mas tu é que viste Progresso!
Eu até fiz o desenho da recta e da espiral social… porque os saltos genéticos, como bem sabes, mesmo que de genes recessivos podem resultar em aptidões adequadas ao meio em que se inserem – meio que resulta também do tipo de sociedade. Causa e efeito, os primeiros gajos a perderem o pêlo foram os primeiros a arranjar peles para se cobrirem, e ao fazerem-no impuseram-se aos demais como guerreiros e de alfas passaram a chefes. Ou chefas, vá-se lá saber que aqui ao Menino do Lapedo ninguém sabe se chefe ou serviçal.
Vejo os fungos… iguaizinhos? Alguns, sim, mas apenas alguns. Como os agnatha, dos mais conhecidos a lampreia… que é peixe e por isso animal como o homem e se mantém como há milhares de anos, veremos por quanto tempo mais… Larga o antropocentrismo, Pedro! As espécies, micro ou macro, evoluiram em todos os reinos, bolas, tens esporos de fungos fossilizados que o demonstram! E que me dizes das várias estipes de vírus que vão surgindo? São capazes de negar essa coisa de os protozoários se manterem inalterados há milhões de anos, ARN puro que são 🙂
Não sei se compreendi bem o sentido dos comentários.
Mas compreendi, julgo que muito bem, o texto comentado.
E não auguro um futuro muito risonho para as mulheres.
No passado, a grande conquista das mulheres foi a escola que temos tido.
Escola que, como método teve o empinanço acrítico de sebentas ditadas e, como objetivo, o fornecimento de funcionários públicos e quejandos.
Assentou-lhes como uma luva: por razões históricas – a capacidade de engolir e calar que lhes foi imposta ao longo dos tempos; por razões biológicas – a maturidade precoce relativamente aos rapazes.
Não admira, pois, que, paulatinamente, se tenham apoderado das universidades e do funcionalismo.
Esta foi a grande conquista social das mulheres. Não foi o simples facto de saírem de casa e trabalhar fora. Não me parece que as operárias do têxtil e do calçado tenham conseguido o mesmo.
Não, não me batam já. Eu folgo com tal conquista. Não avalio coisa nenhuma pelo género (a não ser o que me é imposto pela minha orientação sexual), mas pelo mérito.
Lamento, isso sim, o prejuízo dos rapazes.
Disparate?!
Ora vejamos: se não considerarmos que as referidas circunstâncias beneficiaram as meninas, então teremos de concluir que os meninos são inferiores, o que eu recuso liminarmente, como recuso exatamente o contrário.
Considerei todo este enquadramento conveniente à questão fulcral que coloco relativa ao futuro:
A certa altura, as meninas representavam cerca de 70% na generalidade dos cursos universitários.
– Que percentagem representam entre os criadores de hardware e software das novas tecnologias? (E, já agora, entre os piratas informáticos?)
João de Brito
Excelente comentário. Concordo.
Pensava que a maturidade biológica se media pela crítica daquilo que passa como verdade e não pela aceitação acrítica.
Fazer investigação científica ,na Universidade, é pôr em causa a verdade ensinada. É desmontar o cânone.
https://rfm.sapo.pt/content/4423/e-o-pa is-que-tem-mais-mulheres-na-ciencia-e-po rtugal
As mulheres não são melhores nem piores. Com o tempo verá que essa discrepância diminuirá, pois são cada vez mais as mulheres a adotarem comportamentos sociais tidos como masculinos. A “natureza” social do “papel feminino” é sobretudo cultural.
“As mulheres não são melhores nem piores.”
Falso. As mulheres são piores e melhores em actividades diversas.
Como qualquer ser ou humano a diferença implica para a palavra poder ser usada ser…diferente.
E ser diferente implica aptidões diferentes. O que depois também implica preponderância de interesses diferentes.
The idea that both genders have equal math abilities is widely accepted among social scientists, Hyde adds, but word has been slow to reach teachers and parents, who can play a negative role by guiding girls away from math-heavy sciences and engineering. “One reason I am still spending time on this is because parents and teachers continue to hold stereotypes that boys are better in math, and that can have a tremendous impact on individual girls who are told to stay away from engineering or the physical sciences because ‘Girls can’t do the math.’”
Scientists now know that stereotypes affect performance, Hyde adds. “There is lots of evidence that what we call ‘stereotype threat’ can hold women back in math. If, before a test, you imply that the women should expect to do a little worse than the men, that hurts performance. It’s a self-fulfilling prophecy.
https://news.wisc.edu/large-study-s hows-females-are-equal-to-males-in-math-s kills/
Lamento mas sou mais da escola de Jekyll
Ou seja Pedro Vorph está negar que as mulheres e homens são diferentes? É o que a acontece quando a política/religião destrói a ciência…
Lógica, sabe usar?
… eas/articles/2008/05/18/the_freedom_to_s ay_no/
http://archive.boston.com/bostonglobe/id
Ira oprimir?
Se uma rapariga hoje quiser bonecas e vestir cor de rosa o que é que lhe acontece senão o ridículo e opressão vindo dos/as Marxistas de género?
Expectativas, expectativas…uma rapariga hoje tem de provar que é igual ao homem nos domínios onde o homem domina mesmo que tenha menos apetência para tal.
Será que isto não é também um tipo de assédio…
Leia o artigo que me enviou:
The researchers are not suggesting that sexism and cultural pressures on women don’t play a role, and they don’t yet know why women choose the way they do. One forthcoming paper in the Harvard Business Review, for instance, found that women often leave technical jobs because of rampant sexism in the workplace.
É precisamente o que o artigo, que lhe expus, conclui
hum … a maioria da investigação é canónica. E não fui eu que o disse.
Só se for na industria das ciências sociais.
Não, o tipo que o disse e se tornou … canónico, não se estava a referir a essa manufactura
Canónigos são beldroegas, boas para salada e para sopa.
Sopa para a conversa das capacidades – o jpt sabia que ia descambar neste conjuro e esconjuro de aptidões.
Entretanto, deve haver manual na internet 🙂
O postal é apenas sobre a inata habilidade para liderar a céu aberto, sobre o resto não me pronunciei
Mas sabia-se, à légua, que qualquer conversa que aborde, mesmo que leve e jocosamente, questões, tipo, género, acabam por atrair quem se queixe da contabilidade, que nisto de perdas e ganhos conta é no curto prazo.
Chama-se malícia, jpt… e logo no dia em que faz 70 anos a Declaração que nos torna iguais para lá do, tipo, género!
Não tenho qualquer dado sobre o que pergunta. Apenas notei, aquando da recente realização de um cimeira em Lisboa (apesar de todos a nomearem em língua estrangeira) dedicada a coisas da internet, que alguns observadores a criticaram por só estarem homens caucasianos (não li qualquer comentário sobre as respectivas preferências sexuais)
Como noutros sectores, elas ficam nos ligares intermédios porque os de topo estão ocupados por homens que os cedem a outros homens.
Estou a ficar sem bateria; assim que possível ligarei os meus comentários de há uns tempos sobre aquele memorando giríssimo da google.
Entretanto, relembro que as diferenças de género implicaram que os computadores fossem coisa de meninos: em ’89 tive computador, única gaja durante anos a ter, em 91 o prof de informática discriminava-nos. Ao princípio, claro, até lhe pedirmos para não ser como a linguagem que nos ensinava…
não percebi a alusão final (que linguagem) Não creio muito nisso das empresas de topo, na inovação constante, privilegiarem os homens, mas enfim, como dizia um prestigiado político, é a “narrativa” vigente
Linguagem de programação, BASIC 🙂
Não é narrativa, infelizmente. Com paciência sentar-me-ei ao pc para localizar no meu Disqus a notícia do tal memorando. Trabalhei com várias empresas de programação. Muitas programadoras, nenhuma nas chefias porque quando grávidas podiam programar em casa mas não podiam comparecer nas reuniões. “Então e as videoconferências?” “Não é a mesma coisa, estão com a atenção dividida”. Batemos sempre na mesma tecla. A “desculpa” já não é a competência, é a disponibilidade. E a chatice é que é verdade porque, mesmo com a evolução do papel parental, é a mulher que os gera e amamenta quando pode.
Daí o meu comentário a desafiá-lo para abordar esta problemática (vê, também sei palavrões).
basic; já nem me lembrava disso (de facto só conheço o nome, nem sei de que se trata, não sei reconhecer)
Eu lembro uma pitadinha; o que lembrava melhor foi guardado numa disquete de 5’1/4…
eu ainda tenho uma gaveta com disquetes, lá em Lisboa. Dos tempos da bússola. Não sei que lhes faça
Ainda uso bússola, quando sem pontos de referência. Disquetes, deixei de usar quando surgiram as zip.
Guarde-as, jpt, os seus netos irão achar piada – 6 anos tem a minha sobrinha e ficou fascinada quando descobriu uma das de 3,5′ e os vinis…
Percebi que não quer discutir a questão laboral; não insisto, mas deixo-lhe estas ligações, se tiver paciência e disponibilidade para olhar a tal “narrativa”.
https://www.google.pt/amp/s/www.jn.pt/m undo/interior/amp/universidade-no-japao-m anipulou-exames-para-admitir-menos-mulhe res-9668424.html
https://www.google.pt/amp/s/www.nyt imes.com/2017/08/07/business/google-wome n-engineer-fired-memo.amp.html
https://motherboard.vice.com/en_us/arti cle/kzbm4a/employees-anti-diversity-mani festo-goes-internally-viral-at-google
Eu não disse que não existam situações dessas, mas em termos gerais é teoria da conspiração. Falo deste tipo de trabalhos baseados no auto-exploração hiper-intensiva e na criatividade individual. Se me vier falar em trabalhos de outra índole nem sequer duvido
Leu o memorando? E o apoio interno e abroad? Falamos deste tipo de trabalhos baseados na auto-exploração hiper-intensiva e na criatividade.
Tinha-me esquecido de uma área hiper-intensiva de criatividade…
Mas neste caso apresento apenas a caricatura feita por algumas das envolvidas no Time’s Up! 🙂
https://sarin-nemlixivianemlimonada.blo gs.sapo.pt/hurry-times-up-speechless-me-t oo-d-32239
Pior que o GPS são aquelas buzinas que avisam quando o carro está prestes a bater com a traseira noutro. Permitem que uma mulher consiga estacionar o carro – até agora algo que só um homem conseguia fazer.
A minha buzina não apita. Diz-me ” já foste”!
V; está a brincar Pedro V. mas detecto-lhe alguns problemas de condução. São reais ou apenas está a brincar. Cuidado, alguns homens com a idade vão perdendo a agilidade condutora e até a pertinência. E fica sempre mal.
Luís Lavoura, julgo que estará a brincar. Se assim for tudo bem, e espero que nenhuma leitora leve a mal (estou certo que não). Mas se for uma opinião sua, de facto, saiba que não tem sustentação empírica.
Mas os os homens e as mulheres não são seres da mesma espécie? Um não é o macho e a outra não é a fêmea? Como é possível os homens evoluírem sem as mulheres ou as mulheres sem os homens?
Não vos entendo.
É uma interacção ou uma evolução apartada por “géneros”? Eu interrogo-me pois, como através destes GPS os homens vão ficar todos (e ainda mais) desnorteados, será que as mulheres se vão hiper-nortear?
Desculpe a ignorância: os “géneros” dão filhos? A evolução não tem que passar, obrigatoriamente, pelo resultado de um encontro harmónico, digamos assim, entre um homem e uma mulher? Mesmo quando utilizada a proveta?
Ou isto tudo é areia demais para a minha camioneta?
Não sou especialista das tecnologias mas julgo que já não é preciso “encontro harmónico” entre os “géneros” – aliás, ao referir esse tipo de encontro como essencial para a reprodução V. está a esconder a violência de género, a violação estrutural de um dos géneros pelo outro ao longo das gerações. De qualquer modo, nesta era de GPS e afins a reprodução já não condena os/as indivíduo/as a tais processos.
A mim ensinaram-me que é o espermatozóide que vai à procura do óvulo e o penetra. Será aqui que começa a violência dos géneros?
Quem pergunta quer saber.
Isso era dantes, no “nosso tempo”. Agora as coisas são diferentes. E temos que saber acompanhar os tempos.
Caro Tiro, estando a conversa em tom ligeiro, permita-me apenas relembrar que a fecundação nem sempre resulta de processo harmónico. E nem estou a colocar na mesa aquela coisa aparentemente intrigante e confusa do prazer feminino, só mesmo a questão da cortesia e do “com sua licença”.
Trinta e oito comentários de Sarin…. é uma grande sarigaitada!
Boas Broas
Am
Não tive tempo para mais, uma pena; mas em sua honra deixo-lhe mais este.
(e, aqui para nós que ninguém nos ouve, continue a procurar pois encontrará postais com bem mais que 38 comentários meus. 39, digo, quero dizer, 40 com este.
E sim, respondo-lhe duas vezes pois é Natal e dizem que devemos tratar bem os outros seres, protozoários incluídos)
isso entre vocês é amor e ciúme, vê-se. E é bonito.
Eu às vezes tenho destas ternuras por coisinhas assim fofas, que isto de pensar também cansa; e digo-lhe, jpt, é refrescante encontrar uma ameba aqui e outra ali, já quase tinha saudades. E agora, quadrigésimo primeiro, certo?
eu sempre me enterneci com arisc@s (como agora se deve soletrar). Mas cada u(@) como cada qual
Isso dito assim quase parece segregação! Mas tem razão, os reinos dos seres vivos estão cheios de esquisitices inter-espécies para agora surgirem ainda esquisitices inter-reinos – e que se não leia nisto um apelo ao isolacionismo!
Vai entrar nos tops dos mais comentados, o que é batota.
Porquê? (não vai, já agora)
Batota era uma brincadeira, claro que não é batota, não é como o Sócrates a comprar o seu próprio livro. Para mim é um desapontamento ver uma caixa com mais de 100 comentários e constatar que não passa dum pingue-pongue entre duas pessoas. Não muito interessante, neste caso, ou teria mais gente. Nunca percebi porque razão, se alguém tem muito a dizer, não escreve um comentário longo em vez de 30 bochechos, isto não é o Twitter. Mas há gostos e gostos, e coisas bem piores. Publicidade, por exemplo. Há por aí blogues onde já quase não se consegue ler.
Que o António não perceba as críticas implícitas nos vários comentários, ou que não considere os comentários como um diálogo, ou que nem aprecie o modelo de conversa, ou ainda que o irrite que haja quem comigo dialoga (ainda não conseguiu ultrapassar?) eu até percebo, e é mais uma vez a sua vontade de impôr regras aos outros que lhe norteia as palavras.
Mas achar que quem comenta “30 bochechos” o faz porque tem muito para dizer e não o consegue fazer num comentário longo é hilariante
Perceba, por favor, que tem todo o direito de se sentir desconfortável e de manifestar o seu desconforto. Mas não tem, conforme lhe disse uma vez e de forma muito clara, o direito de atentar contra a liberdade dos outros comentadores, como faz ao implicitamente desvalorizar os comentários de terceiros, no caso, desta que “ousou” responder-lhe à letra tempos atrás.
Mas pode sempre ditar as regras no seu próprio blogue e nos seus próprios postais – porque, e veja como são as coisas, nunca percebi porque razão, se alguém tem muito a dizer, não cria um blogue. Isto das percepções é tramado.
De facto, criticar o bate-boca, dialogante, crítico ou risonho, numa caixa de comentários de um blog, é algo que me parece descabido. Sim, cada cabeça sua sentença, mas a pertinência não deixa de ser convocável
Sempre convocável, e no dia em que os meus comentários forem apenas um desarrazoado de palavras que tentam passar por engraçadas será o dia em que deixarei de escrever em blogues terceiros. Tanto pior se quem enfadadamente os lê ou apenas os conta lhes não percebe o cerne.
Os únicos a quem reconheço o direito de derivação, [que normalmente evito noutros postais mas este, como disse antes, era mesmo uma porta aberta ao preconceito] e cujas derivações eventualmente acompanho, são os autores dos postais.
Já a crítica é salutar, mas porque crítica devia ter, pelo menos, a coragem da frontalidade. Referirem-se os comentadores depreciativamente a terceiros sem os interpelarem directamente não é apenas uma questão de “cada cabeça sua sentença”, jpt 🙂
Estou a apresentar as minhas preferências. E porque não? Não espero que o mundo me faça as vontades, mas tenho-as. Não devia?
Isto não tem nada a ver consigo. Tem a ver com 40 comentários da mesma pessoa. Qualquer pessoa. Poupe-me às lições.
Poupo-o, sim, não tenho paciência para ensinar e muito menos tenho vontade de estragar um postal onde a conversa tem sido tão agradável.
Mas qualquer pessoa tem direito a 1 ou 40, 50, 60 comentários, e o António continua a não ter o direito de lhes questionar a proficuidade. Até porque lhe escapou a questão de os comentários surgirem em diálogo.
Recorde como isto começou.
Um anónimo comentou sobre os seus 38 comentários.
Não eu.
Eu respondi a esse anónimo – não a si.
E ao jpt. Não a si.
Você não perdeu uma oportunidade de se intrometer. Porquê? Não era nada consigo, Sarin, Zyklon B, ou outra coisa venenosa qualquer, o que me chamou a atenção foi o número de comentários e a sequência. Porque não vai sarinar quem os contou? Não fui eu.
Eu já nem recordo qual foi o nosso desentendimento anterior, mas recordo que fiquei sem qualquer interesse em interagir consigo. Não gosto das suas opiniões, não gosto do modo empinocado como escreve, e ainda gosto menos dessa sua mania de querer mandar onde quer que esteja. E sabe que mais? Tenho todo o direito de não gostar. Já percebi que isso a incomoda, mas a vida é mesmo assim, habitue-se. Eu não gosto de si, você não gosta de mim, temos bom remédio, que é passar ao lado, mas pelos vistos você não consegue. Melga.
Obrigada por se dedicar a expor mais um pouco das suas mágoas e da forma como lida bem com as críticas.
Efectivamente não contou os comentários, apenas teve a, chamemos-lhe por simpatia, fraqueza de opinar negativamente sem se dirigir à pessoa em questão.
Como disse, não quero estragar um postal tão agradável. Mas repito-lhe, não é o senhor quem decide o que eu comento ou não. Uma pena para si, eu sei, mas é a democracia. Bem-vindo.
respondo-vos em comentário autónomo
Por mim, jpt, a conversa morreu. Nem paciência nem disposição para diálogos destes.
De qualquer forma respondi. Em três comentários; seguidos e numerados, o que poderá ser motivo de mais críticas
Acabei de ler. E de comentar (!)
Ó senhora centro do universo, o que comentei aplica-se igualmente ao jpt. Por alguma razão a resposta dele não foi a sua, você é que se sentiu. E agora estou a ver que chamou protozoário e ameba ao anónimo que contou os comentários, e não acho que ele tenha sido indelicado. Você foi.
Ok, demorou mas respondi-lhe, em 3 comentários, imagine
Merda!
respondo-vos em comentário autónomo
1) Blogo há quinze anos (desde Dezembro de 2003, depois do O Meu Pipi, o Aviz e o Abrupto terem disseminado a mania). Durante muitos anos diariamente. E durante muitos anos em registo diarístico, não intimista mas numa “onda” tipo “o que é que se está a passar”. E com alguns textos mais compostos, alguns registos de viagem em Moçambique e os textos que escrevia para um jornal lá, que depois colocava no blog – nisto fazendo deste uma coisa diversificada em termos de registo. Cheio de patetices, de inutilidades (isto na arrogância de considerar que nem tudo o que bota, ou que se bota, é inútil), de vacuidades (idem). Ou seja, postais “sérios”, “arranjadinhos” ou “políticos”, mas também notas sobre uma boa compota descoberta algures, uma alfaia inventiva, um grupo de dança rural, fotos do zambeze ou outro lado, notas sobre filmes ou livros ou discos moçambicanos, sem pretensão de fazer recensões. Em suma, o blog como uma coisa heterogénea, onde tudo cabe. Pois, e sempre o disse, o bloguismo é algo irresponsável, não é trabalho, e defini-o um dia como “radioamadorismo”, um tipo no sótão a falar com o mundo (a julgar que fala?) e a receber alguns ecos.
Lembro que nos primeiros anos, quando se falava numa “blogosfera” – que até talvez tenha existido, com seminários, cursos e jantares, via eu de longe – o bloguismo em Portugal tinha muitos conflitos, políticos muitas vezes (Em Moçambique era bastante diferente, muito politizado mas com outros modos, e com uma profunda transformação do acesso à palavra pública, e até de modos de expressão, de retórica, modernizando-a, algo associado à relativa democratização do país, ao efectivo multipartidarismo urbano, a uma grande revolução geracional pois demográfica, e também à disseminação do ensino universitário, alargando o à vontade letrado. Algo que muito acompanhei, tendo organizado dois sistemas de actualização dos blogs em Moçambique, o ma-blog e o “blogs em moçambique”, com a colaboração do Paulo Querido, que teve a plataforma weblog.com.pt e o Vitor Coelho da Silva).
Nessa algo exagerada conflitualidade blogolusa (que me parecia exagerada muito pela efectiva paz social em que o país vivia, principalmente antes da crise financeira, mas mesmo com esta, e que se me sublinhava por viver num país com enormíssimos conflitos) também entrei (ou “fui entrado”). Por exemplo, lembro que – para meu radical espanto – uma ong do BE me indexou na lista dos homofóbicos portugueses. Ou que um jornalista do DN, integrado naqueles blogs populares do BE de então, listou-me nos tipos de direita ao lado de blogs fascistas e nazis. Ou que um bloguista PS, de retórica inflamada e mui republicana, muito “Manuel Alegre”, e depois muito activo nos blogs colectivos eleitorais que se organizaram naquele partido contra a direita “autoritária”, propôs que à universidade estrangeira onde eu trabalhava que me despedisse por incompetência por causa do meu bloguismo (algo que me ficou como uma grande marca da “democraticidade” desta “esquerda” tonintruante, ainda que já tanto a conhecesse na vida real). Por outro lado, por escrever em Moçambique, nos primeiros anos de bloguismo era recorrente virem chatear-me, núcleos de antigos colonos, que vim a perceber que chegavam ao bloguismo por extinção dos grupos de diálogo (chat) do yahoo, que entretanto se haviam extinguido, e que atacavam um português que lá estava a viver no “bem bom”, como se colaboracionista com os poderes ilegítimos que “tudo tinham estragado”, um comuna ou perto disso. Isso foi-se desvanecendo, mas vai persistindo, ainda a semana passada no FB uma conhecida minha portuguesa em Maputo me pontapeava de esquerdista, qual amante da Frelimo, nisso apoiada pela velha tropa ex-colona. É uma sanha diferente, com outras raízes sociológicas e históricas, mas pressupõe a mesma atitude para com os outros.
onde o toni do bloguista teclou “tonintruante” é óbvio que quis botar “tonitruante” – foi mesmo “gralha”, não um erro, que esses faço bastantes mas não este
2) Isto eram coisas absolutamente tétricas que me mostravam, surpreendendo-me pois emigrado há já bastantes anos, o fedor lisboeta que grassara na minha ausência. Ou se calhar já aí estava mas eu não sentia, distraído noutras coisas. Eu asneirei também, e lembro com tristeza ter destratado um blog simpático e culto, o Tugir, coisas de blogar sem rede numa madrugada de sábado – assumidamente, com uísque a mais. Mas havia debates, entre blogs (os célebres linques), nisso porrada, e nos próprios blogs, nos comentários, e até dentro dos blogs: eu lembro-me de um blog colectivo, mas já não me lembro de qual, que acabou literalmente à porrada entre os vários participantes. No meu primeiro blog, que se tornara colectivo, houve zanga grossa, com ruptura de relações: o blog era sobre Moçambique, escrito por seis pessoas minhas amigas que lá tinham vivido. O nosso “estatuto editorial” explicitava que falaríamos com imensa parcimónia sobre a política do país – um dos participantes, vivendo em Portugal quanto eu era o único residente em Moçambique, publicou a sua tradução dos textos da wikileaks onde se dizia que os presidentes da república moçambicana traficavam heroína (tradução que foi publicada no jornal Savana, o “Expresso” local, identificada como traduzida pelo blog, lá conhecido por ser o meu blog). Acontece que gente que eu conhecia, inclusive meus colegas de trabalho haviam sido mortos ou vieram a ser assassinados ou espancados até por coisas menores.
Lembro isso, muito desagradável, mas para ilustrar o grau de conflitualidade, geral e até pessoal, que o bloguismo conteve. E que julgo hoje muito desaparecido, já não há interacção como houve, os célebres “linques” inexistem, os bloguistas politizados transferiram-se para o twitter e depois para o fB, os leitores diminuiram, os comentários também se reduziram.
Entretanto fechámos o velho blog, que era relativamente lido. E passei a ter um blog pessoal, muito menos lido e praticamente sem comentários. Os quais, como foi comum, passaram para o FB, onde ecoo os textos de blog, que continuaram a ser heterogéneos, diversas coisas, ainda que menos, pois tanto a idade como o facto de viver em Portugal me reduziram os assuntos interessantes, a minha curiosidade, o espanto e, até, a alegria. Mas ainda assim durante anos geravam algum debate, por vezes abrasivo (principalmente se falando da perfídia socratista ou, ainda de vez em quando, se aparecia algum velho colono – a tipologia da reacção básica é sempre igual: se se critica o socratismo é-se um reaccionário imundo; se se demonstra algum prazer na vivência em Moçambique é-se um comunista frelimista por não refutar a ilegitimidade das independências e as maravilhas do lusotropicalismo? (ainda há semanas aqui no DO um comentador me explicava doutoralmente que a Frelimo é comunista. O que é um tipo pode responder a quem não viu, ou não quis a História a correr? Seja como o específico comunismo frelimista se desvaneceu há décadas, seja como o nepotismo socialista luso se transformou numa efectiva cleptocracia?). Mas mesmo esses debates FB foram desaparecendo, pelo menos no que me toca.
3) Excessivo preämbulo, autobiografia blogal, para chegar à crítica do anónimo a estes comentários. Reentrar no DO trouxe-me para um blog que ainda é muito lido e comentado. Mas comentários sem o debate político que existiu no bloguismo. É muito mais atitudinal, há imenso finca-pé. E isso esmorece a vontade de debate.
Dou um exemplo recente, o Pedro Correia saudou o aniversário de MRS, eu comentei elogiosamente o PR apesar de ele ser alheio à laicidade. Logo um comentador, muito assertivo, a clamar que o povo português é crente. Ou seja, não conhece o conceito político de laicidade, o que substantiva, ao que se pode contrapor, etc. Noutro contexto de interacções poderia ser motivo para diálogo, entre posições que defendem o secularismo e as da laicidade, entre o modelo histórico anglo-saxónico e o francês, para simplificar, entre a coalizão esquerda-direita comunitarista do secularismo multicultural (e do politicamente correcto, já agora) e o republicanismo individualista. Questão interessante, para mim crucial e que ultrapassa as crenças religiosas, é o actual ämago do debate de organização social europeia. Mas assim, num ambiente de interacção deste tipo?
Blogo no És a Nossa Fé, e dado o conflito no Sporting ali se percebeu quão abrasivos podem ser os comentadores do futebol. Mas ali é a paixão clubista, e também mostra que a discussão, pelas formas da escrita (sintaxe, léxico e ortografia), inclui gente sem experiência da expressão escrita. Agora no DO é diferente, os comentadores, habituais ou ocasionais, vêm de outro contexto de escrita. É isso que surpreendente, neste meio encontrar este registo comentador – que não é o debate conversacional, mas o do finca-pé, o registo atitudinal. E no qual encontro, não a velha sanha da era geológica bloguística, mas azedume. É muito menos malévolo, mas é muito mais entristecedor.
O anónimo critica-me e a uma comentadora (e por arrasto a outros) o estar(mos) em diálogo nos comentários, e alguém conta o número deles feitos por uma pessoa, como se isso seja negativo. Qual é o problema? O bloguismo é uma coisa gratuita (não apenas grátis, é gratuita). Como disse acima, em memorialismo, serve para se falar … do que apetece, heterogéneo. Eu faço um postal a gozar com o facto de ter vindo viver para uma cidade quase desconhecida, ter um carro com GPS e ao fim de uns meses ainda não me orientar condignamente – ainda para mais sempre tendo tido um bom sentido de orientação, urbano e rural. Brinco associando isso às tão prementes questões do género – se tive piada ou não, isso é outra coisa, que nunca tive grande capacidade para fazer humor escrito. Mas apeteceu-me. Isso desperta um conversa, uma desgarrada se se quiser. Um tipo com o teclado nos joelhos a ver o Sporting-Aves ou a BBC news, distraído, ou coisa assim. Ou com o telefone no café, onde conhece ninguém e onde està barulho demais para ler o livro de bolso que carregou.
Qual é o problema disto? Não afronta nenhuma ética, nenhuma elegância, nem um qualquer Meta-Bloguismo, que não existe. Vir protestar com isso? Ou é vir protestar com o o jpt, bloguista/pessoa do qual não se gosta, e então será muito mais adequado bater no que ele diz do que bater porque diz (ou porque não se gosta da comentadora, idem). Agora porque o bloguista, eu ou outro, está num bate-tecla na caixa de comentários? Ir contar o número dos comentários feitos por alguém, para depois dizer que não têm interesse? É um “bate-boca”, porra … Numa caixa de comentários de blog. Sem infâmias, sem denúncias, sem difamações. Numa caixa de comentários de um blog! Isto não é um jornal, um portal da administração pública, um site empresarial. É um blog, é (também) mesmo para isto. Gratuito, e livre.
Que me venha(m) protestar com isto, e com tal até patético detalhe da trabalheira de contar 30 e tal comentários de alguém, é mesmo sinal do tal azedume no consumo bloguístico. Se fosse só de uma pessoa, de um comentário, tudo bem, quem é que não tem algum azedume, um dia mais aziago? Mas não é, é sintomático do tal azedume que perpassa em imensos comentários. Não é debate, não é oposição, nem sequer é malevolência. É apenas isso. E é muito triste.
E estes seus comentários podiam ser um postal, jpt. Deviam ser um postal, pois antológicos.
(e esclareço eventuais distraídos, com ou sem aspas, que este “deviam” é um elogioso e enfático “podiam”, uma figura de estilo, portanto)
Obrigado pela simpatia. Mas julgo que são pessoais em demasia para um postal no Delito de Opinião. Talvez lhes dê uma forma mais apostalada e o meta no meu blog – mas há anos, já nem me lembro bem onde e quando, já botei neste registo autobiografia blogal
Não se trata de simpatia, jpt, a sua convocação das memórias do seu percurso bloguístico ilustra também a história desta forma de comunicação.
Não se encontra muito por aí – e contribui para colmatar um pouco aquela questão sobre a arqueologia e a conservação dos registos.
Portanto, antológico, sim.
E o registo é distinto do seu normal por aqui, mas continua a ser seu. Intimista – mas não o é também o da Ministra da Saúde? Se para o DO ou para OF, não sei – apenas sei que é uma pena se tais palavras se perderem em caixas de comentários, especialmente as em 1 e 2.
“O da Ministra da Saúde”, salvo seja! Referia-me ao tom do seu postal sobre a dita..
Eu também responderei com mais detalhe, mas faço-lhe notar já que a pessoa que contou os comentários não sou eu. Não esqueça esse pormenor.
Talvez não seja esta a resposta que esperava, mas o que me deixa triste é que se eu tivesse colocado um emoji a piscar o olho no final do meu comentário inicial, nada disto tinha derivado para temas que não eram do meu propósito.
Há batota em certos blogues. Há até coisas piores que batota. Esse era o meu raciocínio inicial, mas a personagem Sarin pegou noutro ponto e isso ficou esquecido.
Como sabe, decerto melhor que eu, é possível ganhar dinheiro com um blogue – a WordPress é bastante insistente em recordar isso. Há blogues tão cheios de publicidade, em cima, dos lados, e entre artigos, que custa ver o blogue em si.
Em alguns desses blogues os moderadores deixam seguir, ou fomentam activamente, comentários pouco simpáticos e discussões malcriadas. Gera receitas, mas é feio.
Em certos blogues há nítida sabotagem. Você sabe como se pode sabotar um post, por exemplo insultar alguém de modo a desviar a atenção do tema. Ou escrever uma sequência de comentários tão rápida que é preciso fazer scroll duma data de páginas até encontrar outro comentador. Ou publicar um comentário só com linhas vazias a ocupar páginas e páginas. Há quem se dê a muito trabalho para evitar que certos temas sejam discutidos.
Coisas piores que batota.
Já vi um moderador insultar repetidamente um comentador, até receber uma resposta a condizer, retirar os seus comentários, de modo a parecer que foi o comentador a começar os insultos. Já vi um moderador retirar excertos de comentários cirúrgicamente, a ponto de lhes inverter o sentido, e atacar o comentador por algo que este não disse. Se dos comentadores se pode esperar tudo, em certos blogues, e da parte dos moderadores, é muito desleal. É preciso estar atento para detectar alguns destes métodos, mas existem. Para mim, em certos blogues, é um desapontamento assistir a isso. O Delito é moderado e não tem publicidade, e não se vê disso por aqui.
Quanto aos diálogos, se estiver numa mesa de café com dois amigos a discutir algo que não me interessa, não comento. Se outro amigo comentar que estão nisso há horas sou capaz de comentar esse comentário. E ninguém precisa de emojis para perceber o tom.
A personagem Sarin. Chamo-lhe isso porque não conheço a pessoa. Não gosto da personagem. Não frequento o blogue dela. Não acho que seja da competência dela decidir em blogues alheios. Abstenho-me de comentar onde ela comenta e não respondo a comentários dela, mas não acho que me deva ir embora só porque ela já lá está. Se ela acha que todos os meus comentários são para ela, problema dela. Não são.
Sem dúvida que sou azedo, ou cínico, ou triste. Tornei-me assim por trabalhar muito, por o Estado me roubar muito, e por me dar pouco ou nada ou chatices. Junte-se os políticamente correctos, os #MeToo, os direitos dos periquitos, a novilíngua, o estado geral do país, e não ando lá muito bem disposto. Mas não ando a contar posts.
A Sarin não manda em nada, apenas lhe responde mesmo quando a personagem António não tem coragem para assumir o que diz.
A personagem António é que quer mandar:
– A Sarin responder quando à personagem António lhe dá para a questionar t/o-comentario-da-semana-10086626#coment arios
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.p
– A Sarin não responder quando à personagem António lhe dá para responder, desresponder e voltar a responder orco-machista-10229767
https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/p
– A Sarin não usar termos que possam ofender a personagem António, embora esta personagem não se coíba de generalizar imbecilmente, tirar ilações estúrdias e comentar patetamente,
Cf. os s/ comentários nas ligações acima e nesta mesma caixa.
Também gostaria a personagem António que eu fingisse que não percebo o que escreve, porque
“Não é nada consigo” mas logo a seguir “aplica-se também a”
ou
“a pesonagem Sarin pegou noutro ponto” porque estava lá, assim “Nunca percebi porque razão, se alguém tem muito a dizer, não escreve um comentário longo em vez de 30 bochechos, isto não é o Twitter.” o que explicita muito bem quem se dirige a quem e quem quer mandar onde.
(Já agora, a outra interacção que houve foi a personagem António a interpelar-me, de novo, começando com “também me reservo o direito de lhe responder”, quando foi o único a dizer que não falaria, que não responderia e que não queria resposta, o que diz muito da coerência da personagem; e uma outra, posterior, em que lhe aplaudi um comentário. 4 além deste postal.)
Que a personagem António goste de solilóquios, se sinta desconfortável na argumentação e não perceba que quem tenta “mandar” é o próprio, é efectivamente um problema, mas dele.
A Sarin que, personagem ou pessoa, conhece um pouco mais dos que as bases da democracia, da argumentação e da civilidade, está-se perfeitamente nas tintas para os destemperos da personagem António e para as suas mágoas que, perante tais destemperos, antes soam como desresponsabilização; apenas não lhe admite, nem a ninguém que não os donos do blogue, que lhe tente cercear a liberdade de expressão ou dizer como deve comentar. O que nunca aconteceu por parte dos membros deste ou doutro blogue ou de qualquer plataforma.
Para finalizar, acrescento que Am contou os comentários e eu respondi no mesmo tom e a conversa morreu assim, um misto de crítica e humor. Coisa que a personagem António não percebeu, entre tantas outras que lhe escaparam.
E agora a Sarin deseja à personagem António que engula em seco ou regurgite o que quiser, Nós (majestático como convém ao centro do universo) temos mais o que fazer.
[jpt, peço desculpa por esta resposta que não contava dar; mas a falta de noção desta personagem, e a inversão da história e dos conceitos, é tal que se impunha o contraditório.
Lamento terminar assim este diálogo que foi tão agradável até ao meu 41.o ou 42.o comentário.]
Estive a seguir os links. Ah, bons tempos. Tantas recordações para aquecer o coração neste Natal.
António, V. não me “conhece” (no sentido de acompanhar o que boto em blog), o que é normal. Pois se acompanhasse não ganharia algo com isso mas saberia que eu detesto isso dos emojis ou similares – seja em blogs, fbs ou telefones.
Quanto ao que diz sobre ganhar dinheiro em blogs. Sim, há essa possibilidade, mas divide-se a linha de acção (que é perfeitamente legítima, claro): a publicidade que as plataformas colocam, da qual me parece que os bloguistas não lucram – ou pelo menos a maioria esmagadora não lucra. E a que os bloguistas colocam ou aceitam ou produtos que promovem: li, em tempos e sem ter grande noção do fenómeno, que há blogs “femininos” (modas e bordados, secção infantil ou mulher) que dão lucro, presumo que haja outras linhas de negócio que funcionem (talvez turismo, gastronomia). E houve (ainda haver´?) quem vendesse a sua força de trabalho blogal aos poderes políticos – e aí só é criticável o anonimato e a clandestinidade do vínculo laboral. Enfim, não acho mal a comercialização da escrita, só sublinha o que disse nos meus longos comentários acima – isto dos blogs é heterogéneo, e cada blog também o pode fazer, como tal não há um modelo (um meta-bloguismo) que devamos seguir.
Infelizmente, que bom jeito me daria, nunca ganhei ou procurei ganhar dinheiro com esta brincadeira blogal – no meu primeiro blog, bastante focado em Moçambique, e como tínhamos dois belos fotógrafos, desafiei o colectivo, risonhamente, para, e dado que o blog era bastante lido, em alguns períodos de afã blogal, quase tanto como o DO hoje em dia, para que “vendessemos t-shirts”. Como respondia, sarcástico, um dos co-bloguistas, “com o jeito para o negócio no dia em que tentássemos vender algo os leitores deixariam de aparecer”. Lembro-me até de resmungar que nem sequer um livro ofereciam, autores ou editores – sendo que uma referência no blog era mais lida do que um recanto de jornal com 5 ou 7 mil exemplares. Mas enfim, coisas que as editoras (neste caso falo em particular das moçambicanas, em particular da então Caminho moçambicana) não percebem.
Mas, e como V. reconhece, essas práticas comerciais (legítimas, repito) não são aqui presentes, o blog do Pedro Correia é um espaço convívio e debate. Só.
Quanto à gestão de comentários: sim, ela poderá ter vários contornos. Durante anos tive blogs sem “edição” de comentários, depois passaram a ser editados por causa da ameaça do spam, e depois voltou a ser aberto. Como disse acima tenho um blog pouco lido e nada comentado, tudo se passou para o FB, e mesmo aí já escasseiam os comentários (terá perdido o relativo interesse que tivera o que eu vou botando mas também o facto de ter saído de Moçambique afastou os leitores e comentadores mais antigos). Agora aqui no DO V. acompanha que não há prática de manipulação de comentadores, como a que V. refere. Pois várias são as discussões sobre as boas-práticas de comentário, vários de nós, bloguistas, vimos referindo algum mal-estar com algumas abordagens desabridas, desagradáveis até insultuosas. Por princípio entra tudo, sem os registos de manipulação a que V. alude (eu acabo de apagar comentários de um tipo que me veio chatear com elogios ao Bolsonaro num postal em que eu resmungava com ter os fascistas flamengos literalmente à porta. Não tenho paciência para aturar gente dessa, não tem nada a ver com a manipulação de comentários°
Quanto ao que me diz sobre a comentadora Sarin, isso tem outra dimensão, que me é prazerosa. Entendendo eu que isto do bloguismo é conversacional (é também conversacional, no sentido de é o que se quer que seja) sempre gostei da parte “comentários” – mesmo quando abrasivos, discordantes, ou talvez até mais desses; Desde que não anónimos, que sempre me irritaram. Como digo, e no mesmo registo ilustrativo que V. aqui usa, um blog é um café/tasca/bar. Como tal se os leitores e/ou comentadores se desgostam, se irritam ou protestam uns com os outros, desde que isso não descambe, é sinal que a conversa (a continuada, não apenas a de um postal) vai boa, já há personagens em presença, não apenas o ocasional visitante a mandar uma boca ocasional ou uma opinião, concordante ou discordante. Ou seja, se já há resmungos inter-comentadores é o sinal (friso, “o sinal”) de sucesso do blog. Nesse caso nada tenho a dizer, não me meto no assunto, é um assunto de cada um dos visitantes.
De facto eu associara o seu resmungo à contabilidade dos comentários alheios. Errei nisso. Mas espero que concorde que um tipo vir para os comentários de um blog alheio contar os comentários de cada comentador e do bloguista é mesmo de quem não tem mais nada para dizer. Bem diferente do que dizer “estão para aí numa conversa de chacha” – ao que se responderá “sim. Há algum problema com isso?”. São coisas diversas. Cumprimentos
Li-lhe agora a alusão a este postal e aos comentadores que não se gramam. Corrijo-o apenas, jpt: eu não gramo nem deixo de gramar, o comentador em causa é-me perfeitamente indiferente contanto que não tente mandar no comento.
Alguém disse – num postal do DO sobre filosofia de parede, “odiar o ódio”, acho – que a indiferença é o pior sentimento. Mas não acho que seja sentimento, sequer. A irrelevância não ocupa espaço.
Bem, está a referir-se ao seu caso e à sua específica atitude. Eu refiro a momentos inter-comentadores – como este foi, apesar de me terem metido ao barulho – e disse que se desgostam, o que a sua “indiferença” explícita também denota. Insisto, nesse registo é sinal de sucesso do “café Delito”
Não, não denota, jpt – o comentador em causa, tirando o facto de nas poucas interacções ter tentado controlar o que posso ou devo comentar, não tem nenhum outro traço que me leve a antipatizar ou a simpatizar com ele. Há comentadores que me são antipáticos, há comentadores que me são simpáticos – e isto vem de lhes conhecer as opiniões o estilo o humor. Não é o caso, quatro ou cinco vezes que com tal comentador me cruzei não chegam para sequer o classificar como simpático ou antipático, apenas me permitem concluir sobre o que e como escreveu. A ele ou a qualquer outro. Daí eu afirmar que me reservo o direito de resposta. É que aos que me são antipáticos nem leio.
E obviamente que “a culpa” é do Delito de Opinião.
Sobre o ter sido colocado no meio, pois lamento; não aprecio este tipo de diálogos, se é que se pode chamar diálogo a uma conversa deste teor, mas convirá que não é agradável estar em amena cavaqueira e surgir um fulano com antecedentes de prepotência a opinar sobre a conversa dever ocorrer no Twitter quando o mesmo nem ID tem, ou a opinar sobre a quantidade e relevância da conversa de terceiros numa conversa pública onde não entrou e que ocorreu num espaço que não é gerido por ele. Foi aqui com o jpt, poderia ter sido noutro postal (há ali um rei estatuado cujos muitos comentários abordam tudo menos a estátua). Ou com outro comentador. Mas foi aqui e foi comigo, e o pobre do cansado da vida anda tão angustiado que nem tem a decência de me tratar pelo nome que aqui uso e é meu há mais de 20 anos – muito ao estilo dos comentadores do Fé nos áureos tempos dos brunicados, cuja falta de respeito pelas identidades e pelas entidades não se limitava a mero despique futebolístico. Conforme afirmei então a alguns, jpt, eu não sou terapeuta. Nem escolhi ser alvo da atenção de ninguém.
Mas eu não a gramo. Já o disse de várias formas, embora você ache que não sou “frontal”. Mas não tenho nenhum ficheiro sobre si. É tudo ao sabor da memória. E como não gosto do modo como escreve não leio a maior parte, por isso haverá mais incompreensões.
E tem todo o direito de não me gramar e de o dizer aqui e noutros blogues, usando o tipo de linguagem que entender e desde que lho permitam. Há quem goste do estilo, e eu sou a favor da felicidade.
[Faz-me até lembrar um outro António que, noutra plataforma que não esta do Sapo, tentou conversar e sair comigo e que, porque declinei ambas as insistentes sugestões, começou a escrever coisas simpaticíssimas que me eram dirigidas. Na altura usava este nick completo, sarinzabel, o avatar era outro – mas a foto que estava lá metida algures era exactamente a mesma que está metida algures no meu blogue. Curiosamente, esse tal António insistente também me disse que eu me achava o centro do universo, assim tal e qual… Tenho uma muito boa memória, quem me conhece chama-lhe até arquivo com ficheiros bem compartimentados, obrigada por ter reparado.]
Portanto, conclui-se que o António tem o direito de sentir e de dizer o que sente. O que continua a não ter é o direito de me dizer o que ou como ou quanto devo ou posso comentar. Boas Festas
E assim acabou um postal que eu desejei bem-disposto. Vou mas é restringir-me aos resmungos furiosos
Não é para publicar, é só para desejar boas festas
Foi divertidíssimo, jpt, até se atravessar um peão.
E mesmo depois disso fez um texto magnífico, pelo que quase é caso para agradecer…
Macho, macho, é mesmo conduzir sem GPS. E não só. É também conduzir um carro grande e bastante poluente e não usar cinto. Viva a masculinidade!
[espero que a ironia tenha sido óbvia]
(a ironia nunca deve ser explicada, perde-se assim)
Não usar cinto porque a tourear a estrada ou não usar cinto porque a barriga de cerveja toureia as calças?
Pelo amor ao risco, claro. Com ou sem pança
Sinto que não seria assisada aventura, essa de conduzir sem cinto e sem sentido… sabe-se lá a que bairros se pode ir parar!!! Mas, bom, eu sou tipo, sei lá, género feminino e dizem que as meninas são menos dadas ao jogo do risco, preferem batalha naval e assim…
E o risco, o risco… se é por amor ao risco experimente-se o funambulismo, há por aí tantas cordas esticadas quase até à ruptura que o risco é, até, acrescido.