Envelhecer é aprender a desaprender as certezas da juventude. Talvez por isso a utopia seja sabermo-nos acabados quando sabemos menos do que quando começámos sabendo.
Os acabados são calados, não porque lhes seja impossível a fala ,mas por lhes ser impossível saber o que dizer.
“- velhice e juventude pouco tem a ver com a idade.” Uau!! Eu estava convencido exactamente do contrário. Oxalá que você tenha razão e eu esteja enganado. seria bom.
Aqui para o “je” é mais dioptrias…tendo em conta o preço das lentes, sai mais barato um gajo não ver, ou acreditar no que os outros dizem haver para ver….
O exemplo de Benjamin Button não incentiva tais pretensões. É um filme que considero extraordinário de tão bem filmado que está, mas ter a vida ao contrário de toda a gente não facilita. Contudo, creio que mesmo nascendo indefesos e inermes como nascemos e morrendo velhos e caquéticos, todos somos em alguma altura um Benjamin a viver no sentido inverso que a dada altura cruza um mundo da sua idade e faz o pleno.
Na verdade, só nascemos para as realidades do mundo depois de “velhos”. A inocência da infância e a inconsciência da juventude conferem-nos a maravilhosa despreocupação da brisa que sopra numa noite de verão. Independentemente dos medos, perigos , das aventuras ou da segurança, seja qual for a realidade que nos envolve, não aprendemos nem apreendemos a sua verdadeira substância. São os anos que nos ensinam a esbracejar e chapinhar para ficar à tona da travessia do oceano temporal da nossa passagem. Por mais complicado que se nos afigure o cruzar das ondas, ninguém deseja sinceramente chegar ao outro lado, aquela margem que nos devolve ao pó e solta na luz. Tudo o que queremos é adormecer com um sorriso e ir ao sabor da corrente ao encontro da paz.
Boa noite Pedro Correia.
Morrer com saúde, a utopia de outros; conheço dois assim.
António Cabral
Haja saúde, meu caro. Em qualquer idade.
Assim uma espécie de Benjamin Button?
Li o livro do Fitzgerald e o filme do Fincher, mas achei tudo muito estranho…
Maria
Uma espécie, sim.
Envelhecer é aprender a desaprender as certezas da juventude. Talvez por isso a utopia seja sabermo-nos acabados quando sabemos menos do que quando começámos sabendo.
Os acabados são calados, não porque lhes seja impossível a fala ,mas por lhes ser impossível saber o que dizer.
«Envelhecer é aprender a desaprender as certezas da juventude.»
Um bom pensamento. Em qualquer semana.
Mas perigoso. Veja como acabou o Sócrates!
O Sócrates vive à grande num mega-apartamento com vista para o Tejo no Parque das Nações.
Uma coisa é certa:
– velhice e juventude pouco tem a ver com a idade.
João de Brito
Não só, mas também.
“- velhice e juventude pouco tem a ver com a idade.” Uau!! Eu estava convencido exactamente do contrário. Oxalá que você tenha razão e eu esteja enganado. seria bom.
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.
Pois cá comigo é mais: nascer jovem e morrer velhinha por fora e jovem por dentro! Mas isto sou eu, que não sou ligada em utopias… ,
O que lhe têm dito as análises ?
Isto é mas é uma distopia ..;
Aqui para o “je” é mais dioptrias…tendo em conta o preço das lentes, sai mais barato um gajo não ver, ou acreditar no que os outros dizem haver para ver….
“Viver é adormecer com um sonho a menos e acordar com um sonho a mais”
em “Santo Agostinho” de Teixeira de Pascoaes
Frase digna de um grande poeta.
O exemplo de Benjamin Button não incentiva tais pretensões. É um filme que considero extraordinário de tão bem filmado que está, mas ter a vida ao contrário de toda a gente não facilita.
Contudo, creio que mesmo nascendo indefesos e inermes como nascemos e morrendo velhos e caquéticos, todos somos em alguma altura um Benjamin a viver no sentido inverso que a dada altura cruza um mundo da sua idade e faz o pleno.
Atingir essa fase já é bom. Infelizmente muitos nem lá chegam.
Na verdade, só nascemos para as realidades do mundo depois de “velhos”. A inocência da infância e a inconsciência da juventude conferem-nos a maravilhosa despreocupação da brisa que sopra numa noite de verão. Independentemente dos medos, perigos , das aventuras ou da segurança, seja qual for a realidade que nos envolve, não aprendemos nem apreendemos a sua verdadeira substância. São os anos que nos ensinam a esbracejar e chapinhar para ficar à tona da travessia do oceano temporal da nossa passagem. Por mais complicado que se nos afigure o cruzar das ondas, ninguém deseja sinceramente chegar ao outro lado, aquela margem que nos devolve ao pó e solta na luz. Tudo o que queremos é adormecer com um sorriso e ir ao sabor da corrente ao encontro da paz.
Excelente reflexão, Maria Dulce.
Picasso dizia que demora muito tempo a tornarmo-nos jovens.
Bem lembrado!

Maria
É uma enorme verdade.
Disse Sua Santidade o Papa:
—” Um velhinho “acarinhar”… uma jovem não é pecado…. é milagre!
Será?
Amendes
Ele não disse acarinhar mas sim mangiare.
Não disse nada disso.