Pelo sonho é que vamos


Ana Vidal,

 

«I have a dream que, para já, passa por Bruges, mais concretamente pelo College of Europe. Acontece que um Master of Arts in EU International Relations and Diplomacy Studies lá em Bruges é coisa para me deixar penhorada por sete gerações. Ora como eu não tenho onde cair morta e estou longe de vir a herdar o que quer que seja, não me resta outra alternativa que não seja vender o recheio da casa. Quem quiser ajudar, basta divulgar. Eu e o gato agradecemos.»

 

Explicar a razão de ser de um sonho que acalentamos desde criança é quase tão complicado quanto explicarmos a essência de que somos feitos. Eu nunca quis ser polícia, artista de circo, super-herói. Nunca partilhei as vocações dos outros meninos porque eu, desde que me lembro se ser gente, que digo que quero correr o mundo. É este o meu sonho: correr o mundo. Lembro-me de as pessoas comentarem que eu era uma menina com a mania das grandezas e de os meus pais responderem “isso passa-lhe”. Lembro-me do primeiro Atlas que o meu avô me ofereceu e de me ensinar os nomes dos países. Lembro-me de a Professora Manuela, no liceu, dizer que eu daria uma belíssima médica e de na Faculdade se fazerem apostas em como seria a primeira do grupo a ascender à magistratura. Lembro-me de a minha avó me dizer que de um sonho não se desiste, não se abre mão, custe o que custar e leve o tempo que levar.

Hoje, continuo a acalentar o mesmo sonho com a vontade redobrada de quem investiu e investe tudo o que tinha e tem nele! Toda a formação, todo o dinheiro, todo o tempo, o melhor de mim, mesmo nos momentos em que parece que nada faz sentido e em que equacionamos se não seria mais fácil, menos duro, sonhar outra coisa qualquer. O meu sonho tem um nome. Chama-se ONU e um dia, um dia, eu hei-de cumpri-lo.


E está a caminho disso, a Maria. Contrariando o imobilismo de um país suspenso, que choraminga pelos cafés e culpa o mundo inteiro pela sua má sorte, a Maria arregaçou as mangas e foi atrás do seu sonho, inspirada, quem sabe, por um sopro de Sebastião da Gama. Criou um blogue para divulgar o projecto, avançou para as redes sociais e deu nas vistas com tanto arrojo. A receita é a dos audazes: puxar pela imaginação, juntar-lhe uma vontade férrea e uma boa dose de alegria, que dá sempre uma graça especial. Temperar a massa com paciência e esperança, amassar tudo muito bem e deixar levedar um pouco (não muito, para não azedar). E deu-se o milagre: primeiro um, depois três ou quatro, mais tarde muitos mais, os curiosos começaram a aparecer e depressa passaram a amigos. Contagiou tudo e todos – acaba de ser entrevistada por um jornal nacional, que vai publicar a história – e os leilões vão cumprindo a sua função. Mas é preciso mais, que o sonho da Maria é tão caro como meritório. Convido-vos a conhecer melhor  e a aplaudir este caso raro de inconformismo nacional. Apoiá-lo é fácil, nem que seja apenas divulgando. Let’s take them to Bruges!

 

(Take us to Bruges é o nosso blogue da semana)

14 comentários em “Pelo sonho é que vamos”

  1. Colégio da Europa… como a compreendo…. Tb eu tive esse desejo há 20 anos atrás (Politique et Administration Européenne) e não vendi o recheio, que aliás incluía os filhos :-). Agora, nem que vendesse, já não ia a tempo!
    A Maria vai dar que falar, ai vai, vai. E não é por causa de Bruges…

    1. Chloé
      Obrigada pelo carinho e pelo entusiasmo. A única ajuda que peço, a mais preciosa, é a da divulgação. Mas já estamos a preparar o Natal lá no Take us to Bruges e presentes lindos para oferecer não vão faltar.
      🙂

  2. À Ana Vidal
    pelo carinho e por ousar sonhar connosco, aquele abraço sentido que se dá aos amigos que nos querem bem.

    À equipa do Delito, bem hajam por nos receberem nesta vossa casa.

    1. Tenho muito gosto em apoiar este projecto, Maria. Correr mundo foi também o meu sonho de criança (no meu caso, eu sonhava fazer isso num circo, como trapezista… outros tempos). Fico a torcer para que consiga realizar o seu, bem mais realista. Será merecidíssimo.
      🙂

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