Pelo Inglês como idioma oficial de Portugal


eventhorizon,

Uma vez que o que importa em todo o imbróglio do acordo ortográfico é a “estratégia“, então eu sugiro que se leve a questão “estratégica” até às últimas consequências, e se adopte a língua inglesa como idioma oficial de Portugal. Bem vistas as coisas, no mundo de hoje não há idioma mais estratégico:

  1. Há mais países – e muitas mais pessoas – a falar inglês que português.
  2. O inglês assume hoje a qualidade de um idioma franco, falado em praticamente qualquer lugar, das maiores cidades do mundo aos sítios mais inóspitos, do Pólo Sul à Estação Espacial Internacional.
  3. O inglês é, para todos os efeitos, o idioma da Internet e das tecnologias de informação e comunicação – e estas constituem o futuro.
  4. O inglês é facílimo de aprender, e as gerações mais novas, graças à Internet, ao cinema, à televisão e aos videojogos, aprendem o idioma com grande facilidade. 
  5. Livres do português, os currículos escolares podem dedicar-se ao ensino de idiomas estrangeiros realmente estratégicos e relevantes, como o espanhol ou o mandarim (este último pode vir a ser muito útil para decifrar as facturas da electricidade). 
  6. O mercado editorial de língua inglesa é incomparavelmente mais vasto que o português. Para quê estarmos preocupados com a “estratégia” de publicar livros no Brasil quando podemos, ao invés, publicá-los nos Estados Unidos, no Canadá, na Austrália, e, enfim, em todo o mundo, do Chile à Papua – Nova Guiné, através da Amazon?
  7. Acabavam-se as traduções de merda que muitas editoras portuguesas fazem, sobretudo nos géneros do Fantástico. 
  8. Os restaurantes algarvios deixariam de precisar de colocar letreiros em Agosto a dizer “Portuguese is spoken here”, pois o português tornar-se-ia desnecessário – toda a gente falaria inglês. Com jeitinho e alguma sorte, talvez até passassem a falá-lo melhor. 
  9. Deixaríamos de usar termos do ridículo “portuguesing” em conversas de finanças, negócios e tecnologias. Zeinal Bava ficaria radiante. 
  10. Facilitaríamos a vida a todos os turistas que recebemos e queremos receber.
  11. O “engrish” é hilariante.

De qualquer forma, aprendemos nos comentários a estes posts que:

  • A etimologia não interessa para nada;
  • Como no passado outros iluminados burocratas – temos, para mal dos nossos pecados, mais burocratas iluminados em terra do que sardinhas no mar – já abastardaram o idioma, não há qualquer problema em fazê-lo agora, e as vezes todas que lhes der na telha. Basta que um desses cabrões acorde para aí virado;
  • Os opositores ao acordo são os Velhos do Restelo do presente;
  • O que move os opositores do acordo é o “ódio ao Brasil”.

I rest my case. Sem itálicos, que com a adopção do inglês deixam de ser necessários.

29 comentários em “Pelo Inglês como idioma oficial de Portugal”

  1. Isso, João, dá-lhes ideias… não me admiraria muito que um dia destes estejamos todos a falar inglês técnico, ou internetês, uma forma ainda mais simplificada. Tão fácil de aprender que basta um Domingo para um diploma, como provou o Sócrates.
    Tão simples e tão fácil que os nossos cérebros vão adormecer de vez, por falta de estímulo.

  2. Det iz a gude aidia. Ende since inglish iz a universal lenguadje uí ken olueis introduce niu uardes laike “ai éme shatieided”.

  3. Permita-me acrescentar mais uma vantagem do Inglish;O ministro Gaspar seria muito mais rápido a responder nas entrevistas.
    My best s

  4. Ora aqui está uma sugestão verdadeiramente “estratégica”. A coisa podia começar por ser aplicada numa região-piloto, aliás já existente, chamada Allgarve. E todos os cidadãos – incluindo os políticos – teriam a opção de alterar os respectivos nomes para inglês, o que certamente contribuiria para a nossa boa disposição. Desde que isto não agravasse a carga fiscal, bem entendido.

  5. A Lingua Inglesa já é na pratica oficial em Portugal.Só falta mesmo oficializar no papel.Eu sou contra mas como o Inglés já é usado no dia á dia em todas as areas da sociedade portuguesa apenas por ipocrisia não é oficializado no papel.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *