PCP “festeja” em tempo de luto


Pedro Correia,

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O PCP decalcou a sua badalada Festa do Avante! da Fête de l’ Humanité, aludindo ao jornal L’ Humanité, órgão central do Partido Comunista Francês (PCF). A tal ponto que até copiou o título, embora este resulte bem melhor em francês (Festa da Humanidade) do que em português.

O festival comunista por terras de França é uma tradição bastante mais enraizada: a edição inaugural do evento ocorreu em 1930, muito antes de Jerónimo de Sousa ter nascido e quando o próprio Álvaro Cunhal – líder histórico do PCP – contava apenas 16 primaveras.

 

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Apesar disso, o PCF não hesitou: acaba de anunciar o cancelamento da 85.ª edição da sua “Festa da Humanidade”, invocando o que qualquer pessoa ou qualquer organização partidária responsável têm a obrigação de reconhecer em nome do mais elementar bom senso: o «contexto sanitário actual». Isto apesar de, no momento actual, França registar menos casos de infecção pelo novo coronavírus por milhão de habitantes do que o nosso país: 2.765 lá, 4.900 casos cá.

Sabendo-se ainda por cima que o festival dos comunistas portugueses se realiza na Área Metropolitana de Lisboa, precisamente a que tem sido mais fustigada por novos surtos da pandemia, é cada vez mais incompreensível a obstinação dos dirigentes do PCP, que teimam em levar a sua avante. À revelia de todas as recomendações sanitárias e da solidariedade que é devida não apenas aos familiares das vítimas mas aos profissionais da saúde que se mantêm firmes no duro combate à doença.

É caso, além do mais, para questionar o PCP: o que haverá para “festejar” num país onde todos os dias surgem novas famílias enlutadas pelo Covid-19 e numa sociedade tolhida pelo medo crescente de novas infecções?

32 comentários em “PCP “festeja” em tempo de luto”

    1. Isso. O PCP vive numa realidade paralela, com normas paralelas, só vigentes para os comunistas.
      E ainda se admiram de irem perdendo terreno eleitoral e influência política e social de ano para ano, de década para década. Acantonados, entrincheirados e implacáveis contra qualquer dissidência.

      Alguém ouve algum membro do PCP criticar em público esta absurda decisão de seguir em frente com a Festa do Avante? Nem pensar. Autênticas formiguinhas no carreiro: têm de seguir sempre todas no mesmo trilho.
      “Ao trabalho e ao tostão”, como escreveu O’Neill. Que era alérgico a formigueiros.

    1. O PCP só leva a sua avante porque necessita daquele dinheirinho como de pão para a boca.
      O partido anti-capital corre o risco de enfrentar sérios danos reputacionais (e de constituir um foco sério de infecção a partir do latifúndio da Amora-Seixal) devido à ânsia desenfreada de capital. Mesmo já sendo o mais rico partido político português.

      1. O PCP e esse dinheirinho é honesto , é feito com muito suor de muitos milhares de voluntários , a festa do avante é uma festa de TDS nós , não é dinheiro oriundo do BPN ou do BES , honesto , é isso que choca , a honestidade desse partido , e Nao oposto ,

        1. Dinheirinho conseguido à custa da exploração do povo, do suor dos militantes. O PCP comporta-se como o pior dos patrões: exige tudo sem pagar nada.

          No mínimo, devia edificiar naquele latifúndio com mais de 25 hectares à beira-Tejo uma colónia de férias para esses abnegados militantes em vez de manter aquilo fechado 362 dias por ano (363 nos anos bissextos).

  1. É sinistro como há 2 dias, COSTA e os seus indefectíveis bajuladores apregoam que não querem a AUSTERIDADE.
    Isto ao fim de centenas de milhares perderem os seus rendimentos, quer pelo trabalho ou negócios.
    Tivessem eles estes problemas de próximos outro galo cantaria.
    Cumprimentos

  2. O PCP é tão egoísta e egocêntrico como qualquer outro.
    Querem lá saber dos interesses que não os próprios.

    1. Neste caso, é muito mais. Partidos como o PSD e o BE anunciaram de imediato o cancelamento de todos os festivais e iniciativas de Verão – na linha, aliás das determinações da DGS. E o PS anunciou sem demora o adiamento do congresso que estava previsto para a Primavera.
      O PCP quer impor regras só para ele, em autênticas cláusulas de excepção, aconteça o que acontecer no mundo real, fora da bolha comunista. Como sucedeu com a CGTP no 1.º de Maio, em Lisboa, durante o estado de emergência.

  3. O PCP festeja o seu estatuto privilegiado e excepcional perante a crise sanitária, a lei, e o governo. Após o comício do 1.º de Maio os surtos na região de Lisboa multiplicaram-se. Coincidência, alegam os comunistas. Veremos se é.

    1. Privilégios de grande proprietário. Ou não fosse o único partido português que possui um latifúndio à beira-Tejo. Onde o povo só é autorizado a entrar três dias por ano.
      O PCP de 1975 já teria mandado ocupar este latifúndio.

  4. Ou quer armar confusão ou não sabe o que diz, acho que está armar confusão.
    A festa do ‘L’Humanité’, não era a ‘Festa da Humanidade’, era a festa do jornal ‘L’Humanité’ e você sabe isso muito bem. Para arranjar ‘chegadas’ já basta a do outro da festa FCP com o nogueira e tal do Campo Pequeno.
    A questão é ‘querer lá saber da festa do jornal Avante organizada pelo PCP’ a questão é sempre a mesma, já vem de longe com outras ‘não pode ser’, é os outros não conseguirem, nunca conseguiram, organizar uma festa assim.
    Ainda com mais uma ‘chegada’ daquela das ‘famílias enlutadas’ por causa da covid e, então, nada de luto por causa da legionela ou do cancro no pulmão, ou ainda mais ‘chegada’ nada de festejos enquanto morrer alguém desesperado por causa do BES.

    * ‘chegada/s’ são aquelas popularuchadas do chega.

    1. O PCP comporta-se como um proprietário absentista, daqueles do antigamente.
      Possui um latifúndio para usufruto exclusivo, aberto ao povo apenas três dias por ano graças ao “trabalho voluntário” – isto é, mão-de-obra gratuita, não-remunerada – de milhares de pessoas.
      Aquela vastíssima propriedade à beira-Tejo, dividida em parcelas, daria para construir muitas habitações para pessoas humildes, sem tecto e sem lar.
      Daria para dar emprego na agricultura, pecuária e pastorícia a centenas de portugueses sem pão e sem trabalho.

      Mas o PCP, comportando-se da pior maneira como partido-patrão, fecha o latifúndio a cadeado durante 362 dias por ano (363, nos anos bissextos, como sucede com este).
      Enquanto faz comícios e grita palavras de ordem a favor da habitação social, da “terra a quem a trabalha” e outras platitudes que proclama mas não pratica.

      Era bom que os latifundiários da Atalaia aprendessem com os camaradas franceses. Já que copiaram tudo deles, copiem este bom exemplo do PCF também.

      1. E aqui temos o que interessa. Abaixo a utilização daquele terreno para fins de propaganda do PCP. Já chega é uma vergonha.
        Aquele terreno tem que ser expropriado e já não era sem tempo a construção de casas para pobres, mesmo que sejam ciganos e pretos.

        Mas esta conversa é repetida todos os anos com covid, fogos, cheias, quedas de pontes e pedreiras, tá bem agora é qué a sério.

        1. Um proprietário que possua um latifúndio improdutivo fechado a sete chaves o ano inteiro (excepto três dias), e sem o pôr ao serviço da comunidade mereceria severas críticas do PCP.
          Excepto se esse proprietário for o próprio PCP. Como é o caso.

        2. E o Chão da Lagoa para construção de hotéis para os pobres, ciganos e pretos passarem férias na Madeira.

          1. É como o outro ou os outros que diziam comunismo só o chinês todos vestidos de igual, abaixo os sociais-fascistas e até a bandeira mudavam para uma com o castelo de Guimarães com uma estrela. E qué deles agora? Todos bem ‘organizados’ (sem ser na faculdade de direito) no que há de melhor da alta finança e outros parecidos e já nem se preocupam com o PCP para não assustar os grandes investidores. Por isso nada de publicidade deita abaixo que só funciona ao contrário com os assustadinhos da silva.

    1. Thorez que fugiu para a União Soviética para não ter de combater os Nazis a invadirem o seu país.

      lucklucky

  5. Preâmbulo

    Não é minha intenção defender posições de quaisquer partidos políticos, antes pelo contrário. Pretendo apenas desmistificar certas narrativas que nos enchem os ouvidos e os olhos, alimentadas pelos alarmismo e populismo ignorantes que grassam na actual comunicação social e de que os incautos acabam por fazer eco.
    ——————————-

    Começo por apresentar os dados da mortalidade diária online (https://evm.min-saude.pt/) para hoje, 26/7/2020, até às 16:10 H :
    Óbitos totais: 142
    Óbitos < 70 anos: 21
    Óbitos < 1 ano este mês: 13

    E também os extremos de mortalidade, de acordo com o site referido, para o dia de hoje, entre 2009 e 2019:
    Mínimo: 216
    Máximo: 322

    É sempre “tempo de luto”. Quem pretender que apenas as famílias das vítimas do vírus ficam enlutadas está, desde logo, a cometer um erro grosseiro e a insultar a memória da esmagadora maioria dos restantes defuntos. A ideia inconsciente e agora generalizada de que se pode morrer de quaisquer outras causas, remetendo para a irrelevância do esquecimento esses óbitos, mas não se pode morrer em consequência desta infecção viral, assume contornos de birra de crianças. Para além de infantil, é ridícula.

    Atirarem-nos com o “papão” do número de casos, esquecendo que este número, entre outras coisas, depende do número de testes realizados, é sofismático. Não existe, como já aqui escrevi e os números provam, uma correlação (em sentido matemático) entre o número de casos e o número de óbitos e é este o número estatíscamente relevante, bem como, em menor grau, o número de hospitalizações. Os dois gráficos nesta imagem http://prntscr.com/totbsi, colhida mais uma vez em https://www.worldometers.info/coronavirus/, constituem prova disso mesmo.

    Até porque os testes RT-PCR, como também já aqui tive oportunidade de escrever, por construção não são binários, dependendo o resultado do número de amplificações do material genético colhido, e não permitem detectar a presença de vírus intactos com potencial infeccioso, limitando-se a sinalizar a presença de partículas de material viral exibidas por infectados e pós-infectados, podendo estes últimos apresentá-las até cerca de um mês após a real infecção ter sido debelada. Para mais esclarecimentos sobre o assunto deixo dois links de publicações científicas sobre o tema:

    https://www.nejm.org/doi/pdf/10.1056/NEJMc2001737
    https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.06.22.20136309v2

    E porque existem indícios nas estatísticas de que estaremos a caminho da imunidade colectiva, algo que as narrativas alarmistas e populistas ignorantes pretendem negar, deixo também links de três artigos cientícos que corroboram essa evidência:

    “Intrafamilial Exposure to SARS-CoV-2 Induces Cellular Immune Response without Seroconversion”
    https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.06.21.20132449v1

    “Robust T cell immunity in convalescent individuals with asymptomatic or mild COVID-19”
    https://www.biorxiv.org/content/10.1101/2020.06.29.174888v1

    “SARS-CoV-2-specific T cell immunity in cases of COVID-19 and SARS, and uninfected controls”
    https://www.nature.com/articles/s41586-020-2550-z

    O artigo da Nature é deveras interessante e evidencia a existência de imunidade cruzada entre SARS e COVID-19 e entre betacoronavírus presentes em animais e COVID-19. Quem tenha tido contacto com cães, bovinos, roedores e morcegos tem grande probabilidade de ter algum tipo de imunidade ao COVID-19, o que permite dar resposta a muitas questões e explicar alguns factos.

    Como, afinal, bem vistas as coisas, é sempre “tempo de luto”, termino com a actualização dos dados da mortalidade diária online (https://evm.min-saude.pt/) para hoje, 26/7/2020, até às 17:57 H :
    Óbitos totais: 165
    Óbitos < 70 anos: 25
    Óbitos < 1 ano este mês: 13

  6. O PC está sempre de luto enquanto não tomar o poder. Depois sim,júbilo,
    nem os bisnetos de trotsky e estaline escaparão.
    Este ano não fizeram o acampamento para a desintoxicação da masculinidade tóxica ?

    1. O PCP é um derrotado perpétuo. Quase meio século depois, foi incapaz de vencer uma eleição legislativa ou regional em Portugal. Hoje só ganha em meia dúzia dos 308 municípios do País.

  7. Mas o sr Costa nao tem poderes para proibir a festa?

    Pelos vistos não!
    Segundo o primeiro ministro
    “A atividade política do PCP ou de qualquer outro partido não está proibida, nem nos passa pela cabeça, creio eu que a ninguém, proibir a atividade política” ( A Bola9-9-2020).
    Como este senhor tem por norma nunca se comprometer , transforma a festa em atividade politica e faz como Pôncio Pilatos.
    Boa tarde, Pedro

  8. Querem ver, julgo não chegar atrasado, que aqueles (eram mais ou menos de meia dúzia?) que estiveram na Alameda no 1º. de Maio foram viajar, com o prémio de presença, por essa Europa e vai daí contagiaram e voltou a subir o covid na Espanha, França, Reino Unido e calhando em toda a parte por deles.
    Quando se voltar a falar naqueles que estiveram na Alameda contagiaram e tal, ou eram muitos e aí é pá cuidado ou eram poucos por não poder haver muitos, pode-se cair no ridículo e o RAP pode accionar uma queixa por direitos de autor de comicidade.

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