«O primeiro objectivo do novo Governo será devolver a força à nossa economia. Quem cria empregos são as empresas – e não há injustiça maior do que o desemprego. Por isso propus o Pacto de Responsabilidade, com menos encargos para as empresas e mais investimento. É um gesto de confiança dirigido a todos os protagonistas económicos e todos os parceiros sociais.»
Excerto de um discurso de Passos Coelho? Não: são palavras de François Hollande, anunciando aos franceses que formaria um novo Governo, liderado por Manuel Valls. Por coincidência ou talvez não, a personalidade mais à direita do Partido Socialista Francês.
“Righting Hollande”, observa o Wall Street Journal com manifesta ironia. Antiga “lufada de ar fresco” para Seguro. Antiga “janela de esperança” para Soares. La fenêtre est fermée.

http://tempsreel.nouvelobs.com/politique/2 0140401.OBS2217/75-des-francais-pas-conv aincus-par-l-allocution-de-hollande.html
Não sei porque é que o Marocas não exige eleições em França.
Mário Soares, 15 de Maio de 2012: «François Hollande, como bom socialista e com uma formação académica e política excepcionais, antes e depois do seu discurso de vitória, declarou, sem papas na língua, que com a austeridade não se vai a lado nenhum, como se tem visto na Grécia e por todo o lado, incluindo Portugal. É, pois, urgente mudar de paradigma, para pôr termo à crise.»
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interio r.aspx?content_id=2517564&seccao=M%E1rio%20Soares&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Focotp://
Hollande , já mostrou o que vale, nada. Agora, experimenta com personagens o mais à direita do partido socialista como se a direita, fosse o bom para os franceses. Se for tão boa, lá, como cá, estão feitos. Somos latinos e como bons latinos que são, vão sofrer as consequências, tal como nós.
Em França quase todos são de direita. Até a maior parte da esquerda é de direita. C’est la différence française.
Pois é. Mas com o povo arruinado de corpo e ânimo pela austeridade, e isso será um facto, por inevitável que fosse o rumo que as coisas por cá tomaram, temo que estas contradições pouco lhe interessem – ao povo – na hora de votar.
Basta fazer muito barulho em torno das questões nacionais, apontar à exaustão as consequências desastrosas, presentes e futuras, para a vida das pessoas (desgraçadamente inegáveis: há verdade – uma verdade terrível – ao afirmar-se as pessoas estão pior mas o país melhor) e diabolizar metodicamente o governo presente (que em mais do que uma ocasião deu – e vai dando – generosamente o flanco ao inimigo) e é de crer que o PS cá do sítio obtenha generosa vocação. Tenham os seus dito e feito ou que possam ter dito e feito no passado.
A memória do povo é curta e não se lhe pode que pedir exija dos políticos a ética, a elementar decência, que afinal não será uma prioridade entre nós (a nossa famosa capacidade de desenrascanço e sobrevivência em semi(?)-caos tem um lado negro).
Demonstram-no os dados já existentes sobre as intenções de voto. Não fosse assim e o PS dificilmente voltaria a eleger, por longas décadas, mais do que um grupo parlamentar perfeitamente comportável pela lotação do mais vulgar táxi. E todavia, com ou sem vitórias eleitorais esmagadoras, sabemos que não vai ser assim.
Esquece-se a “lufada de ar fresco”, fecha-se a “janela de esperança” e por muito que outros as queiram relembrar – e relembrar quem as invocou e saudou – afoga-se isso num dilúvio de retórica demagógica. Que tem sempre audiência e tanta mais quanto pior se vive. E vive-se muito pior por cá, por estes dias.
Quanto à substância das coisas, a senhora Ségolène – para usar uma recente mas já consagrada e cultivadíssima fórmula de desdém para com as mulheres – integra o novo governo francês. São, aqui também, verdadeiramente sólidos os hábitos socialistas. E não deve fazer grande confusão a um povo que sempre deu mérito bastante à arte de cada um “safar (e sacar) o seu”.
Costa
Nada como ter um cartão de crédito por 40 anos Costa?
Claro que o regime socialista-populista* só o pode fazer porque está sentado nos ombros das poucas dívidas do Ditador.
Que pelos menos nisto não era louco.
*Perdoe-me a redundância.
O cartão de crédito já esteve de limite esgotado, de modo que foi preciso “fazer” um crédito pessoal – e sabe-se como são de agiota os juros desses créditos – para voltar a ter saldo no cartão.
E sim, o ouro do ditador (que não o fascista, como se gosta de lhe chamar, porque entre nós se ficou razoavelmente longe do que define esse ismo ; mas sabemos o que acontece a uma mentira muito repetida e como isso dá jeito), ajudou a manter o desvario.
Eis onde quis chegar com o que escrevi: muito que se apontem as contradições, as demagogias, as hipocrisias e os erros das afirmações de relevantes socialistas da nossa praça, os grandes (bem sei que não únicos) responsáveis da desgraça em que caímos, isso não os impedirá de voltar ao poder e – no que deles depender – voltar a “queimar” o saldo do cartão. E voltar a queimá-lo em benefício da sua família política, a quem a crise não pode, enfim, incomodar excessivamente.
Farão tudo isso com a impunidade de sempre e, deploravelmente, com o ingénuo apoio daqueles que estão a pagar, e voltarão a pagar, tudo isso.
Costa
Meu caro
Imagino que escreveu coincidência ou talvez não mas não terá grandes dúvidas .
Este é um passo inteligente de Hollande , rapaz tão parco nesses passos .
Pode ser o único e o último – mas é .
A escolha de Valls vai-lhe trazer de volta muito hesitante e indeciso .
Vai chegar ? Não vai !
Mas a saída será um pouco mais honrosa .
Sim, meu caro, não tenho dúvidas. Valls representa, para Hollande, a última tábua a que um náufrago se agarra. Se os eleitores viraram à direita, ele dá-lhes o primeiro-ministro mais à direita que se pode arranjar no Partido outrora Socialista.
Escolha arriscada, no entanto. Porque Valls, se tiver sucesso, não tardará a ofuscar o próprio inquilino do Eliseu. O risco de naufrágio continua.
Meu caro Pedro Correia
Totalmente de acordo .
Mas eu acho que Hollande, de qualquer modo , se iría ofuscando sózinho .
Portanto diría que com o eventual sucesso de Valls o presidente Hollande fica pior mas o PSF fica melhor .
Mas claro que não me passa pela cabeça que Hollande tenha feito o raciocínio assim .
De qualquer modo não deixa de ser irónico, meu caro, que hoje esteja à frente de um governo “socialista” francês alguém que chegou a defender a mudança de nome do Partido Socialista por estar manifestamente fora de moda. 9/07/26/manuel-valls-contra-los-arcaismo s-socialistas/
http://unatemporadaenelinfierno.net/200
Muito bem lembrado , meu caro Pedro Correia .
É “perigo” que não se corre por cá .
o nosso holandinho- que em termos de parvoice ainda julgo que ganha ao outro) , bem pode ir tirando apontamentos para o que vai dizer qaundo ganhar as proximas legislativas
O mais surpreendente, para mim, foram as palavras de rendição total aos supostos méritos de Hollande emanadas de Lisboa, com destino a Paris, antes ainda de ele fazer fosse o que fosse. Quem assinou esse cheque em branco já deve estar muito arrependido.