Passos Coelho vai dizer a Angola o mesmo que Merkel diz à Grécia?


Sérgio de Almeida Correia,

Se houver coerência, Passos Coelho e Paulo Portas farão um manguito ao pedido de Angola, aplicando aos angolanos, como bem recordou José Manuel Pureza, os mesmos princípios que quiseram impor aos gregos relativamente à renegociação da dívida. Se o Jornal de Angola diz que os portugueses “enchem os bornais de dinheiro, à custa de Angola“, então é altura das elites angolanas comprovarem a veracidade do que foi escrito. Além do mais, estamos a falar de um país que tem petróleo e diamantes, coisa que os gregos não têm, pelo que não há qualquer razão para se voltar a perdoar a má gestão que Angola continua a fazer das suas riquezas.

Duvido é que Passos Coelho tenha coragem de dizer alguma coisa, pois é mais do género forte com os fracos e fraco com os fortes, como se viu pela sua receita interna. Mas os depauperados bolsos dos portugueses, que vão pagar até ao último cêntimo o empréstimo da troika, não têm de também suportar os gastos que as famílias dos generais e empresários angolanos fizeram na Avenida da Liberdade ou na compra de apartamentos no Estoril ou em Cascais, já que em matéria de banca o que compraram foi-lhes oferecido a preços de saldo.

0 comentários em “Passos Coelho vai dizer a Angola o mesmo que Merkel diz à Grécia?”

    1. Estão 200.000 portugueses em Angola, quem os defenderá das represálias que o desprezível regime angolano seguramente aplicará se não fizermos o que eles “exigem”?
      O Sérgio Almeida Correia?

      1. Meu caro Luís Marques é sempre muito fácil usar 200.000 para levar a esquecer os restantes 10 milhões.
        O que está em causa em Angola não são os 200.000, mas aquilo que se sabia aconteceria mais cedo ou mais tarde. Ou seja, aqueles que seriam afectados, portugueses e angolanos, com as políticas do dinheiro fácil que estavam aí para edificar prédios e fazer estradas sem planos para a manutenção de tudo isso no futuro.
        Mais ainda, o esquecimento das verdadeiras necessidades de um povo – lembrando-me agora do não investimento na agricultura, nas pescas, na pecuária… – através da entrega pontual de medicamentos procurando fechar as vistas de muitos em favor das manobras oligárquicas conhecidas, de um e outro lado do Atlântico.

        1. Estimado Vento,
          Não me leve a mal mas a mim parece-me mais fácil estar sentado aqui em Portugal ou noutro sítio onde impere o estado de direito e achar que o estado português haja como se não tivesse a responsabilidade de proteger os seus nacionais seja em que circunstâncias for. Quanto custaria uma repatriação forçada dos nossos emigrantes em Angola? Estamos nas mãos daqueles maganos, há que agir com cautela.

          1. Caro Luís,

            O que pretendi dizer é que a economia do betão, do alcatrão e da especulação tem penas curtas. Este ciclo fecha-se rápido e pode deixar pendurados em créditos não recuperados muitos países e empresas. O risco deve ser equacionado antecipadamente. É aqui que se determina a salvaguarda dos interesses nacionais e dos expatriados.
            Mas Portugal nunca age, somente reage.

            Os interesses oligárquicos salvaguardam-se, porque o que se perde num sítio ganha-se na associação noutros sítios. Basta olhar para as fusões, aquisições e participações e ver onde estas se domiciliam.
            Na realidade só ficamos nas mãos dos outros quando não pensamos. E o estado de direito tem de equacionar os interesses em todas as etapas. Muitas vezes os custos das políticas fomentadas são mais elevados que os benefícios que se julgava obter. AS oligarquias safam-se e o estado assume as responsabilidades, quando assume.

      2. Esses portugueses vivem lá porque querem; Portugal não tem qualquer responsabilidade sobre o seu destino. Se querem continuar a viver num país de terceiro mundo, cheio de violência e guerras civis e altas disfunções sociais que criam climas de insegurança e destabilizam a economia, o problema recai sobre eles.

        E acho até repugnante que sugira sequer que o governo deva ceder à chantagem dos angolanos; se um estado soberano não quiser renegociar uma dívida, tem de se pôr a pau para represálias contra os seus cidadãos? Que mentalidade idiota é essa? E o que vem a seguir? Pagar 100 milhões aos terroristas islâmicos por cada jornalista raptado?

        1. Idiota deve ter sido a senhora sua mãe quando o deu à luz. Muitos dos portugueses foram para lá para ganhar a vida, aqui na pátria não há trabalho, só mimpostos e sim, um estado que se preze e fraco como é o nosso, deve pensar sempre em tudo e defender os nossos compatriotas. No limite seremos sempre nóa a pagar.

          1. Não precisa de me lembrar que não há empregos aqui; eu perdi o meu há um mês, para que a PT pudesse colocar alguém no meu lugar a receber um prémio 2 vezes mais baixo do que o que eu ganhava, só para poupar uns míseros euros, como se eu tivesse culpa de o Bava ter ardido 900 milhões com gestão incompetente.

            Mas o mundo é grande, e nem todo pertence a ditadores africanos; os portugueses emigram de Portugal por razões económicas, sim, mas têm centenas de países por onde escolher; podem seleccionar países democráticos, estáveis, com economias funcionais, com sociedades niveladas, com um estado de direito independente, onde a imprensa não serve o poder. Tenho amigos que foram trabalhar para a Inglaterra em lares de idosos; é trabalho honesto, bem pago, num país civilizado e aberto, mas se calhar limpar diarreia de velhos não agrada a todos. Se calhar é isso que irei fazer daqui a uns meses.

            Muitos foram para a Angola porque é mais fácil falar português, e porque sabem que há lá muito dinheiro fácil. Por ele não se importam de ser pagos com diamantes de sangue, como reportado no livro de Rafael Marques (um Charlie a sério de quem ninguém fala), nem de andarem pela capital com escolta armada da empresa que os contratou; aos fins-de-semana ficam no quarto de hotel porque a empresa não lhes paga seguranças nas folgas. Eu conheço pessoas de lá; ouço as histórias dela; aquilo é um inferno, justificado apenas pelo dinheiro que ganham; e fecham os olhos ao que se passa por lá porque recebem boas maquias. Pois nesse caso que estejam preparados para penar por isso.

            Tem toda a razão numa coisa, Luís Marques; Portugal é um estado fraco; mas não acho que mostra grande vontade de mudar ao acatar com todos os dislates de ditadores de terceiro mundo. De longe prefiro ver Portugal bater o pé, para variar, e assumir uma posição forte do que transigir em nome de cidadãos que, em muitos casos, não tiveram escrúpulos para recusar a ganância. O que quer? Cada um tem a sua escala de valores; na minha, a dignidade e uma consciência tranquila vêm em primeiro lugar ao comodismo.

          1. Há lá coisa melhor que a zona de conforto: emprego vitalício ao pé de casa, no estado, na empresa publica ou na camara municipal, entrar às 9 e sair às 4 ( 9 às 5, era dantes), se possivel dentro dos braços da mãezinha.
            Afinal o português comum é feliz com muito pouco; com quase nada, até…

        2. Percebe-se que você é uma pessoa “bem” informada e de “elevado” espírito de solidariedade para com os seus conterrâneos.
          Eu que já não estou assim tão bem informado, até ler a certeza das suas palavras “pensava” que a maioria dos Portugueses que lá estão, se tivessem condições mínimas adequadas voltavam para Portugal. Foram para lá e para outros Países por necessidades profissionais e pessoais, muitos até com a família cá. Mas agora percebo o quão eu estava enganado. Depois existe um sintoma preocupante e que não tem cura, pois quando penetra no ser humano que escolheu é muito difícil sair, a Inveja. Quanto às políticas e investimentos do Eduardo dos Santos em Angola, não é preciso ser perito para perceber que não existiu planeamento estrutural no âmbito económico. Nada que seja de espantar.

      3. Claro que sim. E se correr mal ele garante cama e comida a todos em casa dele. Fora as receitas que ficam em Portugal pelos Portugueses que estão a trabalhar fora do País, pois uma boa parte são contratados cá para ir para lá. Mas como tem sempre quem goste do jogo do BOTA ABAIXO não se pode fazer grande coisa.

  1. Ui! Mas desde quando é que vamos conseguir falar com determinados países africanos, que se escudam constantemente por detrás do discurso do racismo e das elites brancas que pretendem dominar o negro? Nunca! Porquê? Por nós africanos, somos racistas, elitistas e sabemos colocar o dedo na ferida ocidental. Temos recursos naturais? Temos. Mas ainda vivemos com o mesmo tipo de pensamento tribal. Somos capazes de escravizar outro negro, violar, matar, esquartejar só porque aquele negro é de uma tribo diferente. A questão do racismo vai ser para todo sempre a pedra no sapato ocidental. E como nos rimos com isso! Afinal, nós sempre participamos no tráfico de ser humanos e temos orgulho no que fizemos. Temos petróleo, diamantes. Temos uma elite que é protegida pelo Ocidente. Nós damos-vos petróleo, diamantes, guerras civis e Ocidente permite que as elites vivam desafogadamente.
    Sou negra, sou africana. Não posso aceitar que um grupo de energúmenos que se acham os paladinos da voz africana, me represente. Nem eles, nem a corja que apoiam e suportam.
    Sou negra, sou europeia. Não aceito que um grupo de idiotas que se acham os paladinos da democracia, me represente. E nele incluo todos os governos portugueses pós-25 abril. Todos, mas todos, sem exceção foram convenientes com o governo angolano.
    Agora quanto a pagar….quem não paga em casa, não paga fora. Simples!
    E nada de armar confusão, porque se em Angola se lembram de começar a fazer reféns portugueses, podem ter a certeza que por cá, manteremos o silêncio a favor do governo Angolano. Por mim, pegava em todos de nacionalidade angolana e por cada refém português, eram deportados 15 dos deles. Mas com apreensão de bens.
    Pareço vingativa? Pois, sou africana. Mas moderna. Até penso em apreensão de bens.
    MLopes

  2. É melhor pedir opinião ao António Costa. Como se tem visto, consegue defender uma coisa e o seu contrário.

  3. Apoiado… José Manuel Pureza & Comp.

    Marchemos pela Av da Liberdade, gritando bem alto:

    ” Nem mais um contentor prá Angola”
    “Descolonização II , jÁ “
    ” Venham todos, todos vos queremos “
    “A luta continua – Angolanos para rua!”

    Para que a manif tenha sucesso garantido, deverá ser encabeçada por Almeida Santos e Mário Soares.

    Tenham juízo!!!!!!

  4. Quantos postos de trabalho em Portugal, e não falo dos portugueses que estão em Angola, que se aquilo correr muito mal voltam todos de armas e bagagens, dependem das nossas relações com Angola?
    Comparar as relações Portugal-Angola com as relações Portugal-Grécia, ou é má-fé, ou então ignorância pura e simples.
    Além disso, Angola tem um PIB per capita de 2700 dólares e a Grécia tem um PIB per capita superior a 18 mil dólares. São coisas parecidas, como se vê.
    Os que têm muita pena dos gregos mudem-se para lá, ou mandem para lá o seu dinheiro.

  5. Tenho pena dos gregos, como tenho pena de nós mesmos porque tanto eles, como nós, fomos governados por incapazes e medíocres. Quanto aos angolanos, era bom que não nos esquecêssemos que fomos nós os colonizadores, logo, fomos nós que lhes ensinámos o bom e o menos bom. Cuidado que se começamos a armarmo-nos em moralistas, lá vêm os emigrantes, com as mãos a abanar e depois que fará o estado português que um dia, os mandou emigrar e que hoje nada tem a oferecer-lhes

  6. Convem contar com 200 mil trabalhadores que com as familias serão 400 mil portugueses que é importante que se olhe por eles. Cá não temos emprego para lhes dar.

  7. Só nos faltava mais esta…

    Depois da epidemia da gripe entupir as urgências hospitalares, eis que surge outra: Syricusela!

    Uma desgraça nunca vem só!

  8. E estranho ver tanta defesa dos emigrantes por parte de pessoas que neste e noutros espacos sempre defenderam as politicas de emigracao deste governo. Pessoas essas que preferem calar e servir os interesses de outros estados em relacao ao nosso, quando a situacao convem. E cujos emigrantes sao apenas uma maneira de arranjar divisas para os depauperados cofres do estado.

    O mundo deu uma pirueta e nao nos avisou?

    E antes de alguem vir para aqui disparatar, 5 anos na Libia, 3 em Angola, 1 nos EUA e 2 em Franca, a trabalhar na Noruega. Conto comigo e com a minha familia. Sei ao que fui. O estado portugues deve impor as mesmas condicoes que nos sao impostas, nao porque esses estados(?)controlam metade do capital de metade das empresas portuguesas. Renegociar divida? Quando la ca dentro critica quem o queira fazer e joga ao lado dos ricos e poderosos europeus? Nem pensar!

    Saudacoes
    Daniel

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *