Passos Coelho e o desemprego: sobra ao discurso o que falta em percurso


Rui Rocha,

É lamentável a cultura média de aversão à coerência dos políticos. O facto de alguém se candidatar a Primeiro-Ministro e de ser eleito não devia ser encarado como uma oportunidade para mudar de opinião de acordo com as suas conveniências. E o exercício do poder democrático não deveria ter de ser encarado pela sociedade como uma situação que fica estigmatizada nas pessoas. E mais, quem está na Oposição tem a obrigação de evitar a tentação de distorcer e de aproveitar qualquer coisa para querer fazer uma tensão enorme no país. Até porque o país está um bocadinho cansado de crises artificiais. É por tudo isto que dificilmente se compreende que Passos Coelho, que considerou, em Maio de 2011, uma taxa de desemprego de 12,4% como um valor extremamente elevado que representava um sinal evidente da crise profunda que estávamos a atravessar, transforme agora, menos de um ano depois, a tragédia social a que então se referia numa promissora oportunidade.

9 comentários em “Passos Coelho e o desemprego: sobra ao discurso o que falta em percurso”

  1. Em percurso e experiência pessoal. Soubesse ele o que é o desemprego em primeira pessoa e talvez não falasse assim.
    Os nossos políticos gostam muito de falar, de dizer coisas, são políticos de palavra e não de acção e menos ainda de convicções, tal a facilidade com que alternam o discurso consoante o interesse da posição que ocupam.
    Se PPC se queixa da falta de iniciativa patente numa sociedade tipicamente socialista como a nossa, onde o mérito é o irmão bastardo da cunha, primeiro faça por mudar este estado de coisas e só então poderá falar.

  2. Meu caro, por mais que se esforce não evitará a bosta das afirmações de Passos Coelho, está dito, ao vivo e repetido para que não restem dúvidas. Miserável, em abono da verdade.

    1. Não sei onde foi buscar a ideia de que o post pretende suportar ou branquear as afirmações de Passos Coelho. Ou não leu até ao fim, ou leu de olhos fechados.

  3. Ainda se compreende menos devido à política socialista deste Governo.
    Que aumenta o Estado beneficiando a Economia Política em vez da Economia Livre não tem o direito de dizer que os Portugueses devem optar por uma Cultura de Risco ou seja Liberdade.
    Deve sim aconselhar os Portugueses a adoptarem(ainda mais) uma Cultura de Votos por Rendas Políticas pois é isso que este Governo incentiva com a sua prática.

    1. Ainda menos se compreende quando as afirmações são proferidade umas horas depois de reconhecer que a carga fiscal actual é insuportável. A missão dos empresários é criar riqueza. Não pode resumir-se a pagar impostos para o Estado desbaratar.

  4. Os políticos que gerem os empregos públicos dotaram-nos de um estatuto para portugueses de primeira, que são óbviamente quem eles determinam.
    Para se auto-justificaram, defenderam esse paradigma de ‘estabilidade de emprego’ que a economia recusa e que só serve para promover a ineficiência e a miséria geral.

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