Passado presente (especial)


jmmcc,

Este sinal de aproximação de linha de caminho-de-ferro

(com o perfil de uma velha locomotiva a largar fumo negro

e assim consagrado no antigo Código da Estrada) é centenário

e ainda subsiste, esquecido no meio do mato que o esconde

dos "amigos do alheio" e dos que cruzam montes e vales

para surripiar vestígios romanos e coisas assim.

Pelo-sim-pelo-não, é melhor que nem se divulgue muito onde vive,

antes que morra de morte-macaca.

Deve datar da segunda metade do século XIX e quem o descobriu

foi o nosso amigo Jorge Rêgo.

14 comentários em “Passado presente (especial)”

  1. Realmente não é razoável mencionar onde se encontram estas relíquias! tenho que ser mais comedido! Já agora, a todos recomendo uma visita ao Douro, mais propriamente ao Vale do Coa para verem uma paisagem belíssima e estações de caminho de ferro que embora já tivessem sido uma maravilha, estão neste momento em péssimo estado.
    Abraço.

    1. Sei do que falas e dobro a recomendação.
      As estações e apeadeiros de que falas são de lastimar. Ruínas de um património a que ninguém quer dar a mão. Pior: ninguém faz com que mude de mãos, porque não haveria de faltar quem lhes desse destino, como em tantos outros países. E poucos se podem gabar de tê-los com tanta distinção na traça arquitectónica, quase todos verdadeiros canteiros ajardinados de cor e depositários de bela azulejaria tradicional.

  2. Este passado presente pode ser especial, só que não é “especial de corrida”, pois se assim fosse, em vez de uma locomotiva a deitar fumo teríamos um TGV ou um Maglev em grande velocidade.

    1. Luís com a velocidade que neste país se apagam memorias e com a rapidez de um Maglev tenho a impressão que quando aparecer o TGV que também é rapidíssimo, estes senhores mais depressa o fazem desaparecer! É uma questão de proporção!

  3. Não é tão antigo assim.

    O Código da estrada e respectivos sinais é uma invenção do século XX.
    Esse sinal em concreto deve datar no máximo dos anos 40, quando foi implementada a primeira grande reforma das estradas desde Fontes Pereira de Melo.

      1. Encontrado há pouco na Wikipédia Bristânica:

        The basic patterns of most traffic signs were set at the 1908 International Road Congress in Rome. In 1909, nine European governments agreed on the use of four pictorial symbols, indicating “bump”, “curve”, “intersection”, and “grade-level railroad crossing”. The intensive work on international road signs that took place between 1926 and 1949 eventually led to the development of the European road sign system.

        Existe uma imagem de sinais de trânsito Checoesclovacos de 1922, onde aparece esse tipo de locomotiva.

        1. Bom trabalho, Luís Bonifácio. A explicação parece-me simples: parte dos sinais de trânsito (designadamente, os de aviso, porventura fruto de iniciativas isoladas e/ou posturas específicas caso a caso), já existia antes do primeiro Código da Estrada, que nasceu no século XX para reunir, completar, sistematizar e regulamentar a sinalética necessária e o comportamento do trânsito, em conformidade e por adesão ao acordo internacional a que maioria dos países foram aderindo durante a primeira metade do século passado (hoje, apenas a China e poucos mais estão de fora).

          Assim sendo, tenho poucas dúvidas: este sinal deve ser ainda do século XIX, talvez em resultado dos primeiros acidentes verificados no local, como acontecia em outros casos de sinais anteriores ao Código da Estrada. Só não sei (porque não fui investigar) se o nosso primeiro Código da Estrada tinha este sinal com esta figura ou se já era a imagem de uma locomotiva mais evoluída, conforme todos conhecemos.

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