Sei de cor vários poemas deste magnífico livro, Ivone.
“Eu, Rosie, eu se falasse eu dir-te-ia / Que partout, everywhere, em toda a parte, / A vida égale, idêntica, the same, / É sempre um esforço inútil, / Um voo cego a nada.”
“Quero um cavalo de várias cores / Quero-o depressa que vou partir. / Esperam-me prados com tantas cores / Que só cavalos de várias cores / Podem servir.”
“Mínimo sou. / Mas quando ao Nada empresto / A minha elementar realidade, / O Nada é só o resto.”
Magnífico livro, inesquecível colecção. (sim, este Reinaldo é filho do jornalista homónimo, o célebre Repórter X)
Muito presente para mim, Pedro. Tenho este belíssimo livro único de Reinaldo Ferreira, que pouca gente conhece já hoje em dia. E é pena.
Receita para fazer um herói
Tome-se um homem, Feito de nada, como nós, E em tamanho natural. Embeba-se-lhe a carne, Lentamente, Duma certeza aguda, irracional, Intensa como o ódio ou como a fome. Depois, perto do fim, Agite-se um pendão E toque-se um clarim.
Belíssimo poema esse. Outro dos que sei de cor desde há muito. Reinaldo Ferreira, que tantas vezes e tão bem foi cantado (“Menina dos olhos tristes / o que tanto a faz chorar?”), está de facto hoje injustamente esquecido. Uma vítima, entre tantas outras, de um certo cânone académico, tão medíocre quanto corrosivo, sempre pronto a desvalorizar quem não passa pelo oleado percurso das capelinhas literárias. E no entanto alguns dos maiores vultos da nossa literatura com perfil académico (lembro-me, por exemplo, do David Mourão-Ferreira) foram dos primeiros a celebrá-lo.
É verdade, Pedro. Esse oleado percurso das capelinhas literárias, como lhe chamas, não é, seguramente, garantia automática de talento. Muitos como Reinaldo Ferreira foram praticamente ignorados por não o terem palmilhado, o que é profundamente injusto. E saloio.
Carlos, eu também tenho. E quero ter mais: de vez em quando vou aos alfarrabistas para ampliar a minha colecção. Infelizmente, disto já não há no nosso mercado editorial corrente. Nem colecção nem editora. A cultura portuguesa ficou a perder.
“Dancemos/ já que temos a valsa começada/ e o nada deve acabar-se também/como todas as coisas”
Um dos esquecidos. (Filho do Repórter X, não era?)
Sei de cor vários poemas deste magnífico livro, Ivone.
“Eu, Rosie, eu se falasse eu dir-te-ia / Que partout, everywhere, em toda a parte, / A vida égale, idêntica, the same, / É sempre um esforço inútil, / Um voo cego a nada.”
“Quero um cavalo de várias cores / Quero-o depressa que vou partir. / Esperam-me prados com tantas cores / Que só cavalos de várias cores / Podem servir.”
“Mínimo sou. / Mas quando ao Nada empresto / A minha elementar realidade, / O Nada é só o resto.”
Magnífico livro, inesquecível colecção.
(sim, este Reinaldo é filho do jornalista homónimo, o célebre Repórter X)
Muito presente para mim, Pedro. Tenho este belíssimo livro único de Reinaldo Ferreira, que pouca gente conhece já hoje em dia. E é pena.
Receita para fazer um herói
Tome-se um homem,
Feito de nada, como nós,
E em tamanho natural.
Embeba-se-lhe a carne,
Lentamente,
Duma certeza aguda, irracional,
Intensa como o ódio ou como a fome.
Depois, perto do fim,
Agite-se um pendão
E toque-se um clarim.
Serve-se morto.
Belíssimo poema esse. Outro dos que sei de cor desde há muito. Reinaldo Ferreira, que tantas vezes e tão bem foi cantado (“Menina dos olhos tristes / o que tanto a faz chorar?”), está de facto hoje injustamente esquecido. Uma vítima, entre tantas outras, de um certo cânone académico, tão medíocre quanto corrosivo, sempre pronto a desvalorizar quem não passa pelo oleado percurso das capelinhas literárias. E no entanto alguns dos maiores vultos da nossa literatura com perfil académico (lembro-me, por exemplo, do David Mourão-Ferreira) foram dos primeiros a celebrá-lo.
É verdade, Pedro. Esse oleado percurso das capelinhas literárias, como lhe chamas, não é, seguramente, garantia automática de talento. Muitos como Reinaldo Ferreira foram praticamente ignorados por não o terem palmilhado, o que é profundamente injusto. E saloio.
Não tenho a menor dúvida, Ana. Isto entronca de alguma forma com o texto que a nossa Patrícia aqui deixou hoje.
Lembrei-me disso mesmo quando estava a comentar, tem graça.
Não há coincidências…
Isso também entronca… 😉
Errado Pedro, disto ainda há, pelo menos em minha casa. Disto e de outros autores da mesma colecção, sabe como é, a memória é importantíssima.
Carlos, eu também tenho. E quero ter mais: de vez em quando vou aos alfarrabistas para ampliar a minha colecção. Infelizmente, disto já não há no nosso mercado editorial corrente. Nem colecção nem editora. A cultura portuguesa ficou a perder.