Passado presente (CCCXLV)


Pedro Correia,

 

Editora Portugália

(Colecção Poetas de Hoje)

11 comentários em “Passado presente (CCCXLV)”

    1. Sei de cor vários poemas deste magnífico livro, Ivone.

      “Eu, Rosie, eu se falasse eu dir-te-ia / Que partout, everywhere, em toda a parte, / A vida égale, idêntica, the same, / É sempre um esforço inútil, / Um voo cego a nada.”

      “Quero um cavalo de várias cores / Quero-o depressa que vou partir. / Esperam-me prados com tantas cores / Que só cavalos de várias cores / Podem servir.”

      “Mínimo sou. / Mas quando ao Nada empresto / A minha elementar realidade, / O Nada é só o resto.”

      Magnífico livro, inesquecível colecção.
      (sim, este Reinaldo é filho do jornalista homónimo, o célebre Repórter X)

  1. Muito presente para mim, Pedro. Tenho este belíssimo livro único de Reinaldo Ferreira, que pouca gente conhece já hoje em dia. E é pena.

    Receita para fazer um herói

    Tome-se um homem,
    Feito de nada, como nós,
    E em tamanho natural.
    Embeba-se-lhe a carne,
    Lentamente,
    Duma certeza aguda, irracional,
    Intensa como o ódio ou como a fome.
    Depois, perto do fim,
    Agite-se um pendão
    E toque-se um clarim.

    Serve-se morto.

    1. Belíssimo poema esse. Outro dos que sei de cor desde há muito. Reinaldo Ferreira, que tantas vezes e tão bem foi cantado (“Menina dos olhos tristes / o que tanto a faz chorar?”), está de facto hoje injustamente esquecido. Uma vítima, entre tantas outras, de um certo cânone académico, tão medíocre quanto corrosivo, sempre pronto a desvalorizar quem não passa pelo oleado percurso das capelinhas literárias. E no entanto alguns dos maiores vultos da nossa literatura com perfil académico (lembro-me, por exemplo, do David Mourão-Ferreira) foram dos primeiros a celebrá-lo.

      1. É verdade, Pedro. Esse oleado percurso das capelinhas literárias, como lhe chamas, não é, seguramente, garantia automática de talento. Muitos como Reinaldo Ferreira foram praticamente ignorados por não o terem palmilhado, o que é profundamente injusto. E saloio.

  2. Errado Pedro, disto ainda há, pelo menos em minha casa. Disto e de outros autores da mesma colecção, sabe como é, a memória é importantíssima.

    1. Carlos, eu também tenho. E quero ter mais: de vez em quando vou aos alfarrabistas para ampliar a minha colecção. Infelizmente, disto já não há no nosso mercado editorial corrente. Nem colecção nem editora. A cultura portuguesa ficou a perder.

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