Ouvi ontem as palavras – parole, parole, parole – do Primeiro Ministro e fiquei irritada. De facto ser economista é uma menos valia nestas coisas da política.
Ou estes senhores que nos governam entendem que a classe média trabalhadora, os reformados e pensionistas dessa mesma classe média não aguentam mais sacrifícios, ou o caldo vai entornar.
Fazer trocadilhos com as palavras escolhidas para as decisões tomadas não resolve o problema. As medidas anunciadas envolvem um agravamento tributário sério e são injustas.
Governar é atenuar desigualdades, abrir oportunidades, evitar injustiças. Isso não está a acontecer e é bom que esses senhores que foram legalmente eleitos tenham consciência de que precisam de encontrar outro caminho. Este não serve e é necessário procurar alternativas. Para isso é que eles lá estão. E para isso também é que deve haver uma sólida oposição, na qual possamos confiar.


Para dizer a verdade já não me devia surpreender com os discursos e as ideias proferidas pelo sr. Coelho!
E no entanto, de cada vez que abre a boca saiem-lhe sempre “obscenidades” sejam elas políticas, económicas ou outras. E do modo como o faz dá a ideia de que acredita mesmo no que diz.
E é também sem surpresa que à posteriori surjam os papagaios que vêm justificar o que o “boss” afirmou, com argumentos qual deles mais disparatados.
Não merecemos isto! Mesmo considerando que somos pacíficos e bem comportados (“sobretudo lá fora”), não merecemos o que está acontecendo nem o que está previsto acontecer.
Cumprimentos.
Muito bem, Helena.
Subscrevo, Helena. Infelizmente estes senhores não pensam que “governar é atenuar desigualdades”.
Preocupa-me, em tudo isto, um facto inexorável: o envelhecimento gradual da população portuguesa e a ausência de quaisquer medidas que incentivem o aumento da natalidade, muito pelo contrário! Será que ninguém no governo é capaz de pensar a médio/longo prazo? Estão a obrigar-nos a avançar para um abismo! É de enlouquecer com tamanha falta de sensatez!
Por falar nisso, com a minha mulher a receber salário mínimo e eu desemprego (sem subsidio), bem podem ficar sentados à espera que eu contribua para a natalidade…
Não devo ser caso único…
Discordo.
Há 2 500 anos que andamos a discutir o que é a justiça. Seja na filosofia seja no direto. E ninguém chegou a nenhuma conclusão. Temos um instrumento: a norma jurídica. É o mínimo que se arranjou.
Quando um político refere justiça, diz o resultado da sua ideologia. Nada mais.
Um governo não visa “diminuir desigualdades”, visa proteger o seu Povo só, auxiliando aqueles que objetivamente por acaso estão atrasados à partida, mas não interfere no desfecho.
A Helena dirá que também escrevo ideologicamente, e tem razão, mas … … o contrário não é o vazio em que muitas vezes nos movemos? Quantos politicos do nosso país se inscreveram no partido por … saír na rifa daquela tarde, e ser um partido grande?
Mas algo que CONCORDO consigo , i. e., “Fazer trocadilhos com as palavras escolhidas para as decisões tomadas não resolve o problema”.
O contrato de confiança na dor está a dissolver-se. Para mim, dissolveu-se ontem.
As desigualdades existem nos países. Como existem nas famílias. O que fazem o/as chefes de família? Tentam atenua-las. É seu dever enquanto pais responsáveis. É seu dever quando são eleitos para conduzir os destinos de um povo que neles delegou essa função.
Penso assim. Mas aceito quem pense diferente.
Pois eu, para vos ser sincero, até esperava mais.
A verdade é que me parece uma jogada má em todos os sentidos.
Em primeiro lugar, politica – porque a fragilizar –ainda mais– a imagem do Governo com medidas de austeridade, mais valia implementarem medidas mais concretas mas que ao menos garantissem resultados. Essa ideia da ciência-Económica do: “deixa lá ver se resulta“, é uma bela nulidade. Em segundo lugar, económica – a ideia de haver algum beneficio fiscal para as empresas, com a redução da TSU, que as faça apostar na luta do Desemprego ultrapassa os trâmites da utopia. É por demais evidente que as empresas irão tentar com isso gerir mais equilibradamente o corte aos lucros que têm feito nos seus produtos e serviços, de modo a ‘lutar’ contra o aumento de impostos como o IVA. Rezam as beatas nas Igrejas da Direita, para que ao menos tenha um impacto nas taxas de Despedimento. Eu por cá, faço mezinhas para que, pelo menos, tenha uma boa influências nas contas públicas.
Fora isso, continua tudo na mesma: as negociações com as PPPs nem se sabe se são para este século, nem há indício algum da situação vir a alterar-se; não surgem benefícios fiscais-reais –mesmo que fossem temporários– a atrair investimento, o que laconicamente se resumiria a activar o Crescimento e melhorar as taxas de Desemprego e de Consumo Interno; coisa pouca, certamente.
Cara Helena:
“Governar é atenuar desigualdades, abrir oportunidades, evitar injustiças. Isso não está a acontecer e é bom que esses senhores que foram legalmente eleitos tenham consciência de que precisam de encontrar outro caminho. Este não serve e é necessário procurar alternativas. Para isso é que eles lá estão.” – Ou então para isso devem sair. É que pelos vistos, para eles não há alternativas.
Infelizmente, perante a «crónica de uma política anunciada» apenas me ocorre citar Montesquieu:«Não existe pior tirania do que aquela que é exercida à sombra da lei e com aparências de justiça».
Quando será que se entende que a classe média é o motor da Sociedade?
Quando será que se entende que o contrato social dos pensionistas deveria ser inviolável?
Quando será que existe coragem para políticas verdadeiramente corajosas?
Com toda a certeza, apenas quando, quem neste momento governa fique em posição de dizer:«Tinham razão».
E já agora, quando será que o Mundo Ocidental acorda para a necessidade de «impôr» o respeito pelos direitos dos trabalhadores na China?
Quando será que o Mundo Ocidental acorda para a evidência de que é impossível a manutenção dos Estados Sociais enquanto persisitir a mão-de-obra explorada na China?
Escutado numa esplanada do largo de Valnogueiras :
– Olha-m’esta , hein!?! – Passa o Ipad ao marido, apontando para o écran – Irritada ando eu, que não conheço Júlias que me arredondem o vencimento… quatro já nos levaram a nós! Falar assim do nosso Pedrinho, que Deus o proteja!… Pois ele pode até ser parolo três vezes, como a dondoca lhe chama, mas era um rapaz honesto e incapaz de dizer uma mentira até que se meteu em amizades com o narigudo, aquele filho dum mafarrico que desde sempre só o vemos a atirar pedras e a esconder a mão…
– Ó Maria, vê lá o que dizes, que ainda agora viemos de tomar o Senhor. Se leres bem, olha que ela diz sempre: “estes senhores”. Dá-me ideia que isto é um puxar de orelha e um recado ao próprio filho. E fá-lo da maneira que o pode fazer. O ganapo ainda é solteiro, bem sei, mas já tem idade para poder ser avô! Querias que ela o deitasse no colo e lhe desse umas palmadas no rabo?
– Dá cá isso! – agarra o Ipad e puxa-o com força arrancando-lho das mãos -, Só me faltava também tu agora a defender a pindérica. Logo à noite pede-me que te faça o curativo à unha encravada do pé, que eu mando-te ter com ela… pode ser que ser economista seja uma mais valia nas coisas da enfermagem! – começa a digitar violentamente umas palavras no Ipad -, Leva com este comentário e que lhe sirva de psicotrópico… pode não o meter, mas pelo menos tem que engoli-lo!
O Pedro Barbosa Pinto sente-se agora mais aliviado?
Peço-lhe desculpa se a minha boutade a ofendeu. Acredite que não era essa a minha intenção. Avisado que estava de que a Helena Sacadura Cabral estava irritada, devia ter tido mais cuidado com o que escrevia!
Nota pessoal: – Tenho que me converter ao bokononismo rapidamente! “Haja alguém que me ensine as mentiras agridoces de Bokonon”!
Excelente comentário.
Também não concordo com a solução. A redução de 5,75 pontos na TSU para as empresas não tem qualquer significado. O efeito no preço final do produto é residual. Creio que muitas das empresas vão utilizar esta descida para aumentar os seus trabalhadores e assim minimizar o brutal aumento na TSU para eles.
É o que eu viu fazer.
” O ASTRO” — últimos episódios:
_ ” Relva me chame doutô Quintanilha urgente…
— Bom dia… Coelho, tá -se passando algo de grave?
— Você leu esta croniqueta?
— Claro… eu passo ollhada em tudo o que é jonal e blogue, ante de ir no banheiro…
— E que que você me diz … pra mais vindo de quem vem!
— Não esquenta não…Coelho… não precisa,, doutra pata pra dá sorte não…
— Herculano….Perante esta gravidade voce tá de gosação… pra mais vindo de quem vem?!!!
esta noite até senti pesadelo : portas… rangendo e batendo…rato voando! Puxa Herculano… me deu até medo! fala pra mim …: o que devo fazê… me dá conselho… relva só atrapalha… e amanhã tem aquele debate quinzenal na Assembleia… Herculano meu mais de que tudo… que devo fazê?
— Herculano… Não ria… você tá rindo de quê? Tá vendo barco afundando é?!!!
— Não meu grandi amigo.. jamais entraria em gosação com você… é que há muito esperava por esta… prepararei discurso… tá aqui… lê tudinho:
— Senhora presidenta, senhores e senhoras deputados e deputadas… Chegou a hora… di vos dizê que estou farto que me trattem por; ladrão, carteirista, vigarista, patrono de mensalão, incopetente… toda a casta de improperio… chega…
Senhora Presidenta,…tão logo saia desta assembleia vou entregá ao Siô presidente da Républica a minha demissão imediata… Sou patriota… os outros partidos têm a solução dos problemas da Nação, seria injusto ( pra não dizê outra coisa) da minha parte não deixá para eles a salvação do país…Mas, mais um pormenó Senhora Presidente voi impô uma condição: o meu partido não entrará nas proximas eleições legislativas… tudo erá resolvido e da responsbiliadade deles!
(Gritos vindos mesa da Presidencia)
Peço mantenham a calma… não invadam as casas de banho… a empresa desentope tá chegando… houve reforço de papeu higiénico… pensamos seja únicamente um surto de diarreia…
— Uma voz :
Surto… qui nada é mesmo Susto! Senhora Presidenta.
— Eu não falei pra voce que era só fumaça?
– Obrigado Herculano…
Vamo isto fede… memo!
—
Fazer o papel do “advogado do diabo” nunca é facil, mais ainda quando se leva um rombo no orçamento familiar como é o meu caso: eu estou reformado, e a minha mulher trabalha numa instituição publica.
Posto isto, parece-me pertinente recordar como e porquê chegámos ao lastimável estado em que nos encontramos: Portugal esteve muito perto da bancarrota porque andou mais de quinze anos a gastar o que não tinha e o resultado disso é, entre outras coisas desagradaveis, o processo de empobrecimento geral, do estado e dos cidadãos, que estamos a viver. Isso foi dito há ano e meio por varias pessoas, mas parece que nos esquecemos depressa dessa inevitabilidade.
No entanto reconheço que Passos Coelho na passada 6ª feira cometeu um erro: quando anunciou estas medidas tão gravosas para as familias portuguesas, deveria ter anunciado ao mesmo tempo o que é que vai fazer em relação aos grandes rendimentos, sejam eles de que proveniencia forem.
As vestais do costume andam há dois dias nas tvs a debitar as suas doutas opiniões, mas ainda não ouvi nenhum dizer como é que resolviam os problemas.
Há cerca de uma semana, escrevi noutro blog o seguinte: se o PS votar contra o proximo orçamento e depois for fazer as queixinhas do costume ao TC e este decidir de molde a pôr em causa o OE/13, o 1º ministro deve demitir-se e explicar aos portugueses que devem expressar nas urnas o que é que querem: ou o regabofe dos ultimos anos, ou terem apesar de tudo a hipotese de um futuro decente.
Passos Coelho não deve ter medo das roturas nos momentos dificeis, porque são clarificadoras; Sá Carneiro também não tinha!
Verdade? Segundo que valores você e qualquer Português tem direito a 13 mil milhões de Euros.
Todos os anos. Nos anos anteriores ainda foi pior.
Se é economista sabe o que isto representa? : http://www.igcp.pt/fotos/editor2/2012/Bo letim_Mensal/08_BMensal.pdf
Acha que um país pode viver com défice para sempre?
Portugal nos anos 90 era um país mau?
Pois é para aí que iremos quer os portugueses queiram ou não. Na menos má das hipóteses.
A única alternativa é irmos para a riqueza dos anos 80 ou 70.
Admiro a sua frontalidade e coragem, quando derivado das circunstâncias, até lhe seria mais fácil esconder-se neste período atrás de posts do tipo ” As cem belles toujours que deveriam ter ganho o prémio de miss universo”.
Caro Siô Liberato
A Globo gostaria de podê falá pâ ousê de coragem…. da tal familia rayala….
Mas aí , nós távamos falando do episódio finau…
E esperamos não te não im portas .
Tá certo?
Boas férias se tivé feirando!
Obrigada, caro Liberato.
Mas como poderá ver pela “delicadeza” de certos comentários, eu não tenho direito a existência própria!
A frontalidade feminina é ainda mal tolerada, mas isso faz parte do nosso ADN.
“…ser economista é uma menos valia nestas coisas da política…”
Talvez seja, mas PPC não é economista, tem uma vaga licenciatura em gestão, e de economia já provou que não sabe nada. Mas o Gaspar também parece que não sabe…
“…Ou estes senhores que nos governam entendem que a classe média trabalhadora, os reformados e pensionistas dessa mesma classe média não aguentam mais sacrifícios, ou o caldo vai entornar…”
Sugiro uma conversinha, entre mãe e filho, com um dos responsáveis desta vergonha…
E eu sugiro, meu caro Cardoso da Silva, que não confunda o que eu penso com a vida profissional do meu filho, ou aquilo que ele pensa. Porque, também ele, nunca confundiu a minha vida com a dele.
Se o facto de eu ter filhos na política me levasse a dar-lhes recados ou lições, algo estava mal na família. Curiosamente, ninguém se lembra que ambos têm um Pai interventivo, que já foi do governo e que até tem filiação partidária. Porque será?!
Cara Helena (espero que os meus 70 anos me permitam dirigir-me a si desta maneira informal), a sugestão era a brincar. Mas olhe que se eu estivesse no seu lugar acharia que seria mais útil concentrar esforços a tentar convencê-lo a ele do que a nós que, na grande maioria, já estamos convencidos… E como ele, como todos os da sua família, é uma pessoa inteligente, não deveria precisar de muito para se convencer…
O problema neste momento resume-se mesmo à parte final do seu post: “uma sólida oposição, na qual possamos confiar”.
Eu já nem peço sólida, bastaria que existisse e fosse de confiança.
Até parece que o PS fez melhor!
Tenha juízo!
«(…) legalmente eleitos (…)»
Exacto.
Neste momento, apenas já se pode dizer “legalmente”.
Pois que a legitimidade, essa sim a base da aceitação do mando, morreu!!
Quantos mais dias até..??
Isto ainda é mais miserável:
“Não foi por exigência da “troika” que o Governo decidiu aumentar a contribuição dos trabalhadores para a Segurança Social e baixá-la para as empresas. O chefe da missão do FMI garante que a ideia foi do Executivo. Em entrevista ao Público, Abebe Selassie diz ainda que a economia não vai sobreviver se só houver austeridade e que a simples redução dos salários não vai resolver o problema da crise.”
Concordo com o “desabafo” de hoje, acima, e Seguramente precisávamos de um Arthur Laffer como conselheiro de Estado, mas, pergunto-me, por vezes, se o desequilíbrio ” está nos políticos portugueses, ou se eles apenas são um reflexo da mente de todos nós portugueses? A maneira de pensar deles é muito diferente da nossa se lá estivéssemos? Se estivessem lá os nossos familiares, amigos, vizinhos, colegas de trabalho, etc….que conhecemos do dia a dia???? E, pergunto se não seria benéfico, para tentarmos ter uma classe política mais eficaz, adoptar 2 medidas: A de ninguém poder exercer um cargo politico se não tiver no mínimo 10 anos de experiencia de trabalho efectivo, e, poder escolher a sua equipe de trabalho sendo devida e cabalmente responsabilizado por ela e pelas acções resultantes…. e, cada um de nós, ler muito, pesquisar muito, querer muito aprender, e, pensar por si proprio…….mas…..isso dá trabalho….!!!!! Muito trabalho…..!!!!