Nos últimos dias, quando já era óbvio que a Grécia teria de fazer transformações difíceis ou escolher o caminho do isolamento, os comentadores nacionais continuavam a fazer observações que não resistiam a poucos segundos de análise. A comunicação social tem de parar para pensar: ontem, nas televisões, eram poucas as opiniões informadas e sensatas, foram frequentes as patetas. Nos jornais, para a maior parte dos comentadores, havia bravos gregos contra tenebrosos imperialistas. Ninguém parecia saber como funcionam estas negociações multilaterais e proliferavam interpretações nacionalistas, ideias anti-alemãs, comparações absurdas, como se a Grécia (que deve uma fortuna e pedia uma pipa de massa) estivesse a ser forçada a tomar cicuta.
A opinião pública teve certamente dificuldade em perceber o que ia acontecendo e está explicada a crise na nossa Imprensa. Os que não têm acesso a fontes em outras línguas ficaram com uma ideia distorcida dos factos (basta consultar o essencial dos comentários no Facebook), mas houve mais aspectos significativos, como o anti-europeísmo feroz de muitos dos comentários e o desaparecimento dos partidos que até agora descreviam Alexis Tsipras como semi-Deus.
O acordo da madrugada terá difícil aplicação, mas para já salva a Grécia da queda imediata no abismo. Como diziam os responsáveis europeus, numa interpretação pouco seguida entre nós, o problema dos gregos está no modelo de sociedade e numa economia dependente de um sistema político disfuncional. No fundo, em troca do terceiro resgate, esgotada a confiança dos credores, Atenas teve de aceitar uma profunda transformação nos seus hábitos económicos e da própria forma de funcionamento do Estado. Em troca de ajuda financeira em larga escala, serão efectuadas várias reformas estruturais que estavam por fazer e haverá maior vigilância dos credores. Só isto explica as exigências de fazer tudo muito depressa, na realidade em escassos dias: vem nos livros, as mudanças sistémicas fazem-se em processo de choque e pavor.


São observações lúcidas que merecem naturalmente atenção. Para mim, é deveras difícil de ingerir o turbilhão mediático contemporâneo. Fico também perturbado com as dicotomias, com a polarização – muitas vezes artificial – excessiva que o debate público enreda-se. Digo “artificial” porque, por exemplo, no nosso país os interesses partidários influenciaram e muito a opinião pública em torno da Grécia, isto para ganharem pontos junto do eleitorado. Em suma, ficamos reféns da salgalhada contínua sem a clareza necessária para assumir uma posição fundamentada.
Partindo do grego, desde o inicio que se percebeu, só não viu quem não quis ver, que se tratou de uma parola e prolongada tentativa de chantagem. Sobram sapos para o almoço de muita boa gente e boa digestão para os nossos atrelados especialmente para a bem carregada zorra do rato. Ê inútil tentar perceber tanto Tsipras como o nosso Costa. Será que viram o disco para continuar com musica ronceira?
Caro Luís,
o dia de ontem, na história da «construção europeia» ficará por certo recordado como um dia negro. Lembrei-me de um episódio com o qual encontrei, no imeadiato e salvaguardando as devidas proporções, algum paralelismo: o discurso do imperador etíope na Liga das Nações à 80 anos atrás!
“ontem, nas televisões, eram poucas as opiniões informadas e sensatas, foram frequentes as patetas.”
Isso é por causa da politiquice interna e do medo que o PS perca as eleições, porque os socialistas puseram “fichas” no Syriza e perderam. Perderam porque foram oportunistas e leram mal a situação europeia. Mas como não se pode dizer que o Costa errou, culpa-se a Europa.
Mas alguém com algum tino achava que o Syriza ia “pôr a Alemanha no sítio”? Estamos a falar de uma zona económica e monetária, de DINHEIRO. Os ricos não brincam com o dinheiro, os Syrizas desta vida talvez. Quando se projecta a politiquice interna numa crise externa, dá porcaria.
A “Comunicação Social” não existe.
É Comunicação Política: o Publico, o Expresso, o DN, a RTP, a SIC , a TVI são orgão de Comunicação Política.
E existem para dar poder à Política e sobrevalorizar a Política.
Para as pessoas acreditarem que a política lhes pode resolver todos os problemas.
Os orgãos de Comunicação Política escondem que a maior aumento de riqueza que os portugueses tiveram nos ultimos 30 anos se deveu à tecnologia não à política. Que veio do estrangeiro. Logo ainda menos aos políticos portugueses.
Como a Política só pode ser socialista, pois o que é Político é eliminação de alternativas, a Política é escolha de um caminho único. Logo um Media de Comunicação Política só pode ser Socialista- seja socialista de Direita ou de Esquerda.
Com estas medidas que vai acontecer à Grécia? Vão arrumar as contas? Que faziam o BCE, FMI e o credores quando mandavam dinheiro e não questionavam se eles poderiam pagar? Não culpem os gregos, nem este governo, culpem aqueles que pediram e os que emprestarem sem nunca se interessarem se tinham hipótese de pagar. Esses onde estão e como estão? Certamente não estão em falência, mas provavelmente estarão no bem bom e sem remorsos, de como deixaram um povo, à mercê, duma UE que tudo faz para os massacrar e deixar à sua sorte.
A plebe é vítima e é usada através da instrumentalização política da informação. Infelizmente esse é o maior dano colateral provocado pelo que eu digo ser: o oceano de informação em que vivemos mergulhados.