Parabéns


Pedro Correia,

“Estamos todos de parabéns”, tenho ouvido dizer toda a manhã.

Não estamos. De parabéns estão os futebolistas e o seleccionador que levaram Portugal a conquistar o título de campeão da Europa.

0 comentários em “Parabéns”

  1. De chineses a árabes, recebi parabéns de diversos amigos, nos 4 continentes (faltou a Oceania).
    Quem não entende a dimensão global do futebol, não entende o mundo onde vive.

  2. Não estamos não.
    De parabéns, estão Fernando Santos, Cristiano e todos os jogadores.
    De vergonha, está praticamente toda a “inteligência” nacional, supostamente especializada e comprovadamente ignorante e pouco patriótica.
    João de Brito

  3. Eu sei que o contraste que se segue foi abordado por alguém na A1, esta manhã.
    Mas, antes de o ouvir, já o tinha pensado e decidido escrevê-lo aqui.
    E o contraste a que me refiro está personificado por Fernando Santos e por Durão Barroso.
    São dois mundos diferentes.
    Adoro o primeiro.
    Abomino o segundo.
    Assim, sem explicações…
    João de Brito

  4. Diz a ortodoxia que a FÉ é um dom.
    Não fui com ele agraciado e duvido que algum dia o venha a ser.
    Aquela espécie de oração final que Fernando Santos rezou, emocionado, na hora da vitória, provavelmente não me converterá, mas, mais que nunca e que ninguém, me convenceu do suplemento que ela representa:
    – a FÉ em Deus… nas pessoas… nos objetivos.
    Que grande lição!

    1. Um vencedor que não é arrogante nem deslumbrado. Traçou um plano, incutiu ambição nos jogadores, e manteve-se fiel ao plano traçado.
      Como se fosse a coisa mais natural do mundo. Mas não é.

  5. Verdade Pedro. Hoje muita gente me dá os parabéns. Agradeço e respondo que não são para mim, que nada fiz pela vitória. Não joguei, treinei, não tratei de equipamentos, comida, transportes ou alojamentos, não comprei bilhetes, merchandising ou sequer assino televisões que contribuam para o dinheiro recebido pelas selecções. Nem sequer trabalho em Portugal, pelo que nem os meus impostos contribuem.

    A vitória vai, antes de mais, para os jogadores e treinadores e depois para os restantes membros da comitiva. Eu? Eu estou simplesmente feliz.

    1. Comigo aconteceu o mesmo, João. Não me sinto merecedor de parabéns, de forma alguma.
      Eu é que sinto necessidade de dar os parabéns a quem trouxe este troféu inédito para Portugal.

      E, sim, também me sinto feliz. Basta-me – e de que maneira.

  6. Bla,bla,bla,bla,……………………………………………………….………………………………….………………………………….………………………………….………………………………….………………………………….………………………………….………………………………….………………………………….……………bla.
    Este país, este povo, não merece os políticos que tem.

  7. É tudo muito lindo – mas, heish!…vão ter que gramar estas alegrias esfuziantes, pisadas e repisadas pelos media tv, a semana inteira. Ou mais.

    A competição obriga a manter o fogo acesso para que não decaia num borralho.

    Vão espremer o limão até que se faça em pó.

    Bem hajam blogs, jornais em papel e on line.
    Senão, balhamedeus, cruzes canhoto, tarrenego barzebu…

  8. Pois! Esquece-se de que os futebolistas foram representar Portugal e Portugal somos todos nós. A Selecção não é uma equipa qualquer, é a equipa que leva o nome de Portugal.

      1. Por isso mesmo foram parabenizados. A França é que se esqueceu que Portugal ganhou, esquecendo-se que Portugal, não tem as cores da França. Lamentável!…

  9. O Pedro Correia sabe o que penso do futebol. Deverei escrever, daquilo em que o futebol desgraçadamente se tornou.

    Também por isso, por me afastar de forma insusceptível de conciliação com a visão política e socialmente correcta da coisa, assim aceite por tanta gente que me merece a maior consideração como seres pensantes (sem dúvida errado estou eu, só lamento não ter sido tocado pela Graça da Bola), tenho lido e lido e lido o que pela blogosfera se tem escrito sobre o desfecho deste campeonato – e alguns (um deles seu) desses textos, exuberantes demonstrações de elegância e culto do nosso idioma – sem uma palavra de comentário. Ou melhor, comentei brevissimamente, e não aqui, uma única vez; esta será a segunda.

    Tomarei a sua palavra como autoridade na matéria. Diga-me: não beneficia a selecção portuguesa de futebol, em grau maior ou menor de dinheiros públicos? Se não, nada a dizer. Se sim, eu considero-me no direito de ser destinatário de felicitações. Como acionista (sem ser tido nem achado na minha vontade de o ser) proporcionei fundos que contribuiram para o atingimento de um objectivo que resolveram afirmar ser também meu. Que diabo, quero a minha parte dessa glória. Quero, pelo menos, poder – querendo – reclamar a minha parte dela…

    Costa

    Ps.: magnífica observação aquela feita acima, por Rui Rocha, sobre a penosa conduta do presidente desta república. De um catedrático de direito e um católico culto na sua visão da religião, ainda que amante de futebol (e com toda a legitimidade) não esperaria tamanha rendição aos ditames da hipocrisia política (política e futebol, cá está…) e desta desgraçada política de acalmaçāo que nos leva de volta ao buraco de que, com tantos e tão cruéis custos, parecia que começávamos a sair.

    1. Meu caro, a FPF é um organismo dotado de inteira autonomia administrativa e financeira, que não depende de dotações inscritas no Orçamento do Estado. Ainda há meses foi inaugurada a Cidade do Futebol, no Jamor, com financiamento próprio: seis milhões de euros, sem custar um cêntimo ao contribuinte.
      A FPF é financiada essencialmente pela UEFA e pela FIFA, além de patrocínios e receitas de jogos. Acaba de receber 25 milhões de euros pela participação da selecção sénior de futebol no Campeonato da Europa.

      1. Fico-lhe grato pelo esclarecimento. Não reclamo, assim sendo, qualquer quinhāo no sucesso da selecção de futebol da FPF. Não teria em qualquer caso essa intenção, menos ainda agora que fico esclarecido da minha ilegitimidade para o efeito.

        Vinte e cinco milhões? Se forem taxados com o mesmo esmero com que o fisco taxa o meu salário, não chegarão a sobrar treze. Espero que não haja tratamentos de favor que o Novo Tempo tem que o ser para todos.

        Quanto à cidade do futebol, sim, já me tinha constado a existência. Digamos – é aliás uma evidência de absolutamente ociosa invocação – que por esses meios (do futebol) se não padece da doença da modéstia.

        Enfim, um módico de bom senso seria sempre bem-vindo. Mas se o negócio tem financiamento privado, chamem-lhe até império celestial da bola… Desde que todos esses dinheiros, todos os do mundo do futebol, tenham origem absolutamente lícita e percurso integralmente monitorizado e sob alçada das finanças. Sem regimes de favor.

        Costa

        1. Além do mais, meu caro, convém não esquecer o seguinte: o futebol não é só um desporto. É também uma relevante actividade económica. Responsável por cerca de 80 mil postos de trabalho directos ou indirectos em Portugal.

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