Outro belíssimo dueto que um dos meus comentadores aqui no Delito de Opinião me enviou e que agora partilho convosco. De facto, os braços de uma mãe não têm medida. E as saudades da pátria, também não!
8 comentários em “Para os braços da minha mãe”
Não sendo um particular apreciador de Pedro Abrunhosa (ou de Camané), apesar de lhe reconhecer um enorme talento musical e jeito como letrista – já como cantor, tenho dúvidas – esta música é belíssima e todos os que já andaram nessa vida de emigrante, seja de mala de cartão e a salto ou de Samsonite e avião, sabe bem a verdade da letra. E queremos, muito, volta para os braços das nossas mães (seja a física seja a figurada – queremos muito, todos os dias, a nossa família e o nosso país).
A minha Mãe foi para mim, como a grande maioria das Mães serão para os seus filhos, um farol e um porto de abrigo. Quando tinha vinte e poucos anos estive dois anos sem a ver. Acresce que tendo a minha Mãe três filhos, estivemos todos durante vários anos fora de Portugal, e os meus irmãos nem sabiam quando poderiam regressar. Posto isto, e salvo melhor opinião, acho esta músiquinha uma lamechice. Se me permite Helena, sobre o assunto, prefiro isto:
Alexandre Amália, José Régio e Alain Oulman – conheci todos – é um trio de gigantes que não tem comparação com mais ninguém. Talvez só Ary dos Santos. Pedro Abrunhosa e Camané – sobretudo este último – não são geniais. Mas fazem de uma letra lamecha – para usar a sua expressão – algo que tem muito a ver com uma certa emigração e a dor que ela causa nas mães iletradas que cá ficam. Aprendi há muito tempo que há gente, boa gente, para quem a saída dos filhos é este lamento, este choro mal contido. Eu também tive filhos e netos ausentes no estrangeiro. Nunca expressei o que me ia no coração, porque fui assim educada. Mas quantas vezes, meu Deus, o coração que bate no meu peito não terá sido assim lamecha?!
O que me ocorre, a propósito desta canção (de que gosto) é que esta “nova emigração” tem direito ao Pedro Abrunhosa… a “emigração-do-costume” tem de se ficar pelos vários cantores pimba que se dedicam a esse mercado 🙂
(Devo dizer que sobre este tema, na mouche, mesmo na mouche, é o fado “Prece” que, antes da Gaiola Dourada, eu ouvi pela primeira vez num jantar de emigrantes em Bruxelas…)
A saudade e a dor na música: o Fado, os ‘Blues’, ‘Gospel’ e o pessimismo romântico. Neste estado de beatitude seria necessário alterar o sofrimento, a nostalgia e a dor, para um estado de coisas favoráveis “a um grande sim, à vida”. Mas este reportório musical leva-nos por uma estrada sem um fim à vista, com iniciação à tristeza, melancolia, mágoa e angústia da própria existência humana. Infelizmente, muitos dos artistas portugueses na área do fado e do ‘pop’ rock regozijam-se do milagre meta físico dos seus trabalhos, talvez por acharem um destino mais consolador e gratificante para satisfazer o consumidor que é mais feliz na infelicidade.
Não sendo um particular apreciador de Pedro Abrunhosa (ou de Camané), apesar de lhe reconhecer um enorme talento musical e jeito como letrista – já como cantor, tenho dúvidas – esta música é belíssima e todos os que já andaram nessa vida de emigrante, seja de mala de cartão e a salto ou de Samsonite e avião, sabe bem a verdade da letra. E queremos, muito, volta para os braços das nossas mães (seja a física seja a figurada – queremos muito, todos os dias, a nossa família e o nosso país).
A minha Mãe foi para mim, como a grande maioria das Mães serão para os seus filhos, um farol e um porto de abrigo. Quando tinha vinte e poucos anos estive dois anos sem a ver. Acresce que tendo a minha Mãe três filhos, estivemos todos durante vários anos fora de Portugal, e os meus irmãos nem sabiam quando poderiam regressar.
Posto isto, e salvo melhor opinião, acho esta músiquinha uma lamechice. Se me permite Helena, sobre o assunto, prefiro isto:
http://www.youtube.com/watch?v=1YriVM8sC 7M
Alexandre
Amália, José Régio e Alain Oulman – conheci todos – é um trio de gigantes que não tem comparação com mais ninguém. Talvez só Ary dos Santos.
Pedro Abrunhosa e Camané – sobretudo este último – não são geniais. Mas fazem de uma letra lamecha – para usar a sua expressão – algo que tem muito a ver com uma certa emigração e a dor que ela causa nas mães iletradas que cá ficam.
Aprendi há muito tempo que há gente, boa gente, para quem a saída dos filhos é este lamento, este choro mal contido.
Eu também tive filhos e netos ausentes no estrangeiro. Nunca expressei o que me ia no coração, porque fui assim educada. Mas quantas vezes, meu Deus, o coração que bate no meu peito não terá sido assim lamecha?!
O que me ocorre, a propósito desta canção (de que gosto) é que esta “nova emigração” tem direito ao Pedro Abrunhosa… a “emigração-do-costume” tem de se ficar pelos vários cantores pimba que se dedicam a esse mercado 🙂
(Devo dizer que sobre este tema, na mouche, mesmo na mouche, é o fado “Prece” que, antes da Gaiola Dourada, eu ouvi pela primeira vez num jantar de emigrantes em Bruxelas…)
Na mouche, mesmo na mouche, este seu comentário ! 🙂
É a diferença entre o sentimento genuíno e o “mercado da saudade”… para não lhe chamar “oportunismo da saudade”, Lina… 🙂
Gente como esses comentários são amargos e prepotentes. Estou ouvindo pela primeira vez em 2021. A poesia é sim e linda.
A saudade e a dor na música: o Fado, os ‘Blues’, ‘Gospel’ e o pessimismo romântico. Neste estado de beatitude seria necessário alterar o sofrimento, a nostalgia e a dor, para um estado de coisas favoráveis “a um grande sim, à vida”. Mas este reportório musical leva-nos por uma estrada sem um fim à vista, com iniciação à tristeza, melancolia, mágoa e angústia da própria existência humana. Infelizmente, muitos dos artistas portugueses na área do fado e do ‘pop’ rock regozijam-se do milagre meta físico dos seus trabalhos, talvez por acharem um destino mais consolador e gratificante para satisfazer o consumidor que é mais feliz na infelicidade.