Papeleta


Sérgio de Almeida Correia,

 

As tristes figuras de Gilberto Madaíl e do elenco de gerontes que ele vai mantendo na Federação Portuguesa de Futebol parecem não ter fim.

Ainda uma novela não acabou e já outra começa. Agora é a novela José Mourinho, que se iniciou com uma viagem a Madrid para convidar o técnico a dirigir a selecção em dois (!) jogos.

No episódio seguinte Mourinho mostrou-se disponível e remeteu uma decisão para a direcção do Real Madrid.

Entretanto, a comunicação social divulgou que Madaíl vai assinar um contrato por três anos com Paulo Bento, já na próxima segunda-feira.

Em Madrid, José Mourinho diz que não entende o que se está a passar e por que razão o Real Madrid não o autorizou a aproveitar dez dias de férias para treinar a selecção nacional.

Estabelecida a confusão, Jorge Valdano vem esclarecer, e evidentemente que o fez em nome da honorabilidade do Real Madrid, que a FPF não apresentou nenhum pedido formal ao clube espanhol para dispensar Mourinho para esses dois jogos da selecção portuguesa e que sem uma solicitação a direcção do clube nunca se poderá pronunciar sobre uma eventual autorização a Mourinho. Parece óbvio.

Mas então que foi Madaíl fazer a Madrid com João Rodrigues? Almoçar? Fazer umas massagens? E para que permitiu a divulgação da viagem? Há maneiras mais discretas de fazer essas coisas.

A gente não estranha que Gilberto Madaíl tivesse chegado a deputado (do PSD, convém dizer, já que é o case study mais completo da rica política portuguesa) e a presidente da Federação Portuguesa de Futebol.

Onde se avolumam as dúvidas é sobre a necessidade, depois de todos os episódios, passados, presentes e os que hão-de vir, até que o fulano e a sua gente se sumam da vista, de saber se ainda valerá a pena esclarecer alguma coisa. E se alguém ainda estará disposto a ouvi-lo.

O estado em que vive a estrutura dirigente do futebol português já não é de catástrofe. E no grau zero da credibilidade seria estultícia esperar alguma coisa. Há situações clínicas em que os esclarecimentos do paciente se tornam dispensáveis. Tudo o que possa ser dito por Madaíl a partir deste momento só poderá ter interesse científico.  

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