Palavras para recordar (41)


Pedro Correia,

GetResource[1].jpg

 

CAVACO SILVA

RTP, 29 de Dezembro de 2010

«O Governo [de José Sócrates] está a tomar medidas [contra a crise]. A prova disso é que aprovou um Orçamento do Estado que prevê a redução do défice para 4,6% e está a colocar as finanças públicas numa situação sustentada.»

15 comentários em “Palavras para recordar (41)”

  1. Caro Pedro:
    Frase visionária, ao nível qualitativo da decisão de censurar a candidatura do livro do Saramago, através do moço de recados Sousa Lara.
    Um favor feito ao júri, que não teve o trabalho de recusar-lhe o prémio.
    Teve ainda mais duas frases lapidares: aquela em que elogia o Programa (socratino) de Obras da Parque Escolar, pois estimulava o tecido empresarial interno (e a corrupção em larga escala, como se viu).
    E a terceira, quando afirmou, sem pestanejar (fazendo tandem com outro visionário, o Governador do BdP, Carlos Costa) que o então BES estava de boa saúde, tranquilizando, assim, os Portugueses, para nele depositarem as suas economias (em produtos BES, garantidos pelo património «indestrutível» do Grupo BES, como papagueavam os funcionários do banco aos clientes).
    Estas três frases visionárias talvez ajudem a explicar a situação que vivemos, de recente bancarrota (e a actual de pré-bancarrota, só falta a Itália ter um forte espirro, quanto mais uma constipação).
    Com estadistas assim, irás longe, Portugal.
    ———-
    P. S. Para não falar da criação, em 1989, do NRRFP (Novo Regime Retributivo da Função Pública), a que Miguel Beleza chamou Novo Regime Ruinoso da Função Pública.
    A luta dos professores, e suas consequências financeiras, confirma-o.
    Abaixo o Kavako, abaixo, Pim!, diria o Almada Negreiros.
    (Manuel Silva)

    1. Esta frase, para mim, é das mais reveladoras do que foi o mandato presidencial de Cavaco.
      Com a agravante de tratar-se de um professor de Finanças Públicas. Tinha, portanto, responsabilidades acrescidas quando se pronunciava sobre esta matéria.

  2. Apenas mais um exemplo da sua capacidade de avaliação.

    Por muito marteladas que as contas fossem (e se foram!), economia era a especialidade do então PR. (Ênfase no artigo definido)

    Por aqui também se consegue perceber um pouco como podem ser diferentes academia e mundo.

      1. Não tenho benignidade para tal governante.

        Nem malignidade, a bem dizer… é a assim a modos que uma frieza de faixa por faixa, e só lhe salvo as cagarras.

  3. Por acaso José Sócrates não estava a encobrir a verdadeira situação financeira do país? Ao que ouvi ao ministro Teixeira dos Santos a coisa estava preta em termos de money!

    1. Se Cavaco Silva, especialista em finanças e supostamente a pessoa mais bem informada do País, não se apercebia de nada a quatro meses da vinda da ‘troika’, resta a alternativa de ser incompetente.
      Não vou por aí.

      1. Usou uma frase para fazer sentir bem ou foi incompetente.

        Para começar 4.6% de défice não são sustentáveis – note-se que o défice não foi 4.6% mas mais do dobro.

        Bastava olhar para as publicações mensais do IGCP e a evolução da dívida.para perceber que anos antes o caminho era insustentável.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *