Palavras para recordar (1)


Pedro Correia,

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JOSÉ ANTÓNIO SARAIVA

Sol, 8 de Dezembro de 2007

«Com os computadores, os últimos elos que restavam nas relações familiares foram quebrados.

O computador estimula a solidão.

O computador promove o homem anti-social – que, no limite, passa a vida em frente de uma máquina sem precisar de sair de lá.»

17 comentários em “Palavras para recordar (1)”

  1. Desculpe, caro Pedro, que usanado o título que dá a este seu ‘post’ lhe pergunte:
    Serão «palavras para recordar» aquelas que diziam que este blog era um espaço de liberdade onde as opiniões contrárias, desde que não fossem ofensivas, eram igualmente dignas e passíveis de serem discutidas.
    Se assim é não compreendo a razão pelo qual o meu comentário em: http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/mario-nogueira-com-o-governo-de-passos-8850499 não foi publicado. Terá sido delito de opinião? Se assim for lamento que a liberdade de expressão, tão falada se tenha transformado num adereço de adorno mas desprovido de conteúdo.

    1. Caro António, não faço a menor ideia sobre aquilo de que me fala.
      Aqui no DELITO, como várias vezes temos sublinhado, cada autor aprova ou rejeita comentários no exercício do seu livre critério. Que, em regra, é tão lato quanto possível. Julgo que as evidências falam por sim.
      De qualquer modo, é um critério que só diz respeito a cada um. Assim tem sido, assim continuará a ser.

      1. Caro Pedro, gostei muito, confesso, se vir a este espaço… mas atendendo ao que disse, um comentário a um ‘post’ ser considerado pelo autor em causa um «delito de opinião», presumo que não faz sentido algum continuar a «vir aqui».

        Permita-me contudo, que sobre bajulação, que só pode ser denunciada num sentido não no inverso – essa a razão do meu texto ser considerado delito de opinião -, lhe deixe um texto para análise e que o Pedro pode, se assim o entender, mostrar ao autor do ‘post’ em causa:

        «Uma anedota medieval ilustra a dificuldade que pode haver em mentir aos outros sem o fazer a si próprio. É a história do que aconteceu uma noite numa cidade: uma sentinela estava postada na guarida noite e dia para prevenir as pessoas da aproximação do inimigo. A sentinela era um homem dado às brincadeiras de mau gosto e naquela noite tocou o alarme apenas para causar algum medo às pessoas cidade. Teve um sucesso espantoso: toda a gente se lançou para as muralhas e a nossa sentinela acabou por fazer o mesmo. Por outras palavras, quanto mais um mentiroso tem êxito, mais verosímil é que seja vítima das suas próprias invenções. De resto, o brincalhão preso na sua própria mentira, que embarca no mesmo navio que as suas vítimas, parecerá infinitamente mais digno de confiança que o mentiroso de sangue frio que permite saborear a sua farsa do exterior.»

        In: ARENDT, Hannah – Verdade e política. Lisboa : Relógio d’Água, 1995. p. 46

        Sendo assim, caro Pedro, com a sua devida licença – afinal foi com um texto seu que eu aqui vim ter – retiro-me dos comentários aos textos deste blog com esta frase:

        AntónioF

          1. Como estou aqui finalmente longe do bulício da capital por uns dias, tenho alguma paciência extra para mistérios e cabalas (pus 300 kms entre mim e algumas chatices, como diz um amigo meu…).

            O facto é que o comentador “António F.” tem um comentário lá onde se queixa de não o ter: é um comentário na minha modestíssima opinião incompreensível mas está lá como todo o direito que lhe assiste.

            E começa assim: “De AntónioF a 21.10.2016 às 13:44”

            A menos que tenha feito um 2º comentário, ainda que eu ache que aquele já nos fornece “pistas suficientes”.

          2. Nada que me surpreenda, meu amigo. Agradeço-lhe a achega oportuna que aqui traz.
            Assim termina uma charada que, a bem dizer, nem chegou a começar.

          3. Um pequeno parentesis, caro Pedro.
            Não tenho pudor algum em pedir desculpas por algo de errado que tenha feito ou omitido, não é de todo o caso. Como não visualizo o meu comentário ao referido ‘post’, mantenho, com muita pena minha, o que escrevi. O que é triste!
            Por certo outros leitores com permissões (termo informático) diferenciadas das minhas o visualizem… eu não (qualquer comentário que eu faça tem que ser registado e autorizado para publicação pelo autor do texto em causa – esse é o procedimento habitual -, pois a publicação nunca é imediata – assim vai acontecer com este).

            Visualizo somente, no ‘post’ em causa, os seguintes comentários (se pudesse, caro Pedro, enviar-lhe-ia um«printscreen» onde confirmaria o que digo):
            De sampy a 20.10.2016 às 22:22
            De sampy a 20.10.2016 às 22:27
            De am a 20.10.2016 às 22:38
            De sampy a 20.10.2016 às 22:51
            De sampy a 20.10.2016 às 23:03
            De sampy a 21.10.2016 às 09:39
            De V. a 21.10.2016 às 00:12
            De Luís Lavoura a 21.10.2016 às 09:38
            De jo a 21.10.2016 às 09:48
            De Zé a 21.10.2016 às 11:35
            De jo a 21.10.2016 às 09:56
            De V. a 21.10.2016 às 11:34
            De kika a 21.10.2016 às 13:22

            Por isso, caro Pedro, não acho que deva nenhum «pedido de desculpas pela acusação infundada» e repito a pergunta: terei cometido, para o autor do texto em causa, algum «delito de opinião»?

          4. Meu caro, dois breves considerandos da minha parte para encerrar o caso:

            1. Como já lhe foi apontado, e até nem por mim, o seu comentário encontra-se lá. No local onde diz que não está. Ei-lo:
            http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/mario-nogueira-com-o-governo-de-passos-8850499?thread=67820611#t67820611

            2. Qualquer dúvida que ainda possa alimentar sobre a questão será seguramente esclarecida no local próprio, pelo meu colega autor do texto em causa. Como já lhe referi, cada autor do Delito gere o diálogo com os seus próprios autores, sem procuração de terceiros. Não há necessidade de apresentar reclamações com destinatários errados. Isso aliás parece-me de todo descabido.
            E por aqui me fico.

      1. Sim, também acredito que sim. Há sempre uma fase mais intensa mas depois da novidade as coisas adaptam-se a normalidade.

        Creio no entanto que a internet alterou bastante a maneira como lemos. Sobretudo a capacidade de ler coisas demoradas, mais longas — o nosso “attention span” parece mais curto.

        Eu sinto isso, pelo menos. Mas também pode ser mau feitio 😉

        1. Há uma tendência crescente para a dispersão, para a desconcentração. Fixar um ecrã com várias “janelas” abertas redunda nisso. Aliás os professores queixam-se desse défice de concentração dos alunos.
          Julgo que será corrigido por outro mecanismo qualquer. A História (com agá maiúsculo) nunca é linear, é feita de avanços e recuos.

  2. QED, desde “A brave new world”, passando por “Wargames” “Terminator”, etc.
    E tão verdade…
    A dependência é absoluta.
    Comunicar… será?

    Escrever com tinta em papel, telefonar num macaco negro… Conversar articulando palavras…
    Passado ou futuro ?

    1. Futuro, Dulce. O futuro nunca será o dos gloriosos amanhãs que cantam que alguns entoam nem tão negro como outros predizem.
      Lembro-me sempre da cena final de ‘Fahrenheit 451’, num mundo oficialmente sem livros mas com os leitores clandestinos exercendo a resistência nas florestas, recitando em voz alta o que memorizaram dos autores clássicos.

  3. A sentença tem de ser interpretada, como qualquer outra, no seu contexto.
    Se a tendência se mantiver (e nada prova o contrário), no limite, o autor tem toda a razão.
    O que acontece é que os que já nasceram ou pelo menos cresceram neste mundo das novas tecnologias de informação, melhor, de comunicação, nunca compreenderão a mensagem do post.
    Há informação que as novas tecnologias nunca poderão comunicar.
    E esta é uma delas.
    João de Brito

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