Paris. 7 de Fevereiro de 2015
Há dois anos morrias nos meus braços, à saída de um hospital em Berlim, do qual te haviam dado alta. Estavas seguro de que a queda que sofreras não teria quaisquer sequelas. Tanto, que aquilo que mais querias – voltar para Paris e sentar-te frente ao Sena, como tantas vezes fizemos -, não podia esperar mais. No corredor para a saída quase voaste para o táxi que nos levaria ao aeroporto.
Não consigo ter memória dos dias que se seguiram. Só consigo lembrar-me da tarde em que voltei para nossa casa e, ao abandono, me sentei no teu cadeirão.
Julgo que terão passado horas sem que o meu corpo mexesse um só músculo ou o meu cérebro sofresse qualquer estímulo. Apenas o meu coração terá continuado a trabalhar de motu próprio.
Dizer que sinto a tua falta é muito pouco. O que eu sinto é uma ausência profunda, uma dor fina mas contínua em cada hora destes 730 dias que passaram sobre mim. Procuro e não encontro essa tua imensa energia, essa ternura com que me amavas, essa força que transmitias aos projectos que comigo fazias.
O que me mantém viva é, afinal, a lembrança do amor que tinhas por mim!

E que essa força continue contigo, Helena. Beijinho
Cara Helena. Um abraço com a nossa amizade.
Obrigada. Um abraço aos dois.
Ñão há melhor razão do que essa para se continuar a viver, Helena.
Um abraço muito apertado, Helena.