Pacheco Pereira desta vez decidiu cuspir na mão que lhe dá de comer. Atacou "o Público" pelo destaque que deu ao lançamento da candidatura de Elisa Ferreira e aproveita para lançar umas atoardas sobre a falta de isenção do jornal. No mesmo saco meteu o JN:
"Público e o Jornal de Notícias têm conflitos antigos com Rui Rio. Em nenhum destes jornais o reporting sobre o Porto (feito pela redacção do Porto do Público e pela redacção do Jornal de Notícias) deixou de o combater de mil e uma maneiras. Agora rejubilam com a candidatura de Elisa Ferreira, dando-lhe um tratamento entre o muito simpático e o apologético. Basta comparar as capas e o interior dos jornais, desde as setas para cima, até às múltiplas afirmações de apoio à candidata, a sua valorização em termos de suporte eleitoral (mundo da "cultura", futebol, Pinto da Costa, etc.) e de cuidado tratamento gráfico. Muito bem, aqui está um caso em que se justificava, pelo respeito aos seus leitores, um apoio editorial que nos esclarecesse que o jornal tinha tomado uma posição favorável a Elisa Ferreira e ao PS e hostil a Rio e ao PSD. Os leitores merecem isso, em vez de apoios disfarçados de notícias. Sempre terei muita curiosidade em ver a que candidatos autárquicos o Público e o Jornal de Notícias vão dar o mesmo tratamento de favor."
Nunca levei PP a sério, porque nunca fui à bola com quem escreve e fala para o umbigo, à espera dos aplausos e todos os dias, ao levantar, pergunta:
"Espelho meu, há blog mais belo do que o meu?"
Este naco de prosa, no entanto, merece uma transcrição, porque revela que PP perdeu a noção do ridículo. E quando assim é, sinto dó!

Eu pelo PP nem dó, nem ré, muito menos mi, fá nem pensar, sol completamente fora de questão, lá impensável, si de modo algum… rien de rien…
:))
Nem sustenidos?
Nem falsete, quanto mais…
:)))
Tu tens é inveja, pá. Mas nem lhe chegas aos calcanhares.
Portanto quem escreve num jornal não pode criticar o mesmo jornal, com razão ou sem ela, porque está a “cuspir na mão que lhe dá de comer”. Estou vendo. O Amigo conhece sem dúvida os conceitos de independência, frontalidade, etc. São opostos aos de servilismo, amiguismo, etc. E esta tese do seu post, que não acredito que verdadeiramente subscreva, remete para uma subserviência que a ética de um blogger, ou a ética tout-court, não recomendam.
Provavelmente é a primeira vez que me lê , caso contrário saberia que essa frase está carregada de cinismo ( Deus perdoai-me por ser tão mauzinho…)
Na verdade, como reconhece, sou incapaz de aceitar o servilismo e as teses bacocas dos que pensam que uma pessoa, lá por ter sido nomeada por outra, ou dela ter recebido um favor nunca poderá agir de forma independente. Infelizmente há quem pense e aja dessa forma, mas não eu.
Obrigado pelo seu comentário, que me deu oportunidade de esclarecer alguns leitores que possam ter incorrido no mesmo juízo,
Sobre a cobertura do Público não posso falar porque não a li. Mas sobre o JN, não tenho a menor dúvida que Pacheco Pereira tem toda a razão. Foram duas páginas de publicidade gratuita a Elisa Ferreira. Aliás as guerras de Rui Rio com o JN são antigas, e era de esperar este tipo de cobertura. O presidente da CM do Porto sempre teve uma imprensa muito hostil na cidade do Porto. Isso não é novidade para ninguém.
Sabe, certamente, a que se deve essa hostilidade…
Quano ao Público, considero a cobertura de uma página perfeitamente normal, atendendo a que se trata da segunda cidade do país. Espere para ver quantas dedicará a Lisboa…
Quanto ao JN não li, mas sendo o jornal mais importante da região norte do país…
Ou seja,
Admite que a cobertura do JN é completamente parcial e venenosa para com Rui Rio? E acha isso normal? Não será que Pacheco Pereira tinha toda a razão no que disse?
E já agora, o que quer dizer de o JN ser o jornal mais importante da região do norte do país? É normal que apoie um candidato? Se for assim, espero que o JN tenha a honestidade de assumir desde já o seu comprometimento com Elisa Ferreira e não ande a fazer páginas de publicidade vergonhosas como aquelas que publicou esta semana.
Já reparei que tem o condão de ler nos meus posts coisas que não escrevo. Como posso admitir que o JN foi parcial se, com afirmo, nem sequer li?
“Quanto ao JN não li, mas sendo o jornal mais importante da região norte do país…”
Então tenha a bondade de esclarecer esta frase, que foi antecedida pela sua compreensão relativamente à hostilidade da imprensa do norte relativamente a Rui Rio.
“Muito bem, aqui está um caso em que se justificava, pelo respeito aos seus leitores, um apoio editorial que nos esclarecesse que o jornal tinha tomado uma posição favorável a Elisa Ferreira e ao PS e hostil a Rio e ao PSD. Os leitores merecem isso, em vez de apoios disfarçados de notícias.”
Concordarei talvez com o JPP, desde que ele tenha a mesma exigência relativamente à posição do Público (blog do Eng.Belmiro) quando se trata de José Sócrates.
Não podemos ser demasiado exigentes com Pacheco Pereira. O homem deve estar destroçado depois de ter lido a Pública de hoje, com refere com notável sentido de oportunidade o João Carvalho, num post mais acima.
Mas há uma coisa que é certa: seja lá qual for o seu estado de espírito, JPP tem quase sempre razão, e nos casos concretos tem TODA a razão. Mesmo
“mordendo a mão de quem o alimenta”, ou talvez por isso mesmo: nem a mão que o alimenta (se for esse o caso, tenho as minhas dúvidas) o cala.
Só foi pena que o «índice do situacionismo» desta vez tivesse ficado esquecido, não foi?