Oxalá


Teresa Ribeiro,

À medida que a torre de escritórios onde trabalho volta a ganhar vida, começam a surgir situações como a de ontem: quando ia a entrar, uma rapariga preparava-se para sair, de modo que avancei, segurando na porta, que tem uma mola forte, para ela passar. Acto contínuo a menina passa e quando está bem em cima de mim, prega-me com um sorridente “obrigada” nas bochechas. Nem eu, nem ela tínhamos máscara. Hoje, pelo sim, pelo não, usei uma.

Imagino que incidentes destes começam agora a acontecer, aos milhares, todos os dias. A par das mais variadas manifestações que expressam a euforia do desconfinamento. Na segunda-feira, quando descia a pé o jardim do Campo Grande, topei uma miúda que conheço bem. Estava com um grupo de amigos, todos num alvoroço, ao colo uns dos outros, a matar saudades da vida. Por acaso sei que a mãe dela tem um grave problema de saúde que a coloca na primeira linha para… Enfim, tudo isto é inevitável, mas confesso que esta sensação de me encontrar à mercê da consciência cívica dos outros, me está a causar bastante desconforto.

Vamos, é claro, surfar uma segunda onda em grande estilo, lá mais para o Outono. Nessa altura, ainda hei-de ver muita desta gente que agora tanto se alvoroçou contra as abusadas interferências do Estado, a correr para o SNS a gritar pela mãe. Oxalá me engane…

37 comentários em “Oxalá”

  1. Bom dia ,
    se me permite , vou dar-lhe um conselho , tire esse medo dentro de si , tenha esperança , olhe para as boas notícias , não se foque tanto nas mas notícias , e tenho a certeza de uma coisa , a mãe dessa menina quer que ela seja feliz e tenha um futuro .
    Se continuarmos com medo e em confinamento ninguém terá futuro , seja eles mais velhos ou mais novos .

    Luis Almeida

    1. Eu cá por mim prefiro que os kamikazes se infectem todos e depressinha para ganharmos a tal imunidade de grupo, vá lá, chegue-se à frente.

  2. Como este ‘obrigada’ haverá muitos casos destes, diria, até, milhares de casos como este. Manias da boa educação.
    Assim, seria uma excelente/genial ideia apresentar uma proposta ao país, para além das máscaras, luvas, 2,5 m de distância, ser proibido falar sem máscara e abrir, como na telescola, aulas de linguagem gestual, de preferência bilingue não tarda nada vão aparecer turistas, mas ao mesmo tempo não se considerar na matéria dada o esbracejar, chega de populismos, e as línguas espanhola e italiana por não estar garantida a total imunidade.

  3. Nem eu, nem ela tínhamos máscara. Hoje, pelo sim, pelo não, usei uma.

    Era obrigação tanto da Teresa como da outra mulher usar máscara no local de trabalho, incluindo antes de entrar nele. Precisamente por causa de cenas como esta em que a Teresa participou. No meu local de trabalho é atualmente obrigatório usar máscara. (Embora eu não use porque não está cá, basicamente, mais ninguém.)

    1. Como expliquei há dias, tenho estado sozinha no escritório e o prédio esteve muito vazio durante o Estado de Emergência, daí não ter sentido necessidade de levar máscara para o trabalho, até anteontem…

  4. a mãe dela tem um grave problema de saúde que a coloca na primeira linha

    Se a mãe tem está na primeira linha, deve proteger-se. Não deve fazer transitar esse dever para a filha.

    A filha tem o direito de se divertir, de ter a sua vida, de beijar uns rapazes que até podem estar contaminados, etc. É a vida dela, ela é jovem e tem o direito e o dever de gozar a vida. A mãe, que é velha e doente, é que tem o dever de se proteger. Eventualmente, deixando de contactar com a filha.

    (Na Suíça, tornou-se proibido por lei os avós contactarem com os seus netos. Precisamente porque os netos têm o direito de estar infetados, mas os avós é melhor que não o fiquem.)

    1. Estava a falar de uma miúda de 19 anos, que naturalmente vive com os pais. E numa mãe que ainda não chegou aos 50. Como vê, o tiro foi ao lado. Quem gosta de aligeirar a análise destes problemas esquece-se que a realidade é mais complexa.

      1. A minha opinião mantém-se. A juventude tem prioridade sobre a velhice. A miúda de 19 anos tem o direito de fazer a sua vida. Ela precisa de conviver com os amigos, eventualmente de arranjar um namorado, eventualmente de ir para a cama com ele, e eventualmente de engravidar. Esse é que é o futuro, e o futuro desejável. A mãe, com 50 anos, deve pensar em proteger-se o melhor que puder. Não deve pensar em impedir a filha de construir o seu futuro.
        Há mais que fazer na vida do que impedir a morte.

        1. Ah! isso sim! um radioso futuro. Um futuro capaz de levar pela inveja, ao suicídio colectivo da juventude feminina deste país:
          Há lá agora futuro que suplante o de uma jovem de 19 anos que ainda vive com os pais: o que significa estudos por concluir, emprego por arranjar, casa para morar, dinheiro para viver, enfim; tudo quanto uma vida normal necessita para singrar, do que ir para a cama com o namorado e engravidar?
          Invejável futuro. Ai não que não é.

  5. esta sensação de me encontrar à mercê da consciência cívica dos outros, me está a causar bastante desconforto

    Esteja confortável, Teresa. Não tenha medo do vírus. A Teresa não faz parte de nenhum grupo de risco (penso eu). Pode adoecer com o vírus, tal e qual como pode apanhar uma gripe – e isso não é razão para ter medo. Não precisa de se esquivar do vírus, tal e qual como no inverno não anda cheia de medo de contrair gripe. Se a Teresa apanhar o vírus, pois bem, não haverá problema nenhum – o seu sistema imunitário dará conta do recado.
    Não entre na paranoia, Teresa. Lembre-se: muito mais que uma epidemia, isto é sobretudo uma paranoia.

    1. eu não teria tanta certeza, É uma paranóia mortal para o tal grupo de risco e para outra gente; causa, segundo parece, intenso sofrimento; e não é uma gripe. Lamento sinceramente os profissionais de saúde em contacto com os casos de infectados e em risco de vida, só a fardamenta já satura, mas há tudo o resto. Esses sim, estão a ser admiráveis e deviam ter remuneração e férias extra pelo tempo que ali permaneceram no posto.

      1. causa, segundo parece, intenso sofrimento; e não é uma gripe

        Claro que não é gripe, mas é uma doença com sintomas e incómodos similares aos da gripe. Aliás, até em geral mais ligeiros do que os da gripe. E não causa intenso sofrimento: as pessoas ficam com tosse, um bocado de febre, enfim, nada de mais.

        A imensa maior parte (85%, creio) das pessoas cura-se de covid19 da mesma forma que se cura da gripe: ficando em casa um par de dias e tomando, eventualmente, 2 ou 3 comprimidos de antipirético.

        Por isso mesmo digo à Teresa que não deve ter medo, não deve ficar angustiada, que lhe transmitam o vírus.

      1. Não faço parte de turma nenhuma, já não ando na escola há muito tempo.
        E gostaria que a Teresa tivesse respeito pelas minhas opiniões e me tratasse com respeito, tal como eu faço à Teresa.

        1. Desrespeito nenhum! Turma é a expressão informal que os brasileiros usam para designar grupo. Usei-a por associação a Bolsonaro, que popularizou o epíteto de resfriadinho aplicado à Covid 19. Parece-me justo associar quem insiste que isto é mais uma “paranóia” que uma pandemia à tese da distinta personagem. A si, não?!

  6. Continuo a não observar qualquer preocupação em sensibilizar as pessoas a usar convenientemente a máscara nem a elucidar em que ocasiões esta deve ser usada. O estado foi muito rápido a impor o uso obrigatório, a definir multas, mas pouco ou nada fez na sensibilização para uma utilização correta.

    1. É basicamente impossível sonhar com uma população inteira a usar máscara corretamente. Muito menos num tempo quente como o português em breve será.
      Pedir à população para usar máscara já é muito. Pedir-lhe para a usar corretamente (só tocar a máscara com mãos lavadas, não mexer na máscara durante o seu uso, guardar a máscara num sítio desinfetado, etc) é de mais.

        1. E os que vejo na rua a baixar a máscara e a fumar? Também é o Estado que tem culpa? E depois ficam com a máscara no pescoço, até já vi na cabeça!!! Vai andar um polícia atrás de cada um? Caramba eu tenho 66 anos e já aprendi e percebi como e onde devo usar a máscara.

          1. Se a ideia é a desresponsabilização do estado então este deve assegurar que facultou os meios e a informação necessária à população, através da Comunicação Social, Publicidade Estática, etc… Só o facto de não se discutir este aspecto, se a informação/sensibilização é suficiente, já será preocupante, porque este será um dos fatores mais importantes para o sucesso do desconfinamento.

    2. Ainda mais? Está por todo o lado,nas TVs têm explicado. Eu no outro dia disse a uma pessoa que tinha que tapar o nariz também, respondeu que sabia muito bem… Perante esta resposta.

    1. Pois, o meu plano de férias foi todo por água abaixo. Ainda por cima acumulei do ano passado uma semana não gozada. Ainda não sei o que hei-de fazer com tanto tempo livre 🙁

  7. Partilho inteiramente o desejo de que se engane, mas desejaria ainda mais que se informasse um pouco sobre os modos de transmissão do vírus.

    Veja aqui, por exemplo (não é, nem de longe, o primeiro que vejo sobre o tema e todos com conclusões semelhantes):

    https://twitter.com/mugecevik/status/1257392347010215947?s=04&fbclid=IwAR0KifCJQSfBpkSoN-4PwO4CAM4kvwfpqTeyaOgnXcKAMyj6luMGKrS8qvA

    O medo é como os venenos: até certo ponto são úteis e depois paralisantes.

    1. Tanto que não me paralisou que não estive sequer em teletrabalho, nem ninguém no meu agregado familiar. Mas o que sei sobre a fragilidade do nosso SNS, a falta de educação cívica dos portugueses e as deficientes condições em que vivem milhares de pessoas neste país de gente empobrecida, faz-me recear o pior.
      Estatísticas, estudos e teorias à parte, estas são as nossas circunstâncias. E as nossas circunstâncias não nos favorecem.

  8. Antes de mais, queria deixar-lhe uma mensagem de tranquilidade, suportada pelos números do que está a acontecer pelo mundo, visualizados em dois gráficos.

    https://ourworldindata.org/grapher/covid-deaths-days-since-per-million?zoomToSelection=true&country=AUT+BEL+CAN+CZE+DNK+FRA+DEU+ISR+ITA+JPN+NLD+PRT+SGP+ESP+SWE+CHE+TWN+USA

    https://ourworldindata.org/grapher/daily-covid-deaths-per-million-7-day-average?country=CAN+ITA+NOR+PRT+KOR+ESP+SWE+CHE+GBR+USA

    Apesar de, desde há cerca de dois meses, ter defendido inúmeras vezes neste blogue o uso obrigatório de máscara (para proteger terceiros) em todos os recintos fechados, públicos ou acessíveis ao público, quando olho para as curvas da Suécia, nos gráficos cujos links figuram acima, confesso que não vejo diferenças assinaláveis no seu comportamento, quando comparadas com outros países que impuseram quarentenas cegas.

    Por outro lado, hoje sabe-se muito mais sobre a doença e sobre aquilo que realmente conduz à morte nos casos mais graves. Para além da distribuição por faixas etárias, por sexo e patologias antecedentes, que os números já vinham a mostrar, fruto de 70 autópsias realizadas por patologistas em Itália foi possível concluir (artigo ainda não publicado) que se morre não por pneumonia intersticial, mas por deterioração da camada interna dos vasos sanguíneos (endotélio), o que conduz a micro-tromboses. Isto era algo que já vinha a ser teorizado a partir de observações clínicas e que encontra fundamento no bloqueio da enzima ACE2, à qual o vírus se liga. Podia citar artigos cientícos a corroborar, mas acho que não vale a pena.

    Sobre o que referi acima tenho confirmação e, ao que parece, o protocolo de tratamento italiano estará a mudar para antibióticos, anti-inflamatórios e anti-coagulantes, o que ainda não consegui confirmar. Mas não deixa de ser curioso verificar que não há histórico de hospitalizações de doentes com artrite reumatóide, habitualmente tratados com corticóides (anti-inflamatórios potentes).

    Não resistindo à citação de artigos científicos (enorme defeito) porque se trata de algo útil, deixo-lhe link de um artigo onde se mostra a importância da vitamina D no funcionamento do sistema imunitário, no que a este vírus diz respeito.

    “Patterns of COVID-19 Mortality and Vitamin D: An Indonesian Study”

    ( https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=3585561#.XqWfqZvYqW0.twitter )

    PS – Pelo facto de ser mulher, dizem os números que se encontra desde logo em vantagem. Mesmo assim, recomendo um suplemento de vitamina D. Não se admire se aparecer por aí algum palerma a insultar-me. Continua a acontecer.

      1. Mais evidência científica sobre os benefícios da vitamina D para o sistema imunitário.

        “The role of vitamin D in the prevention of coronavirus disease 2019 infection and mortality”

        ( https://link.springer.com/article/10.1007/s40520-020-01570-8 )

        “Vitamin D supplementation to prevent acute respiratory tract infections: systematic review and meta-analysis of individual participant data”

        ( https://www.bmj.com/content/356/bmj.i6583 )

        “The Role of Vitamin D in Suppressing Cytokine Storm in COVID-19 Patients and Associated Mortality”

        (https://www.medrxiv.org/content/medrxiv/early/2020/04/10/2020.04.08.20058578.full.pdf?mod=article_inline )

        “Vitamin D Insufficiency is Prevalent in Severe COVID-19”

        ( https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.04.24.20075838v1 )

        “Vitamin D Supplementation Could Possibly Improve Clinical Outcomes of Patients Infected with Coronavirus-2019 (COVID-19)”

        ( https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=3571484 )

        “Vitamin D deficiency 2.0: an update on the current status worldwide”

        ( https://www.nature.com/articles/s41430-020-0558-y.pdf )

        “Vitamin D supplementation could prevent and treat influenza, coronavirus, and
        pneumonia infections”

        ( https://endocare.hu/wp-content/uploads/2020/03/Vitamin-D-supplementation-could-prevent-and-treat-influenza-coronavirus-and.pdf )

        “Vitamin D deficiency in Ireland – implications for COVID-19. Results from the Irish Longitudinal Study on Ageing (TILDA)”

        ( https://tilda.tcd.ie/publications/reports/pdf/Report_Covid19VitaminD.pdf )

        “The invisible pandemic”

        ( https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(20)31035-7/fulltext )

  9. O delicioso (ou trágico) é ver tantos especialistas de bancada a perorarem sobre algo de que se sabe tão pouco. Então quando se chegam à frente com “papers” made in Indonésia (essa potência da investigação científica a nível mundial), sinto-me de facto muito reconfortado, vou já ali mamar umas pastilhas de vitamina D e tá feito, bute prá rua festejar. , .

    1. “There have been multiple cross-sectional studies associating lower levels of vitamin D with increased infection. One report studied almost 19,000 subjects between 1988 and 1994. Individuals with lower vitamin D levels (<30 ng/ml) were more likely to self-report a recent upper respiratory tract infection than those with sufficient levels, even after adjusting for variables including season, age, gender, body mass and race[8].”

      “Results of studies looking at potential benefits of administering vitamin D to decrease infection have not been consistent, most likely secondary to a number of methodologic concerns[14]. One recent well-designed prospective, double blind placebo study using an objective outcome, nasopharyngeal swab culture (and not self report), and a therapeutic dose of vitamin D showed that vitamin D administration resulted in a statistically significant (42%) decrease in the incidence of influenza infection[15].”

      “The beneficial effects of vitamin D on protective immunity are due in part to its effects on the innate immune system.”

      “Vitamin D has numerous effects on cells within the immune system. It inhibits B cell proliferation and blocks B cell differentiation and immunoglobulin secretion[31-32]. Vitamin D additionally suppresses T cell proliferation[33] and results in a shift from a Th1 to a Th2 phenotype[34-35]. Furthermore, it affects T cell maturation with a skewing away from the inflammatory Th17 phenotype[36-37] and facilitates the induction of T regulatory cells[38-41]. These effects result in decreased production of inflammatory cytokines (IL-17, IL-21) with increased production of anti-inflammatory cytokines such as IL-10 (Figure 1A). Vitamin D also has effects on monocytes and dendritic cells (DCs). It inhibits monocyte production of inflammatory cytokines such as IL-1, IL-6, IL-8, IL-12 and TNFa[42]. It additionally inhibits DC differentiation and maturation with preservation of an immature phenotype as evidenced by a decreased expression of MHC class II molecules, co-stimulatory molecules and IL12[43-45] (Figure 1B).”

    2. “The role of vitamin D in the prevention of coronavirus disease 2019 infection and mortality”

      ( https://link.springer.com/article/10.1007/s40520-020-01570-8 )

      “Vitamin D supplementation to prevent acute respiratory tract infections: systematic review and meta-analysis of individual participant data”

      ( https://www.bmj.com/content/356/bmj.i6583 )

      “The Role of Vitamin D in Suppressing Cytokine Storm in COVID-19 Patients and Associated Mortality”

      (https://www.medrxiv.org/content/medrxiv/early/2020/04/10/2020.04.08.20058578.full.pdf?mod=article_inline )

      “Vitamin D Insufficiency is Prevalent in Severe COVID-19”

      ( https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.04.24.20075838v1 )

      “Vitamin D Supplementation Could Possibly Improve Clinical Outcomes of Patients Infected with Coronavirus-2019 (COVID-19)”

      ( https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=3571484 )

      “Vitamin D deficiency 2.0: an update on the current status worldwide”

      ( https://www.nature.com/articles/s41430-020-0558-y.pdf )

      “Vitamin D supplementation could prevent and treat influenza, coronavirus, and
      pneumonia infections”

      ( https://endocare.hu/wp-content/uploads/2020/03/Vitamin-D-supplementation-could-prevent-and-treat-influenza-coronavirus-and.pdf )

      “Vitamin D deficiency in Ireland – implications for COVID-19. Results from the Irish Longitudinal Study on Ageing (TILDA)”

      ( https://tilda.tcd.ie/publications/reports/pdf/Report_Covid19VitaminD.pdf )

      “The invisible pandemic”

      ( https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(20)31035-7/fulltext )

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