
Em 1980, o Governo português liderado por Francisco Sá Carneiro – em linha com a decisão assumida por Jimmy Carter, presidente dos EUA, e outros aliados ocidentais – anunciou que retiraria qualquer apoio à participação portuguesa nos Jogos Olímpicos de Moscovo. Em protesto contra a invasão do Afeganistão por tropas soviéticas a mando do ditador comunista Leonid Brejnev, ocorrida meses antes.
Sem ambiguidades de qualquer espécie. Eram outros tempos.

Talvez convenha mencionar que a URSS estava a ajudar o governo afegão a combater a escumalha jihadista de lá, escumalha essa que deu origem aos talibãs que por sua vez deram origem à Al Qaeda e aos atentados de 11 de Setembro. Interessante ver o que este blog defende!
Já cá faltava um kamarada a debitar a bolorenta kassete komuna em louvor do imperialismo soviético.
A URSS queria tanto “ajudar” o governo afegão que a primeira coisa que fez quando invadiu o país foi derrubá-lo e assassinar o Presidente da República desse suposto país “amigo”.
Que me lembre, não estava. Um primo do Rei fez um golpe e derrubou a monarquia. Pouco tempo passado, um outro fez um golpe a soldo de Moscovo. Quando os soviéticos entraram, os EUA começaram a armar a insurreição. Uns eram extremistas, outros não.
Se a URSS tivesse deixado o Afeganistão em paz talvez este não estivesse como está. E vão mais de quarenta anos.
Em 1973, quando a monarquia foi derrubada, os afegãos estavam bem melhor que hoje.
Ah, então para combater um governo autoritário apoia-se um futuro governo ainda mais autoritário. Percebi.
Esse raciocínio aplica-se ao golpe de Estado que derrubou o czar russo em Favereiro de 1917.
Tiraram Nicolau II, aliás barbaramente assassinado no ano seguinte com toda a família, e acabaram por ter Estaline.
Percebeu? Ou pensa que percebeu?
Eles queriam era controlar o negócio do ópio e da heroína, não era eliminar terroristas nenhuns. Essa é, aliás, a única coisa que se pode querer do Afeganistão.
Era atracção pelas papoila, que são vermelhas.
Fosga-se que diferença, o Qatar não exporta pobreza, podemos discordar mas devemos manter alguma coerência.
O Catar importa pobreza e mata-a.
Além de ser um financiador do mais repugnante e sangrento terrorismo internacional.
E eram outros Homens, Pedro. São os homens que fazem os tempos.
1980, 2022.
Todo um mundo de diferença.
Um mundo sem “selfies” nem princípios a flutuar ao sabor das brisas dominantes.
A Dulce tem saudades dos Homens de antigamente. Quando ela era jovem é que era bom.
Que nos anos 80 era bem melhor do que agora? Não duvide balio. Não havia cata-ventos. Havia seriedade, mais honestidade e transparência.
“Quando ela era jovem é que era bom.”
Esta frase (ou parecidas do tipo “como dizia a minha avó”) ouço-a desde criança. O “dantes” é sempre melhor que o “agora”, pelo menos éramos jovens. E quem não gosta de ser jovem?
Faz-me lembrar a preparação para o futuro: este nunca chega. Porque quando chega deixa de ser futuro e passa a chamar-se presente. Nunca ouvi dizer “estou a gozar o futuro que chegou há dias”.
Balio sente saudades do tempo em que era Lavoura.
O que eu disse, Manuela, foi que quando a Dulce era jovem os homens eram bons. E ela também era …
Eu era boa? Ah sim? Como é que sabe?
Mas, se a memória não me falha, Portugal foi dos poucos países “ocidentais” que não boicotou a participação dos jogos de Moscovo.
O governo português boicotou. O comité olímpico tuga foi por sua conta e risco, aliás reduzido à expressão mínima: só foram onze. E não lhes fez bom proveito.
Exatamente. Sá Carneiro errou, imitando o erro dos outros.
A política não se deve misturar com o desporto, ndem com a cultura, nem com a ciência. A colaboração internacional no desporto, na cultura e na ciência deve sempre ser mantida.
Então Taremi esteve muito mal ao não cantar ontem o hino do Irão nem ter festejado os dois golos que marcou, em protesto contra a brutal ditadura dos aiatolás, que prende, tortura e mata.
Obviamente que face a actos desprezíveis e violadores do direito internacional, como o envio de tropas soviéticas para ocupar um país, como fizeram no Afeganistão (e também na Hungria, e Checoeslováquia) que devem ser aplicadas sanções e boicotes a nível desportivo. O país violador tem de ser ostracizado.
Como em 2022 aconteceu (e bem) com a exclusão da Rússia do Mundial e de outras competições desportivas.
Não pode haver benefício do infractor.
devem ser aplicadas sanções e boicotes a nível desportivo
Discordo. O desporto e a cultura devem servir, sempre, para unir a Humanidade. Não devem ser aplicados sanções e boicotes nesses campos. (Nem, aliás, nos outros.)
Cá temos um entusiasta dos Jogos Olímpicos de 1936, organizados pela Alemanha nazi.
Os Jogos Olímpicos de 1936 foram bem bons para os atletas que neles participaram. Entre eles, um preto americano que ganhou muitas corridas. Ainda bem. É sempre bom quando atletas competem entre si honestamente. Que foi o que aconteceu em 1936.
Bem me parecia que havia aqui um simpatizante nazi.
Senti pelo cheiro.
Quando se violam as regras dos Direitos Humanos e a integridade territorial de um país obviamente que o violador de ser penalizado.
Claro. A menos que se entenda que a nação – ou a pessoa – violada “estava mesmo a pedi-las”.
na noite de 28 de setembro só 9 militantes desconhecidos acompanharam ‘o Francisco’
Tanta admiração pelos outros tempos quando tudo se resume naquele bocadinho do texto “em linha com a posição assumida por…”
Cumprimentos
Sá Carneiro nunca iria ao Catar só em busca da popularidade fácil do futebol.
Os tempos, de facto, são outros.
Sá Carneiro nunca iria ao Catar só em busca da popularidade fácil do futebol.
Exatamente.
A ida de Marcelo ao Catar não é criticável por o Catar ser uma ditadura. É criticável porque um presidente não tem nada que sair do país para ir apoiar uma qualquer seleção nacional. Muito menos a expensas dos contribuintes.
Neste caso não vai só o Presidente da República.
Vão também o primeiro-ministro e o presidente do parlamento.
Em escadinha, para não se atropelarem.
Questiono-me se irão de Falcon ou se viajarão na “companhia de bandeira”.
Os Estados Unidos também estão no Catar, aliás até jogaram ontem.
E então? Biden já foi lá, em romaria, fazer ‘selfies’ com os figurantes indianos e nepaleses a agitarem bandeirinhas?
Biden prefere o beisebol.
Faz ele muito bem. Jamais haverá um Mundial de Beisebol no Catar.
E todavia foram esses tempos que nos trouxeram ao tempo em que estamos. Helás.
La Palisse ‘dixit’.
Boa noite Pedro Correia
– Neste caso não vai só o Presidente da República. Vão também o primeiro-ministro e o presidente do parlamento. Em escadinha, para não se atropelarem. Questiono-me se irão de Falcon ou se viajarão na “companhia de bandeira”.
Questiona-se, com toda a legitimidade, creio eu.
Imagine a seleção nacional a passar as fases.
As Exas continuarão por lá, ou regressam a Lx após cada jogo, e voltam para o seguinte, uma vez que há mais que um Falcon, e o Qatar é aqui ao virar da esquina?
Saúde, e muita pachorra para aturar esta farsa
António Cabral
De facto, meu caro, falta mesmo uma farta dose adicional de pachorra para tanto dislate.
Saúde.
Eu vejo uma grande continuidade nos tempos de antes e de agora: o presidente dos EUA decide que a equipa americana não vai a equipa portuguesa também não vai, o presidente dos EUA decide que a equipa americana vai a equipa portuguesa também vai. Portugal continua muito solidário com o grande aliado do outro lado do Atlântico. Qual é a diferença?
Joe Biden também vai ao Catar, como o homólogo português? Olhe que não.
O Biden não vai porque a visita dum presidente dos EUA a qualquer local do mundo coloca perturbações no trânsito, nos hotéis, nas forças de segurança local, etc, e o Catar por esta altura já tem confusão que chegue enquanto o presidente Marcelo não causa qualquer confusão, tanto mais que os cataris nem devem perceber as suas conversas prolixas. Receio sempre as visitas de presidentes dos EUA a Lisboa que felizmente têm sido raras.
Vieram Eisenhower (1960), Nixon (1971, 1974), Carter (1980), Reagan (1985), Clinton (2000), Bush (2003) e Obama (2010).
No entanto dois deles (Nixon e Bush) não saíram da base das Lajes – quase como se estivessem em território americano.
A comparação não faz sentido porque as circunstâncias são outras.
Os chefes amaricanos mandaram boicotar e o governo da altura boicotou. Agora não mandam boicotar, que o gás faz falta, e o governo foi ver a bola.
A Nato esteve 20 anos no Afeganistão, para prender um sujeito que estava escondido no Paquistão, e deixou o que restava do país em cacos, isso não parece ter levado à necessidade de boicotar coisa nenhuma.
O Afeganistão está em cacos desde 1979. Infelizmente para eles terminou há um ano aquele que foi, de longe, o período menos mau. O das duas décadas encerradas em 2021.
A NATO nunca esteve no Afeganistão. Os EUA sim.